sexta-feira, julho 01, 2011

Dexter Gordon

Dexter Gordon

“O jazz está morto”
(Miles Davis, início dos anos 1970)

A casa em que Louis Armstrong cresceu em New Orleans foi demolida em 1964 para dar lugar a uma delegacia. O Lincoln Gardens, casa onde ele tocou com King Oliver na década de 30, deu lugar a um empreendimento residencial. A maior parte dos clubes onde tocaram Lester Young e Charlie Parker estavam fechados. O Cotton Club, de Nova York, onde Duke Ellington gravou pela primeira vez seu som das selvas, também cerrou as portas. Assim como o Savoy, o Birdland, o Five Spot e o Hickory House, o último clube da Rua 52. Mais indicativo, o lucro resultante da vendagem de discos de jazz era responsável por apenas 3% de toda a indústria fonográfica, enquanto que na década de 1930 fora de 70%.
 
Miles estaria certo? O jazz realmente estava morto? Muita gente que detestava o jazz já estava comemorando, quando em 1976 Dexter Gordon resolveu voltar da Europa, após 15 anos de auto-exílio, onde o jazz ainda era cultuado e tinha um entusiasmado e fiel público. Seu retorno se deu no Village Vanguard. Havia muitas dúvidas sobre a recepção que ele teria. No entanto, a presença no palco daquele saxofonista negro, alto, bonito, elegante, tocando jazz acústico como nos bons tempos, arrebatou a plateia logo nos primeiros acordes. Desse show resultou um álbum apropriadamente chamado de Homecoming que teve uma vendagem muito boa, animando as gravadoras a retomar o filão. Um dos primeiros a seguir por esse caminho foi Wynton Marsalis ainda nos anos 70, recém saído do Jazz Messengers de Art Blakey. Seu sucesso abriu a porta para outros jovens músicos na década de 80 e 90 como Christian McBride, Lewis Nash, Steve Coleman, Joe Lovano, Joshua Redman e Cassandra Wilson.
 
Com vocês, Dexter Gordon!

Gingerbread Boy

Body And Soul

Lady Bird



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