terça-feira, novembro 30, 2010

Show: Nuno Mindelis

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segunda-feira, novembro 29, 2010

7 modos insanos como a Música afeta o corpo (de acordo com a Ciência)

Olá, colegas e amigos musicólatras! Cheguei hoje com a tradução/adaptação de um artigo bastante interessante que vi há um tempo no Cracked.com. Tenho certeza que interessará a todos vocês que não vivem sem música... e nem imaginavam por quê!

Mais do que nos propiciar momentos de prazer e entretenimento, a Música atua no nosso organismo de  maneira muito benéfica, seja estimulando o cérebro ou mesmo ajudando na cura de doenças. Vamos conhecer alguns dos seus incríveis superpoderes?


#7 — Reparando danos cerebrais:

Foi descoberto que pacientes que sofreram algum tipo de lesão do lado esquerdo do cérebro e perderam a capacidade de falar eram capazes, porém, de cantar acompanhando uma música. Foi desenvolvido um tratamento a partir dessa descoberta, chamado de Terapia da Entoação Melódica, em que a pessoa, leigamente falando, "canta até conseguir falar". Acontece o seguinte: a nossa capacidade de falar está associada ao lado esquerdo do cérebro, mas a música vai para o lado direito. Então, a ideia é treinar o cérebro para que ele associe a música à linguagem e, assim, passar a responsabilidade do controle da fala para o lado direito. E mais: se o paciente ouvir músicas que realmente goste, o efeito é bem melhor; já que o prazer produz dopamina, que estimula o cérebro, principalmente nas áreas onde ele sofreu lesão.

#6 — Se livrando de vícios:

Pra quem toca música, a prática é relaxante e distrai o paciente do processo de desabituação de vícios (de álcool ou drogas). Pra quem compõe letras, escrever mantém os impulsos da pessoa controlados e a permite "botar pra fora" as suas emoções negativas. E, pra quem apenas ouve, a música ajuda no estágio de recuperação de uma desintoxicação e, se ouvida frequentemente, pode até diminuir a quantidade de remédios que o paciente precisa. Como isso funciona: a Música afeta diretamente na produção de neurotoxinas no cérebro; de uma maneira similar à que as drogas fazem. Só que as drogas deixam o cérebro lento, porque dão a ele substâncias químicas (como dopamina e noradrenalina) que ele mesmo era forçado a produzir. Quando a pessoa deixa de usar drogas, o seu cérebro não consegue mais produzir essas substâncias como teria que fazer normalmente. Então o hábito de ouvir música força o cérebro a produzi-las novamente. Além disso, ouvir alguns tipos de música também ajuda a diminuir frequências cardíacas, pressão sanguínea e tensão muscular.

#5 — Melhorando o Sistema Imunológico:

Como bem percebemos, ouvir música diminui o nosso nível de estresse, dado que reduz o nível de cortisol no nosso cérebro. E todos sabemos que o estresse afeta o nosso organismo de maneira negativa em várias áreas - coração, pressão sanguínea, músculos etc. Portanto, ouvir música (especialmente jazz, bluegrass e soft rock, que são similares em qualidade) melhora nosso sistema imunológico por diminuir nosso nível de estresse. Com o tempo, o corpo vai associando o ato de ouvir música (principalmente clássica) ao relaxamento, então é nessa hora que o sistema imunológico começa a produzir anticorpos como um doido.


#4 — Prevenindo acessos cerebrais:


Esses efeitos foram notados em pacientes em coma e as causas ainda não conseguiram ser muito bem explicadas; mas foi constatado que uma exposição de tais pacientes a Mozart tocado em piano surtiu efeitos positivos na atividade cerebral em apenas 5 minutos — alguns até instantaneamente. Curiosamente, experiências com outros compositores da música clássica não surtiram efeito: parece que o nosso cérebro nutre uma parcial preferência por Mozart.



#3 — Retornando memórias  perdidas:

Todos já percebemos que certas músicas nos fazem lembrar de momentos passados. Acontece que foi comprovado cientificamente de que isso funciona inclusive com pacientes que sofrem de Alzheimer e até mesmo com os em estado de demência avançada. Tudo isso porque, como já foi dito, ouvir música age em várias áreas do nosso cérebro (onde outras atividades, como a conversação, não chegam); inclusive uma insignificante, chamada hipocampo. É no hipocampo que ficam armazenadas todas aquelas informações passadas de que não precisamos nos lembrar constantemente - o que a Psicologia chama de inconsciente. Quando você ouve uma música que conhece, sentimentos ou sensações associados a ela são retornados pelo hipocampo, e às vezes a memória vem junto.

#2 — Melhorando o raciocínio espacial:

 

E lá vem Mozart de novo. Testes comprovaram que ouvir Mozart com frequência aumenta o QI em uma média de 9 pontos (em alguns casos, até mais)! Novamente, cientistas não conseguem explicar por que ou como.





#1 — Curando pacientes com Parkinson:

Uma paciente que sofria do mal tinha espasmos musculares, problemas de equilíbrio e dificuldade em caminhar. Ela sofria quedas e se machucava o tempo todo. As coisas iam de mal a pior, até que ela descobriu que conseguia se mover com facilidade enquanto estava ouvindo música - o tipo desta determinando a velocidade da sua caminhada. Por que isto acontece: sabe quando você está ouvindo uma música e inconscientemente começa a tamborilar os dedos na mesa ou balançar os pés? É que a área do cérebro responsável por nossos movimentos é tão automática que não precisa dos nossos comandos para funcionar. Assim sendo, a música força o cérebro a fazer o seu papel, mesmo sem que você o comande. Alguns pacientes com Parkinson já recebem um tratamento que consiste em uma terapia de música: sentam em círculo e tocam tambores. Tocar música controla os espasmos musculares e devolvem o equilíbrio a eles.


Caros colegas musicólatras, não estamos errados em superestimar a Música. Façam bom uso dela e vivam bem!

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sábado, novembro 27, 2010

Música & Cerveja

Hoje vamos falar do blog Música & Cerveja, do Rafhael Vaz. O Rafhael é um musicólatra de primeira hora que semanalmente contribui por aqui. Ele é o cara que mais entende de ska que eu conheço (é bem verdade que eu não conheço muita gente que entende de ska). O Rafhael escolheu como tema do blog dois dos assuntos que são praticamente unanimidade nacional, a ‘música’ e a ‘cerveja’. Desconfio que ele pensou em incluir também os assuntos ‘mulher’ e ‘futebol’, mas as leitoras não aprovariam o primeiro, e futebol então é um tema tão polêmico quanto religião, melhor mesmo ficar de fora. Além disso, coitado, é flamenguista.

Música & Cerveja

Mas vamos deixar que ele mesmo fale sobre o Música & Cerveja:

1. O que motivou a criação do blog?

Sempre gostei de mostrar/indicar as músicas que eu gosto para os amigos. Quando ouvia determinada música sempre lembrava "Fulano vai gostar disso" e mostrava pelo orkut, msn ou qualquer outro meio. Então tive a idéia de montar um blog, assim não precisaria ficar indicando pessoalmente, poderiam simplesmente visitar o blog. Com o tempo, alguns amigos gostaram da idéia e foram se juntando ao blog, ajudando bastante no seu desenvolvimento. Quando montei tentei pensar em tudo que eu sentia que faltava nos outros blogs que visitava, assim veio a idéia das pequenas resenhas, disponibilizar ao menos uma música da banda postada, servidor de download descomplicado etc. Isso fora, claro, conselhos de outros amigos e visitantes do blog.

2. Quando começou a se interessar pela blogosfera e porquê?

Antigamente não me interessava muito em blogs, só visitava quando queria baixar algum álbum. Só passei a acompanhar alguns de fato, após criar o meu.

