sexta-feira, julho 22, 2011

Chico Buarque 2













A Ditadura começava a apertar o cerco em quem ela considerava subversores da ordem e nessa altura o Chico já estava a dar trabalho a ela. Compôs uma música em homenagem ao Marquês de Tamandaré, heroi da Marinha brasileira que emprestava sua efingíe para a nota de CR$ 1 (um cruzeiro). A música foi proibida, pois aludia à recente desvalorização da moeda e a Marinha ofendeu-se com a homenagem.


Em paralelo às composições, Chico escreveu a peça teatral Roda-Viva. O argumento da peça nada tinha de político, tratava da vida de um artista que era engolido pelo esquema da televisão. Porém, numa montagem em São Paulo, o teatro foi invadido por um grupo de militantes da direita que quebrou a casa e agrediu os atores. A música Roda-Viva foi inscrita no III Festival da Música Popular Brasileira na TV Record. Ficou em terceiro lugar, atrás de Ponteio, de Edu Lobo, e Domingo no Parque, de Gilberto Gil.


Chico nunca deixou de lado as músicas românticas, como Carolina, por exemplo:


Alertado por amigos que a coisa ia ficar ainda pior para ele, auto-exilou-se na Itália por um ano. Não sem antes deixar mais uma pérola cutucando as autoridadess de plantão. Inexplicavelmente, a música Apesar de Você acabou passando pela censura, mas foi posteriormente proibida e os discos recolhidos.


Em 1971, Chico lançou o quinto e um de seus melhores LPs, que tinha as músicas Desalento, Minha História, Samba de Orly, Valsinha, Deus Lhe Pague e outros clássicos da MPB, como Construção, em que ele brinca com as palavras de uma forma genial.


A mulher sempre foi bem compreendida pelo compositor (embora ele negue isso). São exemplos disso Com Açúcar, com Afeto, de seu primeiro disco, e Atrás da Porta, maravilhosamente gravada por Elis Regina.


Chico voltou às atividades teatrais e escreveu com Ruy Guerra a peça Calabar, que foi totalmente proibida pela censura. Mesmo o LP com as músicas da peça teve que sofrer várias adaptações para passar. A palavra Calabar foi proibida. Em vez do disco se chamar Chico Canta Calabar, saiu só Chico Canta. As fotos foram substituídas por um fundo branco. Porém, na música Cala a Boca, Bárbara, ele não passou vontade: repete várias vezes o refrão “CALA a boca, BARbara!”

Aliás, o jogo de palavras sempre foi o forte de Chico, como na música Cálice (cale-se). Veja essa apresentação no show Phono 73, em que Chico e Gil não cantam a letra proibida  da música, apenas a cantarolam. Mesmo assim os microfones são cortados.


Para ver a primeira parte dessa série clique aqui.



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