terça-feira, janeiro 18, 2011

Ingressos: Os valores abusivos cobrados no Brasil

Ola Musicólatras

Hoje vou falar sobre um assunto que tem tirado o sono de muitos fãs pelo Brasil: O alto valor dos ingressos. Eu cheguei ao conhecimento da matéria através do Blog Flight 666 – Iron Maiden Brasil , mas a matéria foi publicada no caderno Divirta-se e no blog Combate Rock, ambos do jornal O Estado de São Paulo, a matéria é de autoria das jornalistas Carol Pascoal e Marina Vaz.

Antes de postar a matéria, gostaria de fazer uma pergunta: Quem aqui já deixou de ir a um show de um músico ou banda internacional por causa do preço do ingresso ?

Ir a um show não é uma tarefa simples. Conseguir dinheiro para compar o ingresso é apenas o primeiro investimento, isso sem falar que muitas vezes não podemos dar ao luxo de comprar o ingresso naquele setor que desejamos, mas para o fã, o importante é estar no show. Com o ingresso em mãos, é hora de por na ponta do lapís outros gastos, como transporte e dependendo do local e distância, a hospedagem, temos que incluir a alimentação.

A questão em si não é dizer se o show do músico X ou banda Y, vale tal investimento. Claro que todo fã vai dizer que sim, até porque muitas vezes é um show tão esperado e que pode marcar a vida da pessoa. A questão que a matéria propõe, é tentar entender o motivo dos preços abusivos, principalmente nos shows internacionais.

Culpar a pirataria como única causa é muito simples, apesar de saber que ela afeta o mercado da música, porém não podemos nos esquecer que no mundo inteiro existe esse mesmo problema, e por que no exterior os ingressos não são cobrados com preços tão abusivos?

A matéria das jornalistas Carol Pascoal e Marina Vaz apresenta uma série de informações interessantes, como a comparação dos valores dos ingressos, os festivais, também há espaço para que os representantes de duas produtoras de shows expliquem o motivo dos valores e por fim o comentário de uma advogada do Procon.

A matéria foi retirada do site do jornal O Estado de São Paulo, porém adicionei alguns comentários durante a matéria.

Leia, pense a respeito e não esqueça de deixar a sua opinião sobre o assunto (nos comentários). Boa Leitura.


PREJUIZO CALCULADO

Os gráficos publicados abaixo calcula o valor que você teria gastado se tivesse ido aos principais shows internacionais do ano. Leia sentado para não cair da cadeira.



PONHA NA CONTA

O ingresso só lhe dá o direito de entrar no local do espetáculo. Um show custa mais do que isso. Relacionamos o preço médio de outros itens que costumam fazer parte do programa



U2 em Abril

Algum musicólatra pretende ir ao show do U2 em abril?. Você sabia que o custo para assistir esse show no melhor lugar do estádio, aqui no Brasil, é quase o mesmo que assistir a banda em Buenos Aires, na Argentina? Se você incluir os gastos da viagem, a diferença é pouco mais de R$ 100, isso sem falar que você ainda terá um dia livre para passear. Impressionante não? Veja o gráfico abaixo.



OFERTA E PROCURA ?

Em 2008, quando Ozzy Osbourne tocou em São Paulo, no Palestra Itália, acreditava-se que aquela seria a sua última turnê. Não foi. Em 2011, Ozzy volta à cidade, na Arena Anhembi, com um aumento expressivo no preço dos ingressos.

"O show anterior foi para 40 mil pessoas. Agora, serão 25 mil. O público vai ver o artista mais de perto e deve ser sua última turnê", explica Alexandre Faria, diretor artístico da T4F. Será?



A inflação de abril de 2008 até hoje, pelo índice IGP-M (FGV), foi de 14,88%. Já a ‘inflação’ dos ingressos do show de Ozzy, no mesmo período, foi de 100%.

O Aerosmith começou a sua turnê na America do Sul. Em maio, passou por São Paulo e seguiu para outros países. O gráfico mostra os valores dos ingressos em vários países por onde a turnê passou. E adivinha onde o ingresso foi mais caro? E quem paga a conta? Os fãs brasileiros.

Confira o gráfico.



VIP - Valor Indevidamente Pago

06/02 - Beyoncé, no Morumbi. R$ 600. No meio do espaço reservado aos vips, havia um palco menor usado pela cantora. Mas a área era maior do que o necessário, com espaços vazios. Enquanto isso, na pista normal, o público se espremia na tentativa de reproduzir a coreografia de ‘Single Ladies’.

09 a 11/10 - SWU, Fazenda Maeda. R$ 640/dia. A banda Rage Against the Machine é contrária à pista vip. Resultado: os fãs da pista comum atiraram objetos e tentaram invadir o espaço. O show foi interrompido.

04/11 - Black Eyed Peas, no Morumbi. R$ 500/R$ 600. Duas áreas privilegiadas foram montadas: a pista Premium e a Golden. Esta última, uma vip dentro da vip. "O grupo sugeriu esta opção e nós aceitamos. Também fazem isso em outros países", afirma João Paulo Affonseca, diretor da Mondo Entretenimento.