3. Com que frequência você atualiza o blog?

Sou esforçado, mas nunca fui uma pessoa organizada. Nunca tive um padrão de postagens. Posso dizer que hoje, atualizo a cada 2 ou 3 dias, a não ser que tenha algum evento ou notícia de interesse para postar neste intervalo. Mas albúns mesmo, entre 2 ou 3 dias, tendendo a aumentar.

4. Na sua opinião, qual a importância dos blogs na divulgação da cultura?

Sabemos que não há qualquer controle quanto a credibilidade das informações transmitidas nos blogs. Mas saber escolher informações de qualidade e analisar a credibilidade do que está lendo é algo que deve ser sempre praticado por cada um, pois não existe um meio 100% confiável ou livre de influências. Para mim, um dos grandes benefícios em se ler blogs é a oportunidade de conferir vários pontos de vista sobre um mesmo assunto. Se algo aconteceu no Pará por exemplo, podemos conferir o que o redator da Globo escreveu (após revisão, diga-se de passagem) e depois tomar nota do que um morador local escreveu no blog sobre o mesmo assunto. Portanto, considero de grande importância, desde que utilizado da forma correta.

5. Há quanto tempo você tem o blog?

2 anos. Comecei o blog em agosto de 2008.

6.   Qual a proposta do blog?

Disponibilizar de forma gratuita música de qualidade, visando assim a divulgação dos artistas e a troca de informações musicais com os visitantes. E (em segundo plano) divulgar notícias, eventos e resenhas sobre cervejas especiais e o meio musical em geral. Neste último caso, dando preferência aos realizados em Brasília.

7.   Que post ou série você considera como destaque no blog?

Pessoalmente, considero o "Projeto 50 melhores álbuns da década" que fiz em parceria com a Emmanuella, Daniel (ambos membros do Musicólatras), meu primo Arthur e o Luiz amigo da Manu. O título pode até soar meio pretensioso mas deixamos bem claro que não passava de uma brincadeira sobre nossas preferências musicais ao longo desse período de tempo. Mudamos bastante e, o que dávamos valor a nove anos atrás, pode não ter o mesmo significado hoje, mesmo sabendo que marcou muito naquele momento. Sofremos bastante para escolher por conta disso, todos lamentaram frente a impossibilidade de adicionar mais um ou dois álbuns (era permitido apenas 10 por pessoa) na lista. No final, valeu pela diversão e pela oportunidade de conhecermos novas bandas (clique aqui).

Agora, para os visitantes, o que eles mais tem entrado disparadamente é no do Centenário do Adoniran Barbosa (clique aqui). Este posso dizer que foi bem inesperado. Fiz o post correndo de última hora mas, a aceitação acabou sendo grande. Fiquei feliz por isso.

Música & Cerveja - Adoniran

8.   Qual a relação e a experiência do autor com a música? (se você é músico profissional, amador ou apenas um amante da música - musicólatra).

Já tentei tocar violão mas, por falta de força de vontade não aprendi. Já quase entrei como vocalista na banda de uns amigos, mas não acho que levo jeito pra coisa. Então, no momento, me dou por satisfeito em ser apenas mais amante da música. Pretendo mais pra frente, mexer com produção e coisa do tipo. É um projeto que tenho, vamos aguardar.

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quarta-feira, novembro 24, 2010

Morumbi, 21 de novembro de 2010

PaulMaravilhoso!
Inesquecível!
Magnífico!
Eletrizante!
Monumental!
Duca…!
Emocionante!
etc. etc. etc.
Enfim, perfeito!

Amigos musicólatras, peço mil perdões pela falta de originalidade, sei que todo mundo já falou isso tudo aí em cima, mas fica difícil arrumar outros qualificativos que descrevam o que foi a apresentação de Paul McCartney em São Paulo - minhas referências são de domingo, dia 21, quando além disso tudo ainda tivemos tempo bom, temperatura agradável e uma linda lua cheia. Estava tão bom que não aguentei esperar até 6ª feira, usualmente meu dia de escrever aqui.

Foi tudo isso e muito mais. 25% dos Beatles tocaram durante quase três horas como se os demais 75% estivessem ali. Os mais de 60 mil fãs, jovens e velhos, que estavam no Morumbi, mais os que acompanharam a pobre transmissão pela TV, teriam aguentado outras três ou seis sem reclamar. Sir Paul tocou de tudo, de baladas a rocks, homenageou seus amigos George e John, brincou com seus súditos (nós) e homenageou-nos esforçando-se por falar em português. Simpatissíssimo. Tudo isso acompanhado por uma banda espetacular.

As músicas que ele tocou no dia 21 estão relacionadas no final deste post (o repertório do dia 22 teve algumas modificações). Escolhi alguns vídeos de apresentações em diversos shows e turnês diferentes, mas a banda é a mesma.


Venus & Mars / Rockshow:


Drive my car
:


Let me roll it:


Blackbird:


Here today (em homenagem a John Lennon):


Eleanor Rigby: (essa ele tocou a meu pedido em homenagem à colega musicólatra Manu, que queria muito ter ido)


Something
(para George Harrison):


Band on the run:


Live and let die
/ Helter skelter: (Helter skelter com o vídeo da montanha russa é muito doida)


Hey Jude (imagine 64 mil pessoas cantando ná-ná-ná-ná-rá-ná-nááá, hey Jude!):


Yesterday:


Sgt. Pepper Lonely Hearts Club Band / The End:


The End, foi também a última música gravada pelos Beatles. Curiosamente, é a única em que Ringo fez um solo de bateria. O verso final, mais declamado que cantado, resume bem o que significaram (e ainda significam) os Beatles para sua legião de fãs e admiradores:

"And in the end the love you take is equal to the love you make"


E, para encerrar esse longo post, uma piadinha caseira que aconteceu na saída do show…

Edison - 0109 Saída do Show do Paul McCartney

SET LIST:
"Venus and Mars / Rock Show"
"Jet"
"All My Loving"
"Letting Go"
"Drive My Car"
"Highway"
"Let Me Roll It / Foxy Lady (Jimi Hendrix cover)"
"The Long and Winding Road"
"Nineteen Hundred and Eighty-Five"
"Let 'Em In"
"My Love"
"I've Just Seen A Face"
"And I Love Her"
"Blackbird"
"Here Today"
"Dance Tonight"
"Mrs Vandebilt"
"Eleanor Rigby"
"Something"
"Sing the Changes"
"Band on the Run"
"Ob-La-Di, Ob-La-Da"
"Back in the U.S.S.R."
"I've Got a Feeling"
"Paperback Writer"
"A Day in the Life/Give Peace a Chance"
"Let It Be"
"Live and Let Die"
"Hey Jude"

bis
"Day Tripper"
"Lady Madonna"
"Get Back"

bis
"Yesterday"
"Helter Skelter"
"Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band/The End"


Atualização em 4/12/2010:

Agradecimento de Paul ao público brasileiro e argentino

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terça-feira, novembro 23, 2010

BB King: O Eterno Rei do Blues (Parte II)

Como prometido semana passada no post “BB King: O Eterno Rei do Blues”, vamos seguir em frente e dar continuidade a matéria da revista Guitar Player. Se alguém perdeu a primeira parte, não fique desesperado, pois há uma solução simples e fácil: Clique Aqui.

Por Henrique Inglez de Souza

SUCESSO MUNDIAL

Até 1959, BB King avolumou com muita intensidade sua discografia. Foram pouco mais de 50 singles. Um inicio de carreira heróico e notável, já que estamos falando de uma época em que talento e personalidade eram ferramentas vitais ante aos parcos recursos da mídia existentes. O musico tinha que mostrar serviço no palco, na raça. Talvez mais autentica e inspirada, tornando os artistas mais distintos entre si – pelo menos, não tão pasteurizados como hoje em dia.

Foi utilizando-se do esquema “poucas notas/muito feeling”, que BB King desenvolveu uma pegada consistente. Como acordes nunca foram seu forte, consolidou sua personalidade musical à base da improvisação. Seu truque estava justamente em fazer da simplicidade uma marca muito especial. “Eu toco e canto, mais nunca ambos ao mesmo tempo, porque não os consigo fazer juntos muito bem”, descreve. “Componho do mesmo jeito que sei falar. Ou seja, quando estou com uma guitarra, não me preocupo em fazer algo. Apenas toco o que me der vontade, de acordo com o que estou sentindo”. E o recurso mais vistoso dessa fórmula todos nós sabemos de cor: seu vibrato inconfundível – referência para inúmeros guitarristas mundo afora.

Nuno Mindelis comentou sobre a pegada do mestre: “O solo ‘econômico’ de BB King é único e derivou de sua frustração de nunca conseguir tocar como um dos seus maiores ídolos, T-Bone Walker . Ele percebeu que nunca chegaria perto daquela técnica e elegância, então ‘tirou a mão’, literalmente. O intuito era simplificar, e isso resultou na guitarra mais proeminente e importante do blues de todos os tempos. Em uma entrevista, há muitos anos, quando perguntando sobre a razão daqueles solos tão curtos – uma coisa inédita -, BB King brincou dizendo serem para economizar a guitarra”.

Já nos anos 1960, o bluesman inaugurou uma nova etapa em sua carreira, e o marco pode ser considerado o aclamado disco ao vivo “Live at The Regal” (1965) .Mesmo mantendo suas raízes, o guitarrista conseguiu soar conectado a elementos modernos, aberto a outras tendências. Além do mais, ele está soando realmente inspirado e despeja gás de sobrea nas performances das dez faixas que compõem o repertório. Embora ele não veja o álbum com tamanha empolgação, a história o elegeu como um dos melhores registros do blues.

Em determinados momentos, seus licks e groove nos fazem entender a origem de um estilo que estava em plena ebulição na época: o rock. Eram os anos dos Beatles, Rolling Stones, Jimi Hendrix, The Who, Led Zeppelin, entre outros gigantes. A maioria influenciada diretamente pelos mestres do blues, como BB King. Jimi Hendrix, por exemplo, era um fã assumido. Ambos, inclusive, protagonizaram um encontro antológico no palco do Generation Club (Nova York/EUA), em 1968. O registro desse show se transformou no bootleg “The King’s Jam”. Outra marca dessa admiração está na faixa Love Man (recém lançada no disco Valleys of Neptune), a qual Hendrix moldou a partir de uma das canções de maior expressão do BB King, Rock Me Baby.

Quem também fazia questão de mostrar sua devoção eram os Rolling Stones. A banda britânica, por sinal, teve papel importante na trajetória de BB King. Em 1969, convidou-o para ser uma das atrações de abertura da turnê pelos Estados Unidos – as outras atrações foram Terry Reid, Ike and Tine Turner e, eventualmente, Chuck Berry (Janis Joplin participou do show em Nova York, no Madison Square Garden).

A The Rolling Stones American Tour 1969 foi marcante por diversas razões. Se, do lado do quinteto, o guitarrista Mick Taylor fazia sua estreia ao lado de Keith Richards, no que se refere a BB King, trouxe-lhe visibilidade e o aproximou de um novo publico. O bluesman ficou ainda mais popular na virada da década e isso ajudou a tornar os anos seguintes um terreno fértil para sua música. “Tanto You’re Mean como So Excited são belíssimos exemplos do que se deve aprender sobre BB King e sua espetacular banda da época”, afirma Nuno Mindelis, referindo-se a canções lançadas naquele ano.

O primeiro indício de que os ventos sopravam a favor veio ainda no final de 1969. Foi o single The Thrill Is Gone, composição de Rick Darnell e Roy Hawkins. Apesar da versão original ter sido gravada em 1951, a canção ganhou a simpatia popular e ficou mundialmente conhecida graças à bela releitura de BB King, 18 anos depois – a faixa saiu no disco Completely Well.

Essa é uma das suas gravações mais conhecidas. Melhor dizendo, transformou-se em um de seus grandes clássicos – talvez o principal. Lá estão marcas típicas de seu estilo: vozeirão firme e forte amparado por solos de notas encaixadas nos pontos exatos e vestidas com aquele timbre levemente aveludado. O arranjo, bem diferente do gravado por Roy Hawkins, também traz um clima envolvente por conta das cordas. A música conquistou público e crítica, e ainda rendeu um cobiçado Grammy (1971) de melhor cantor de R&B.

BB King - "The Thrill Is Gone"


Bom por hoje é só. Semana que vem a matéria continua pessoal. Abraço

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domingo, novembro 21, 2010

Blues Harmônica

Olá Musicolatras...

Dando continuidade a nossa série sobre alguns dos instrumentos mais característicos no blues, hoje veremos um pouco sobre a harmônica (gaita). Esse instrumento tão importante para o blues tem representantes Brasileiros do mais alto nível.

Antes de mais nada vamos a uma pequena explicação sobre o que é a gaita

A gaita teve sua origem em um antigo instrumento chinês, o sheng, que foi inventado há mais de cinco mil anos e que funciona pelo princípio de palhetas livres. Esta técnica de produção sonora gerou uma grande família de instrumentos acionados por foles ou bombas de ar, como o acordeão e a melódica. Em órgãos é comum que alguns tubos sejam flautados e outros utilizem palhetas livres para produzir sons com timbres diferenciados.

Em 1821 um relojoeiro alemão chamado Christian Ludwig Buschmann inventou um instrumento semelhante à gaita atual com 15 palhetas e 10 cm de comprimento, mas esse instrumento foi encarado como um brinquedo e não foi considerado adequado para a execução musical. Em 1857 um outro relojoeiro alemão, Matthias Hohner, fundou uma companhia e começou a fabricar as chamadasharpas de boca ou órgãos de boca com 10 furos. O instrumento passou a vender muito bem naAlemanha, França, Itália e nos Estados Unidos.

Na Europa a gaita se tornou um instrumento muito popular na música folclórica e surgiram bandas e orquestras especializadas neste instrumento. Nos Estados Unidos foi muito utilizada na música country. Com o surgimento do blues no início do século XX, a gaita chegou ao seu auge e daí garantiu a participação em outros gêneros musicais, como o jazz, folk music, rock and roll e até na música clássica.

Hoje com a popularização do instrumento existem diversos fabricantes de gaitas espalhados pelo mundo: Hering e Bends no Brasil, Hohner e Seydel na Alemanha, a Suzuki no Japão e a Lee Oskarnos E.U.A.. Veja uma explicação mais detalhada no site: http://pt.wikipedia.org/wiki/Harm%C3%B3nica_(instrumento_musical)

Agora vamos aos vídeos de alguns dos melhores Gaitistas:

Little Walter é considerado um dos maiores genios do instrumento, Juke é uma das minhas musicas preferidas dele.



Sonny Boy Williamson, é também um dos melhores gaitistas de blues da história.


Junior Wells pertence a uma geração que veio depois dos dois primeiros ja citados. Ele prova que sempre haverá bons gaitistas no blues


Flavio Guimarães é para mim um dos maiores musicos do Brasil, seu trabalho solo e no Blues Etilicos são primorosos.



Indo agora pra uma onda mais pop blues, vamos ver o trabalho do talentoso gaitista John Popper.

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sábado, novembro 20, 2010

Jazz & Rock

E o blog Jazz & Rock faz 3 anos nessa semana! Convenhamos, não são muitos os blogs que sobrevivem por tanto tempo. Para isso, só mesmo com uma combinação de bom conteúdo e persistência do blogueiro, e essas são duas coisas que o Jazz & Rock tem de sobra. Foi um dos primeiros blogs de música que eu segui e, graças a ele, tive acesso a um monte de coisas legais que ainda não conhecia (às vezes a gente fica preso só no que a gente gosta e precisa de um empurrão para conhecer coisas diferentes).

Jazz & Rock

Porém, mais importante que isso, foi através do Jazz & Rock que eu conheci o Daniel (Argentino) Faria. Essa figuraça honrou-me com o convite para escrever umas bobagens aqui no Musicólatras, convite esse que aceitei rapidamente antes que ele mudasse de ideia. Só não entendo como é que o cara consegue torcer para a Argentina…


Com a palavra, o Daniel.

1. O que motivou a criação do blog?

Daniel ArgentinoPrimeiramente ser um musicólatra (risos). E depois por ser uma forma que eu encontrei de poder compartilhar os sons que eu curtia e aqueles que eu estava conhecendo. Sempre achei que por mais que exista uma infinidade de blogs sobre música, o meu seria o único, afinal estaria compartilhando o meu gosto musical e isso me animou muito. Inclusive o blog me ajudou muito e nesse tempo adquiri muito mais conhecimento.

2. Quando começou a se interessar pela blogosfera e porquê?

Confesso que sempre achei a blogosfera um saco. A minha visão de blog era a seguinte: diario virtual. Então não entrava na minha cabeça a ideia de criar um blog e escrever sobre minha vida. Quando comecei a curtir jazz e consequentemente passei a usar a internet como fonte de pesquisa, comecei a descobrir alguns blogs que faziam esse trabalho de divulgação. E antes de criar o "Jazz e Rock" em novembro de 2007, eu participava fazendo algumas postagens no Blog do JazzMan! e com o tempo comecei a me interessar e pensei que poderia criar um espaço próprio, onde tivesse uma liberdade maior de compartilhar o que eu quisesse. E assim o "Jazz e Rock" nasceu (risos).

3. Com que frequência você atualiza o blog?

Atualizo o blog de acordo com que as novidades aparecem. Desde que comecei o blog procuro manter sempre atualizado, claro que as vezes tenho mais facilidade de postar pela quantidade de álbuns, mais tem hora que isso não acontece, por isso tenho sempre uma "carta na manga" para postar e assim manter o blog atualizado.

4. Na sua opinião, qual a importância dos blogs na divulgação da cultura?

Hoje a blogosfera tem um papel muito importante na divulgação da cultura e isso de certa forma é uma responsabilidade a mais para o blogueiro, principalmente na hora de passar a informação correta e assim ser uma fonte confiável. Quem deseja levar um blog a sério, tem que se manter atualizado no assunto discutido no blog. Talvez por isso existem tantos blogs que começam e não duram seis meses, apesar de parecer brincadeira, ter um blog requer seriedade e comprometimento.

5. Há quanto tempo você tem o blog?

Há exatos 3 anos.

6.   Qual a proposta do blog?

Quando criei o "Jazz e Rock" sempre tive em mente uma coisa: Propósito. E isso é parte da motivação de um blogueiro, não tem como criar um blog por criar. O propósito principal do meu blog é compartilhar música de qualidade e passar informações para as pessoas. O blog serve como um canal a mais na divulgação, por que muitos dos músicos não conseguem um espaço na grande midia, que hoje é tomado por uma qualidade musical muito baixa (salvo alguns raros programas de TV). Então o blog surge para suprir isso e levar a boa música para as pessoas.

7.   Que post ou série você considera como destaque no blog?

Pergunta dificil de responder (risos). Em três anos postei muita coisa que considero como destaque, vários álbuns que de certa forma ficaram marcados na minha vida e que tive a honra de poder compartilhar. Fora os álbuns, eu curti e me diverti muito com as entrevistas que tive a oportunidade de fazer: Tomati e Derico (Sexteto do Jô), o baixista Eduardo Machado, o violonista João Alexandre, a trupe do Teatro Mágico, enfim, foram experiências fantásticas. Também gostaria de citar o projeto "Os 50 Melhores Álbuns da Década" , feito em parceria com os blogueiros Rafhael Vaz, Emmanuela, Luiz e Arthur, foi um projeto muito interessante. E saindo do campo da música o meu projeto de resenhas de livros. É isso, muito álbum bom ficará de fora dessa lista, mais fica pra próxima (risos).

Links:
Entrevistas
Projeto 50 melhores álbuns da década
Resenha de Livros

8.   Qual a relação e a experiência do autor com a música? (se você é músico profissional, amador ou apenas um amante da música - musicólatra).

Na minha adolescência eu até me arrisquei a aprender contrabaixo, mais não tive êxito, era muito relaxado, não estudava em casa e consequentemente acabei deixando pra lá. Hoje sou apenas um musicólatra, se deixar escuto música 25 horas por dia e quando saio de casa posso esquecer até os documentos, mais o ipod jamais (risos). Quem sabe um dia ainda volte a fazer aula de contrabaixo, é uma vontade que tenho, pelo menos para realizar esse sonho, mais por enquanto ainda não tenho isso como prioridade.

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sexta-feira, novembro 19, 2010

Paul McCartney no Morumbi

O texto que segue abaixo é fruto da memória e impressões pessoais e tem pouca ou nenhuma base bibliográfica, portanto, perdoem-me as imprecisões.

PMcC 01Depois que os Beatles se separaram (as razões são muitas e variam conforme a fonte e a crença: Yoko Ono, Alen Klein, egos etc.), cada um seguiu seu caminho e meio que renegou o passado então recente. John foi para os EUA com Yoko, George lançou um álbum triplo pra mostrar que também sabia compor, Paul saiu voando com o Wings e Ringo, bem, não sei dizer exatamente o que o Ringo fez.

PMcC 02O fato é que, aonde quer que fossem, o assédio da imprensa e dos fãs era o mesmo, sempre na expectativa de que um dia voltassem a tocar juntos. Nas entrevistas que lemos hoje em dia dá até a impressão de que faltou muito pouco para isso, mas acho bom que não tenha acontecido. Cada um tinha que seguir sua carreira solo. Com a exceção de John, que não teve tempo para isso, eles se juntaram vez por outra para dar uma canja em alguma ocasião especial.

PMcC 03Paul McCartney com o tempo passou a incluir músicas dos Beatles em seus shows. O que ele fez em sua carreira solo é ótimo, mas a omissão nos shows sempre deixava uma vazio para a plateia. Por mais que ele faça, ele sempre será um ex-Beatle. Já bastaria isso para ser um clássico.

Vê-lo ao vivo é mais ou menos o mesmo que ir a um concerto em que Mozart estivesse regendo a sua própria obra. Ou ter ouvido Tom Jobim ao vivo (sim, eu tive esse privilégio).

See you on Sunday, Paul!

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quarta-feira, novembro 17, 2010

Lucille a guitarra de um Rei

Olá Musicólatras...

Sei que hoje não é o meu dia de postar(rs) mas fiquei tão empolgado com essa serie de materias sobre o rei do blues, B.B. King, que o nosso amigo (e musicolatra) Daniel esta postando que resolvi contribuir com algo sobre B.B. King.

A seguir o proprio B.B. King fala sobre seu equipamento e principalmente sobre sua guitarra. Essa materia esta numa publicação de abril de 2006 da revista Guitar Player (foi realmente um achado!) Espero que gostem.

