quarta-feira, março 23, 2011

"Sem música, a vida seria um erro"

Ola Musicólatras

Como todo mundo já citou, estamos comemorando o 1º Ano (de muitos) do blog Musicólatras. Novamente gostaria de agradecer a todos por ter comprado a ideia e assim dar vida ao blog com matérias excelentes, levando informação a todos que estão dispostos a aprender algo a mais sobre música.

Bom a postagem que eu estava preparando era sobre uma única banda, o Iron Maiden, já que estou há 3 dias de ir no show deles, e que certamente será inesquecível. Então achei que poderia falar sobre a banda, mas como durante a semana o pessoal postou sobre gosto/formação musical, decidi seguir essa mesma ideia. Em relação ao show deixo para semana que vem e certamente terei muitas novidades para contar. Por enquanto, vou tentar resumir ao máximo minha “vida musical”, o que eu já ouvi e curti durante meus 25 anos de vida.

A música está na vida de todo mundo, creio que é impossível viver sem música, a música está presente em tudo e em todos os momentos. Enquanto estava pensando na postagem e qual o titulo que eu colocaria, me lembrei da frase do alemão Friedrich Nietzsche, “Sem música, a vida seria um erro”, que na minha opinião é a que melhor resume o que um musicólatra pensa.

Eu curto música desde que eu me entendo por gente, me lembro que ainda na infância ganhei meu primeiro walkman e fiz questão de começar uma coleção de fita K7, claro que o conteúdo era de gosto duvidoso, mas tinha algumas coisas interessantes como por exemplo fitas de chorinho, que foi um dos gêneros musicais mais presentes na minha vida, já que meu avô tem um grupo de choro, então todo aniversário ou festa em família era embalada pelo chorinho. Assim como todo mundo, ouvi coisas horríveis e desprezíveis a qualquer ser humano, com meus 14/15 anos comecei a ter os primeiros contatos com o rock nacional através de bandas como Mamonas Assassinas, Ultraje a Rigor, Skank, Raimundos e Charlie Brown, que por incrível que pareça, naquela época era bom. Na verdade o rock nacional em si era muito bom.

Raimundos "Eu Quero Ver o Oco" (MTV)


Mas foi em meados do ano de 1999 que conheci o Iron Maiden, foi um divisor de águas na minha vida, naquele momento comecei a minha fase “heavy metal”, ouvia o som da banda quase 24 horas por dia, depois conheci o KISS, Aerosmith, Pink Floyd, principalmente quando ouvi o álbum “The Wall”, entre outras bandas. Nessa época já me interessava por Ed Motta, mas nada demais, ouvia uma vez ou outra um cd que meu pai tinha, e que eu considerado até hoje como o melhor já gravado: "Manual Pratico Para Bailes e Afins". Foi mais ou menos nesse período que eu tentei aprender a tocar contrabaixo, mas por relaxo não levei muito a sério e parei.

Iron Maiden - "Aces High" (Live After Death)


KISS - "Detroit Rock City" (Udo Music Festival)


Pink Floyd "Another Brick in The Wall"


Depois de passar por alguns problemas pessoais, iniciei uma nova etapa na minha vida, continuei ouvindo o bom e velho rock, nessa época conheci muitas bandas de heavy metal, hard rock e foi nesse momento que comecei abrir minha mente para novos gêneros, que antes não pensava em ouvir. Assim conheci o death metal e o thrash metal, e entre as bandas que eu ouvia nessa época posso citar o Mortification, Living Sacrifice, Oil, Deliverance, Crimson Thorn, entre outras.

