sexta-feira, abril 29, 2011

Gato Barbieri

Gato Barbieri

Gato Barbieri (Leandro Barbieri) nasceu em 1932, na Argentina (Rosário). Essa fera do sax tenor é também compositor e se destacou nos anos 60 no movimento chamado de Free Jazz, assim como no Latin Jazz. Nascido em uma família de músicos, Barbieri começou a se interessar a tocar após ouvir Charlie Parker. Passou pela clarineta e depois pelo sax alto, quando tocou com o pianista, também argentino, Lalo Schifrin. Aderiu ao free jazz por influência principalmente de John Coltrane. Como compsitor, seu trabalho mais conhecido é a trilha sonora do filme O Último Tango em Paris, de Bernardo Bertolucci, pela qual ganhou o prêmio Grammy. Após a morte de sua esposa, Michelle, deixou de se apresentar em público, embora ainda tenha gravado esporadicamente.

O primeiro vídeo mostra uma apresentação dele com o guitarrista Santana, interpretando Europa, de autoria deste último.

Neste outro, temos a maravilhosa trilha sonora de O Último Tango em Paris.

Bom final de semana a todos!

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quinta-feira, abril 28, 2011

Jazz no Mundo - parte 4 (Canadá)

Olá, continuando nossa viagem pelo mundo do jazz, aportamos no Canadá, país vizinho do núcleo criador desse gênero que continua ano após ano atraindo fãs e seguidores.

O primeiro canadense que eu me lembro é Paul Bley, que no início de carreira tocou com Bud Powell tendo um estilo parecido com seu conterrâneo Oscar Peterson, mas tendo mais liberdade de experimentação misturando o clássico com o moderno.

Devido essa liberdade artística, Paul já tocou com diferentes artistas de diversos estilos dentro do jazz, como Andrew Hill até Keith Jarrett.

Paul nasceu em Montreal, em 1932, já era um prodígio com o violino quando começou tocar piano aos 8 anos de idade, se formando no Conservatório com 11 anos de idade. Aos 17 anos já era artista fixo do Salão Alberta entrando no lugar de Oscar Peterson que saiu para trabalhar com Norman Granz.

Com 18 anos foi para a renomada escola de música Juliard em NY, onde começou a tocar em clubes com o trompetista Roy Eldridge, o trombonista Bill Harris e os saxofonistas Ben Webster, Sonny Rollins e Charlie Parker.

Paul Bley - Chivas Jazz Festival - São Paulo - 2003



Paul Bley - Chivas Jazz Festival - São Paulo - 2003



Oscar Peterson 

Um dos maiores pianistas que esse Universo já viu/ouviu e consagrou.

Um pianista com uma técnica fenomenal, sua maior influência foi Art Tatum , que também era um pianista de velocidade, destreza e habilidade.

Ao contrário de Paul Bley que misturava diversas escolas jazzísticas, estilos e fraseados, Oscar não fez grandes alterações em seu estilo.

Oscar Peterson iniciou os estudos de piano clássico quando tinha 6 anos de idade, desenvolvendo-se rapidamente, ganhando aos 14 anos um concurso de talentos em Montreal.

À partir disso, se apresentou como convidado em diversas orquestras, em 1950 gravou uma série de duetos com Ray Brown, em 1952 formou um trio com o guitarrista Barney Kessel e Ray Brown no baixo, mais tarde esse trio sofreria uma mudança com a saída de Kessel e a entrada de Herb Ellis.

Esse trio foi um enorme sucesso e gravou diversos álbuns, após 6 anos de parceria Herb Ellis saiu do trio sendo substituído pelo baterista Ed Thigpen, formação que durou até 1965.

Assim como Paul, Oscar Peterson merece um post só dele, tamanha a sua importância no Jazz, mas isso é uma outra história.

Oscar Peterson Trio - "You look good to me"



Oscar Peterson - piano
Ray Brown - baixo
Niels Pedersen - baixo



Diana Krall

A canadense Diana Krall me conquistou desde seu primeiro álbum, com uma levada clássica mas sem esquecer os arranjos mais modernos em diversas ocasiões, pianista e vocalista essa loira de 47 anos só conquistou o mundo após seu terceiro álbum All for you - Um tributo ao Nat King Cole Trio, gravando para o selo Impulse! 

Diana começou os estudos de piano clássico aos 4 anos de idade, sob influência de seu pai, um pianista com uma extensa coleção de discos, mais tarde foi estudar na renomada escola de música Berklee College onde ganhou uma bolsa de estudos. 

O álbum When I Look in Your Eyes de 1999 lhe rendeu um Grammy de Melhor Performance Vocal de Jazz, sendo o primeiro álbum de jazz a ser nomeado para Álbum do Ano em mais de 25 anos de premiação.



Diana Krall - Cry me a river




Diana Krall - Look Of Love (From "Live In Paris" DVD)



Jim Clayton 


Pianista nascido em Toronto, já tocou com Diana Krall e outros astros de jazz, pianista de estilo suave e competente, trabalha ao lado de alguns grupos musicais se apresentando no Canadá e em diversos países.

Jim Clayton em New Orleans



Jodi Proznick

Baixista canadense, vencedor do prêmio GM para músicos jovens em 1993, vem fazendo um ótimo trabalho como músico contratado e líder de um trio na cena canadense, venceu também o Galaxie Rising Star Award no Festival Internacional de Vancouver em 2004, e em 2008 foi indicado ao melhor performance de jazz do prêmio Juno.

Darcy James Argue

Maestro, compositor é hoje um dos mais discutidos e aclamados músicos do jazz canadense, graças à crítica do seu álbum Infernal Machines, sua primeira gravação para uma banda com 18 componentes que foi indicada ao Grammy, vencendo também prêmios na Village Voice Jazz Critics, na DownBeat e Jazz Journalists Jazz Awards. 


Misturando jazz, rock e música clássica, sua banda traz um novo sabor ao mundo jazzístico e arrebata fãs no mundo inteiro, no início pode-se estranhar a mistura de sons e intrumentos em uma faixa ou outra, mas vale a pena se aprofundar um pouco mais na obra desse músico. 

A banda foi formada em 2005 com inspirações de grandes big bands mas com uma intrumentação mais moderna, Darcy é natural de Vancouver com mestrado em Boston, estudou com grandes mestres inclusive com Maria Schneider que fez história com sua orquestra. 


Darcy James Argues "Secret Society" (Le) Poisson Rouge




Darcy James Argue's - Secret Society - National Jazz Awards 2009


Gil Evans 

Um dos maiores arranjadores de jazz, só a sua participação nos 3 principais álbuns de jazz de Miles Davis já valeria esse elogio, Miles Ahead, Porgy and Bess e Sketches of Spain se tornaram clássicos graças à sua qualidade nos arranjos e a genialidade de Miles.

Trabalhou com Helen Merrill, Kenny Burrell, Astrud Gilberto, Steve Lacy, Cannoball Adderley e outros.

Miles Davis e Gil Evans Orchestra


Maynard Ferguson

Trompetista canadense iniciou a carreira na orquestra de Stan Kenton em 1950, depois criou e liderou uma grupo chamado All Star Birdland DreamBand que durou até 1957, criando em seguida uma banda com músicos excelentes como Don Ellis, Joe Zawinul, entre outros.

Faleceu em 2006.

Maynard Ferguson - Somewhere


Espero que tenham gostado da viagem, até semana que vem.

Marcello Lopes

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quarta-feira, abril 27, 2011

John Pizzarelli na Sala do Professor Buchanan's

Olá Músicolatras

Bom sei que hoje não meu dia de postar, mas não poderia deixar de compartilhar esses videos preciosos que encontrei no Youtube. Em sua última e recente visita a São Paulo, o guitarrista de jazz John Pizzarelli participou do programa "Sala do Professor Buchanan's" com o apresentador Daniel Daibem, ao vivo do Bourbon Street e que é transmitido pela rádio Eldorado.

São apenas quatro videos, neles John Pizzarelli acompanhado do seu quarteto formado por Larry Fuller (piano), Martin Pizzarelli (baixo) e Tony Tedesco (bateria), bate um papo super descontraido, fala sobre o jazz e o blues, conta alguns segredos sobre suas técnicas e de quebra ainda presenteia o público com boas músicas.

Não sei ao certo a ordem correta dos videos, então coloquei a ordem que eu assisti pela primeira vez.

Sala dos Professores - John Pizzarelli - Will you still be mine


Sala dos Professores - John Pizzarelli - I have dreamed


Sala dos Professores - John Pizzarelli about blues and jazz


Sala dos Professores - John Pizzarelli - Don´t get around much anymore


Sala dos Professores - John Pizzarelli - I have dreamed


Sala dos Professores - John Pizzarelli - C Jam Blues


Sala dos Professores - John Pizzarelli - "Ring-A-Ding Ding"


Créditos: Canal de leeloodallas100

Site Oficial: Sala dos Professor Bucachanan's

Podcast do programa com o John Pizzarelli: Clique Aqui

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terça-feira, abril 26, 2011

Clássicos do Jazz: Nat King Cole


Identidade

• Nome: Nathaniel Adams Coles
• Nascimento: 17 de Março de 1919
• Local: Montgomery, Alabama, EUA
• Morte: 15 de Fevereiro de 1965
• Instrumentos: Piano e Voz
• Estilos principais: Swing, pop


Entre o jazz e o pop

Os pianistas Art Tatum e Oscar Peterson, expoentes do jazz das décadas de 40 e 50, nem se preocuparam com a possibilidade de serem chamados de imitadores. Ficaram tão impressionados ao ouvir o original trio do pianista Nat King Cole que, tempos depois, começaram a tocar com formações semelhantes. Passado meio século, a influencia de Cole continua bem viva: interpretes em evidencia na cena atual do jazz, como a cantora e pianista canadense Diana Krall ou o guitarrista e cantor norte-americano John Pizzarelli, costumam reverencia-lo como grande fonte de inspiração musical. Ambos até já gravaram álbuns dedicados à obra desse mestre do swing.

Criador de um estilo elegante e leve ao piano, que agitou os meios jazzísticos dos anos 40, Cole praticamente mudou o enfoque de sua carreira, na década seguinte, tornando-se um dos cantores românticos mais populares daquela época. Mona Lisa, Nature Boy, Unforgettable, The Christmas Song e I Love You (For Sentimental Reasons) foram apenas alguns de seus sucessos que dominaram as rádios e o mercado fonográfico por duas décadas.

Ironicamente, essa enorme popularidade também rendeu a Cole alguns desgostos. Não foram poucos os fãs e críticos que se voltaram contra ele por ter trocado a sua cultuada fase jazzística pelo uscesso como a musica pop romântica. E, embora tivesse sentido na própria pele, diversas vezes, os efeitos da segregação racial vigente nos Estados Unidos, o cantor chegou a ser criticado por organizações negras que o acusaram injustamente de ser conivente com o preconceito.

Quatro décadas após a morte de Nat King Cole, o carisma desse influente pianista e cantor não dá sinais de enfraquecimento. Basta conferir o volumoso numero de reedições em CD ou DVD que tem chegado ao mercado internacional, nos últimos anos.

Musica do demônio

Nathaniel Coles tinha quatro anos quando sua família deixou o Alabama em direção ao norte do EUA. Em Chicago, seu pai, ex-açougueiro, realizou enfim o sonho de tornar-se pastor de uma igreja batista. A mãe, que assumiu a direção do coro, foi responsável pelo ensino dos primeiros rudimentos musicais aos quatro filhos. Nat, que desde cedo dedilhava melodias simples no piano da casa, gostava de fazer pose em frente ao radio. Com uma régua na mão, fingia que estava regendo uma orquestra.

O garoto só começou a ter aulas formais de piano ao s12 anos, com a mãe do futuro baixista Milt Hinton. Quando não precisavam dele no órgão da igreja, Nat se juntava ao coro para cantar. O reverendo Coles não gostava de ver seus filhos ouvindo ou tocando musica popular. Para ele, gêneros musicais profanos como o boogie-woogie, o blues ou o jazz, eram armadilhas do demônio.

Isso não impediu Nat de se apaixonar pelo jazz, especialmente pelo piano do grande Earl “Fatha” Hines, sua principal influencia musical. Parceiro habitual de Louis Armstrong, Hines tinha se radicado em Chicago, em 1923. As apresentações de sua banda, no salao de bailes Grand Terrace, eram transmitidas pela radio local com relativa frequência. Mas como o salão ficava próximo a casa da família Coles, sempre que podia Nat saída escondido para ouvir seu ídolo ao vivo, do beco ao lado do Grand Terrace.

A situação começou a ficar insustentável quando Nat, aos 16 anos, se tornou pianista do Solid Swingers. Foi com esse quinteto, liderado por Eddie, seu irmão mais velho, que Nat fez suas primeiras gravações. A sra. Coles teve que interferir para estabelecer um pacto entre pai e filho. Nat poderia sair a noite para tocar nos clubes desde que continuasse tocando órgão e cantando no coro da igreja, mas esse arranjo não durou muito.

No ano seguinte, em 1937, os irmãos Coles conseguiram emprego na banda do musical Shuffle Along. Ao fim da temporada em Chicago, Nat seguiu com o espetáculo para a Califórnia, interessado por uma bailarina do elenco. Embora ainda nem tivesse completado 18 anos, ele se casou com Nadine Robinson, no meio da turnê, em Michigan. Ao chegar em Los Angeles, finalmente decidiram ficar. Ali Nat poderia entrar no mercado musical pela porta da frente.

O trio do Rei

O talento do jovem pianista não demorou a chamar atenção. No inicio de 1938, já se apresentando no Century Club, em Los Angeles, Nat foi convidado para formar um quarteto para uma temporada no Sewanne Inn, um ponto de encontro de músicos locais. Como o baterista não apareceu, ele, o guitarrista Oscar Moore e o baixista Wesley Price começaram tocando em trio, uma formação inusitada para a época, que acabou agradando.

Foi o dono desse clube, Bob Lewis, que apelidou o pianista de King Cole (Rei Cole). E para deixar bem claro o sentido da alcunha, ainda pediu a ele que usasse uma coroa de papel dourado durante as apresentações. Assim nasceu o King Cole Trio, que virou sucesso instantâneo. Além do piano inovador do líder, a própria formação era novidade, numa época em que as big bands tinham praticamente tomado conta da cena do jazz. No inicio de 1941, o trio fez uma turnê nacional, finalizada em uma temporada pelos melhores clubes de Nova York, que durou meses. Já no ano seguinte, o baixista Johnny Miller assumiu o lugar de Wesley Price, convocado para defender o país, na Segunda Guerra Mundial.

Nat chegou a fazer algumas gravações com o trio, por diversos selos, mas o sucesso massivo veio mesmo após o contrato com a Capitol Records, em 1943. Straighten Up and Fly Right, tornou-se hit nacional no ano seguinte. Ironicamente, o sucesso dessa canção nao rendeu um centavo a Nat. Apesar de ser compositor, ele tinha vendido seus direitos autorais por apenas 50 dólares, anos antes. Um carola diria que foi castigo divino: Nat escreveu canções utilizando trechos dos sermões que o pai preparada para os fieis da sua igreja.

O que mais chamava a atenção no estilo de Nat, ao piano, era a leveza de seu toque, bem diferente das mãos pesadas e dos improvisos repletos de floreios dos pianistas do jazz tradicional. Também desenvolveu uma maneira mais moderna de acompanhar, usando acordes concisos e sincopados. Era assim que ele apoiava os solos dos parceiros, completado os ritmos e harmonias, técnica que se tornou conhecida como comping.

Os sucessos do King Cole Trio se seguiram, como Gee Baby, Ain’t I Good to You, (Get Your Kicks on) Route 66 ou I Love You (For Sentimental Reasons). Assim, as portas de Hollywood também se abriram para o trio, que começou a aparecer em vários filmes. Já em 1946, a gravação de The Christmas Song (do cantor Mel Tormé) trazia um evidente sinal de que o pianista começava, aos poucos, a trocar o jazz pelo pop. Essa foi a primeira gravação do trio acompanhado por um naipe de cordas.

Cantor Popular

Nat demonstrou resistência à ideia de cantar com seu trio pelo menos até meados dos anos 40. Quando falava sobre esse assunto, deixava claro que não se considerava um cantor especial. Mesmo na década de 50, quando já tinha se estabelecido como um dos cantores mais populares daquela época, em entrevistas, Nat chegava a criticar a extensão limitada de sua voz. Ao revelar sua surpresa ao ver que as pessoas realmente gostavam de sua voz rouba, dizia: “Essas pessoas enlouqueceram”.

Mas nem a extensão reduzida, nem o timbre levemente rouco o impediram de desenvolver um estilo único de cantar. A começar pelo timbre vocal bem particular, marcado pela negritude do gospel e do blues, gêneros musicais com os quais conviveu desde cedo. Avesso a arroubos dramáticos, Nat cantava com elegância, humor e muito suingue. Além disso, era o que se chamava, na época, de “um contador de histórias”: um interprete capaz de convencer qualquer um de que tudo o que dizia, naquelas canções românticas, era pura verdade.

