quarta-feira, abril 06, 2011

Ástor Pantaleón Piazzolla


Ástor Pantaleón Piazzolla, mais conhecido como Piazzolla, é considerado o compositor de tango mais importante da segunda metade do século XX. Marcado por revolucionar o estilo, Piazzolla inovou no ritmo, timbre e na harmonia da tradicional música argentina, incorporando o jazz e a música clássica ao tango.

Piazzolla estudou harmonia e música erudita com a renomada Nadia Juliette Boulanger, professora de diversos compositores de alto calibre no século XX como Egberto Gismonti e Quincy Jones (entre diversos outros que vocês podem conferir aqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/Nadia_Boulanger), tendo grande influência na sua inovação.

Ousado, Piazzolla não demonstrava a menor preocupação em ostentar as etiquetas tradicionais do estilo. Tocava inclusive, acordeão em pé ao invés de sentado como mandava a cartilha.

Críticas eram proferidas pelos mais conservadores, indignados com tal desvirtuamento da tradicional música argentina, diziam que sua música não era de fato tango. Mas para Piazzolla o tango já não existia mais “Cuando Buenos Aires era una ciudad en que se vestia el tango, se caminaba el tango, se respiraba un perfume de tango en el aire. Pero hoy no. Hoy se respira mas perfume de rock o de punk... El tango de ahora es solo una imitacion nostalgica y aburrida de aquella epoca”. Chamava sua música de: música contemporânea de Buenos Aires.

Chegou a tocar com diversos músicos como Gary Burton e Tom Jobim, além do violonista Fernando Suarez Paz.

Suas músicas mais famosas são: “Libertango” e “Adiós Nonino”. “Libertango”, a mais conhecida, já foi e é tocada por diversas orquestras de todo o mundo. Já “Adiós Nonino” foi feita em homenagem a seu pai, Vicente “Nonino” Piazzolla, em 1959 quando este estava no leito de morte. Em dada ocasião Piazzola afirmou que “Talvez estivesse rodeado de anjos. Foi a mais bela melodia que escrevi e não sei se alguma vez farei melhor”.

Astor Piazzolla faleceu em Buenos Aires no dia 4 de julho de 1992, mas deixou como legado sua inestimável obra - que abrange cerca de cinquenta discos - e a enorme influência de seu estilo.

Suas canções nos trazem um misto de emoções evocando um misto de emoções como drama, paixão, agressividade...porém, sendo sempre triste, na verdade o tango é triste por essência. Como disse certa vez Discépolo (conhecido poeta e compositor de tangos argentinos. ): "O tango é um pensamento triste que se pode dançar".

"Meditango", disponível no vídeo abaixo, é (talvez) a minha preferida.


"Meditango"

"Adios Nonino"



6 Musicólatras Comentaram:

Edison Junior disse...

Não sou fã de tango, mas gosto muito de Piazzolla. Tenho aquele álbum com o saxofonista Gerry Mulligan em que eles tocam Years of Solitude, que é maravilhosa. Aliás, essa música tem alguns trechos muito parecidos com o famoso hino da vitória que a gente ouvia domingo sim domingo não em homenagem a mais uma vitória do Senna. Ótimo post!

Rafhael Vaz disse...

Comecei a ouvi Piazzolla este ano, antes conhecia só de nome. Me encantei com sua sua música. Este disco que citou é um clássico realmente.

Abraços!!

Luciana Silva disse...

Conheço Piazzolla há um bom tempo, por causa das "Cuatro Estaziones Porteñas".... elas são muito populares no meio erudito.
Mas, depois que ouvi (e vi) Piazzolla as tocando com o seu conjunto, todas as outras versões perderam a graça.

As interpretações dele são muito envolventes.... impossível ficar quieto diante tamanha explosão. Chequem o vídeo do "Otoño Porteño".... uma gravação ao vivo (creio que seja em Montreaux)

Abraços, e parabéns pelo blog!!!

Edison Junior disse...

Oi, Luciana, seja benvinda!

Rafhael Vaz disse...

"As interpretações dele são muito envolventes.... impossível ficar quieto diante tamanha explosão."

disse tudo Luciana.

Abraços!

Daniel disse...

Otimo post. Ástor Pizzzolla e Carlos Gardel são os dois musicos de tango que eu mais gosto de ouvir.