Mortification - "Human Condition" (Live Planetarium 1993)


Deliverance - "Weapons Of Our Warfare"


Posso dizer que foram momentos de grande aprendizado musical. Em meados de 2005, ainda curtindo death metal, heavy metal, hard rock e thrash metal, passei a me interessar por jazz, ainda que timidamente. Devo isso ao “Programa do Jô”, foi quando comprei o CD que ele gravou com o sexteto e com a ajuda da internet (já que eu não conhecia nada de jazz), comecei a ouvir e anotar os nomes que o Jô falava e principalmente ouvindo as músicas do CD, só que na versão original. Assim conheci Chet Baker, Dizzy Gillespie, Nat King Cole, Louis Armstrong e claro John Pizzarelli, que foi o músico que mais me impactou no jazz. Com o passar do tempo a lista foi só aumentando, passei a curtir Miles Davis, John Coltrane, Dianna Krall, Marcus Miller, entre outros.

John Pizzarelli - "Route 66"


Nat King Cole - "Nature Boy"


A partir daí o meu contato com o jazz passou a ser frequente, comecei uma busca incessante para ouvir o máximo possível sobre jazz, a internet foi uma grande aliada. Como já citei em outras postagens, em Novembro de 2007 tive a ideia de criar o blog Jazz & Rock e a partir daí o jazz entrou definitivamente na minha vida. Desde então o blog tem sido uma ferramenta de conhecimento ilimitado, minha visão musical começou a enxergar de uma maneira que eu jamais poderia imaginar, comecei a ouvir blues, bossa nova, funk/soul, enfim, é difícil até de traduzir tudo em palavras.

B.B. King - "The Thrill Is Gone"


Tom Jobim - "Águas de Março"


Ed Motta "Manuel" (DVD)


Derek Trucks Band - "For My Brother"


São muitas lembranças e infelizmente não caberia em um post, mas em meio a tantas descobertas, passei por momentos engraçados, um deles que inclusive tive a honra de poder contar para a Maria Rita (via twitter), foi exatamente na época que me indicaram o álbum “Samba Meu”. Na época eu ainda curtia muito rock e abominava o samba, mas como já ouvia bossa nova, achei que não teria problema em ouvir o CD. O que eu não esperava era curtir o trabalho da Maria Rita, enquanto curtia, a minha mente dizia: “Como eu posso curtir isso?? Eu sou roqueiro pô”, (risos), mas não teve jeito, foi irresistível ouvir e não curtir o som da Maria Rita. Hoje sou fã dela, tenho todos os CDs e DVD, já tive a honra de ir ao show dela, enfim, mas são momentos únicos de conflitos.

Maria Rita - "Ta Perdoado" (Primeira música que eu ouvi)


Olhando para trás, me arrependo de algumas coisas que passei e que fiz, e que certamente vou lamentar até o ultimo dia da minha vida, mas são coisas que acontecem para que a gente possa aprender alguma lição. Musicalmente, acho que evolui positivamente, tive contato com as maiores “drogas”, como axé, pagode e sertanejo, mas serviu para que eu soubesse que isso não serve pra mim e com o tempo fui formando meu gosto musical, que hoje tem uma base sólida: Rock, Jazz e Blues. Em meio a isso, curto sim o samba, a bossa nova, funk/soul e a MPB, e independente de rótulos, se a música for boa, vou curtir sem problemas.

Por isso que a frase do titulo é verdadeira, apesar do gosto de cada um, a música é sim muito importante na nossa vida, ela está em todos os momentos, não há como levar uma vida sem música, às vezes ela é a única que consegue nos animar, nos dar força, enfim, a música age de maneira diferente em cada um.

Peço desculpa por fazer uma postagem extensa, prometo que eu tentei resumir (risos),e mesmo assim ficou muita coisa boa de fora, mas quem quiser conhecer melhor minhas preferências musicais, visite o meu blog Jazz & Rock. Encerro por aqui, agradecendo mais uma vez a todos os musicólatras e desejando um ano com muuuuuuuuita música para todos nós. Abraço.



8 Musicólatras Comentaram:

Emmanuella disse...