Dizia a lenda, endossada em parte pela biografia Leslei Gourse, que Nat cantou pela primeira vez, num clube de Los Angeles, a contragosto, só para atender a um frequentador. Chegou a negar o pedido, mas o dono da casa pediu que ele cantasse, por se tratar de um cliente que costumava dar boas gorjetas. Como a versão vocal de Nat para Sweet Lorraine agradou, ele começou a cantar eventualmente.

Gourse também referenda, em sua biografia, a tese de que a guinada de Nat em direção a musica pop foi estimulada por sua segunda esposa, Maria Ellington, uma mulher dominadora e inteligente. Os dois começaram a se relacionar em 1964, justamente o ano em que Nat gravou The Christmas Song. Já nesse episodio a opnião de Maria foi decisiva para que ele aceitasse a ideia de gravar a canção com um naipe de cordas e orquestra, deixando seu trio de jazz de lado.

Gravações posteriores, como as de Nature Boy (1947), Mona Lisa (1949), Too Young e Unforgettable (1951), que também se tornaram sucessos estrondosos, foram delineando, ano a ano, a mutação musical de Nat: o cantor romântico foi assumindo, cada vez mais, o lugar do pianista de jazz. A dissolução do King Cole Trio, em 1965, não poderia ser mais simbólica.

Enfrentando Preconceitos

Para viver como um astro de Hollywood, Nat teve que pagar um preço bem mais alto do que a maioria de seus colegas. Não bastassem as alfinetadas e cobranças dos críticos que jamais deixaram de lamentar a mudança de rumo em sua carreira, ele ainda teve que enfrentar o preconceito racial, de várias formas. O fato de seus discos serem campeões de vendagem em todo o país não o livrou de sofrer a humilhação de ser impedido de morar, com a esposa, num bairro sofisticado de Los Angeles, em 1949. Os futuros vizinhos simplesmente se organizaram para barra-los.

Mais brando foi o caso de seu programa de TV, que estreou no canal NBC, em 1956. Nas noites de segunda-feira, Nat recebia convidados de grande popularidade, como os cantores Ella Fitzgerald, Louis Armstrong, Big Crosby e Harry Belafonte. Nem as criticas, todas bastantes favoráveis, ajudaram. Bancado por cerca de um ano pela emissora graças a boa audiência, o programa de Nat jamais conseguiu um patrocinador até ser cancelado. O fato de ser o primeiro programa em horário nobre da TV americana apresentado por um negro explica a falta de interessados.

Ainda em 1965, Nat fez uma turnê pelo país que passava pelos Texas, onde a segregação racial obrigava plateias a se dividirem: de um lado do auditório ficavam os brancos, o outro, os negros. Já na cidade de Birmigham, no Alabama, a regra segregacionista era outra: Nat teria que fazer dois shows: o primeiro só para os brancos, e o outro só para os negros. O primeiro show mal tinha começado quando cinco homens entraram no palco e agrediram o pianista. Como a policia demorou a intervir, Nat teve que lutar para se defender.

Não bastasse ter sido vitima de um ato de violência, posteriormente Nat foi criticado por militares negros por ter aceitado a segregação da plateia em seus shows. Ao responder que era um artista, não um policial, e que sentia que poderia contribuir para a causa dos direitos civis dos negros, cantando para plateias brancas, o pianista os irritou mais ainda. No bairro do Harlem, em Nova York, seus discos chegaram a ser removidos das jukeboxes de alguns bares e foram esmagados. Nat saiu mais ferido dessa polemica do que da agressão que sofreu em Birmingham.

Essência jazzística

Até morrer prematuramente, aos 45 anos, vitima de câncer no pulmão (só largava os cigarros para tocar piano), Nat conviveu com as queixas e criticas dos que não o perdoavam por abandonar o jazz. De fato, a partir do final dos anos 50, ainda forneceu mas munição para seus desafetos, gravando bobogens como Cachito, Coo Coo Roo Coo Coo Paloma ou Ay, Cosita Linda.

Mesmo assim, Nat jamais chegou a romper de vez com o jazz, algo que, dizia, jamais passaria por sua cabeça. Uma prova disso é o álbum Nat King Cole At the Sands, que acompanha esse volume da coleção. Gravado ao vivo, no Sands Hotel, em janeiro de 1960, ele registra uma performance especial do cantor e pianista à frente de uma big band.

Em meio ao repertorio recheado de standards românticos como I Wish You Love e You Leave Me Breathless, Nat esbanja swing, exibindo seu fraseado tipicamente jazzístico, no vocal de Joe Turner Blues. Já para aqueles que apreciam mais seu lado instrumental, ele desfila com seu piano elegante, interpretando Where or When, In a Mellow Tone e Whatcha’ Gonna Do. A música de Nat King Cole pode ter mudado bastante com os anos, mas sua essência foi, quase sempre, jazzística.

Frases

“Minha voz não é algo do que eu possa me orgulhar. Ela atinge, talvez, duas oitavas de extensão. Acho que é da rouquidão, do ruído da respiração, que alguns gostam” (Nat King Cole, em entrevista ao jornal The Saturday Evening Post, em 1954)

“Aqueles caras costumavam ler as mentes um do outro. Era inacreditável” (O pianista e líder de orquestra Count Basie, elogiando os integrantes do Nat King Cole Trio).

“Nat King Cole, juntamente com Billy Eckstine e Sammy Davis Jr., abriu uma trilha de sangue para músicos e artistas negros. Eles tornaram possível que artistas como Johnny Mathis, Lionel Richie, Stevie Wonder e Michael Jackson atingissem os pontos mais altos do mundo do entretenimento. Nos anos 40 e 50, as coisas eram realmente difíceis para os negros, e aqueles pioneiros tiveram que enfrentar muita coisa para chegar ao sucesso. Nat se apresentava em Las Vegas, em tempos que um artista negro fazia o show principal, no palco maior, e depois era obrigado a comer na cozinha”. (O maestro e produtor Quincy Jones, em 1990, por ocasião dos 25 anos da morte de Nat King Cole)

Curiosidades sobre Nat King Cole

Polêmica: Ao ler ou ouvir as frequentes criticas por ter trocado seu cultuado trio de jazz pela carreira de cantor de musica pop, Nat respondia: “Os críticos não compram discos. Eles os recebem de graça”.

Cigarros: Nat King Cole fumava, em media, três maços de cigarros por dia. E quanto mais fumou, mais sua voz foi ficando rouca. Vem daí a lenda, negada por sua filha Carole, de que ele fumaria tanto justamente para manter o seu timbre rouco. Segundo a biógra Leslie Gourse, que também não confirma essa versão, o cigarro era a forma escolhida pelo cantor para lidar com o stress. Mas, certamente contribuiu para encurtar sua vida.

Milagre digital: Em 1991, a voz de Nat King Cole voltou a frequentas as rádios. Graças à tecnologia digital, sua filha, Natalie Cole – que estreou como cantora aos 11 anos, ao lado do pai, num musical – gravou o sucesso Unforgettable, em duo com a antiga gravação do pai.


Fonte: Coleção Folha - Clássicos do Jazz: Nat King Cole (Volume 1)

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domingo, abril 24, 2011

Jimi Hendrix

Olá Musicólatras...

Hoje vou dividir com vocês um brilhante texto do jornalista Ernesto Wenth Filho. Nele o jornalista faz uma biografia de um dos maiores nomes da guitarra de todos os tempos Jimi Hendrix. Sem mais demoras, com vocês Jimi Hendrix!



Nascido como Johnny Allen Hendrix, depois passando a se chamar James Marshall Hendrix e finalmente conhecido por todo o mundo como Jimi Hendrix, podemos dizer que este homem é uma das maiores, senão a maior lenda da guitarra e do rock mundial.

Filho de James Allen Hendrix, um jardineiro negro, e de Lucille Jeter, filha de uma índia Cherokke, Jimi nasceu nos Estados Unidos, em Seattle, Washington, em novembro de 1942.

Cresceu numa família com problemas, seus pais brigavam muito e acabaram se divorciando em 1951, quando então Jimi foi praticamente criado por sua avó Cherokke.

Em 1958, quando Jimi tinha 16 anos, sua mãe morreu e foi neste ano que seu pai lhe deu o primeiro instrumento musical, um violão de segunda mão, comprado por cinco dólares. Iniciava-se ali a brilhante carreira musical de Jimi Hendrix, que formou sua primeira banda chamada The Velvetones, que durou apenas três meses.

Depois de ver que o filho tinha habilidade com o violão, no verão de 1959, Al Hendrix comprou uma guitarra elétrica para Jimi, que foi tocar com o grupo The Rocking Kings.

Em 1961 Jimi se alistou no exército indo para a divisão de pára-quedistas de Fort Campbell, onde conheceu Billy Cox, que era baixista, e formou a banda The King Casuals. Ficou no exército por aproximadamente um ano, quando foi dispensado após fraturar o tornozelo depois de um salto de pára-quedas. Começou então a trabalhar como guitarrista de estúdio, com o nome de Jimi James. Neste período, que durou até 1965, Jimi trabalhou com diversos artistas do soul e do blues, como Little Richard, Isley brothers, B.B. King, Ike e Tina Turner, Sam Cooke e Curtis Knight.

Em 1966, Jimi resolve montar sua própria banda, a Jimmy James and The Blue Flames, que tinha na guitarra base Randy California e Jimi fazendo os solos. Em Nova Iorque consegue um contrato para ficar tocando numa casa chamada Cafe Wha?. Lá conheceu e trabalhou com Jeff Baxter (que mais tarde tocou nos grupos Steely Dan e Dobbie Brothers) e também conheceu Frank Zappa que tocava em outra casa, no mesmo bairro do Cafe Wha? Aliás, foi Frank Zappa que apresentou a Jimi o recém criado pedal wah-wah, que Hendrix soube usar com maestria e criatividade em suas músicas que estavam por vir.
Também foi no Cafe Wah? que Jimi foi descoberto por Chas Chandler, baixista do grupo britânico The Animals, durante uma de suas apresentações. Naquela noite Chandler ficou impressionado com Jimi e o levou para a Inglaterra ajudando-o a formar uma nova banda, a The Jimi Hendrix Experience, com Mitch Mitchell na bateria e Noel Redding no baixo. Após algumas apresentações em Londres o nome de Jimi Hendrix era falado por todos os cantos do cenário musical, atraindo fãs como Eric Clapton, Jeff Beck, Beatles e The Who.
Através da Track Records, selo do The Who, foi gravado e lançado o primeiro single da banda de Jimi, Hey Joe, que ficou dez semanas na parada inglesa, atingindo a sexta posição nas dez mais!
Logo em seguida, em 1967, Jimi gravou seu primeiro disco intitulado Are you experienced?, considerado um dos mais populares discos de rock de todos os tempos, com músicas que hoje são clássicas como Purple haze, Fire, Foxey lady, Wind cries Mary e a faixa título Are you experienced?.

Com o sucesso, em junho de 1967, Hendrix foi convidado a participar do Monterey Pop Festival, nos Estados Unidos, e lá a The Jimi Hendrix Experience incendiou o público e Jimi literalmente incendiou e quebrou a sua guitarra, sendo que essas imagens foram imortalizadas no filme Monterey Pop, do cineasta D.A. Pennebaker

Ainda em 1967, foi lançado o segundo álbum da banda chamado Axis: bold as love, com faixas como Little Wing e If 6 was 9, que mostravam a sensibilidade e a maestria de Jimi com a guitarra. Já neste disco Jimi demonstrava seu interesse, preocupação e perfeccionismo nas gravações em estúdio e aonde estivesse levava equipamentos de gravação registrando suas idéias e jams com os amigos em fitas. A busca pela perfeição nas gravações, a liberdade para criar e o retorno para os Estados Unidos fizeram com que Jimi iniciasse a construção de seu próprio estúdio, o Eletric Lady Studios, em 1968, em Nova Iorque. O estúdio só foi concluído em 1970, mas a idéia foi o embrião do próximo disco chamado Eletric ladyland, o mais experimental e eclético de todos os seus discos com uma jam-session espetacular na música Voodoo chile, que tinha Jack Casady no baixo e Steve Winwood nos teclados. O disco trazia ainda a regravação de All along the watchtower, de Bob Dylan, na versão mais conhecida de todos os tempos desta música.

Nesta época o envolvimento de Jimi com as drogas não era pequeno e as conseqüências também não, ele já havia sido preso na Suécia por destruir um quarto de hotel e as gravações do álbum Eletric ladyland foram muito conturbadas fazendo com que o produtor Chas Chandler deixasse a equipe. Na seqüência, já no ano de 1969, o relacionamento com a banda também ficou difícil e a Jimi Hendrix Experience acabou.
No verão deste mesmo ano (1969) Jimi montou outra banda, a Gypsy Suns and Rainbows, que trazia o amigo Billy Cox no baixo, Mitch Mitchell na bateria, Larry Lee na guitarra base e Jerry Velez e Juma Sultan na percussão. Foi este grupo que se apresentou no Festival de Woodstock, em agosto de 1969, onde Hendrix fez a famosa e polêmica interpretação do hino nacional americano, a Star spangled banner. A banda acabou logo e em 1970 Jimi formou o grupo Band of Gypsys, ainda com Billy Cox no baixo e agora com Buddy Miles na bateria, fazendo shows memoráveis que foram gravados ao vivo e posteriormente foi feita uma seleção das músicas destas apresentações que originaram o álbum Band of gypsys, lançado ainda em 1970.
Jimi não gostou muito da performance de Buddy Miles e durante uma apresentação no Madison Square Garden tocou duas músicas e antes de ir embora disse ao público: “desculpem por não conseguirmos nos entender”.

Novamente Mitch Mitchell voltou para a bateria e junto com Billy Cox no baixo, Jimi gravou novas músicas para o seu próximo disco chamado de First rays of the new rising sun.
Em agosto de 1970 Jimi ainda participou do Festival da Ilha de Wight, na Inglaterra e depois no Festival de Fehmarn, na Alemanha, voltando em seguida para a Inglaterra.
No dia 18 de setembro de 1970, em Londres Jimi toma nove pílulas para dormir e é encontrado desacordado e asfixiado pelo próprio vômito, no quarto de um hotel, pela namorada alemã Monika Danneman. Ela chama uma ambulância que leva Jimi para o hospital, onde ele acaba morrendo mais tarde. Seu corpo foi levado para os Estados Unidos e enterrado em Renton, no Estado de Washington.
Foram cinco anos como músico, vividos com muita intensidade, com muita criatividade, com muita dedicação e com muito amor à música.

Jimi nos deixou um legado incomparável como músico, compositor, cantor, produtor e arranjador. E suas apresentações ao vivo foram explosivas e inesquecíveis, um verdadeiro showman, uma aula para qualquer um que goste de música.
Viva Jimi!!



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sexta-feira, abril 22, 2011

Moz’ART GROUP

Nessa época da Páscoa, nada como uma musiquinha música clássica.

E de uma forma que provavelmente você nunca (ou)viu. O Moz’art Group, da Polônia, faz gato e sapato de seus instrumentos. O grupo é composto por Filip Jaslar (primeiro violino), Michal Sikorski (segundo violino), Pawel Kowaluk (viola) e Bolek Blaszczyk (celo). Eles estão juntos desde 1995 e mesclam clássicos e outros gêneros, sempre com muito humor.

No vídeo abaixo, eles acompanham Bob McFerrin, que também faz um som único, só que com a boca. Ele até se arrisca tocar o Samba de Uma Nota Só no violino.

Boa Páscoa a todos! E não comam todos os chocolates, deixem um pouco para mim.

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terça-feira, abril 19, 2011

Folha: Clássicos do Jazz - Por dentro de cada volume

Olá Musicólatras.

Como prometido no post anterior, gostaria de falar sobre a minha ideia. O titulo do post já diz praticamente tudo. Pois bem, em 2007 a o jornal Folha de São Paulo lançou a excelente coleção Clássicos do Jazz. Para quem não sabe ou não se lembra, foi uma coleção com 20 volumes, sendo um a cada domingo. Cada volume contava a história de um músico de jazz, como Nat King Cole, Ella Fitzgerald, Chet Baker, Miles Davis, entre outros. Na época fiz questão de fazer a coleção, então todo domingo era sagrado, passar na banca e adquirir o volume lançado.

Naquela ocasião eu estava começando a curtir jazz e buscava minhas primeiras referências musicais, assim como o texto que eu postei diz, o jazz está acessível a todos, basta se interessar, o jazz não é uma música voltada para elite, pelo contrário. A coleção Clássicos do Jazz contribuiu e muito para aumentar o meu conhecimento desse universo e como cada volume trazia um livreto com a história do músico, era fascinante poder ler todas aquelas histórias, a trajetória de cada um, a forma como eles contribuíram para a valorização e a divulgação do jazz.

