sexta-feira, outubro 29, 2010

Paulo Cesar Pinheiro

“A música é uma estrela deitada na minha cama. Ela me chega sem jeito, quase sem eu perceber. Quando me dou conta e vou ver, ela já entrou no meu peito”

Assim o carioca Paulo César Pinheiro define seu processo criativo. Ele certamente ele é um dos maiores poetas vivos da MPB, parceiro de alguns dos maiores músicos brasileiros, de Pixinguinha a Vinícius de Moraes, passando por Eduardo Gudin, Baden Powel, Radamés Gnatalli, Mirabeau Pinheiro, João Nogueira e muitos outros.

Aos 61 anos, possui mais de 1.000 músicas gravadas e mais umas mil na gaveta. Oito delas você vai conhecer aqui, se é que já não conhece.

Viagem foi a primeira letra, feita aos 14 anos (!), com música de João Aquino, interpretada aqui por Emílio Santiago.

Com João Nogueira, um de seus parceiros mais frequentes, saiu coisas fantásticas como Espelho.

Baden Powel toca e canta Lapinha, música que fez grande sucesso com Elis Regina.

Também em parceria com Baden Powel, Vou deitar e rolar (Qua-qua-ra-qua-quá), com Elis Regina, uma de suas melhores intérpretes. De quebra, no vídeo tem também A vida quem dá é Deus, dos mesmos autores.

Cai dentro. Diz a lenda que ele compôs essa música sob encomenda de Elis, para dar uma cutucada em uma rival da época. Paulo César Pinheiro se nega até hoje a revelar quem era.

Aqui o próprio poeta interpreta Evangelho, composta com Dori Caymmi, e apesentada no show O importante é que a nossa emoção sobreviva, com Márcia e Eduardo Gudin, em meados da década de 70 – mais informações sobre o álbum no blog Jazz & Rock (clique aqui).

E, finalmente, Cicatrizes, em parceria com Miltinho, interpretada por Roberta Sá e MPB4, uma das minhas músicas favoritas dele.

É isso aí, caros Musicólatras, bom final de semana a todos ao som dos maravilhosos sambas de Paulo Cesar Pinheiro!


P.S. Já tinha preparado esse post quando vi o do Raphael abaixo. Resolvi mantê-lo porque os conteúdos são diferentes. Benvindos à Semana Paulo Cesar Pinheiro!

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quarta-feira, outubro 27, 2010

Entrevista: Paulo César Pinheiro


Esta é uma entrevista que postei no começo do ano no meu blog. Ela ocorreu no ano 2000 e a responsável foi a Nana Vaz de Castro. Acho ela fantástica!! Vale muito a pena para quem conhece Paulo César Pinheiro, um dos maiores letristas do Brasil, o Willie Dixon do samba. Confiram:

Com cerca de 1.500 músicas na bagagem, Paulo César Pinheiro pode dizer que já mapeou musicalmente o Brasil – pelo menos naquilo que define como "essencialmente brasileiro", que surge como resultado da mistura entre brancos, índios e negros. Mistura essa que já escalou as paradas de sucesso com o Canto das Três Raças (sucesso na voz de Clara Nunes) e que agora volta a ser tema para o poeta e letrista, no livro Atabaques, Violas e Bambus. (...) Emendando um projeto no outro, a máquina poético-musical de Pinheiro não pára de produzir.

O volume chegou a tal ponto e importância que saiu dos discos e rodas de samba para os círculos acadêmicos. Só para ter uma idéia, agora em Pernambuco os cadernos escolares trazem no verso, ao lado do Hino Nacional, sua parceria com Lenine, Leão do Norte, que virou um hino informal do estado. Além disso, a pesquisadora Conceição de Campos Souza está atualmente reescrevendo sua dissertação de mestrado, A Letra Brasileira de Paulo César Pinheiro – Literatura e Identidade Cultural, para publicar e, formato de livro no ano que vem. "A Conceição organizou a minha vida", diz Pinheiro.


E haja organização. Pelas contas da pesquisadora, eram 1.400 músicas até janeiro de 2000 – umas cem já foram escritas desde então – com mais de cem parceiros diferentes, umas 700 delas gravadas e regravadas, totalizando mais ou menos 900 registros fonográficos feitos por mais de 120 intérpretes, em quase 300 discos diferentes.

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terça-feira, outubro 26, 2010

Entrevista Exclusiva: Eduardo Machado

Por Daniel Faria

Conheci o som do contrabaixista Eduardo Machado através da internet. Na época ouvi algumas músicas do seu primeiro e recém-lançado álbum solo, e não demorou muito para ficar impressionado pela qualidade da produção, das composições, dos arranjos e do Eduardo como contrabaixista. Um trabalho primoroso, com participações de peso e que resultou em um dos melhores álbuns de música instrumental lançados em 2009.

E no mês passado entrei em contato com o Eduardo e falei da ideia de fazer uma entrevista com ele. E aqui está o resultado final, uma entrevista que traz muita informação sobre a carreira, projetos e muito mais. Aproveito para deixar mais uma vez o meu agradecimento ao Eduardo, por conceder essa entrevista. Segue abaixo a entrevista na integra. Boa Leitura !


Eduardo, conte-nos como foi o seu inicio na música? Como teve o seu primeiro contato com o contrabaixo?

Eduardo Machado: Bom, na verdade desde criança sempre gostei de música, e tive o incentivo do meu pai pra tocar contrabaixo, eu não conhecia o instrumento, ele me deu um baixo e me matriculou em uma escola de música daí que comecei a estudar, isso eu tinha 12 anos.

Quais são as suas influências musicais?