OS FESTIVAIS, SÃO A SOLUÇÃO ?

A primeira grande atração de 2010 em São Paulo, foi o show do Metallica. Porém para assistir a apresentação da banda no Morumbi, os fãs tiveram que desembolsar entre R$ 150 e R$ 500. Para quem não foi, há uma solução mais em conta. A banda volta ao Brasil agora em 2011 para o Festival do Rock in Rio, a diferença é que agora o ingresso irá custar na faixa de R$ 190.

Outro exemplo citado no jornal foi o festival SWU (Starts With You), que aconteceu entre os dias 9,10 e 11 de Outubro de 2010 na Fazenda Maeda, localizada em Itu, a cerca de 70 KM de São Paulo. O evento ocupou um espaço de arena de 200 mil metros quadrados e recebeu milhares de pessoas. O evento também contou com a exposição de artes, tenda de música eletrônica, palco para novos artistas e muito mais. O interessante é que os fãs puderam acampar no local, claro que tiveram que desembolsar para isso, mas foi uma solução prática.

O gráfico abaixo é uma mostra o resumo dos dois principais festivais de 2010. O SWU e o Planeta Terra. Confira os numeros.



"Os festivais têm mais facilidade para captar patrocínio - não dependem de venda de bilheteria. Isso viabiliza valores de ingressos mais baixos." explica o produtor cultural Marcos Boffa.

O OUTRO LADO DA MOEDA.

Em todos os casos é preciso ouvir os dois lados da história, certo? E quando eu li a matéria, achei que o jornal fez muito bem em expor os fatos e também por abrir um espaço para que os representantes das principais produtoras de eventos/shows pudessem comentar o assunto, do ponto de vista deles.

Alexandre Faria, diretor artístico da Time For Fun.

A venda de ingressos ‘paga’ o show?
Depende do artista. As receitas são a venda de tíquetes mais a venda de patrocínio.

Por que os shows são mais caros em São Paulo?
O impacto da meia-entrada é grande e a carga tributária também eleva os valores.

Você não acha os ingressos caros demais?
Não. Pode ser que um ou outro tenha sido, mas, se analisarmos nosso portfólio, eles tiveram uma procura compatível com a capacidade de cada local.

Os festivais não são uma saída?
Grandes artistas, como U2, Bon Jovi e Rush, fazem shows customizados, não vão fazer parte de um festival. Só os artistas médios.

E quanto à taxa de conveniência?
Ela é opcional. A pessoa pode comprar na bilheteria oficial, sem taxa. Paga quem quer.

Por que a cobrança é porcentual, se a ‘conveniência’ é a mesma para todos?
Um valor fixo ficaria muito caro para ingressos mais baratos. E muito barato para ingressos mais caros… É. Haveria um desequilíbrio. Há também a taxa de retirada na bilheteria. Volto a repetir: basta comprar direto lá.

João Paulo Fonseca, diretor da Modo Entretenimento.

Quanto do custo de um show é suprido pela venda de ingressos?
80%. O restante é patrocínio.

O que determina o preço do ingresso?
O valor da produção e o potencial de venda de meia-entrada. Tem o patrocínio também, mas é sempre um risco, porque primeiro a gente fecha com o artista.

Como a Mondo se posiciona em relação à meia-entrada?
A gente respeita a lei municipal que propõe uma cota de 30% dos ingressos, mas, dependendo do fluxo, pode ser maior.

Você acha os ingressos caros?
Acho. Mas tem que ser caro, por causa dos riscos altos dessas operações.

Como os festivais reúnem tantos shows por preços menores?
O Planeta Terra tem nossa curadoria, mas é um produto do portal Terra. Os investimentos feitos por eles subsidiam os valores de ingressos.

Por que a cobrança da taxa de conveniência é proporcional ao valor do ingresso se o serviço é o mesmo para todos?
O serviço é terceirizado, mas a gente negocia o melhor para o consumidor. A taxa é respeitada pelas principais empresas do mercado.

VOCÊ SABIA ?

Taxa de Conveniência: A taxa de conveniência é um valor adicionado aos ingressos comprados por telefone ou pela internet. As empresas cobram, em média, 20% a mais por esse serviço. A taxa de entrega a domicílio é cobrada à parte.

Taxa de Recebimento: "Se o consumidor teve de se deslocar para retirar o bilhete, eu entendo que a taxa de entrega, neste caso, é infundada e afronta o Código de Defesa do Consumidor", afirma a advogada Ellen Gonçalves.

A pedido do Divirta-se, a advogada Ellen Golçalves interpretou a lei sobre a cota de meia-entrada, e afirmou que hoje a lei é considerada considerada "inconstitucional e não está vigendo". "Existe um projeto em trâmite no Senado Federal para regulamentar o tema e nele há a previsão de porcentual máximo, mas é apenas um projeto", completa.

Já o Procon afirma que a cota de 30% se aplica exclusivamente a estudantes de ensino técnico ou escolas de inglês, que têm direito ao benefício pela lei municipal. "Para os estudantes de ensino fundamental, médio e superior não pode haver cotas", diz Renan Ferraciolli, assistente de direção do Procon-SP.

Outra questão importante é sobre a taxa de conveniência, segundo o assistente de direção do Procon-SP, Renan Ferraciolli, a taxa não pode ser cobrada em termos porcentuais, já que a conveniência é a mesma.

COMO SE DEFENDER?
Para o consumidor que se sentir lesado, a advogada Ellen Gonçalves indica as seguintes etapas:

1. Primeiro, você deve procurar a própria empresa por meio do SAC.
2. Se a empresa não solucionar o problema, entre em contato com o Procon (pelo telefone 151).
3. Se o auxílio do Procon não resolver o caso, procure um Juizado Especial Cível, especializado em atender casos de menor complexidade, sem custo nenhum.


Segue abaixo uma pequena lista com os principais shows de rock em 2011.

15/01 - Summer Soul Festival. Com Amy Winehouse. Arena Anhembi, 4003-1527. R$ 200/R$ 500.

26/03 - Iron Maiden, no Estádio do Morumbi, 4003-1527. R$ 100/R$ 350.

02/04 - Ozzy Osbourne, na Arena Anhembi, 4003-0848. R$ 200/R$ 600.

09/04 - U2, no Estádio do Morumbi, 4003-0806. R$ 70/R$ 1.000.

14/04 - Roxette, no Credicard Hall, 4003-5588. R$ 90/R$ 350.

23 a 25/9 e 30/9 a 2/10 - Rock in Rio, com Metallica, Red Hot Chili Peppers, no Rio. R$ 190.


FONTE: O Estado de São Paulo e Blog Fight 666 - Iron Maiden Brasil

CONFIRA A MATÉRIA NA ÍNTEGRA: CLIQUE AQUI



4 Musicólatras Comentaram:

Edison Junior disse...

É a lei da oferta e procura levada às últimas consequências. Enquanto o preço aumentar e o estádio continuar enchendo, não haverá nenhuma razão para os empresários baixarem o preço. Risco na organização sempre há, mas é igual em todo lugar do mundo.

Não tenho muito pique para ir a shows assim, portanto o preço não chega a me incomodar. O que mais me afasta é a falta de infraestrutura para chegar e sair dos locais.

No ano passado assisti o show da Norah Jones ('de grátis') e no domingo seguinte o de Paul McCartney (que semana!), no qual peguei o ingresso mais barato (R$ 140!!!) Ambos valeram a pena, sem dúvida, mas R$ 140 é muita grana para quem gosta de ir com frequência.

Festivais devem ser legais, mas limita muito o público, não é para velhinhos como eu... hehehe

Marcello disse...

Daniel, primeiro parabéns pelo post sensacional.

Segundo, eu não vou mais à shows não só por que o preço é abusivo, mas não existe respeito pelo consumidor aqui no Brasil.

Na Europa, você assiste um festival por 150 euros, o que não é caro já que geralmente são 5 ou 6 bandas boas que se apresenta.

E como o Edison, eu já não tenho mais idade nem saco pra ficar em fila por 12horas como eu fiquei pra assistir o 1° show do U2 no Brasil.

Abraços

Daniel disse...

Edison e Marcello, muito obrigado pelos comentários.

Realmente essa matéria me chamou muito a atenção, até comentei com um músico, que a questão não é em relação aos shows nacionais, até por que muitos deles tem um preço razoavel, mas a questão é o abuso nos shows internacionais.

Eu já perdi muuuito show, que eu gostaria de ter ido, que diga os quatros shows do John Pizzarelli. No meu caso fica ainda mais dificil, por que moro no interior, então além do ingresso tem o custo da passagem, então tudo isso influência e estar desempregado ainda mais..rs. Não digo que um show do Pizzarelli não vale 200 reais, pq vale, o problema é vc ir na agenda dele e ir nos shows que ele fez pelo mundo e ver a diferença de preço.

Agora em março eu finalmente vou realizar um desejo antigo, ir ao show do Iron Maiden. Mas como disse na matéria, muitas vezes não conseguimos ir naquele setor desejado. No meu caso eu encontrei um cara que faz excursões para vários shows e o ingresso do Iron Maiden (na arquibancada) saiu por R$ 150, com transporte. Agora no setor Premium é R$ 400. Pesa no bolso, ainda mais eu que não pago meia entrada.

Mas nesse caso, mesmo sendo arquibancada, vale pq é um show que desde muleque eu quiz ir e nunca consegui. Apesar que, o cara me disse que ainda há uma esperança de conseguir um ingresso na pista premium (no dia do show), é esperar e torcer..rs. Senão vai na arquibancada mesmo.

Fora o Iron Maiden, tem outros shows que eu pretendo ir,quem sabe, morando em Guarulhos e arrumando um emprego não facilita a situação. Quero ir no show do John Pizzarelli e um mais facil que seria o Ed Motta, entre outros.

Abraço
Daniel

diogo disse...

Eu prefiro com todo esse dinheiro comprar uma tv de led 56 polegada full hd mais um home com thx 7.1 comprar umas 2 caixas de cerveja e assistir com os amigos e cia a um show em blue ray e obs fica mais barato e a probabilidade de voce entrar em problema é menor