A coleção começou no dia 30 de Setembro de 2007 e terminou dia 03 de Fevereiro de 2008. Agora passados três anos, tive a ideia de divulgar ainda mais essa coleção. Lembro que na época do lançamento, eu cheguei a divulgar volume a volume no meu outro blog, o Jazz & Rock. E nesses últimos dias tive a ideia de compartilhar a coleção praticamente na integra com os leitores aqui do Musicólatras, seria algo único e que não vi em nenhum outro blog.

A coleção Clássicos do Jazz não pode mais ser comprada, então quem comprou, comprou, quem não comprou, infelizmente não compra mais. Por isso cheguei a conclusão de que seria um desperdício ter todo esse material em mãos e ao mesmo tempo não repassa-lo de alguma forma, ou seja, a intenção é que os textos ajudem outros iniciantes no jazz, que desperte neles a mesma admiração e interesse que eu tive ao ler cada livreto.

Então como eu tenho a coleção e ela não está mais a venda, creio que posso fazer o que eu achar melhor, não é? A ideia é muito simples. Vou disponibilizar o texto na integra aqui no Musicólatras. Cada livreto conta com uma biografia sobre o músico, dividida em vários "tópicos”. O conteúdo vai além, mas creio que o restante não é tão necessário, que seria a discografia e filmografia, em uma busca rápida você encontra na internet. O interessante é a história. Caso achar necessário, escrevo uma ou outra frase, ou até mesmo uma curiosidade sobre o músico em questão.

Essa é a ideia. Por que decidi fazer um texto explicativo? Simples. Seria estranho começar a postar e explicar ao mesmo tempo, então achei melhor esclarecer e depois começar com os textos. A principio a proposta é postar um livro por semana, como vou ter que digitar todo o material, caso acontecer algum imprevisto, o texto será postado na semana seguinte. As postagens seguirão a sequencia normal da coleção.

01. Nat King Cole
02. Herbie Hancock
03. Louis Armstrong
04. Charlie Parker
05. Art Blakey
06. Ella Fitzgerald
07. Chet Baker
08. Thelonious Monk
09. Benny Goodman
10. Horace Silver
11. Miles Davis
12. Billie Holiday
13. Duke Ellington
14. Chick Corea
15. Ornette Coleman
16. Dizzy Gillespie
17. John Coltrane
18. Al Di Meola
19. Charles Mingus
20. Lee Morgan


Espero que apreciem cada volume, seja você um incitante que está começando a se aventurar pelo jazz, ou não, o fato é que em cada livro você poderá conhecer uma história diferente e com certeza irá se identificar com um ou mais músicos. É claro que nada substitui o original, cada livro tem fotos fantásticas e que eu não vou poder postar, mas independente disso o que vale é a informação, isso é o mais importante. Por enquanto é só, até a semana que vem.

Comercial: Coleção Clássicos do Jazz

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segunda-feira, abril 18, 2011

Introdução: Jazz para todos

Foto: Miles Davis

Olá Músicolatras

Quero compartilhar com vocês um texto excelente do Carlos Calado, retirado de um livreto da coleção Folha Clássicos do Jazz. É apenas um apertivo e que servirá como introdução do que está por vir. Amanhã irei fazer um post, explicando sobre uma ideia que eu tive e que pretendo por em prática, não é nada demais, mas creio que irá ajudar muitos iniciantes a entender ainda mais o universo de jazz, além de ser uma fonte de pesquisa riquissima. Enquanto isso gostaria de pedir que você lesse o texto abaixo, eu achei simplesmente genial, principalmente pela clareza com a qual ele foi escrito.

Por Carlos Calado

Se você é um daqueles que ainda encaram o jazz como um gênero difícil de assimilar, é bem provável que comece a mudar de opinião ao escutar alguns Cds inclusos nessa coleção. Não se espante se, depois de apreciar algumas gravações de Louis Armstrong, Charlie Parker, Art Blakey, Ella Fitzgerald ou Chet Baker, entre outros, você perceber que a aparente dificuldade de penetrar no universo do jazz deixou de assusta-lo.

Ninguém precisa fazer parte de um seleto clube de iniciados, nem saber ler partituras, para curtir a música de um Nat King Cole ou de um Herbie Hancock. O jazz é acessível a qualquer um que, simplesmente, goste de música e tenha abertura e curiosidade suficientes para ampliar seu conhecimento. Claro que alguns dos diversos estilos do jazz são mais complexos do que os gêneros musicais que costumamos ouvir diariamente nas rádios, como o pop ou o rock, mas a maior parte do repertório do jazz é bastante acessível a qualquer ouvinte.

O trompetista norte-americano Wynton Marsalis e seu irmão saxofonista Branford, dois dos músicos de jazz mais badalados nos anos 80 e 90, nunca esconderam em suas entrevistas que preferiam ouvir funk ou rock quando ainda eram adolescentes. Apesar de pertencerem a uma tradicional família de músicos de Nova Orleans e de terem crescido ouvido jazz com frequência, eles resistiam, inicialmente, a assistir concertos de jazzistas. Como outros garotos e jovens de sua geração, na década de 70, os irmão Marsalis sentiam falta do apelo visual da dança ou mesmo das letras das canções tão comuns nos shows de musica pop.

Wynton conta que essa dificuldade inicial se rompeu por volta de seus 12 anos. Um dia, ao ouvir o saxofonista John Coltrane tocar “Cousin Mary” (composição que faz parte do influente álbum Giant Steps, gravado em 1959), sentiu algo parecido com uma revelação. Foi como se ele tivesse obtido o código para abrir um cofre com um segredo valioso. No texto de apresentação desse disco, em depoimento ao jornalista Nat Hentoff, Coltrane explica que o titulo da música referia-se a sua prima Mary, “uma pessoa muito simples, amistosa e alegre”, cujo modo de ser ele tentou descrever por meio dessa composição. Por isso, Coltrane optou pela simplicidade da estrutura harmônica de um blues tocado em ritmo animado.

Claro que esse tipo de experiência é subjetiva, pessoal. Outros poderão escutar essa mesma gravação do Coltrane sem sentirem nada de especial. Mas são comuns os relatos, tanto de músicos como de simples ouvintes, de que se apaixonaram pelo jazz ainda na adolescência, ao ouvirem um improviso bem-humorado de Louis Armstrong, uma balada romântica de Duke Ellington, uma canção interpretada com amargura por Billie Holiday ou um álbum do sempre elegante Miles Davis.

Em geral, a dificuldade sentida por quem ainda não se familiarizou com o jazz surge nos momentos de improviso – o elemento que mais diferencia esse gênero musical dos outros. Também a pouco de improvisação no blues, no soul, no rock ou mesmo na musica erudita, mas em nenhum desses gêneros o uso da improvisação é tão extenso e essencial como no jazz. Os jazzistas criam grane parte de sua música utilizando a improvisação, que nada mais é do que um método de composição instantânea, de criação no ato. É ela que faz do jazz uma arte meio imprevisível, em continuo processo de criação e recriação.

Mesmo que você não saiba distinguir um acorde maior de um acorde menos, ou jamais tenha aprendido a tocar um instrumento musical, pode acompanhar improvisos de um grupo de jazz, tanto em gravações como em concertos, sem dificuldade. O espirito da coisa está em pensar no jazz como uma linguagem semelhante à utilizada pelos seres humanos se comunicarem entre si.

A relação entre os músicos de um grupo de jazz é, de certo modo, similar a um de bate-papo entre amigos. Na hora de improvisar, o jazzista pode – por meio de notas musicais, dos acentos rítmicos e inflexões sonoras ao tocar o instrumento – contar um caso, trocar ideias ou até mesmo discutir com os parceiros. Essa linguagem é praticada por todos, mas a personalidade de cada instrumentista, suas emoções no momento, seu sotaque e vocabulário pessoal, assim como as respostas e intervenções dos parceiros contribuem diretamente para que cada improviso seja único, diferente dos outros.

O fato de a maioria dos jazzistas não ter frequentado escolas ou conservatórios musicais, especialmente até meados do século passado, jamais os impediu de se comunicarem quando improvisam. Nos anos 30, quando perguntavam ao veterano saxofonista Lester Young qual era o segredo de seus elegantes improvisos, ele jamais escondia o mapa da mina: “Você precisa contar uma história”, ensinava. Essa capacidade de improvisar, de criar música na hora, sem recorrer a partituras ou a ensaios prévios, é, certamente uma das qualidades mais encantadoras do jazz.