Eduardo Machado: Sempre escutei muita música, MPB, Rock, Reggae, Jazz, etc.... tenho muita influência dos principais mestres desses estilos como Tom Jobim, Gilberto Gil, Djavan, Hermeto Pascoal, Deep Purple, Rush, Led, Jimi Hendrix, Bob Marley, Charlie Parker, Herbie Hancock, Miles Davis e claro dos baixista como Jaco Pastorius, Marcus Miller, Gary Willis, Arthur Maia, Luizão Maia, Sizão Machado, Adriano Giffoni.

Você é professor no IGB (Instituto de Guitarra e Baixo), como surgiu essa oportunidade?

Eduardo Machado: Comecei a lecionar aulas de música com 17 anos na minha casa, depois de um tempo senti a necessidade de fazer algo mais profissional, e junto com um amigo meu (Fabiano “Coelho”) decidimos criar uma escola de música com um diferencial “Qualidade no Ensino Musical” com professores capacitados especializados em cada instrumento, que até então não existia na cidade (Franca SP) www.escolaigb.com .

O que você costuma ouvir no seu dia-a-dia?

Eduardo Machado: Além do que já citei, escuto muito Hamilton de Holanda, Curupira, Gabriel Grossi, Elis Regina, Ed Motta, Steve Wonder, Head Hunters, Weather Report, RATM, Glenn Hughes, Primus, Raul Seixas, dentre outros.

Como foi o processo de gravação do seu álbum? Como surgiu a ideia de grava-lo?

Eduardo Machado: Achei que já estava na hora, com 23 anos de carreira sempre tive esse sonho de gravar um CD solo onde todas as composições e arranjos fossem de minha autoria, e isso consegui realizar nesse primeiro trabalho. Foram 10 meses o processo de gravação, produção e mixagem. Demorou um pouco porque algumas vezes eu dependia da agenda de alguns músicos como o Arthur Maia, Chico Oliveira e o Gabriel Grossi, eles viajam muito e não é fácil encontrar uma brecha em suas agendas.


Você teve algum tipo de apoio para a gravação e distribuição do seu trabalho?

Eduardo Machado: Na gravação tive um apoio importantíssimo que foi do estúdio Inside Áudio & Mídia e claro de todos os músicos que participaram do CD. Sobre a distribuição esse CD foi lançado independente e como hoje em dia estão acabando as lojas de CD, vendo mais pela internet e shows.

Você é endorser de alguma marca?

Eduardo Machado: Uso cordas Groove.

Qual foi o seu primeiro contrabaixo ?

Eduardo Machado: (Risos)..foi um baixo bem tosco.... Insbruck (já ouviu falar nessa marca?).

E como tem sido a aceitação do publico e da mídia especializada?

Eduardo Machado: Graças Deus tem sido muito boa, veja essa resenha que sintetiza o feedback que recebi sobre o CD. Clique Aqui

Você também gravou um DVD recentemente, no Teatro Municipal de Franca e teve a participação do baixista Arthur Maia, conte um pouco dessa sua amizade? Como você o conheceu?

Eduardo Machado: Conheço o Arthur desde 94, sempre tive ele como um referência pra mim, além de ser um dos maiores baixistas do mundo, ele é muito gente boa, ele fez uma participação especial no CD na faixa “Partindo pro Alto” tocando e cantando onde fez um solo maravilhoso, então o convidei para fazermos esse show e claro que eu não poderia deixar de registrar isso em um DVD, apesar de ter sido meio “caseiro” ficou com uma qualidade boa de video e som. Clique Aqui p/ ler a resenha do DVD.

Todas as músicas do seu álbum são composições próprias. Na hora de compor a inspiração surge naturalmente ou existe algum ritual, como por exemplo, compor só de madrugada?

Eduardo Machado: Quando comecei a gravar o CD eu só tinha 4 músicas prontas, e fui compondo o resto durante as gravações, as vezes uso o violão pra compor mais na maioria foi no baixo mesmo, e muita coisa vai saindo naturalmente durante os estudos, o que acho legal já escrevo pra não esquecer, fiz uma pré produção de algumas músicas antes de gravar definitivamente e outras músicas eu já estava tocando com minha banda e tive a chance de fazer algumas experiências com elas ao vivo.

Qual seu equipamento de estúdio e de palco?

Eduardo Machado: Como gravei com calma tive tempo de fazer alguns testes durante as gravações, usei um amplificador e uma caixa Ampeg de 8X10 mais um pré Avalon, em shows uso um amplificador e uma caixa Ampeg de 4X10, sem efeitos. Os baixos que uso são um Fender Jazz Bass 71, um Sadowski (4 cordas), um fretless Ibanez (modelo Gary Willis 5 cordas) e um Alembic (Epic de 5 cordas).


Como você vê o cenário da música instrumental e do jazz no Brasil atualmente?

Eduardo Machado: Fervendo!!! Embora seja um tipo de música que tem pouco espaço na grande mídia, tem vários festivais de jazz acontecendo por todo Brasil, existem rádios com programas de música instrumental brasileira e tem muita gente boa fazendo música de ótima qualidade. O que não dá é ficar de braços cruzados esperando e reclamando, tem que correr atrás, se não tem espaço , faça acontecer porque público tem.

Qual a importância da internet e principalmente da blogosfera para o seu trabalho?

Eduardo Machado: Isso é grande ferramenta para ser usada. Devo muito da divulgação do meu trabalho a alguns blogs. Logo que lancei o CD já disponibilizei pra download em alguns blogs e isso ajudou e muito esparramar minha música pelo mundo. Ano passado no final de um show em São Paulo veio uma pessoa comprar o CD e ela me disse que morava em Garanhuns já conhecia e tinha baixado, mais como assistiu o show quis comprar o original.

E quais são os seus projetos para o futuro? Já pensa em gravar outro álbum?

