quinta-feira, março 17, 2011

Álbuns que fizeram minha educação musical

Olá musicólatras...

Em Março comemoramos 1 ano de vida do blog e ao longo da semana vamos escrever sobre nossas escolhas musicais, principais influências, gostos e discos que ouvimos até furar...rs

Então vou escrever sobre alguns álbuns que fizeram minha educação musical ou seja, álbuns que marcaram a minha vida e me ensinaram sobre diferentes gêneros de música.

O primeiro contato com a música foi a música clássica, minha mãe era professora de piano e violino, então era normal ouvir muitas peças para esses instrumentos, mas curiosamente o meu interesse foi despertado por uma peça para violoncelo.

Dvorak: Cello e Orquestra Opus 104 : Yo-Yo Ma



Depois disso, fiz amizade com o Antonio Carlos Latorre, pai de um amigo, que se tornou mais do que um amigo, se tornou um professor e me ensinou muito sobre música clássica, inclusive me levando a diversos concertos no Teatro Municipal em Sp, lembro-me do meu primeiro concerto com o falecido maestro David Machado, com o pianista Arnaldo Cohen.

Depois fomos abençoados com a última e sensacional apresentação do pianista Antonio Guedes Barbosa em um concerto que reuniu Amaral Vieira, Arnaldo Cohen, Gilberto Tinetti.

Outro concerto que ficou na memória é Assim falou Zaratustra de Strauss, imaginem um Teatro Municipal, lotado, um silêncio sepulcral e essa música naquele compasso crescente, o chão tremendo e as pessoas boquiabertas com tamanha força musical, pra quem não conhece coloquei a introdução da obra, apresentada na sala sp :



Anos depois dessas experiências iniciais na música erudita, tive a sorte de trabalhar na Sala Sp por quase 6 meses, conhecendo pianistas, grande parte dos músicos da Osesp inclusive John Neschling e para minha felicidade conheci Nelson Freire, que além de ser uma das pessoas mais educadas com quem já conversei foi muito paciente com todas as minhas perguntas sobre Chopin (ele é um dos principais intérpretes do compositor no mundo), sobre sua amizade com a pianista argentina Martha Argerich e de quebra autografou meu cd.

Pude assistir alguns dos melhores concertos do país, e inclusive alguns ensaios que me fizeram esquecer, literalmente, que eu estava lá pra trabalhar...rs

10 álbuns que marcaram essa época da minha vida:


  1. Assim falou Zaratustra - Strauss
  2. 4 Estações de Vivaldi com Jacques Loussier Trio
  3. Sinfonia n° 3 - Górecki
  4. 9° Sinfonia de Beethoven
  5. Sagração da Primavera - Stravinsky
  6. Rapsódia Húngara - Liszt
  7. Estudos para piano - Chopin
  8. Folías de Espanha - Jordi Savall
  9. Aleuluia - Handel
  10. 6 Partitas de Bach


Depois da música clássica, minha educação musical tomou outro rumo, o Jazz. Trabalhei na Fnac Pinheiros no setor de cds e cuidando da área de Jazz/Música Clássica. Minha primeira audição foi com o meu bom amigo Edison que hoje trabalha na Livraria da Vila.



O álbum era Kind of Blue, um dos mais comentados de toda a história do Jazz, um projeto encabeçado por Miles com a participação de Cannonball Adderley no sax alto, John Coltrane no sax tenor, Bill Evans no piano, Paul Chambers, Jimmy Cobb e Wynton Kelly substituindo Bill Evans em uma faixa.

Ouça So What, uma das faixas mais emblemáticas do jazz, o começo da música o piano de Bill Evans, aos poucos dando espaço para a bateria que cede aos encantos do sax de Coltrane e por fim, o trompete de Miles.


So What



À partir desse dia estava pra sempre apaixonado por esse gênero, baixei a discografia completa de Miles Davis, e sempre que eu ouço volto no tempo, me perguntando porque eu demorei tanto para conhecer seu som, mas tudo ao seu tempo não é ?

Trabalhando ainda na Fnac, dessa vez cuidando dos eventos musicais, tive a oportunidade de conhecer de perto John Pizzarelli, Diana Krall, Al Di Meola entre outros que passaram por lá, e pude conhecer melhor o mundo do jazz, que se tornou um vício na minha vida.

10 álbuns de Jazz que marcaram essa época :

  1. Waltz For Debby - Bill Evans
  2. Kind of Blues - Miles Davis
  3. Ella Fitzgerald - Harold Arlen Songbook
  4. Time Out - Dave Brubeck
  5. Blue Train - John Coltrane
  6. Pres and Teddy - Lester Young
  7. Lady in Satin - Billie Holiday
  8. The 3 Sounds - The 3 Sounds
  9. The Beginning and the End - Clifford Brown
  10. Impressions - West Montgomery
A febre do jazz não veio apenas pela música, chegou através dos livros, das fotos sensacionais que William Claxton nos deixou, veja algumas aqui, do estilo de vida dos músicos, das suas dificuldades e dos sonhos destruídos, tudo isso nos ensina e faz com que esse gênero musical nunca perca sua força, pelo menos na minha vida.

Existem dezenas de artistas de jazz que eu ouço, mas colocá-los aqui e tentar dar-lhes uma explicação racional para o apreço que eu tenho por eles seria muito difícil, tentarei escrever sobre eles nos próximos dias.