Senhoras e senhores com vocês um pouco mais de B.B. King

O rei do blues conta: “Quando fiz minha primeira turnê, por volta de 1950, toquei uma das primeiras Fender de corpo sólido. Usei também um pequeno amplificador Gibson que tinha cerca de 30cm de largura e 15cm de profundidade, com um alto-falante de cerca de 20cm.Utilizei esse amp por um bom tempo”

Durante os anos 50, B.B. King usou uma serie de Lucilles – uma Gretsch que foi destruída em um acidente de carro, uma Epiphone que foi roubada, uma Silvertone da Sears Roebuck e uma serie de Semi-acústicas Gibson – antes de se estabelecer com a Gibson ES-335. “Tenho usado esse modelo desde que o vi pela primeira vez, por volta de 1958. Quando achei essa pequena Gibson com braço longo, ela mexeu comigo. É como encontrar sua esposa para sempre. Estou com ela desde então”.

Por volta de 1980, B.B. havia se estabelecido com o modelo Gibson Lucille que ele ainda patrocina. “É uma 335, mas com algumas mudanças” diz King. “Ela tem o corpo fechado, sem aberturas em F, então não produz microfonia. Eu costumava colocar toalhas em minha 335 para cortar o feedback. Já a Lucille, consigo liga-la no máximo. Posso ajustar o cordal (Gibson TP-6) na traseira, e o braço é um pouco mais fino. Há um cabo em Y que me permite dar bypass no estéreo, embora eu geralmente opte pelo circuito estéreo, com ambos os captadores trabalhando.

Com apenas uma rápida mudança da mão, posso ajustar o volume ou mudar o timbre. Para dizer a verdade, nem sei qual captador faz o que. Simplesmente ligo os dois e uso meu ouvido”

“Prefiro o encordoamento Gibson740XL, com .009 na primeira corda. Toco com uma palheta razoavelmente dura. As vezes é difícil conseguir bons amplificadores e, já que quase sempre toco com palhetadas para baixo, não tenho de atacar as cordas com muita força para conseguir o volume que quero”
.

Seu amplificador preferido é o Gibson Lab Series, embora ele tenha ficado conhecido por tocar em lugares com Fender Twin.

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terça-feira, novembro 16, 2010

BB King: O Eterno Rei do Blues.

Hoje vou começar uma série de postagens sobre BB King. A matéria que vou postar foi escrita pelo jornalista Henrique Inglez de Souza na época em que o BB King esteve pela última vez no Brasil em turnê realizando inclusive três shows em São Paulo e foi publicada na revista Guitar Player de maio de 2010. Bom à revista chegou até as minhas mãos, através do Thiago Teberga, que comprou a revista e me emprestou, como sou fã e admiro muito BB King, li toda a matéria e apesar de ser gigantesca, resolvi postar aqui no Musicólatras, claro que a revista é infinitamente melhor, principalmente pelas fotos, mas para quem não pode adquirir a revista, ao menos vai ler a matéria. No mais essa matéria é uma viagem na vida e na carreira do rei do Blues, espero que gostem.

Por Henrique Inglez de Souza

Estar ali com BB King me fez pensar em muitas coisas. Afinal era aquela mão que eu apertava a responsável por canções e timbres da mais fina estampa bluseira. Um toque peculiar, que há décadas tem angariado gerações de admiradores – músicos ou não. E isso só é possível graças ao dom quase divido que esse experiente músico tem para tocar guitarra. É alguém que sabe tratar o instrumento com talento e carinho. Delicadeza esse que não está necessariamente ligada ao manuseio, mas sim ao que vem do sentimento – como ele mesmo ressaltou: “Toco o que sinto. Meu estilo é apenas a maneira como toco”. E o segredo é simples: “Cada vez que pego a guitarra, tento tocar melhor do que antes”.

Celso Blues Boy, um dos pioneiros do blues brasileiro, conheceu de perto o trabalhou com o mestre. Ele disse: “O que acho mais brilhante no BB King é a sinceridade que vai de sua alma para o braço da guitarra. Não apenas a sua técnica de bend com vibrato, mas a sua sinceridade e pureza como ser humano. Quem o conhece sabe que ele é uma pessoa muito legal e generosa. De todos os anos que convivi com ele, essa foi a única coisa em que sempre pensei. Somente alguém que faz essa ligação tão forte do braço da guitarra com a alma pode fabricar aquele som”.

Pensar em BB King, portanto é mergulhar em uma longa história, escrita a partir dos predicados que fazem desse guitarrista uma lenda, o eterno rei do blues.

DAS PLANTAÇÕES DE ALGODÃO AOS PALCOS DO BLUES

Há mais de 70 anos, aquela mesma mão que me cumprimentava era usada para o trabalho na colheita de algodão em um remoto Mississippi, Estados Unidos. BB King então apenas o jovem Riley King, cumpria os deveres do campo, mas também dedicava-se a cantar no grupo gospel do qual participava. Música era a sua grande diversão. Gostava da maneira como as melodias lhe seduziam. Além de soltar a voz (ele queria ser cantor gospel), passou também a se interessar por tocar um instrumento. Assim, comprou o primeiro violão, um Stella, no inicio dos anos 1940. “Cresci no interior do país”, conta. “Não havia eletricidade, então o que tínhamos para tocar eram violões”. E frisou: “Sou autodidata. Não tive professor”.


Depois de pegar intimidade com o instrumento, BB King encorajou-se a tentar a vida musical em outras plagas. Em 1946, pegou um ônibus rumo a Memphis, onde morava o primo que o acolheu, o musico, Bukka White. A cera de lá oferecia mais possibilidades – “naquela época , decidi o que queria fazer para viver”. A missão, porém, durou meses e o obrigou a desistir por não ter dado certo. Contudo, mais preparado, resolveu arriscar novamente e lá foi ele para a mesma cidade, em 1948, As coisas foram melhores e, finalmente , conseguiu um bom emprego. Começou a trabalhar como cantor e locutor na rádio WDIA, uma estação dedicada ao R&B. Nessa época, ganhou o promissor apelido de Beale Street Blues Boy (depois abreviado para B.B). Estava em contato direto com a música, o que lhe possibilitou momentos fundamentais, como encontrar um dos seus ídolos, T-Bone Walker – que o inspirou a comprar uma guitarra.

Em entrevista à Guitar Player norte-americana, em 1977, BB King falou do quanto admirava o lendário musico: “T-Bone Walker foi o primeiro guitarrista com um som distinto que ouvi, diferente de todo mundo. Era um timbre que só ele conseguia produzir. T-Bone podia tocar qualquer guitarra, em qualquer amp, que seria capaz de criar aquele mesmo som. Ele era o cara”.

Outras de suas referências incluem os bluseiros Lonnie Johnson, Blind Lemon Jefferson, Elmore James, Robert Lockwood, Memphis Slim, Sam “Lightnin” Hopkins, Lowell Fulson, seu primo Bukka White e Ivory Joe Hunter (de quem regravou músicas como o clássico “Since I Met You, Baby”). Também estão no time jazzistas como Charlie Christian e Django Reinhardt, de quem BB King gosta bastante e admite carregar algo em seu estilo: “Sempre fui louco por Django. Adoro seu jeito de tocar”.

Ainda no final da década de 1940, BB King realizou suas primeiras gravações. Estreou em 1949, quanto lançou o pouco expressivo single “Miss Martha King”, pela Bullet Records. Depois, já entre os artistas contratados da RPM Records, passou a intensificar o ritmo de trabalho. Nessa nova etapa, muitos compactos que gravou contaram com a produção do competente Sam Phillips (futuro fundador da emblemática Sun Records). A movimentada rotina em estúdio era acompanhada pela presença cada vez maior nos palcos. BB King mostrou-se um competente músico “estradeiro”.

