quinta-feira, abril 28, 2011

Jazz no Mundo - parte 4 (Canadá)

Olá, continuando nossa viagem pelo mundo do jazz, aportamos no Canadá, país vizinho do núcleo criador desse gênero que continua ano após ano atraindo fãs e seguidores.

O primeiro canadense que eu me lembro é Paul Bley, que no início de carreira tocou com Bud Powell tendo um estilo parecido com seu conterrâneo Oscar Peterson, mas tendo mais liberdade de experimentação misturando o clássico com o moderno.

Devido essa liberdade artística, Paul já tocou com diferentes artistas de diversos estilos dentro do jazz, como Andrew Hill até Keith Jarrett.

Paul nasceu em Montreal, em 1932, já era um prodígio com o violino quando começou tocar piano aos 8 anos de idade, se formando no Conservatório com 11 anos de idade. Aos 17 anos já era artista fixo do Salão Alberta entrando no lugar de Oscar Peterson que saiu para trabalhar com Norman Granz.

Com 18 anos foi para a renomada escola de música Juliard em NY, onde começou a tocar em clubes com o trompetista Roy Eldridge, o trombonista Bill Harris e os saxofonistas Ben Webster, Sonny Rollins e Charlie Parker.

Paul Bley - Chivas Jazz Festival - São Paulo - 2003



Paul Bley - Chivas Jazz Festival - São Paulo - 2003



Oscar Peterson 

Um dos maiores pianistas que esse Universo já viu/ouviu e consagrou.

Um pianista com uma técnica fenomenal, sua maior influência foi Art Tatum , que também era um pianista de velocidade, destreza e habilidade.

Ao contrário de Paul Bley que misturava diversas escolas jazzísticas, estilos e fraseados, Oscar não fez grandes alterações em seu estilo.

Oscar Peterson iniciou os estudos de piano clássico quando tinha 6 anos de idade, desenvolvendo-se rapidamente, ganhando aos 14 anos um concurso de talentos em Montreal.

À partir disso, se apresentou como convidado em diversas orquestras, em 1950 gravou uma série de duetos com Ray Brown, em 1952 formou um trio com o guitarrista Barney Kessel e Ray Brown no baixo, mais tarde esse trio sofreria uma mudança com a saída de Kessel e a entrada de Herb Ellis.

Esse trio foi um enorme sucesso e gravou diversos álbuns, após 6 anos de parceria Herb Ellis saiu do trio sendo substituído pelo baterista Ed Thigpen, formação que durou até 1965.

Assim como Paul, Oscar Peterson merece um post só dele, tamanha a sua importância no Jazz, mas isso é uma outra história.

Oscar Peterson Trio - "You look good to me"



Oscar Peterson - piano
Ray Brown - baixo
Niels Pedersen - baixo



Diana Krall

A canadense Diana Krall me conquistou desde seu primeiro álbum, com uma levada clássica mas sem esquecer os arranjos mais modernos em diversas ocasiões, pianista e vocalista essa loira de 47 anos só conquistou o mundo após seu terceiro álbum All for you - Um tributo ao Nat King Cole Trio, gravando para o selo Impulse! 

Diana começou os estudos de piano clássico aos 4 anos de idade, sob influência de seu pai, um pianista com uma extensa coleção de discos, mais tarde foi estudar na renomada escola de música Berklee College onde ganhou uma bolsa de estudos. 

O álbum When I Look in Your Eyes de 1999 lhe rendeu um Grammy de Melhor Performance Vocal de Jazz, sendo o primeiro álbum de jazz a ser nomeado para Álbum do Ano em mais de 25 anos de premiação.



Diana Krall - Cry me a river




Diana Krall - Look Of Love (From "Live In Paris" DVD)



Jim Clayton 


Pianista nascido em Toronto, já tocou com Diana Krall e outros astros de jazz, pianista de estilo suave e competente, trabalha ao lado de alguns grupos musicais se apresentando no Canadá e em diversos países.

Jim Clayton em New Orleans



Jodi Proznick

Baixista canadense, vencedor do prêmio GM para músicos jovens em 1993, vem fazendo um ótimo trabalho como músico contratado e líder de um trio na cena canadense, venceu também o Galaxie Rising Star Award no Festival Internacional de Vancouver em 2004, e em 2008 foi indicado ao melhor performance de jazz do prêmio Juno.

Darcy James Argue

Maestro, compositor é hoje um dos mais discutidos e aclamados músicos do jazz canadense, graças à crítica do seu álbum Infernal Machines, sua primeira gravação para uma banda com 18 componentes que foi indicada ao Grammy, vencendo também prêmios na Village Voice Jazz Critics, na DownBeat e Jazz Journalists Jazz Awards. 


Misturando jazz, rock e música clássica, sua banda traz um novo sabor ao mundo jazzístico e arrebata fãs no mundo inteiro, no início pode-se estranhar a mistura de sons e intrumentos em uma faixa ou outra, mas vale a pena se aprofundar um pouco mais na obra desse músico. 

A banda foi formada em 2005 com inspirações de grandes big bands mas com uma intrumentação mais moderna, Darcy é natural de Vancouver com mestrado em Boston, estudou com grandes mestres inclusive com Maria Schneider que fez história com sua orquestra. 


Darcy James Argues "Secret Society" (Le) Poisson Rouge




Darcy James Argue's - Secret Society - National Jazz Awards 2009


Gil Evans 

Um dos maiores arranjadores de jazz, só a sua participação nos 3 principais álbuns de jazz de Miles Davis já valeria esse elogio, Miles Ahead, Porgy and Bess e Sketches of Spain se tornaram clássicos graças à sua qualidade nos arranjos e a genialidade de Miles.

Trabalhou com Helen Merrill, Kenny Burrell, Astrud Gilberto, Steve Lacy, Cannoball Adderley e outros.

Miles Davis e Gil Evans Orchestra


Maynard Ferguson

Trompetista canadense iniciou a carreira na orquestra de Stan Kenton em 1950, depois criou e liderou uma grupo chamado All Star Birdland DreamBand que durou até 1957, criando em seguida uma banda com músicos excelentes como Don Ellis, Joe Zawinul, entre outros.

Faleceu em 2006.

Maynard Ferguson - Somewhere


Espero que tenham gostado da viagem, até semana que vem.

Marcello Lopes



2 Musicólatras Comentaram:

Edison Junior disse...

Grande post, amigo Marcello!
Oscar Peterson é um mito para mim. A propósito, já temos alguns posts no Musicólatras sobre ele, mas sempre cabe mias um. Abraços!

P.S Confesso que alguns desses aí eu não sabia que eram canadenses...

Daniel disse...

muito bom o post. Dessa lista eu só conheço o Oscar Peterson e a Diana Krall, o restante é novidade. Interessante saber que a cena do jazz no Canadá é tão forte assim.

Abraço
Daniel