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sexta-feira, abril 15, 2011

PREPAREM-SE !!!!!!!!!


Musicólatras, li uma notícia que me deixou muito feliz nessa sexta-feira.

A empresa que organiza eventos e shows Time 4Fun vai trazer ao Brasil o Deus Eric Clapton, Aerosmith e Pearl Jam.

Pearl Jam estaria agendado para setembro, talvez eles toquem no Rock In Rio que é no mesmo mês.



Em Outubro é a vez de Eric Clapton e a banda de Steven Tyler se apresenta em novembro.

Agora é torcer pra que sejam efetivados esses contratos e que eles possam tocar aqui no País.



Marcello Lopes

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Ferenc Snétberger

Ferenc Snétberger

O violonista Ferenc Snétberger nasceu em 1957, no norte da Hungria. Era o filho mais novo de uma família de músicos. Desde cedo, tendo seu pai, também violonista, como modelo, Snétberger estudou música clássica e jazz. Hoje ele é mais conhecido pela sua arte de improvisação e extrapolação dos limites de estilo. Sua música inspira-se na tradição romana de sua terra natal, pela música brasileira e pelo flamenco, bem como pelo violão clássico e jazzístico. Já gravou inúmeros álbuns como líder e acompanhante de outros músicos, tendo se apresentado por toda a Europa, Japão, Korea Índia e EUA.

Conheci sua música graças a uma coletânea de jazz, agora é aguardar sua vinda ao Brasil. Enquanto isso, vamos curtindo seu som pela internet mesmo.


Mais vídeos você encontra aqui: http://www.myspace.com/ferencsnetberger/videos
Dados biográficos extraídos do site oficial do artista (clique
aqui)

Bom final de semana a todos!

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quinta-feira, abril 14, 2011

Jazz no Mundo - parte 3 ( Itália )

Olá, continuando a saga jazzística pelo mundo, trago hoje o jazz pela Itália, o país que criou as massas, as melhores óperas também sabe fazer jazz.

Nesse post vou falar de alguns músicos que fazem sucesso na Itália e em outros países, como Enrico Rava, músico nascido em Trieste, que teve influências de Chet Baker, Miles Davis, para estreitar essa convivência musical, Rava muda-se para Nova York onde tocou com os grandes radicais do free dos anos 60/70, como Steve Lacy, Don Cherry, Cecil Taylor e Carla Bley, Charlie Haden, entre outros.

Rava já gravou mais de 40 álbuns como trompetista e compositor, assina mais de 30 gravações como líder e outras 100 como sideman e aos 70 anos de idade não parece querer parar de gravar e surpreender pela sua articulação musical.



Paolo Fresu

Fresu é trompetista e arranjador, nascido em 1961 na Sardenha, após sua experiência com a música pop, que ele descobriu o jazz em 1980 e começou sua carreira profissional em 1982, primeiro ir estudando na Universidade de Siena e, em seguida, gravando para a RAI sob a direção de Bruno Tommaso.

Em 1984 formou-se em trompete no Conservatório de Cagliari (Sardenha), após estudar com o M ° Enzo Morandini e freqüentou a Universidade em Bolonha (DAMS).

Um músico que tem como qualidade a constante pesquisa e exploração jazzística, não só através de diferentes horizontes artísticos, mas também para a intensa procura de outros lugares e situações mais estimulantes para compor e se apresentar.

Tanto que sua extensa carreira inclui diversas apresentações com orquestras de música contemporânea, música antiga, além de trabalhar como jornalista para diversas revistas de música, compor para peças de teatro e filmes.

Também usou outros meios artísticos (pintura, escultura, instalações, vídeo, etc) com vários grupos, colaborando com diversos artistas.

Ele também é o diretor artístico dos Seminários de Jazz em Nuoro, desde 1989, dirige no momento, além de seu próprio quinteto (com Tino Tracanna, Cipelli Roberto Zanchi Attilio e Ettore Fioravanti) às vezes sexteto com a presença de GL. Trovesi ou o belga Vann Erwin, o Duo Fresu-Di Castri, o Trio Open (com Di Castri e John Taylor), o Trio PAF (Fresu.Salis.Di Castri), às vezes junto com a cantora Ornella Vanoni, o pianista Jon Balke ou o acordeonista Antonello Salis.

Fresu além disso, trabalha constantemente com o Quarteto Palatino (Ferris, Romano, Fresu, Benita), o "Celtic Procession", com J. Pellen, o Trio Marchand-Pellen-Fresu, o "Contes du Vietnam" do guitarrista Nguyen Lê, o " Internos "Quarteto, o" Quarteto Treya "sobre a música de Gabriel Fauré, com o australiano pianista Pedro Águas realizando com eles uma intensa atividade na Itália e no exterior.

Ele já tocou nos festivais mais importantes da Itália e do exterior, em todas as casas de prestígio como a Olimpya e na Salle Pleyel, em Paris, no Blue Note em Nova York ou na Konzerthall em Viena. Ele já gravou 160 discos, dos quais cerca de vinte como solista, outros como colaborações internacionais.

Ele tem participado em projetos de gravação de jazz com música étnica (Cordas et Cannas, Tanit, Sardegna il mare oltre, Nguyen Lê, Trilok Gurtu, Jorge Pardo, e Sonos "Memoria, Trasmigrazioni, Soriba Kouyaté), New Age (Popoli / Dal Pane, PP Marrocos, Alice) e Poesia (Minguell / Vicinelli / Al Young / Voce) e a música pop (Ornella Vanoni, Ivano Fossati, Vinicio Capossela).



Stefano Bollani

Bollani se formou em Florença em 1993, estudando jazz com vários professores, e com o professor e pianista Luca Flores, improvisação ao piano.

Passeou por um tempo no estilo pop e se tornou um grande pianista ao trabalhar com Gato Barbieri, Lee Konitz, Pat Metheny, Enrico Rava e Paolo Fresu.

Em 1998, Bollani ganhou destaque na revista especializada Swing Journal e o prêmio de destaque em 2003. 

Bollani já gravou músicas brasileiras em 2007 em seu álbum Bollani Carioca. Sua maior qualidade como pianista é a improvisação. Bollani também é escritor e já publicou diversos livros e apresenta desde 2006 um programa de rádio. 

Em 2008, recebeu junto com Enrico Rava a nomeação para melhor álbum de Jazz no Italian Jazz Awards.


Um dos meus pianistas preferidos vem da Itália, seu nome é Enrico Pieranunzi, nascido em Roma, esse pianista foi influenciado por Bill Evans e McCoy Tyner, e ao longo dos anos foi desenvolvendo seu próprio som.

É considerado um dos melhores pianistas de jazz do mundo, Pieranunzi começou estudar piano com 5 anos de idade, se tornando um profissional aos 19 anos formando um quarteto com Marcello Rosa, um trombonista. 

Pieranunzi já trabalhou ao lado de grandes mestres do jazz como Chet Baker, Art Farmer, Charlie Haden, Enrico Rava e Phil Woods, além disso dá aulas em um conservatório, é solista de um grupo de música de câmara e compõe trilhas sonoras para o cinema. 

Sua música serviu até como tese de doutorado "Além das divisões ou a harmonia dos opostos: uma abordagem à música de Enrico Pieranunzi" defendida na Sorbonne por Ludovic Florin disponível em pdf em francês aqui

Lançou seu primeiro álbum em 1975. Seu site oficial é esse aqui.


Um dos melhores álbuns de Pieranunzi é o Plays Morricone com Marc Johnson e Joey Baron. 


O Daniel escreveu muito bem sobre o Andrea Pozza Trio, que também vale muito a pena conhecer.

A Itália tem diversos músicos fazendo jazz e participando ativamente da cena jazzística européia, escolhi esses para demonstrar a importância do país na divulgação desse gênero.

Espero que tenham gostado, volto a escrever após o feriado da Semana Santa, até lá !!!

Marcello Lopes

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terça-feira, abril 12, 2011

Cantoras de Jazz: Jovens e Talentosas (Pt. 4)

Olá Musicólatras

No ano passado eu fiz uma série de postagens sobre as novas cantoras de jazz, pois bem, passado um ano, descobri novos talentos e sem perder tempo apresento aos musicólatras. No primeiro momento vou falar sobre duas cantoras (que eu já postei no Jazz & Rock). A postagem era para ser um pouco mais longa, mas por falta de tempo, não consegui incluir as outras três cantoras, então a continuação fica para uma próxima postagem. Espero que gostem das dicas.

Se você perdeu a série de postagens "Cantoras de Jazz: Jovens e Talentosas", segue os links abaixo:

Parte 1, Parte 2, Part 3

HARCSA VERONIKA

Harcsa Veronika nasceu em Budapeste, Hungria. Na sua infância e adolescência, frequentou várias escolas de música, onde aprendeu a tocar piano, saxofone e estudou canto e jazz clássico. Em 2008 ela concluiu o seu curso de jazz vocal na renomada faculdade Franz Liszt Academy of Music, em Budapeste. Mais antes, em 2005, Harcsa formou seu próprio quarteto de jazz, com os jovens músicos húngaros, Attlia Blaho (piano), Zoltán Oláh (contrabaixo) e Bálint Majtényi (bateria). O seu álbum de estreia “Speak Low” (2005) foi lançado primeiramente na Hungría e dois anos depois no Japão, pela gravadora independente de Tóquio, a Nature Bliss e não demorou muito para atingir o primeiro lugar em vendas no ranking de cantoras de jazz. Em 2006, a jovem começou a compor suas próprias canções, no ano seguinte lançou o seu segundo álbum "You Don´t Know It's You", com treze canções próprias e em 2008 lançou o seu álbum atual “Red Baggage”. Além da sua carreira como cantora de jazz, Harcsa também participa de outros projetos musicais, ela é vocalista da banda pop Erik Sumo, como convidada participou de projetos de música eletrônica e também atuou em duas peças de companhia de dança, como cantora. A jovem já se apresentou em inúmeros festivais na Hungria, Alemanha, Austria, Suiça, França, Eslováquia e Romenia. No festival de Fringe em Budapeste, no ano de 2007, Harcsa ganhou o prêmio de melhor vocalista/cantora.

Harcsa Veronika Quartet "Spooky" (Chaplin Café June 2007)


MELISSA MORGAN

Melissa Morgan nasceu em Teaneck, Nova Jersey. O seu primeiro contato com o jazz aconteceu devido a sua avó, que tinha uma coleção de discos de várias cantoras, entre elas Billie Holidy, Dinah Washington, Sara Vaughan, Ella Fitzgerald, com um acervo a sua disposição, não demorou para que a jovem Melissa começasse a ouvir, com o tempo isso acabou virando uma inspiração. Apesar da carreira precoce, a jovem já coleciona alguns momentos marcantes, como em 2004 quando ela foi semi-finalista no Concurso de Jazz Thelonious Monk, na ocasião ela cantou diante de um corpo de jurados, que contava com a participação ilustre de Quincy Jones, entre outros. Em 2009, Melissa lança o seu primeiro álbum “Until I Met You”.

Apesar de jovem, Melissa é uma cantora de personalidade e chega ao cenário jazzístico para somar ainda mais. Sua música traz de volta a velha escola do jazz, mas com um toque atual. Em um repertório formado por onze canções, Melissa se destaca por sua performance irrepreensível, sua voz é suave, afinada e forte, características que certamente irão agradar os jazzistas.



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domingo, abril 10, 2011

Theo Werneck Blues Trio

Olá Musicólatras...

Hoje vou falar de um trio ainda pouco conhecido, mas de qualidade indiscutivél! O Theo Werneck Blues Trio traz uma sonoridade vintage, influencia dos musicos de blues "pré-eletricos". Como infelizmente não conheço muito sobre o grupo resolvi postar um pequeno trecho de um texto que esta no MySpace do trio.



Theo Werneck, musico, ator, dj, pesquisador musical, mergulha nas raizes do blues, ritmo avo-pai de todas as expressoes da musica negra e apresenta um repertorio voltado para as origens desse estilo musical e do groove. Raízes do Blues, canções esquecidas, gente esquecida para ser lembrada. O gosto pelo blues rural de sonoridade mais rústica, o kazoo, o diddley bow, o slide, a gaita e os violões national (corpo de metal). Raízes de tudo o que viria depois (rhythm’n’ blues, rock & roll, funky). Mississipi John Hurt, Skip James, Leadbelly, Robert Johnson e os contemporâneos Taj Mahal, Corey Harris, Steve James entre outros formam o repertório de clássicos e canções fundamentais, com espaço tambem para os ecos e paralelos com a musica brasileira de Itamar Assumpçao, Luis Melodia e Clementina de Jesus.

Blues não necessariamente entre as 12 Barras e passando às vezes longe da eletricidade. Simplesmente blues. Acústico e Intenso

O texto completo esta no MySpace do trio: http://www.myspace.com/theowerneckbluestrio





Valeu e bom Domingo a todos!

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sexta-feira, abril 08, 2011

Magnólia

Um velho à beira da morte quer ver pela última vez o filho que abandonou ainda adolescente. Um apresentador de um programa de perguntas e respostas para crianças abusa de sua filha, viciada em cocaína. Um menino prodígio que participa do tal programa com grandes chances de ganhar e um homem, antigo menino prodígio vencedor no mesmo programa no passado, que se confronta com sua atual vida fracassada. Um cara boa pinta dá palestras sobre como dominar as mulheres. Um policial honesto e outras figuras tristes.

Esses são alguns dos personagens de Magnólia, um filme que tem de tudo um pouco: amor, ódio, arrependimento, maus tratos, abuso, perdão, redenção, humor e até uma praga bíblica. Sem contar o elenco maravilhoso. Um filme pesado, tenso, sensível, que retrata a vida de seus personagens, ligados entre si por pequenas coincidências. Os dramas individuais e coletivos vão ganhando volume e intensidade ao longo do filme, até chegar a um ponto onde todos, inclusive nós espectadores, se perguntam se não terão fim (vídeo abaixo).

Além da relação que há entre os personagens, outro fio condutor da história é a trilha sonora, composta em sua maior parte por Aimee Mann, sem a qual talvez o filme não tivesse a mesma força e sensibilidade. E como esse blog é sobre música e não sobre cinema, deixo-os com algumas das músicas dessa fantástica compositora que é Aimee Mann. Conheci-a graças ao filme e desde então virei seu fã.

Não vou contar como o filme termina, claro, mas há finalmente um momento em que todos mais ou menos encontram seu caminho, deixando uma mensagem de otimismo no sorriso de um dos personagens. Recomendo o filme a quem não o assistiu. Não conheço uma pessoa que não tenha se impressionado de alguma forma por ele.

Título: Magnolia
Ano de lançamento: 1999
Direção e roteiro: Paul Thomas Anderson
Elenco: Tom Cruise, Jason Robards, Julianne Moore, William H. Macy, John C. Reilly, Philip Seymour Hoffman, Alfred Molina, Philip Baker Hall
Música: Jon Brion, Fiona Apple e Aimee Mann

Trailer do filme – infelizmente só achei sem legenda

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quinta-feira, abril 07, 2011

Jazz no Mundo - parte 2 ( Espanha )


Continuando a falar um pouco sobre a difusão do jazz no mundo, me lembrei que a Espanha tem alguns ótimos festivais de Jazz em seu roteiro cultural, como o Festival de Jazz em Madrid e o de Barcelona.

A Espanha conheceu o jazz através das big bands na década de 30/40 o clima político desfavorável à  criatividade dos artistas e o intercâmbio com músicos americanos, a cultura jazzística sobreviveu, e cresceu por influência de um pianista chamado Tete Montoliu, um pianista da Catalunha que nasceu cego, filho de um músico profissional que o incentivou a estudar piano.

Foi inicialmente influenciado por Art Tatum, passando a desenvolver sua própria técnica, anos mais tarde começou a tocar em bares em Barcelona onde conheceu Lionel Hampton que o contratou para sua turnê européia.

Nos anos 60 Tete Montoliu tocou em Nova York, participou de turnês na Europa, nos anos 80 tocou com músicos como Chick Corea, Dizzy Gillespie e Roy Hargrove.

No cenário contemporâneo espanhol me lembro de alguns artistas como Ester Andujar, site oficial dela aquinascida em 1976 e profissional desde 96, a espanhola ganhou o prêmio de melhor cantora por 2 anos seguidos do Festival de Valência, em 2001 e 2002.

Abaixo, na sala Matisse em 2007, Ester canta Elis Regina.



Outro que se destaca na Espanha é Alberto Conde, pianista que iniciou carreira no jazz após participar de um workshop com Thad Jones.



Casos Carles é outro pianista que tem uma importância grande na introdução e difusão do jazz na Espanha, nascido em 1955, se formou em piano e cello na Universidade da Catalunha, além da interpretação de obras clássicas com o seu grupo Casos Carles Quartet, ele produziu alguns artistas importantes no cenário espanhol como Maria Del Mar Bonet.