A demanda de shows pelos EUA o manteve bastante ocupado. Alimentou um embalado que não parou mais. A vontade de tocar era tamanha que chegou a fazer 342 shows apenas no ano de 1956. Uma marca impressionante e reveladora do grau de consagração que o bluesman havia alcançado. Era, sim, uma celebridade!

Uma boa trilha sonora para resumir os anos de 1950 de BB King deve ter, ao menos, as canções “Wok Up The Morning”, “Please Love Me”, “Whole Lotta Love”, “You Upset Me Baby”, “Every Day I Have the Blues”, “Ten Long Years”, “Bad Luck” e “Sweet Little Angel”. “Quando me perguntam o que ouvir para aprender blues, sempre recomendo BB King dos primórdios, suas primeiras gravações – tenho o cuidado de enfatizar primeiras gravações, as do início da carreira mesmo”, aconselha Nuno Mindelis, um dos grandes nomes do blues no Brasil.

Bom pessoal por enquanto é isso, na próxima semana a história do rei do blues continua.....

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domingo, novembro 14, 2010

Slide Guitar

Olá Musicólatras...

Hoje vamos começar uma pequena serie sobre o blues, mas de uma forma diferente... Vamos ver o blues pelos instrumentos mais tradicionais do estilo e suas diferentes técnicas. Primeiro veremos um dos principais instrumentos do estilo, a Guitarra,ou melhor a Slide Guitar (muito popular no Blues), primeiro vamos a uma pequena explicação sobre o que é a Slide Guitar.

Slide guitar, ou Bottleneck guitar, é uma forma de tocar guitarra, em que se utiliza um pequeno tubo ôco (Bottleneck), de metal (originalmente o gargalo de uma garrafa), para alterar o tom em que se toca, deslizando esse tubo pelas cordas da guitarra. Este método é, habitualmente, utilizado nos blues e no country.Para efetuar esta técnica, a guitarra pode ser tocada posicionada na forma habitual, em que o guitarrista tem o tubo colocado num dos seus dedos; ou deitada, com a zona das cordas para cima, em que o guitarrista utiliza o tubo com a mão.

Vamos agora aos videos de alguns dos melhores Guitarristas Slide.


Esse é o incrivel Sonny Landreth com seu blues/rock de primeira qualidade.


Derek Trucks, levou o slide a outros estilos. Seu som leva influencias de Jazz, blues e até um que de musica Indiana!!!


Curtam o audio desse classico da Allman Brothers Band com o mestre do slide Duane Allman


O talentoso e ousado slide de Ben Harper, vocês irão entender o "ousado" depois de ver Ben tocar um classico de Jimi Hendrix com sua slide guitar

E pra fechar com chave de ouro.. Vamos aos classicos! Os 3 ultimos videos são dos "caras" que começaram a escrever a historia da slide guitar, creio que qualquer comentario seria pouco para cada um deles. Sem mais demoras deixo vocês com:

Elmore James



Robert Johnson



Muddy Waters



Em breve veremos novamente a guitarra, mas tocada de forma tradicional!

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sábado, novembro 13, 2010

Central Musical: anos 80

Continuando a visita aos blog parceiros, passaremos hoje pela Central Musical: anos 80 que, como o próprio nome diz, traz um painel musical da década de 80. Acompanhe o bate papo com o Rodrigo Nogueira, que também pilota o blog Sons, Filme e Afins.

Blog Central Musical


1. O que motivou a criação do blog?

Sempre me interessei por música e cinema e quando gosto de alguma coisa costumo investigar a fundo, então é normal quando encontro com meus amigos, estes temas surgirem em nossos papos. Alguns destes amigos me sugeriram que eu compartilhasse esse conhecimento adquirido em um livro ou blog. Fiquei relutante por um bom tempo, até que minha irmã me convenceu e eu comecei o Sons, Filmes & Afins. Mesmo sem saber direito o que fazer na blogosfera, nunca tive dúvidas sobre o que escreveria, só fiquei na dúvida se haveria pessoas interessadas em compartilhar comigo e onde encontrá-las.

2. Quando começou a se interessar pela blogosfera e porquê?

Logo que escrevi meu primeiro artigo - um apanhado de discos dos anos 50 que mais gosto - sabia que ninguém leria a não ser que eu conseguisse alguma forma eficiente de divulgar o blog. Com essa ideia, vasculhei o Google em busca de respostas e encontrei os metablogs. Lá descobri muitas coisas interessantes sobre como melhorar e encontrar as pessoas. A maneira mais interessante e prazerosa foi buscar outros blogs que tratavam dos mesmos assuntos que eu, assim, encontrei muita coisa boa e pessoas legais, muitas delas se tornaram parceiras e amigas.

3. Com que frequência você atualiza o blog?

As atualizações são diárias, alternadas entre meus dois blogs. A programação nos últimos tempos está assim:

Segundas: Série O que é? (Sons, Filmes & Afins) - costumo abordar de forma clara e objetiva, através de infográficos, um estilo musical, sem discriminações e disponibilizo uma playlist com músicas de exemplo.

Terças e Quintas (Central Musical: Anos 80) - Minhas resenhas de discos da década de 80. Atualmente, posto discos lançados no ano de 1980 e o disco em questão fica disponível para a audição direto no blog.

Quartas: Série Acervo Original (Sons, Filmes & Afins) - comento sobre a experiência de ter adquirido determinado disco, o que ele significa para mim, enfim, a abordagem costuma ser livre de formatos e de cunho pessoal. Dá para ouvir o álbum completo no blog.

Sextas: Série Filmes Indicados (Central Musical: Anos 80) - indicações de grandes filmes da década de 80. Ficha técnica, trailer e sinopse. Atualmente exploro o ano de 1980.

Sábados: Filmes (Sons, Filmes & Afins) - minhas resenhas e opiniões sobre filmes recentes, ou seja, que estão em cartaz nos cinemas ou acabaram de chegar às locadoras.

Domingos: Série 50 Obras Revolucionárias (Sons, Filmes & Afins) - a partir de uma seleção realizada por críticos especializados para a extinta revista Classic CD, sigo em uma contagem regressiva apontando as músicas eruditas consideradas mais revolucionárias e as justificativas. Aqui disponibilizo a obra para audição e download.

Também aos domingos, coloco no ar, nos dois blogs, a Rádio Polaina - que só toca anos 80, comigo e com minha filha nas locuções. Além das músicas, têm curiosidades e informações sobre o set-list.

4. Na sua opinião, qual a importância dos blogs na divulgação da cultura?

Pois é, essa é uma questão delicada, em teoria seria enorme, mas, por outro lado, há um grande risco de informações incorretas serem espalhadas de forma indiscriminada. Acho que todo blogueiro que quer disseminar cultura deveria ter um grande senso de responsabilidade para sempre apurar as informações antes de postar e estar pesquisando constantemente, dessa forma, acredito que a divulgação será  positiva.

5. Há quanto tempo você tem o blog?

Comecei os Sons, Filmes & Afins em setembro de 2009 e a Central Musical: Anos 80 foi ao ar em junho de 2010.

6.    Qual a proposta do blog?

Basicamente é provar que o universo musical é bem mais amplo do que o que a mídia nos mostra e que temos que estar abertos para conhecer coisas novas, pois acredito que nosso gosto musical nunca deve ficar estagnado, mas sempre em evolução. Meu lema nos blogs é "Nem tudo que é postado precisa ser gostado, mas por que não conhecido?"

