sexta-feira, julho 29, 2011

Chico Buarque 3










Os tempos eram realmente bicudos. Todo mundo era censurado. Chico, porém, sofreu uma perseguição impiedosa da censura, a ponto de lhe proibirem as músicas mais inocentes. Criou então um compositor fictício chamado Julinho da Adelaide, sob cujo pseudônimo compôs a obra prima Acorda Amor, e a gravou num LP somente com músicas de outros autores. Passou pela censura sem problemas. Se você quiser saber mais sobre esse personagem clique aqui – tem um longa entrevista com Chico sobre essa época.


Em 1975 a censura começou a abrandar, mas não muito. E proibiu a letra da música que Chico fez alusiva à revolução socialista que houve em Portugal (Revolução dos Cravos). Seguem as duas versão da música Tanto Mar, a original que foi proibida e a versão que passou, vídeo esse com explicações do próprio autor.



Segundo o próprio Chico, nem tudo o que acham que ele colocou nas suas letras tinha intenção política. Para ele, da mesma forma que a censura procurava pelo em ovo, o outro lado também se esforçava por achar o que não existia.

E ainda havia muita gente exilada, como o teatrólogo Augusto Boal, para quem Chico e Francis Hime compuseram a música Meu Caro Amigo, com a letra em forma de carta. A coisa ainda tava preta.


Voltando ao universo feminino de Chico, Mulheres de Atenas é uma obra prima.


Olhos nos Ollhos é outra.


Compositor maduro, sem mais nada a provar para ninguém nem satisfações para dar à censura, Chico voltou ao teatro e escreveu a Ópera do Malandro, baseada na Ópera dos Três Vinténs, de Bertold Brecht. Dessa peça vem a música Folhetim.


Da parceria com Francis Hime, saíram mais duas músicas memoráveis, Pivete e Trocando em Miúdos.


Em 1981, Chico lançou o LP Almanaque. Uma de minhas favoritas é Vitrines. “... passas sem ver teu vigia catando a poesia que entornas no chão...”.


Outra parceria que deu certo foi com Edu Lobo, com o qual compôs Moto Contínuo.


E Beatriz, que fez parte da peça O Grande Circo Místico, aqui na voz de Mônica Salmaso.


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