A última parte desse post, é sobre músicas do mundo, quando estava na Fnac ainda em treinamento, pude trabalhar em vários setores da área de cds, e um dos que mais me chamou a atenção além do setor de Jazz, foi o de músicas do mundo, e quem me apresentou uma verdadeira miscelânia de sons, harmonias e tons foi meu grande amigo Sérgio, que trabalha na Pandabooks.

Apaixonado pela cultura japonesa, Sérgio me indicou primeiro cds da cultura nipônica, e mais tarde do oriente como China, Paquistão e Rússia. Foi lá que eu conheci a música celta que foi minha trilha sonora constante em minhas viagens como The Chieftans, The Dubliners,Loreena McKennitt, e muitos outros artistas.

A música de outros países carrega muito da cultura, da vibração de um povo, já escrevi posts sobre fado, flamenco contando um pouco sobre essas culturas orais dos países.

É muito interessante ouvir as músicas tradicionais de um país e ler sobre sua história, invariavelmente a música fez parte do processo de evolução desse país, seja levando as histórias dos antepassados ou como forma de protesto como fez Violeta Parra e outros cantores ao redor do mundo.

Entender as motivações e as raízes desses músicos é por si só uma viagem espetacular.


10 álbuns de World Music que marcaram essa época:

  1. Entre Dos Águas - Paco de Lucia (Espanha)
  2. Okros Ensemble - Música Húngara
  3. Raga Job - Ravi Shankar (Índia)
  4. La Vie en Rose - Edith Piaf (França)
  5. Tutte Storie - Eros Ramazzotti (Itália)
  6. Long Walk to Freedom - Lady Smith Black Mambazo (África)
  7. Shakara - Fela Kuti (Nigéria)
  8. Fado Curvo - Mariza (Moçambique - Portugal)
  9. Música para preces - Vários (Síria)
  10. Mercedes Sosa (Argentina)
Abaixo coloquei 2 vídeos que trazem um pouco da tradição oral de um povo, algo muito valioso e instrutivo e que encontrou eco em outras culturas, tanto pelo reconhecimento do valor musical, como pela sonoridade rara.


Jivan Gasparyan & Brian May - To Zucchabar (Live) por IDILIYA



Djivan Gasparian é um dos músicos mais respeitados na Armênia, tanto que é considerado um popstar em seu país, fora dele conseguiu fama e reconhecimento graças às trilhas sonoras de filmes como Gladiador, nesse vídeo ele toca com Brian May, Peter Gabriel.




Nusrat Fateh Ali Khan é um cantor de músicas religiosas do Paquistão, que também ficou conhecido por participar de trilhas sonoras, nesse vídeo com o Eddie Vedder do Pearl Jam.

Espero que tenham gostado, pra mim foi um prazer voltar no tempo ao escrever sobre tantas músicas que me espantaram, me ensinaram e me fizeram um musicólatra.

Texto: Marcello Lopes
Vídeos: Youtube



6 Musicólatras Comentaram:

Edison Junior disse...

Sensacional, Marcello! Enquanto eu lia o post tive a nítida sensação de que estávamos numa sala batendo um papo. Depois em casa vou ouvir com calma os vídeos que você colocou, principalmente os últimos que eu ainda não tive oportunidade de conhecer.
A propósito, a gente deve ter se cruzado várias vezes na Fnac, pois eu ia muito lá e sempre deixava uma parte dos meus parcos proventos (tomara que minha mulher não esteja lendo isso...)
Abraços!

Emmanuella disse...

Olha a inveja brotando num ser tão puro como eu (ok menos, hahhaha)

Eu nunca tive uma "formação musical" nem muito contato com músicos :(
Na verdade eu cresci ouvindo vinil de música italiana praticamente nonstop... Acho que vou falar disso no meu post, né? :P

Mas fantástica essa sua experiência com a música clássica, Marcello, é o tipo de coisa que faria um bem danado a todos os musicólatras!

Bjos!

(Édith Piaf e Ravi Shankar, aprovados! xD)

Marcello disse...

Oi Edison, quando eu for pra Sp vou te avisar e marcamos um café. Quem sabe a gente se lembre se nos encontramos lá na Fnac.

Manu, bem menos !!! hahahahaha

Eu tive uma formação musical bastante eclética dos 14 aos 17 anos, mpb, erudita,rock e pop americano.

Depois mergulhei fundo em música erudita, jazz e world music.

Faz um bem danado à qualquer pessoa Manu !!

Depois me conta essa sua experiência com vinis italianos, minha avó tinha vários, Mário Del Mônaco, Caruso, Puccini entre outros, tudo música italiana..rs

Beijos e abraços à todos.

Edison Junior disse...

Será um prazer, Marcello! Abraços!

Daniel disse...

muito legal o post. Minha educação musical começou aos 15 anos, quando ouvi Iron Maiden, fiquei muito tempo ouvindo heavy metal e outras vertentes do metal, só depois em 2005 que comecei a me interessar por jazz, depois de comprar o Cd do Sexteto do Jô e por ver o John Pizzarelli no programa. Depois disso com a ajuda de internet só aumentei meu conhecimento. Ouvi muita porcaria na minha infância e pré-adolescência, tempos que prefiro esquecer..rs, mas ouvia coisa boa também, uma delas era o chorinho, meu vô tem um grupo de chorinho, então todo aniversário era embalado pelo grupo dele.

Infelizmente onde eu moro atualmente, não tem opções de boa música, só porcaria. E vim pra SP para assistir show não é tão facil.

Abraço
Daniel

Luiz Pereira disse...

Na emoção do escrever , coloquei um .br onde não tem


Correção
Meu Blog

www.bocadarte.blogspot.com

Luiz Pereira
Salvador,Bahia

Abraços !