sexta-feira, junho 17, 2011

Mary Lou Williams

Mary Lou Williams

Não sei bem o porquê – deve haver inúmeros estudos a respeito, mas não os conheço – mas ao longo da história as mulheres sempre desempenharam um papel menor no jazz, não em qualidade, mas em quantidade. De certa forma é compreensível, pois no início do século passado a música e, em particular, o jazz era visto como coisa de marginais, devia ser muito mais difícil para as mulheres. Isso como instrumentistas, porque como cantoras foram insuperáveis. Uma das primeiras mulheres jazzistas que me vêm à mente é Lil Harding (1898 – 1971), pianista do grupo de Fletcher Henderson, que acabou se casando com o jovem Louis Armstrong e teve um papel importantíssimo no início da carreira dele. O casamento durou pouco, mas ela é protagonista para mim de uma das histórias mais comoventes do jazz: algumas semanas após a morte de Armstrong, Lil fez um concerto em Chicago em homenagem ao ex-marido; após tocar o último acorde de St. Louis Blues, um dos clássicos de Armstrong, ela teve um ataque cardíaco e morreu imediatamente no palco.

Mas deixemos as tragédias e voltemos a Mary Lou Williams (1910-1981). Ela começou sua carreira em Kansas City, no final dos anos 1920, época em que o jazz rolava solto e quente naquela cidade, substituindo Count Basie na banda da Andy Kirk. Ela teve uma boa formação musical, tendo estudado piano, composição e harmonia, e foi logo reconhecida como um grande talendo num mundo dominado pelos homens. Mas não foi fácil. Até tornar-se pianista full time de Kirk, ela dirigia o ônibus da banda e fazia bicos de manicure para os próprios músicos. Construiu uma sólida reputação como musicista criativa e progressista, tendo militado no hard bop e no free jazz, este em colaboração com Cecil Taylor.

Roll Em é um boogie Woogie composto por ela

Ouçam que beleza de solo, aos 70 anos de idade

Bom final de senana a todos!



0 Musicólatras Comentaram: