segunda-feira, março 21, 2011

Minha duvidosa "formação musical"...

Olá, amigos e colegas musicólatras! Estamos completando um ano de blog e, com ele, trouxemos bastante conteúdo pra galera que respira música. Apesar de não ter contribuído tanto quanto deveria/gostaria, quero agradecer ao Daniel pelo espaço e parabenizar novamente a equipe pelo ótimo trabalho! Graças ao Musicólatras, tive oportunidade de entrar em contato com estilos e gêneros musicais que pouco conhecia e aprendi a gostar mais de cada um deles.

Bom, a minha "formação musical" é bem meia-boca, admito. Ninguém na minha família é músico ou sequer toca algum instrumento (apesar de que minha mãe me ensinou a tocar o clássico "Ninguém Me Ama" na flauta-doce, mas não é nada de que eu me orgulhe a ponto de filmar e colocar no YouTube, hahah). Mas, indiscutivelmente, essa família ouve música pra caramba, e foi isso que eu herdei deles. Minhas lembranças da infância são do meu pai ouvindo os muitos vinis de música italiana e trilhas sonoras de western. Minha mãe já ouvia mais samba (Agepê, principalmente) e uma quantidade absurda de fitas k7 do Roberto Carlos. Eu, sendo criança, nunca me interessei muito por nada disso, mas era inevitável ouvir. Então, comecei a ir pra escola de van e foi aí que minha "educação musical" foi por ralo abaixo, porque comecei a, naturalmente, curtir o que tocava no rádio: pagode em geral, axé, Sandy & Junior e, obviamente, as numerosas boy bands que roubavam nossos inocentes corações. Época que eu preferiria não ter citado, mas sejamos honestos, não é mesmo?

Como eu não tinha amigos descolados que ouvissem coisas diferentes destas e eu nem ao menos tinha um computador em casa (só fui ter acesso à internet quando entrei na faculdade, por isso o "atraso" em comparação a outras pessoas da minha idade), fiquei um bom tempo amargando nessa situação. Aí chegou a minha salvação. Uma tia se desfez de uma antiga coleção de CDs que acabou indo parar lá em casa. Entre eles estava esta jóia (que na verdade não é nada relevante na discografia de ninguém, mas que me fez toda a diferença do mundo): um álbum de tributo aos Beatles, por uma desconhecidíssima banda chamada "Dr. Fink & The Mystery Band". Tudo o que eu conhecia de Beatles na época era minha mãe dizendo que nunca gostou da banda, mas que Let It Be era a sua música favorita (mães, quem as entende?), fora uma ou outra referência que eu sempre via por aí. Eu já devia ter por volta de uns 13 ou 14 anos, e adotei esse CD pra mim já que ninguém mais queria. Só achava um saco o fato dele ter penas 6 faixas, que na verdade são várias faixas juntas em uma, separadas por tema; aí, se eu queria ouvir "Drive My Car" (que eu adorei quando ouvi da primeira vez), tinha que ouvir tudo o que vinha antes (hoje me envergonho em pensar que isso era encarado como um sacrifício :P).

Resumindo daqui pra frente.

Não, não foi o suficiente pra formar a beatlemaníaca que sou hoje, mas foi um começo. Depois disso descobri que meu pai na verdade curtia umas bandas clássicas de rock: Rolling Stones, Queen, Pink Floyd, Nazareth, e a gente passava os domingos ouvindo uma estação de rádio que só tocava esses clássicos (como sinto falta dessa estação aqui pra esses lados...). Pulando uns anos, vim pra cá e não curti muito o fato do popular aqui ser música sertaneja e forró, nonstop. Já munida de internet, conhecendo gente diferente, fui introduzida à estilos musicais diferentes, e foi aí que decidi que curtia uma gritaria. Fui uma adolescente doente por New Metal, e os álbuns que marcaram essa minha nova fase foram definitivamente o Hybrid Theory, do Linkin Park; o Toxicity, do System of a Down; e o Subliminal Verses, do Slipknot. 



Dali pras outras (e mais clássicas) vertentes do Heavy Metal foi um pulo, e então passei a acompanhar desenfreadamente as revistas do gênero e procurava ouvir tudo o que me interessava nelas. Esta foi a fase do Black Album do Metallica, fora todas as bandas de Power/Speed Metal em geral, Blind Guardian, Edguy e Helloween principalmente. Fiquei nessa por uns bons anos, do fim da adolescência ao início da fase adulta, variando entre Metalcore (ouvindo Waking The Fallen do Avenged Sevenfold até riscar), Hard Rock, Symphonic Metal e tudo isso aí. Foi também quando eu desenvolvi o gosto estranho por Horror Rock e o Beyond The Valley of the Murderdolls era praticamente uma filosofia de (semi) vida.