Eduardo Machado: Já estava pensando no próximo antes de acabar o primeiro (risos).Estou selecionando o repertório e quero fazer algo diferente inclusive colocar músicas de outros compositores. Falei com o Arthur esses dias e ele prometeu me ajudar na produção do próximo, e devo gravar algumas coisas no seu estúdio em Niterói.

Nas últimas entrevistas, inauguramos uma nova coluna no BLOG. É uma cópia descarada de uma coluna da Cover Guitarra. Indo direto ao ponto:

Pra você qual é o melhor álbum da história?

Eduardo Machado: Primeiro álbum do Jaco Pastorius, aquilo é a maior aula de contrabaixo que existe!

Qual disco você tem ouvido bastante na última semana?

Eduardo Machado: O último CD do grande baixista Brian Bromberg - Plays Jimi Hendrix (2010). É muito legal!

Qual disco você curte, mas tem vergonha de admitir?

Eduardo Machado: (Risos)... putz... agora você pegou pesado....(Risos).
Na verdade não tenho vergonha, mais às vezes dependendo da situação gosto de escutar Milionário e José Rico... tenho todos..rsrsrs... eles tiveram uma fase do “sertão progressivo” que é bem legal.... vc já assistiu o filme deles? Lembra Hermes e Renato.... é demais.

Eduardo quero agradecer a oportunidade da entrevista , sem dúvida uma chance de conhecer o seu trabalho e um pouco da sua história e trajetória musical. Desejo muito sucesso para você ! Grande Abraço !

Site Oficial: Eduardo Machado

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domingo, outubro 24, 2010

Nuno Mindelis

Olá Musicólatras..

Hoje vou postar a biografia de um dos maiores blueseiros do Brasil(e do mundo). Nada mais nada menos que o grande Nuno Mindelis


Biografia

Nascido em 7 de agosto de 1957 em Cabinda, Angola, Nuno Mindelis se apaixonou pela guitarra já aos cinco anos de idade. Aos nove, já estava tocando instrumentos construídos por ele próprio.

Nessa época, já ouvia Otis Redding e sua grande banda, Booker T & the MG's, composta por Steve Cropper, Donald "Duck" Dunn e Al Jackson. Nuno admira estes músicos até hoje, e reconhece-os como uma influência importante em seu estilo.
Em 1975, já no Canadá, Nuno juntou-se a um primo mais velho para formar uma banda de blues, tocando em bares locais. Um ano depois, decidiu reunir-se novamente com sua família que havia escolhido um novo país para morar: o Brasil.

Em 1990 ocorre o primeiro evento importante em sua carreira, quando lança seu primeiro disco solo, "Blues & Derivados", que passa a ser tocado em rádios de São Paulo, além de receber amplos elogios da crítica. Em 1991, gravou seu segundo disco, "Long Distance Blues", pela gravadora Movieplay. Contou com a participação especial de Larry Mc Cray, ex guitarrista da banda de Gary Moore, e J.J. Milteau, o gaitista mais importante da França e um dos mais importantes da Europa. Este trabalho chamou a atenção da mídia nacional, colocando Nuno como um músico de porte que passou a integrar festivais de blues ao lado de nomes como Robert Cray, Otis Clay, Ronnie Earl, Lonnie Brooks e Bo Didley.

Em 1994, veio o reconhecimento internacional pela revista "Guitar Player" americana, destacando Nuno numa reportagem sobre o disco "Long Distance Blues.Nela, o então editor Jas Obrecht , uma das maiores autoridades de blues do mundo , compara Nuno a Jimmy Page. Outro destaque ocorre em maio de 1998, quando Mindelis é eleito o "Melhor Guitarrista de Blues" segundo o concurso mundial de aniversário de 30 anos da mesma revista.

Em 1995, Nuno apresentou-se em Austin, Texas, na comemoração do Vigésimo Aniversário da lendária gravadora Antone's, abrindo para nomes como Junior Wells e Guy Forsite. No mesmo evento, tocaram ainda Clarence Gatemouth Brown e Storyville, entre outros. As manchetes de jornais como "Austin Blues", alertavam: "A Fera (beast) da América do Sul está chegando!"

Ao final de 1995, Nuno gravou "Texas Bound" (gravadora Eldorado), tendo a seu lado seus novos amigos, Chris Layton e Tommy Shannon, integrantes da Double Trouble, banda de Stevie Ray Vaughan. Com esse disco, Nuno ganha platéias do mundo todo : do Brasil, dos EUA, e da Europa, onde realizou uma série de turnês bem sucedidas , sendo seu disco licenciado no velho continente pela especializada Taxim Records / Alemanha . O disco chegou a ser o décimo segundo em vendas na Bélgica , Holanda e Luxemburgo, dividindo espaço nas prateleiras do gênero com os maiores nomes do planeta nessa área, BB King, Robert Cray , Buddy Guy e outros.

1999/2000: Nuno lança "Blues On The Outside", (Trama Music )de novo com a Double Trouble. Mais uma vez, amplamente elogiado pela mídia nacional e internacional. A primeira faixa do disco , The grass is greener, foi a mais tocada em todas as rádios de blues e blues -rock da Internet em 2003, numa auditoria (escuta 24 horas) da "Live 365." A organização do Festival de Montreal ouviu este disco e em 2001 Nuno foi convidado a participar da edição do 25 aniversário do importantíssimo Montreal International Jazz Festival, bem como em Quebec , Ottawa e outras cidades . O convite repetiu-se em 2004 , com extensão para o Montremblant Blues Festival (e novas apresentações em Quebec , Ottawa ) após o lançamento do seu disco Twelve Hours , (beastmusic/Universal 2003) onde retomou o estilo agressivo , visceral e "ardido" de Texas Bound , deixado temporariamente de lado em Blues on the Outside.


As críticas positivas a Twelve Hours foram tantas que é preferível mencionar apenas uma frase , que encerrava um artigo de uma revista canadense: "Será que o novo rei do Blues é domiciliado no Brasil?" (Andy Grieg, editor Realblues Magazine).

Em 2005 Nuno gravou um projeto inteiramente dedicado ao Brasil, e que é uma guinada em sua carreira, o álbum " Outros Nunos"(beastmusic/Eldorado) . Nele, Nuno registrou oficialmente pela primeira vez o seu lado poético e literário, dando mais enfoque à composição e à poesia do que à guitarra, e fez parcerias com Zélia Duncan e Rappin' Hood, acrescentando elementos novos ao seu blues orgânico. Psicodelia, Hip Hop, Eletrônica e até Samba entraram no caldo. O disco recebeu elogios como "Um presente à canção brasileira" (Revista Cult) , "Uma surpresa em larga escala",(Carta Capital) ,"Um dos discos mais saborosos do ano " (Estado de São Paulo) e entrou na lista de melhores do ano do crítico Pedro Alexandre Sanches .

Nuno é considerado pela crítica e fãs como o principal guitarrista de blues do país. Seus discos são tocados nas rádios, bem como na televisão. Os fãs de Eric Clapton o descrevem de acordo com um muro pichado que dizia "Clapton is God". No Brasil, o muro diz: "Mindelis - Brazil's Guitar God!"

Fonte: www.nunomindelis.com






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sexta-feira, outubro 22, 2010

Rabih Abou-Khalil

Olá.

Venho trazer o excelente músico de oud Rabih Abou-Khalil, em um álbum sensacional chamado Songs for Sad Woman, com participação especial de Djvan Gasparian, músico armênio que utiliza uma pequena flauta chamada Duduk, para quem não sabe ele participou da trilha sonora de Gladiador,e já  trabalhou ao lado de feras como Jan Garbarek, Gidon Kremer e Yo-Yo Ma e seu Silk Road Project.

O ábum conta com apenas 4 instrumentos, o oud de Rabih, duduk de Gasparian, um instrumento chamado serpente (flauta ou flautim feito de bronze) e a percussão.

Não consegui achar no youtube nenhuma das músicas desse álbum, então encontrei uma do álbum Between Dusk and Dawn que também é excelente.



E uma das músicas que eu mais ouço dele chamada Arabian Waltz :



No link está a discografia completa de Rabih Abou-Khalil com 17 álbuns em APE e FLAC, mas no mesmo site tem outra discografia com apenas 8 álbuns aqui em MP3.

Os cds aqui no Brasil saem por R$95,00 e R$ 120,00 cada um.

Aproveitem também o site que é excelente para baixar de tudo.

Abraços e bom fim de semana !!!

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Tico tico no fubá

Tico-tico 2 O Tico-Tico tá
Tá outra vez aqui
O Tico-Tico tá comendo meu fubá
O Tico-Tico tem, tem que se alimentar
Que vá comer umas minhocas no pomar

Tico-tico no fubá é um exemplo perfeito do choro clássico, em três partes, composto na melhor tradição do gênero. Predestinado ao sucesso, impressionou logo em sua primeira apresentação, em 1917, num baile em Santa Rita do Passa Quatro, quando ganhou o nome de "Tico-tico no farelo". Razão do nome: a animação dos pares que dançavam em grande alvoroço, provocando o comentário do autor: "até parece tico-tico no farelo". Depois, talvez porque já existisse um choro homônimo (de Américo Jacomino), passou a "Tico-tico no fubá". Mas, apesar dessa estreia vitoriosa, a obra prima de Zequinha de Abreu só chegaria ao disco quatorze anos mais tarde, em 1931, ocasião em que foi gravada pela orquestra Colbaz, criada e distribuida pelo maestro Gaó. Sucesso absoluto, este disco permaneceu em catálogo até a década de quarenta, época em que a composição alcançou o auge da popularidade. Contribuiu para isso sua internacionalização comandada pelos americanos que, no curto espaço de cinco anos, incluíram-na em cinco filmes: “Alô amigos” (1943), A filha do comandante” (1943), “Escola de sereias” (1944), “Kansas City Kitty” (1944) e “Copacabana” (1947), sendo que nesse último era cantada por Carmem Miranda.


A partir de então recebeu dezenas de gravações, tornando-se uma das músicas brasileiras mais gravadas de todos os tempos, no país e no exterior.

Ouça estas outras versões.


E agora numa versão ska sugerida pelo Raphael Vaz, com a Orquestra Brasileira de Música Jamaicana.


E, já que traz boas lembranças ao Marcello (e a mim também), segue a versão com o Pato Donald e o Zé Carioca (lá pela metade do vídeo).


É ou não é uma música pra lá de simpática?

E se alguém quiser sugerir mais alguma versão, fique à vontade!

Nota: o texto do primeiro parágrafo foi extraído do livro A canção no tempo – 85 anos de músicas brasileiras - vol. 1: 1901-1957, de Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Ed. 34 – 6ª edição, 2006.

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terça-feira, outubro 19, 2010

Iron Maiden - "Paschendale"

O Iron é conhecido por criar letras excelentes, ainda mais quando o assunto é guerra, creio que é uma das especialidades da banda, entre as várias composições posso citar, “Aces High”, “Invaders”, “The Trooper”, “Tailgunner”, “Paschendale”,“For The Greater Good Of God” (que cita a guerra religiosa nas nações), entre outras. Eu particularmente gosto desse desse tema, principalmente por abordar fatos históricos, seja na música, cinema ou literatura.