7.    Que post ou série você considera como destaque no blog?

Acho a série 50 Obras Revolucionárias um verdadeiro divisor de águas para quem quer descobrir a essência da música e os caminhos que ela percorreu. Os textos são de críticos super conceituados (clique aqui).

Gosto muito de meus posts opinativos como o "Você Realmente Gosta de Música" (clique aqui) , "Coletânea? Não, Obrigado" (clique aqui) e o mais recente "Diversidade da Internet X Mentes Fechadas" (clique aqui) e dos guias, como "Quer Estudar Vilão? Confira Antes Estas Dicas" (clique aqui), "Mestres do Violoncelo" (clique aqui), etc.

8.    Qual a relação e a experiência do autor com a música?

Bem, eu sou fanático por música desde criança, na adolescência participei de algumas bandas como vocalista até me matricular em uma escola de música e me apaixonar por minha professora (que hoje é minha esposa). Estudei saxofone em conservatório, fiz bailes, casamentos, etc. Fui proprietário de uma escola de música e além do saxofone, ensinava teoria, harmonia, percepção musical e história da música por lá e também em outras escolas. Sou colecionador de LPs, CDs e MP3 e pesquisador auto-didata. Ah, e musicólatra! Atualmente não tenho trabalhado mais com música, a não ser nos blogs, mas acompanho a carreira de minha esposa como professora e musicoterapeuta.

É isso aí amigos Edison e Daniel, espero ter contribuído e muito obrigado pela oportunidade.

Amigos, esqueci de mencionar a série "O Brasil Não Conhece o Brasil" como uma de minhas favoritas! Nela desencavo ótimos artistas que por aluma razão não fizeram sucesso! Clique aqui para ver.

Abraços!

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sexta-feira, novembro 12, 2010

Ivan Lins

Além de ser um mito como cantora, Elis Regina também primou por lançar jovens compositores. Milton Nascimento, João Bosco e Aldir Blanc, Renato Teixeira, Belchior e tantos outros tiveram seus primeiros sucessos cantados por ela. Não que eles se tornaram compositores maiores ou melhores por causa dela, mas certamente alcançaram o sucesso e reconhecimento muito mais rápido pela voz e o aval de Elis.

É o caso, por exemplo, do carioca Ivan Lins, nascido em 1945. Pianista desde os 18 anos, formou-se em engenharia química no final dos anos 60, época em que passou a dedicar-se à música. Seu primeiro grande sucesso, porém, veio pela voz de Elis Regina, com a música Madalena, em 1970. No acompanhamento, o inconfundível piano de Ivan.

O próprio Ivan Lins divide sua carreira em “antes e depois de Vitor Martins”, referindo-se a seu parceiro mais constante. A parceiria começou meio sem querer. Durante uma pescaria juntos, Ivan soube que Vitor gostava de escrever letras de música, passou para ele uma música que tinha pronta e saiu Abre alas, um manifesto contra a repressão então vigente disfarçado em versos de grande maturidade.

Da mesma dupla, ouça Novo tempo.

No próximo, Ivan interpreta Iluminados e Desesperar jamais. Entre elas, um depoimento legal do artista.

Simone também é uma de suas grandes intérpretes, ressaltando-se a genial Começar de novo. A voz forte da cantora dá ainda mais força à música de Iva.

E, por fim, um Ivan Lins mais jazzístico, com o grupo Irakere, de Cuba, tocando Dinorah.

É isso, caros musicólatras, espero que tenham gostado. Bom final de semana a todos!

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quarta-feira, novembro 10, 2010

Entrevista exclusiva com Nuno Mindelis

Olá a todos...
Recentemente tive o imenso prazer e alegria de entrevistar o grande guitarrista/cantor Nuno Mindelis. Nessa entrevista exclusiva que o musico concedeu ao BLOG jazzerock.com ele conta desde os primeiros contatos com a musica até a consagração como um ícone do Blues no Brasil e no mundo. Sem mais demoras deixo vocês com as palavras de Nuno Mindelis que prova que além de excelente guitarrista é também uma excelente pessoa!.



Nuno, conte-nos como foi o seu inicio na música? Como teve o seu primeiro contato com a guitarra?

Desde que me lembro de mim queria tocar qualquer instrumento, ficava tocando com latas , panelas etc. Durante as aulas, no primário, tocando na carteira e nos estojos de lata dos lápis, usando canetas como baquetas etc. . Construía violões com caixinhas de bombons e fio de pesca (como cordas), tocava raquetes de tenis como se fossem guitarras etc. Não consigo saber porque isso aconteceu, a sensação que tenho é a de que já nasci assim, músico. Da mesma forma que desenho desde que me lembro de mim, uma coisa nata.

Quais foram os seus primeiros heróis da guitarra?

Ouvi o guitarrista dos Shadows quando tinha uns 7 anos, estava acostumado a ouvir instrumentos sinfônicos, (meus pais ouviam bastante música clássica) e de repente ouvi aquela guitarra tipo surf, com tremolo e vibrato tocando "Apache" . Caí de costas. Aos nove ouvi Otis Redding obsessivamente, por indicação de um cara mais velho que percebeu e se interessou pela minha clara obsessão pela música. O guitarrista de Otis era Steve Cropper. (Tive a honra de ser anunciado com ele na Inglaterra, em 2008, no mesmo evento e na imprensa) . Depois ouvi Big Bill Broonzy por volta dos 12 anos. (música "Hush", violão acústico ) . Entretanto já tinha ouvido "Revolution" dos Beatles com aquela guitarra ultra saturada, (até para os dias de hoje) e depois , entre os 12 e os 17 eu ouvi tudo o que tocava no planeta, literalmente. Destaque para influências irremediáveis de Hendrix, Santana, John Fogerty, B.B King, Canned Heat (cujos guitarristas eram Henry Vestine e Harvey Mandel), Mick Grabham (Procol Harum) Rory Gallagher etc.

E hoje quais são as suas principais influências musicais?

Não me sinto influenciado por nada novo, no plano da guitarra. As minhas inflências na guitarra são as que ouvi até uns 20 anos de idade, no máximo. (os últimos foram George Benson e Helio Delmiro, por volta de 1976 ou 1977) . As minhas influências agora são as sonoridades das novas gerações, alguma eletrônica, alguma rítimica rap (diferente de gostar de rap) e melodias . Não curto complicações ou complexidades, neste momento. Gosto de cancões com melodias lindas e simples, coisas improváveis como Put your records on the Corinne Bailey Rae ou Yellow , de Coldplay. Gosto bastante de Foo Fighters, e de bandas novas de rock inglês . Também de cantoras / instrumentistas / compositoras boas, como KT Tunstall, Nora Jones , Joss Stone etc.


Você costuma ouvir blues no seu dia-a-dia ou você é um ouvinte eclético?

Não ouço blues há muito tempo. Ouço muito mais outras coisas . Ouço blues por acaso, se estiver tocando no rádio. E só compro discos de um ou outro artista, quando saem, como Dylan , Booker T. , Dave Mason. Às vezes Van Morrison, Stephen Stills...

Qual foi a sua primeira guitarra ?

Uma Gibson Lespaul Custom, comprei aos 17 anos no Canadá. É de 70 ou de 71. Trabalhei dois ou três meses de faz-tudo , no Canadá, (incluia varrer o chão de uma fábrica gigante) para comprá-la.



Como foi gravar com a Double Trouble?

Foi uma experiência interessante, gravamos o disco Texas Bound em menos de três dias, (1 dia e meio de gravação e outro tanto de mixagem). Depois gravamos outro álbum, Blues on the Outside , um pouquinho mais de tempo, uma semana.(dois dias de banda e restante para mix e overdubs, backing vocals, metais etc.) . Durante esses períodos sempre demos bastante risada, almoçamos e jantamos junto, ouvi grandes histórias. Eu já era fan de Tommy Shannon de muito antes de SRV e de Double Trouble, da época que ele tocou com Johnny Winter e com Uncle John Turner. (inclusive em Woodstock) . Eu tinha uns 14 anos, 1971 a 73 por aí. Aliás, o Uncle John que eu idolatrava de pequenininho virou um enorme amigo, fiquei muito mal com a sua morte há uns dois ou três anos atrás. Com todos eles fiz turnês, com Double Trouble aqui no Brasil inclusive, extensa, que incluiu encerramento no Credicard Hall. Com Uncle John na Europa , EUA e Brasil. Aprendi mais com ele em alguns anos durante essas turnês do que em 30 anos com outras pessoas. O Chris e o Tommy quiseram produzir um disco meu , insistiram várias vezes. E eu acabei deixando passar. Não me arrependo de nada, mas essa está começando a chegar perto...os convidados poderiam ser do quilate de Dr.John, Doyle Bramhall Jr , e coisas do tipo.

Como foi o processo de gravação do seu novo álbum? Como surgiu a idéia do Free Blues? Qual foi seu critério para fazer o repertorio desse álbum?

Eu andava irrequieto, digamos, há muito tempo. Meio cansado do blues que não muda há mais de quarenta anos. O que Clapton, Jimmy Page, Jeff Beck e enfim , todo o mundo fez nos anos 60/70 já era uma atualização do gênero, pela injeção de rock and Roll, psicodelia e eletricidade em altas doses. E até hoje ficou naquilo, se repararmos. Não mudou. A sonoridade do blues continua a ser sessentista / setentista. Isso me cansou não só do blues como paralelamente de mim mesmo. (eu toco desde aquela época, são quarenta anos!) Tudo isso levou à idéia de Free Blues. Um amigo me perguntou "porquê você não grava um disco com clássicos do Blues com sonoridade contemporânea, para que as gerações de hoje saibam o que é blues com roupa atual" ? Aí eu peguei em temas que fizeram a minha cabeça quando era menino, nos anos 60/70 e usei a mesma fórmula, só que em vez de adicionar somente eletricidade, psicodelia e rock and roll, usei também eletrônica, rap, lounge, house , disco , etc. No álbum "Outros Nunos",de 2005 (que você menciona na próxima pergunta) , eu já tinha começado isso, de certa forma, mas fui pelo lado mais literário, convidados MPB / Rap, Zélia Duncan, Rappin Hood .

Você é um musico que tem o blues como base, mas já “visitou” outros estilos, como no álbum Mindelis apresenta: outros Nunos. Qual é a reação do publico de blues ao receber esse tipo de novidade?

Algum pessoal estranha , mas outros que não te conheciam passam a conhecer e eventualmente gostar bastante dessa nova fase. E recebo muitos inputs de tradicionalistas que confessam ter prestado mais atenção e acabam por compreender e gostar bastante dessas experiências. Agora mesmo um purista elogiou Free Blues e disse algo interessante: "minhas últimas gotas de preconceito foram para esse CD" . Porque , no fundo, é como você disse, o blues é a base de tudo o que eu fizer, e isso não se confunde com o formato final. É o DNA , mesmo que eu faça Samba, é o blues que está fazendo.

Você que já gravou vários álbuns de estúdio não pretende gravar um ao vivo? Um dvd?

Estaria mais interessado num álbum ao vivo, até, do que num DVD. Não sou grande fan de DVDs, gosto de ouvir música e não de dividir o sentido da audição com o da visão. Ouvir música e assistir a um DVD são atividades bem diferentes para mim. É claro que o público não tem nada a ver com isso, mas o fato é que essa percepção provavelmente freia a minha determinação de gravar um DVD. Não é o grande objetivo tecnológico e fonográfico , como para a maioria dos músicos atualmente. Depois tem a grana, isso requer verba e o blues é um gênero pobre. Se alguém , algum selo, enfim, quiser fazer eu não me oponho, faça e venda, ótimo. Mas não corro atrás.



Qual seu equipamento de estúdio e de palco?

No palco geralmente uma Gibson SG 1972 (Kalamazoo) , um pedal Wah Wah antigo e um amp Fender Twin Reverb (Blackface). Às vezes uso um 'Greene" pedal (distorção) que me foi oferecido pelo fabricante, num show na Holanda. Mas só uso esse tipo de pedal quando não encontro um valvulado em condições. De forma geral, a distorção da válvula é suficiente. Mais raramente ainda uso um pre amp valvulado, Pre Sonos , muito bom, especialmente quando te entregam um amp em desacordo, em algum show longínquo onde você não conseguiu levar o seu. Em estúdio, além disto , uso a Lespaul Custom , uma Fender Stratocaster 1958, uma Shecter dos 80s que ganhei da Guitar Player Magazine/EUA (como prêmio em concurso de guitarra) e no Free Blues mais especificamente usei outros efeitos, Delay DL4 da Line Six, Guitar Rig (plugins) .

Como você vê o cenário da música no Brasil atualmente?

Há vários angulos. Um deles, de cunho pessoal , artístico e cultural, é que aparentemente as pessoas começam a tocar para ser famosas e não para aprender. Isto é um fato . Parece que se passou por cima da fase de aprendizado, que geralmente requeria um mínimo de oito horas por dia estudando um instrumento ou estudando canto. É espantoso ver como são lançadas (e aduladas pela crítica??!!) cantoras que não sabem cantar e músicos que não sabem tocar. Já do ponto de vista de produção e/ou mercado , o cenário da música atualmente está muito mais difícil porque a queda das gravadoras (e consequentemente do mercado do disco, lojas e do próprio suporte físico ) representa a paralisação de projetos musicais por falta de verba. Das duas vezes em que gravei com a Double Trouble tive apoio financeiro de gravadoras que por sua vez sabiam que poderiam investir pois recuperariam o investimento em vendas de discos. (viagens, estúdio nos EUA, acomodações , alimentação , enfim, tudo) . Agora ninguém aposta nisso, até porque as novas gerações nem têm mais apego ao disco, já nem sequer baixam discos piratas, na verdade consomem música como se fosse mais uma commoditie, como gás, água encanada, Last FM, Pandora, playlists nos navegadores , etc. e tal.


Você acha que o blues feito no Brasil hoje é um blues que se difere do feito no resto do mundo?

Só existe um tipo de blues: o blues bem feito. Esse não difere em lugar nenhum do mundo.



Nas ultimas entrevistas, inauguramos uma nova coluna no BLOG. É uma cópia descarada (risos) de uma coluna da Cover Guitarra. Indo direto ao ponto:

Pra você qual é o melhor álbum da história?

Não sei porquê sempre me vem Dark Side of The Moon à cabeça...



Qual disco você tem ouvido bastante na última semana?

Cosmic Wheels , de Donovan ( o Donovan Leitch, agora há vários Donovans).



Qual disco você curte, mas tem vergonha de admitir?

Não tenho vergonha de admitir nada do que gosto, mas compreendo o sentido da pergunta e posso dizer que gosto muito de algumas (poucas) músicas do Biafra. À exceção do texto (que é claramente pseudo-poético, piegas enfim) algumas melodias e o timbre de voz são muito bonitos, uma combinação feliz de timbre e melodia, como em Elton John, por exemplo.

Nuno quero agradecer a oportunidade da entrevista , sem dúvida uma oportunidade de conhecer o seu trabalho e um pouco da sua história e trajetória musical. Desejo muito sucesso para você ! Grande Abraço !

Oi Thiago, eu agradeço igualmente pela oportunidade e também desejo o máximo sucesso ! Abraço

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