Muito bem colocado, Daniel, a gente precisa passar pelas porcarias pelo menos pra ver que aquilo não serve pra gente, huahuuha

Você citou o Chet Baker, comecei a ouvi-lo ontem e acho que to apaixonada pelo homem. Vim aqui caçar informações sobre ele no arquivo do blog e vi que vc e o Marcello já haviam falado sobre ele. Que pena o que ele fez da vida dele :(

Bjos!

Marcello disse...

Sem música, a vida seria um erro essa será minha segunda tatuagem, colocarei-a no braço pra que sempre me lembre de que apesar dos problemas, dos erros a música está lá, pra te consolar, pra te fazer chorar, sorrir e acima de tudo para te educar.

Todos aqui nesse blog (equipe)tem sim uma educação musical, é parte da nossa vida, e vamos levar isso pra sempre.

Me orgulho de fazer parte dessa equipe e de chamá-los todos de amigos.

Grande abraço.

Edison Junior disse...

Antes de mais nada, parabéns a todos os musicólatras, ativos e passivos, pelo 1º ano do nosso blog.

Não quero me tornar repetitivo, mas é muito legal descobrir por onde andaram os ouvidos de cada um de nós.

Só por curiosidade, eu tenho dois filhos mais ou menos da mesma geração de vocês (você não, Marcello) e posso dizer que, mesmo com os dois vivendo praticamente no mesmo ambiente, os gostos musicais são bem diferentes entre eles. E ambos diferentes do meu.

Reporto-me à série Formação do Gosto Musical (http://sonsfilmesafins.blogspot.com/2010/11/formacao-do-gosto-musical-introducao.html) do blog parceiro Sons, Filmes & Afins. Pela sua leitura, fica bem claro que o nosso gosto musical não é formado apenas pelo que ouvimos em nossa infância e adolescência. Há muitos outros fatores envolvidos.

Por isso, não vejo motivos de preocupação pelo fato de termos ouvido muita porcaria, pois sempre haverá salvação. E o efeito cumulativo não é muito prejudicial, salvo o tempo perdido.

E o mais legal é saber que parte do tratamento está bem aqui ao alcance de todos nós: o Musicólatras!

Abraços a todos!

Daniel disse...

Emmanuella

Não tem jeito mesmo, a gente tem que ouvir certas porcarias por isso mesmo...rs. É a triste realidade, mas felizmente no final acabamos de alguma forma evoluindo musicalmente e deixando essas coisas para trás. Sobre o Chet Baker, não tem como ouvir e não curtir, acho ele um musico fantastico, a maneira como ele canta é unica.

Marcello

Você disse tudo e mais um pouco, concordo com cada palavra sua.

Abraço
Daniel

Emmanuella disse...

É verdade, inclusive acabei de ter uma ideia. Vou divulgar o Musicólatras como

"Siga o Musicólatras: o blog de conteúdo rico pra quem cansou de ter Ouvido de Penico" :D

Daniel disse...

Edison

Não tinha visto seu comentário. O que você disse é verdade, meu pai mesmo gosta de sertanejo e samba. Mas foi fuçando os cds dele que eu conheci Pink Floyd e Ed Motta, agora sou eu que apresento jazz e blues para ele, ele começou a curtir Eduardo Machado, Marcus Miller e John Pizzarelli por exemplo..rs.

Eu não tinha lido esse artigo ainda, o assunto é bem mais complexo do que eu imaginava. Vou ler.

Abraço

Rafhael Vaz disse...

Subscrevo o Edison, concordo com tudo.

No mais, é isso aí Daniel, ouvir porcaria faz parte da evolução musical. Aliás, estamos em constante evolução musical, ainda que cada um a seu modo.

Abraço a todos!!

Marcello disse...

Edison,

Eu tenho 2 irmãos (casal) mais velhos, que curtem música boa, e quase sempre do mesmo gênero que eu.

Os sobrinhos, nem comento...rs

Manu

Adorei a propaganda.

Grande abraço à todos.