Neste post vou falar sobre a música “Paschendale”, do álbum “Dance of Death”, que tem como base fatos reais (como explica o artigo postado abaixo), o Maiden conta de maneira surpreendente um pouco da história da guerra na visão de um soldado, que conta tudo que ele passou, desde o começo enquanto ele esta na trincheira esperando o momento exato de atacar, passando pelo momento em que o soldado lembra do seu lar, sua família, chegando ao triste final em seu leito de morte. A letra foi composta pelo guitarrista Adrian Smith e o baixista Steve Harris.

Esta música descreve as ações de um soldado que lutou na batalha de Paschendale, também conhecida como “A Terceira Batalha de Ypres”, uma das maiores da Primeira Guerra Mundial. Neste conflito, contra o exército alemão lutaram os exércitos canadense e britânico, além do ANZAC, grupo de tropas da Austrália a Nova Zelândia.

O conflito se deu pelo controle da vila de Paschendale (conhecida como Passchendaele naquele tempo), perto da cidade de Ypres, na província de Flandres, Bélgica. O controle da região romperia a linha de defesa alemã, abrindo caminho à costa belga, onde estavam instaladas bases de submarinos alemães.

O solo nos arredores de Paschendale era composto por pântanos, encharcados durante todo o ano, independentemente do clima. O ataque aéreo lançado pelos bombardeiros ingleses com a finalidade de destruir as barricadas e metralhadoras alemãs danificou ainda mais o terreno, e em conjunto com as chuvas de agosto formaram grandes “lagos” de lama líquida, onde muitos tanques afundaram e muitos soldados se afogaram.

Em seis de novembro de 1917, após três meses de luta, o exército canadense finalmente tomou Paschendale, encerrando o conflito. E é neste ponto que se encontra o soldado ao início da música, ferido mortalmente no campo de batalha. Cerca de 250 mil homens dos exércitos aliados morreram na Batalha de Paschendale, e houve praticamente o mesmo número de baixas do lado alemão. (Fonte: Whiplash!!)

Em 2008 foi lançado o filme "Paschendale", que conta a história do Sargento Michael Dunne(Paul Gross), um soldado que foi brutalmente ferido na França e retorna a Calgary emocionalmente e fisicamente com cicatrizes. Enquanto estava no hospital militar em Calgary, ele conhece Sarah (Caroline Dhavemas), uma atraente e misteriosa enfermeira, por quem se apaixona. Quando o irmão de Sarah, David se alista para lutar na Europa, Michael sente-se compelido a retornar à Europa para protegê-lo. Michael e David, como milhares de Canadenses, são enviados para lutar na terceira batalha.

Na versão ao vivo da música (video abaixo), no começo da música, Bruce Dickinson recita um trecho do poema “Anthem For Doomed Youth”, de Wilfred Owen (1893-1918). Durante a música o próprio Bruce se caracteriza de soldado em meio a arames farpados e trincheiras como cenário.

Iron Maiden "Paschendale" (Death On The Road)


Letra: "Paschendale" (Iron Maiden)
Autores: Adrian Smith e Steve Harris

Em um terreno estrangeiro ele está
Um soldado solitário que desconhece seu tumulo
Em suas palavras agonizantes ele reza
Contem ao mundo sobre Paschendale

Alivie tudo por que ele passou
Uma ultima comunhão da alma
Ele enferrujou suas balas com suas lágrimas
Deixe-me contar sobre seus anos

Abaixado em uma trincheira cheia de sangue
Matar até ser morto
Em meu rosto eu sinto a chuva
Nunca verei meus amigos novamente

Sob a fumaça, lama e chumbo
Sinto o cheiro da morte e a sensação de receio
Logo a hora de passar pelo muro virá
Uma rajada rápida espera por todos nós no fim

Assobios, gritos e mais rajadas de fogo
Corpos sem vida pendurados em arame farpado
O campo de batalha nada mais é que uma tumba sangrenta
Logo irei me reunir aos meus amigos mortos

Muitos soldados tinham apenas dezoito anos
Afogados na lama, chega de lágrimas
Certamente numa guerra ninguém vence
A hora da matança está prestes a começar

De casa, estou longe
Da guerra, uma chance de viver novamente
De casa, estou longe
Mas na guerra, sem chance de viver novamente

Os corpos nossos e de nossos inimigos
Um mar de morte que inundou
Na terra de homem algum, só Deus sabe
Para as mandíbulas da morte nós vamos

Crucificados como numa cruz
As tropas aliadas lamentam suas perdas
Máquina Alemã de propaganda de guerra
Como esta nós nunca tínhamos visto

Juro que ouvi os anjos chorarem
Rezo a Deus que mais ninguém morra
Assim as pessoas saberão a verdade
Contem a lenda de Paschendale

A crueldade tem um coração humano
E cada pessoa tem sua parte nisso
O terror das pessoas que matamos
O coração humano ainda está sedento

Defendo minha posição pela ultima vez
Minha arma está preparada enquanto me ponho na linha
Nervoso eu espero o assobio soar
Uma investida de sangue e em frente nós vamos

Sangue cai como chuva
Seu manto vermelho se revela novamente
O som das armas não pode esconder a vergonha deles
E assim nós morremos em Paschendale

Desviando das minas e dos arames farpados
Correndo direto ao fogo dos canhões
Correndo às cegas enquanto prendo a respiração
Faço uma prece, sinfonia da morte

Enquanto atacamos as linhas inimigas
Acontece uma explosão e nós tombamos
Eu exalo um grito mas ninguém o ouve
Sinto o sangue descer minha garganta

De casa, estou longe
Da guerra, uma chance de viver novamente
De casa, estou longe
Mas na guerra, sem chance de viver novamente

Vejam meu espírito sob o vento
Bem além das linhas inimigas
Amigos e inimigos se encontrarão novamente
Todos aqueles que morreram em Paschendale

Site Oficial: Iron Maiden

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segunda-feira, outubro 18, 2010

"Nowhere Boy", a infância e adolescência de John Lennon.

Pois é, precisei de uma intimação oficial pra aparecer aqui. Peço desculpas pela indisciplina, mais uma vez!

Já que o grande assunto deste mês foram os 70 anos de John Lennon, resolvi respostar aqui algo que já havia escrito anteriormente em meu blog. Já estreou em alguns cinemas do Brasil a cinebiografia do "herói da classe trabalhadora" John Winston Lennon. Não sei se chegará aos cinemas de todo o Brasil, mas eu tive a oportunidade de assistir ao filme pela internet e sem legendas há alguns meses. O filme vem recebendo retorno positivo da crítica, mas minha opinião sobre ele ainda é a mesma. É sem dúvida muito interessante para os curiosos de plantão, mas ainda assim não o recomendo a beatlemaníacos como eu, que sabem todas as datas e nomes das coisas, porque é pedir pra passar raiva. Pra mim, a maior gafe já começa com a escolha do ator principal, com seu belo par de olhos azuis. Sem contar que o filme todo é um dramalhão sem fim; a diretora retratou a famosa tia Mimi como uma sequestradora de criancinhas, quando na verdade sabemos que ela criou o sobrinho a pedido da própria mãe dele.

Enfim, foi com toda essa indignação em mente que eu preparei essa supercrítica que vocês poderão ver. Não se esqueçam de que isso não passa de minha opinião pessoal sobre o filme; vocês mesmos poderão assistí-lo e tirar suas próprias conclusões. John Lennon com certeza o teria adorado.





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domingo, outubro 17, 2010

Musica para Crianças

Em comemoração ao dia das crianças que aconteceu no dia 12 de outubro, resolvi fazer um post um pouco diferente! Vou postar dois videos de dois grandes mestres da musica, que fizeram participação no seriado americano Sesame Street. O que pra mim prova que B.B. King e Ray Charles são não só uma unanimidade no (complicado) mundo dos adultos como também alegram as crianças de todo o mundo com suas musicas. Aproveitem jovens, crianças e claro adultos também podem curtir esse som!



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sexta-feira, outubro 15, 2010

Blog Action Day – Água


"(...) Cada parte desta terra é sagrada para o meu povo. (...) A água brilhante que se move nos rios e riachos não é apenas água, mas o sangue de nossos ancestrais (...) cada reflexo nas águas claras dos lagos fala de eventos e memórias na vida de meu povo. O murmúrio da água é a voz do pai do meu pai. Os rios são nossos irmãos. Eles saciam nossa sede, conduzem nossas canoas e alimentam nossos filhos. Assim, é preciso dedicar aos rios a mesma bondade que se dedicaria a um irmão. (...) Ensinarão vocês às suas crianças o que ensinamos às nossas? Que a terra é nossa mãe? O que acontece à terra acontece a todos os filhos da terra."
Chefe Seattle, em 1852, respondendo ao presidente americano que queria comprar suas terras para assentamento de colonos.

"Sabemos que a origem da vida aconteceu talvez em torno de 4 bilhões de anos atrás, nos lagos e oceanos da Terra."
Carl Sagan

"Na próxima vez que você andar na chuva, pare e pense: um pouco da água que cai sobre você já circulou pelo sangue dos dinossauros e estava na lágrima de crianças que viveram há milhares de anos."
M. Barlow e T. Clark

"A água faz parte do patrimônio do planeta. Cada continente, cada povo, cada nação, cada cidade e cada cidadão é plenamente responsável por ela diante de todos."
Declaração Universal dos Direitos da Água, Unesco, 1992

"Não foi o martelo que deixou perfeitas estas pedras, mas a água, com sua doçura, sua dança e sua canção. Onde a dureza só faz destruir, a suavidade consegue esculpir."
R. Tagore

"Na natureza não há prêmios nem punições - há apenas consequências."
Robert G. Ingersoll

"A água é a melhor de todas as coisas."
Píndaro, século 4 a.C.

"A água não é apenas necessária à vida. Ela nos preenche com um sentimento de gratificação que excede o prazer dos sentidos."
A. de Saint Exupéry

Textos extraídos do Almanaque da Água, da SABESP

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O Blog Action Day é uma ação mundial entre blogs para divulgação de um tema de interesse comum. Nesse dia, anualmente, os blogs registrados publicam um post com o tema escolhido, que em 2010 é a água. Leia mais sobre essa ação no Sítio do Junior.

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quinta-feira, outubro 14, 2010



Olá.

Após uma dolorida ausência volto a escrever nesse espaço que me é tão querido.


Esse feriado assisti um concerto em Poços de Caldas com a Sinfônica de Poços de Caldas que há 3 anos participa da Sinfonia das Águas, junto com bailarinos, jovens instrumentistas e cantores.


O programa do concerto foi dividido em 3 partes :

  • Trilha dos Desenhos de Hanna Barbera e outros..
  • John Williams
  • Villa-Lobos
Na primeira parte foram interpretados temas de desenhos como Animaniacs, The Simpsons, Pantera Cor de Rosa, Os Jetsons, Os Flintstones.


O tema mais aplaudido foi da Pantera Cor de Rosa, de Henry Mancini, que eu acho sensacional, lembro-me quando criança de correr pra sala toda vez que eu ouvia a música. Outro tema que eu não me lembrava mais era dos Jetsons, desenho futurista bem mais interessante que os de atualmente.