Jorge Pardo é um saxofonista e flautista que tocou por muitos anos com Paco de Lucia e fez parte da banda de Chick Corea.

Seu estilo mistura origens espanholas como Bulerias e solos improvisados, Jorge gravou alguns álbuns com a famosa Milestone Records nos anos 90, selo que tem como artistas Sonny Rollins e McCoy Tyner.


Leo Giannetto é um guitarrista e vocalista uruguaio que mora em Santiago de Compostela, tem um dos projetos jazzísticos mais empolgantes da Espanha, formou o LGJP (Leo Giannetto Jazz Project) com os músicos Javier Constenla, Diego Pérez e Carlos Arévalo. 


Pablo Seoane Trio é o último dos artistas que eu apresento, é um dos artistas espanhóis que eu mais ouço hoje em dia, pianista de formação jazzística clássica mas que se aproxima muito das raízes africanas, formou em 2002 o seu trio com os músicos Juan Cañadas Ferro (baixo), Carlos López (bateria). 


Eu sei que provavelmente estou esquecendo de alguns importantes músicos, mas os meus posts estão sendo feitos com base no que eu conheço e lembro de memória, sem tentar fazer uma pesquisa muito aprofundada, a não ser para achar seus vídeos.

Espero que gostem, semana que vem falo mais de Jazz no Mundo. 

Marcello Lopes

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quarta-feira, abril 06, 2011

Ástor Pantaleón Piazzolla


Ástor Pantaleón Piazzolla, mais conhecido como Piazzolla, é considerado o compositor de tango mais importante da segunda metade do século XX. Marcado por revolucionar o estilo, Piazzolla inovou no ritmo, timbre e na harmonia da tradicional música argentina, incorporando o jazz e a música clássica ao tango.

Piazzolla estudou harmonia e música erudita com a renomada Nadia Juliette Boulanger, professora de diversos compositores de alto calibre no século XX como Egberto Gismonti e Quincy Jones (entre diversos outros que vocês podem conferir aqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/Nadia_Boulanger), tendo grande influência na sua inovação.

Ousado, Piazzolla não demonstrava a menor preocupação em ostentar as etiquetas tradicionais do estilo. Tocava inclusive, acordeão em pé ao invés de sentado como mandava a cartilha.

Críticas eram proferidas pelos mais conservadores, indignados com tal desvirtuamento da tradicional música argentina, diziam que sua música não era de fato tango. Mas para Piazzolla o tango já não existia mais “Cuando Buenos Aires era una ciudad en que se vestia el tango, se caminaba el tango, se respiraba un perfume de tango en el aire. Pero hoy no. Hoy se respira mas perfume de rock o de punk... El tango de ahora es solo una imitacion nostalgica y aburrida de aquella epoca”. Chamava sua música de: música contemporânea de Buenos Aires.

Chegou a tocar com diversos músicos como Gary Burton e Tom Jobim, além do violonista Fernando Suarez Paz.

Suas músicas mais famosas são: “Libertango” e “Adiós Nonino”. “Libertango”, a mais conhecida, já foi e é tocada por diversas orquestras de todo o mundo. Já “Adiós Nonino” foi feita em homenagem a seu pai, Vicente “Nonino” Piazzolla, em 1959 quando este estava no leito de morte. Em dada ocasião Piazzola afirmou que “Talvez estivesse rodeado de anjos. Foi a mais bela melodia que escrevi e não sei se alguma vez farei melhor”.

Astor Piazzolla faleceu em Buenos Aires no dia 4 de julho de 1992, mas deixou como legado sua inestimável obra - que abrange cerca de cinquenta discos - e a enorme influência de seu estilo.

Suas canções nos trazem um misto de emoções evocando um misto de emoções como drama, paixão, agressividade...porém, sendo sempre triste, na verdade o tango é triste por essência. Como disse certa vez Discépolo (conhecido poeta e compositor de tangos argentinos. ): "O tango é um pensamento triste que se pode dançar".

"Meditango", disponível no vídeo abaixo, é (talvez) a minha preferida.


"Meditango"

"Adios Nonino"

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segunda-feira, abril 04, 2011

Notícias do mundo musical

  • Teve fila de até três horas para pegar ingresso comprado pela internet, do lado de fora do Parque O'Higgins, em Santiago, para ver as 30 atrações do sábado, primeiro dia do megafestival do Chile - a primeira edição do Lollapalooza Festival, em 20 anos de existência, fora dos EUA. Os destaques do festival foram The National, The Killers e a banda brasileira CSS.

  • E existe a esperança de que ocorra um festival assim no Brasil, quem sabe...

  • Duas bandas que representam caminhos distintos do rock californiano se apresentam hoje em São Paulo, criadas no fim da década anterior, amigos de longa data que fazem uma turnê juntos. O nu metal do Deftones e a mistura de hardcore com hip hop do Cypress Hill irão se encontrar num mesmo show, nesta segunda-feira, 4, no Credicard Hall, em São Paulo, a partir das 21h30.




  • Dois gênios musicais brasileiros se unem após 34 anos da gravação de um álbum antológico, Naná Vasconcelos e Egberto Gismonti se apresentam hoje no Sesc Belenzinho em São Paulo. Sesc Belenzinho. R. Padre Adelino, 1.000, 2076- 9700. 6ª e sáb., 21 h; dom., 18 h. R$ 32. 

  • Ozzy Osbourne fez um show competente e enlouqueceu a platéia, já veterano nos palcos brasileiros, sua primeira foi em 1985, durante o Rock in Rio 1. Depois foi em 1995, no festival Monsters of Rock. E, por fim, em 2008, com shows em São Paulo e Rio de Janeiro.
Deftones - Bored




Informações colhidas no site do Estado de Sp.
Vídeos : Youtube
Texto: Marcello Lopes

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sábado, abril 02, 2011

Blues Encontros

Olá Musicólatras...

Uma das coisas que eu mais gosto no blues é quando musicos se juntam para uma Jam Session, os resultados sempre são os molhores possiveis. Mas infelizmente nem todas essas sessões de improviso são registradas! Felizmente encontrei alguns videos que gostei muito.
E pra começar, dois grandes guitarristas. Buddy Guy e Albert Collins



Agora o rei do Blues B.B. King com Eric Clapton.


o mestre do blues Albert King com o incrivel Gary Moore.


John Lee Hooker e Ry Cooder!!!


E pra encerrar com chave de ouro, uma grande Jam reunindo nada mais, nada menos que: B.B. King, Jeff Beck, Eric Clapton, Buddy Guy e Albert Collins.


Valeu e bom domingo a todos!

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sexta-feira, abril 01, 2011

Wynton Marsalis

Poucos músicos de jazz tiveram uma projeção no mundo artístico tão rápida quanto Wynton Marsalis. Nasceu em 1961, filho de um músico de jazz, o pianista Ellis Marsalis, numa época em que muitas pessoas davam o jazz por morto e enterrado. Poucos amigos de infância sequer haviam ouvido falar no jazz, afinal, era a época do funk (aquele, não esse), com James Brown, Stevie Wonder e outros. Com Wynton e seu irmão mais velho, também músico, Branford, não foi diferente. Também começaram em uma banda de funk e, mesmo muito jovens, conseguiam plateias de até 200 pessoas, 10 vezes mais do que seu pai pianista obtinha normalmente em suas apresentações. Aos 12 anos começou a ouvir uns discos velhos da coleção de seu pai, principalmente John Coltrane, e descobriu seu caminho. Bem jovem ainda, ingressou no grupo de Art Blakey e mais tarde no de Herbie Hancock, até que finalmente formou seu próprio grupo em 1982.

“Todo jazz”, Marsalis costuma dizer, “é moderno. A única coisa que o torna velho é quando ninguém toca.” Estudou música na Julliard School. Milita tanto no jazz quanto na música clássica, tendo recebido inúmeros prêmios ao longo de sua carreira. Também dá aulas, faz palestras e cursos sobre música, cria uma polemicazinha aqui outra ali e toca seu trompete. E como toca.

Them there eyes, de 2008

Homenagem a Louis Armstrong

Uma aula de improvisação sobre a famosa Parabéns a Você

Moto Perpétuo, de Paganini, é uma música originalmente composta para violino, mas existem arranjos para outros instrumentos. Quem conhece a música dificilmente imagina que possa ser tocada por um instrumento de sopro. Somente alguém com a técnica de Wynton Marsalis poderia fazer isso.

Bom final de semana a todos!

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