Então, lá pelas tantas da faculdade, minha vida dá uma reviravolta meio chata. Muitas incertezas sobre o futuro, amizades que se enrolaram pelo caminho e eu aqui mais perdida que surdo em bingo... E foi nisso que apareceu o Oasis. Completamente fora de contexto, fora de moda e fora do gosto geral da população, mas me apareceu nessa hora. Heathen Chemistry abriu as portas, The Masterplan chegou escancarando as janelas. E se tornou a minha banda favorita desde então. Foi quando eu também me reinteressei pelos clássicos dos anos 60 e 70 que ouvia com meus pais quando mais nova.



Nessa nova fase da vida, o Heavy Metal não me fazia mais sentido. Não me dizia nada. Aos poucos fui trocando meus cabeludos nervosos por outro tipo de gente nervosa, e foi quando eu me identifiquei com o Punk Rock. Eu precisava desesperadamente de uma mensagem, de um motivo pra me sentir bem, de um motivo pra me sentir mal. E encontrei tudo o que me fazia falta no Punk, que está comigo até hoje e tenho certeza de que ficará até o fim. Começou com o Adios Amigos! dos Ramones e pelo Jubilee dos Sex Pistols, me apaixonei perdidamente pelo London Calling do The Clash e daí pra frente não parou mais.



Nesse meio tempo, sem querer descobri que eu na verdade gostava (e muito!) de música festiva e despreocupada, e foi quando eu tropecei no divertidíssimo Why Do They Rock So Hard? do Reel Big Fish. Descobri que havia essa coisa chamada Ska (que eu na verdade já conhecia por bandas nacionais mas nem imaginava que era um gênero à parte), que originalmente não tinha nada a ver com rock, e se tornou meu segundo gênero musical favorito. Comecei de trás pra frente, com a terceira onda, e depois com o two-tone e por fim com o jamaicano e roots reggae.


Com este post longo e extremamente cansativo, deu pra perceber que passei por quase tudo. Obviamente gosto de muitos outros estilos e tenho uma porção de álbuns favoritos de cada um deles, mas estes são os que definitivamente formaram a minha preferência musical. Um dia terei meu trombone e farei algo quanto à minha "formação", mas até lá fico aqui ouvindo meus amigos.



7 Musicólatras Comentaram:

Rafhael Vaz disse...

Engraçado algumas semelhanças: também conheci o fundo do poço (pagode, axé...) antes de começar a ouvir rock, assim como, ouvia muito metal antes de me apaixonar pela música punk, aliás, haverá mais se continuar com o soul hahah. Em contrapartida, nunca me interessei muito pelo rock britânico.

Legal o post Manu! ;)

Emmanuella disse...

MÃS você gosta de Arctic Monkeys que eu sei!

Ana Cláudia disse...

Olha, minha formação musical e tão duvidosa quanto a sua, hahahahaha

Ai, muitos cds aí que fazem parte da minha vida tbm... =D

A diferença gritante de nossas formações é que vc "abandonou" os cabeludos, mas eu não consegui, hahahahahah

Bjooo

Marcello disse...

Manu.

Legal seu post e nada cansativo.

Infelizmente conheço pouca coisa que você colocou de bandas apreciadas.

Não curto algumas bandas que você colocou ali também, por isso nem ouço.

Mas que bom isso né ? É nessa divergência toda que o blog fica cada vez melhor.

Beijos

Edison Junior disse...

Muito legal, Manu, estou curtindo cada vez mais essa troca de experiências.
Saiba que ouvir muita porcaria não é um privilégio seu, também ouvi muita m... De bate pronto me lembro de uma musiquinha que "falava" assim: 'Dominique-nique-nique, sempre alegre a cantar...' Era uma versão de uma música francesa, se não me engano. Tudo isso faz parte do aprendizado e apuração do gosto musical. Felizmente, minha memória seletiva deletou algumas porcarias e liberou os bites para coisas mais interessantes.
Tudo tem sua fase, o que era considerado como porcaria em uma determinada época pode virar um clássico no futuro. Por incrível que pareça, isso aconteceu até com os Beatles, que um dia já foram classificados como a decadência da música.
(por favor, gente, não quero dizer com isso que toda porcaria vai virar um clássico)

Emmanuella disse...

Marcello,

Hoje eu mesma não ouço mais muito do que eu coloquei ali que eu gostava, de certas coisas eu peguei até raiva e nojo, acredite! hahahah

Edison,

É fato! A juventude adorava, mas os adultos abominavam os Beatles, na época. Eles eram "ruins" e um "péssimo exemplo". Mas espero sinceramente que essa porcariada mais atuais não virem clássicos @.@

Edison Junior disse...

So do I...