A segunda parte foi a melhor para mim, sou fã de John Williams. A sinfônica começou muito bem, interpretando logo de início o tema de Tubarão, depois de uma ótima participação do público emitindo gritos a cada compasso à pedido do maestro.

O segundo tema foi STAR WARS, nem preciso dizer que foi a Marcha Imperial, o tema de Darth Vader, que me arrepiou logo nos primeiros acordes.


Após esses dois temas tão conhecidos, a sinfônica tocou outro tema de Star Wars, e para fechar esse bloco o tema de Jurassic Park.

No terceiro bloco, a sinfônica interpretou as Bachianas n° 4, se não me engano (não foi distribuído nenhum folheto com o programa).

Houve alguns trechos de músicas napolitanas interpretadas por 2 cantores e mais alguns temas.

O que me surpreendeu foi a quantidade de pessoas na praça para assistir, mais uma prova de que a música erudita ganha espaço cada vez maior em nossa vida, apesar de receber ínfimos incentivos do governo tanto para eventos desse tipo como ajuda à estudantes.

Espero que gostem dos vídeos.

Marcello Lopes

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terça-feira, outubro 12, 2010

Baixistas: Marcus Miller

Na primeira postagem sobre baixistas, eu contei um pouco da minha história, da tentativa de aprender a tocar contrabaixo e citei o Steve Harris (Iron Maiden) como sendo um dos meus baixistas favoritos. Na época eu ouvia muito heavy metal e logicamente meu interesse era voltado apenas para esse gênero musical.

Quando comecei a ter os primeiros contatos com o Jazz, tratei de ouvir alguns baixistas e o primeiro da lista foi Marcus Miller. Nas primeiras audições notei toda a diferença, se antes me impressionava pela velocidade e precisão de Steve Harris, passei a admirar a técnica apurada e a maneira com que Marcus Miller tocava e tratava seu contrabaixo. Claro que em meio a tudo isso, o meu maior problema era em relação ao Jazz Fusion, estilo que eu não curtia na época. Porém ao persistir e continuar ouvindo o som do Marcus Miller, minha visão em relação a essa vertente do jazz mudou completamente.

Marcus Miller nasceu dia 14 de Junho de 1959 em Nova Iorque, ele é um compositor e músico de jazz, apesar de ser conhecimento como contrabaixista, Miller tocou vários outros instrumentos, no inicio estudou e foi treinado para ser clarinetista, com o tempo aprendeu a tocar clarinete baixo, teclado, saxofone, guitarra e também é um excelente cantor.

Ao longo da carreira, Miller já tocou com grandes músicos, entre eles: Miles Davis (1980-1990), David Sanborn (saxofonista americano) (1975-2000) e Bee Gees (1987), Frank Sinatra, Mariah Carey e até Djavan.

Miller também tem uma contribuição e tanto na digamos “história” do contrabaixo, ele abriu o caminho no desenvolvimento de uma técnica chamada de "slapping". Sua habilidade no baixo "fretless" (sem trastes) levou o instrumento para contextos musicais previamente inexplorados com qualquer tipo de baixo elétrico, além do mais Marcus Miller nunca escondeu sua admiração e sua influência do baixista Jaco Pastorius. No inicio da carreira Miller era acusado de imitar demais o estilo do Pastorius, inegavelmente uma influência que era, e ainda é, enorme. O baixista também coleciona uma imensa discografia, com álbuns excelentes gravados em estúdio e ao vivo.
E uma curiosidade sobre o Marcus Miller que eu não poderia deixar de falar, para quem já assistiu o seriado “Todo Mundo Odeia o Chris” e ouviu aqueles grooves de baixo na trilha sonora, fique sabendo que o responsável por isso é Marcus Miller. Ele também fez uma participação no episódio “Todo Mundo Odeia os Dj’s”, onde ele próprio aparece tocando contrabaixo.

Bom em relação ao Miller é isso, espero que tenham gostado. Confira os vídeos postados abaixo. Boa Audição !

Marcus Miller - "Blast"


Marcus Miller - "Nikki's Groove" (DVD Master of All Trades)


Marcus Miller - "So What" (DVD Marcus Master Of All Trades)


Marcus Miller "3 Deuces" (Live in Montreal)

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sexta-feira, outubro 08, 2010

Uma breve história do jazz – Free, Fusion e além

As experiências dos anos 50, a versatilidade de músicos como Charles Mingus (1922-1979) e John Coltrane (1926-1967) e a combinação dos ritmos mais tradicionais do jazz com harmonias mais modernas, culminou no Free Jazz, atonal, sem métrica, sem tempo, com total liberdade. “Eu toco a simples emoção”, declarava o saxofonista Ornette Coleman (1930).

Durante os anos 60 e 70, muitos músicos seguiram essa tendência, inclusive o brasileiro Hermeto Pascoal (1936). Ele é um dos maiores instrumentistas que já apareceram por esse planeta. Tira som de qualquer coisa que não esteja no vácuo - e que som! Ouçam Hermeto e Sivuca interpretando Bebê, do próprio Hermeto, em Montreux. Quem gosta de jazz e música instrumental brasileira tem que ouvir isso.

Ao mesmo tempo, o rock estava se tornando incrivelmente popular e muitos dos novos jazzistas cresceram ouvindo essa música. Foi quase natural a incorporação de elementos do rock em suas interpretações, afinal, o jazz e o rock tinham raízes comuns no blues, gospel e outras.

Um dos primeiros músicos a fundir esses elementos foi o guitarrista Larry Coryell (1943), em seu grupo Free Spirits, formado em 1966. Estava lançado o Jazz-Rock, ou Fusion. Se bem que o termo fusion pode designar também a fusão do jazz com outros gêneros.

Ao mesmo tempo, muitos roqueiros como Jimi Hendrix (1942-1970), Cream, Greatful Dead, Frank Zappa (1940-1993) e outros, começaram a experimentar o caminho inverso, introduzindo elementos do jazz como harmonia e improvisação em seu som.

Miles Davis (1926-1991), que já havia participado de vários movimentos do jazz, como o be-bop e o cool, começou a sentir a necessidade de mudar novamente. Em 1969 lançou o álbum In a Silent Way, com a participação de Joe Zawinul (1932-2007), Chick Corea (1941), Herbie Hancock (1940) e John McLaughlin (1942). Apenas seis meses depois, lançou Bitches Brew, um dos álbuns de jazz mais vendidos até hoje.

Do grupo de Miles sairam vários músicos notáveis que mantiveram seu legado em carreiras independentes, como Chick Corea, por exemplo.

John McLaughlin, com sua Mahavishnu Orchestra. Ao violino, Jean Luc Ponty.

Joe Zawinul, para muitos um dos maiores tecladistas do jazz, com seu grupo Weather Report.

E Herbie Hancock, que com seu álbum Headhunters fez muito sucesso à época.

Um sub-gênero do jazz-rock surgiu a partir do Headhunters, com mais ênfase no funk e outros ritmos mais dançantes. Alguns nomes dessa tendência são a banda Spyro Gyra, Grover Washington Jr. (1943-1999) e Kenny G. (1956). Sim, ele mesmo.

Mas não se preocupem, vou finalizar com o som fusion do baterista Dave Weckl, que tocou com Chick Corea na Elektric Band.

A partir dos anos 90 é difícil definir exatamente para onde foi ou vai cada tendência, mesmo porque os fatos são relativamente recentes e não cabe num levantamento histórico. É melhor deixar a tarefa para outro, daqui a uns 20 anos, já sob uma perspectiva histórica.

Então é isso, caros Musicólatras, termina aqui nossa breve viagem pela história do jazz. Muita coisa teve que ser deixada de fora, mas creio ter atingido o objetivo de dar uma geral em todas as vertentes, ou pelo menos nas mais significativas. Num assunto tão apaixonante, foi inevitável ter me exaltado em alguns momentos e irônico em outros, deixando um pouco de lado a imparcialidade. Salvo esses pequenos escorregões, espero que tenham gostado do resultado final.

Jazz é nóis 

Leia mais em
Uma breve história do jazz – O início
Uma breve história do jazz – O elo perdido
Uma breve história do jazz – The Trumpet Kings
Uma breve história do jazz – O Blues
Uma breve história do jazz – A Era do Swing
Uma breve história do jazz – As divas
Uma breve história do jazz – O Bebop
Uma breve história do jazz – Cool & Hard Bop

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quinta-feira, outubro 07, 2010

Sammy Davis Jr.


Pessoal, até a conclusão do meu curso devo continuar bem sumido, mas vou tentar aproveitar quando o post de meu blog tiver a ver com o daqui.

Sammy Davis, Jr. de Harlem, Nova Iorque, cantava, dançava, atuava, tocava vários instrumentos, apresentava programas de TV (foi o primeiro artista negro a conseguir estrelar o seu próprio programa de televisão) e fotografava. Aos 3 anos aprendeu a sapatear com o pai e fazia parte do grupo musical da familia, no Harlem. Aos 7 já estava no cinema. Em 1954, após lançar seu primeiro álbum, "Starring Sammy Davis Jr.", ficou meses afastado devido a um acidente automobilístico gravíssimo, que lhe custou a perda do olho esquerdo. Nos anos 60 pertenceu, ao lado de grandes nomes como Frank Sinatra, Shirley MacLaine e Dean Martin, ao famoso Rat Pack, grupo de artistas que atuava em shows nos cassinos de Las Vegas e em filmes como “Onze Homens e um Destino” lançado em 1960. Enfrentou muito preconceito racial durante a carreira, sendo inclusive impedido de se hospedar e fazer refeições nos hoteis em que cantava. Com o tempo e o sucesso estrondoso, passou a recusar ofertas desses estabelecimentosOutros episódios que criaram polêmica foi sua conversão ao judaísmo, o romance com Kim Novak e seu casamento com May Britt, uma atriz branca, loura e sueca. Sammy Davis Jr. faleceu dia 16 de Maio de 1990 em Beverly Hills, em decorrência de um câncer na garganta.

Abaixo segue uma performance divertidíssima de Sammy Davis Jr. cantando "Because of You" imitando as vozes de alguns artistas famosos como Nat King Cole, Tony Bennett, James Cagney, Jimmy Stewart, Cary Grant, e Jerry Lewis mostrando seu talento artístico frente à TV.


Cantando "Birth Of The Blues" ao vivo:


Ótima apresentação onde canta "Mr. Bojangles" com uma roupa que, ao menos hoje, soa engraçadíssima:

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domingo, outubro 03, 2010

Wes Montgomery


Quando o jazz estava em seu início, os guitarristas eram relegados para as seções rítmicas dos conjuntos até que Charles Christian mudasse por completo esse conceito no início dos anos 40. Christian foi duplamente pioneiro: tanto no uso da guitarra amplificada no jazz como na função de solista nos combos de Goodman e do Mintons.

Wes Montgomery nasceu em Indianápolis no dia 06 de março de 1923 e cresceu em Columbus, Ohio, se encaminhando para a guitarra após ouvir os solos de Christian. Seis anos após a prematura morte de Christian, Wes Montgomery iniciou sua carreira profissional tocando nos bares de Indianápolis, até receber o convite para tocar na orquestra de Lionel Hampton.

Depois de tocar com Hampton por dois anos, Wes retornou a Indianápolis e trabalhou como operário numa montadora de rádio. Mas durante a noite ele tocava das nove às duas da madrugada no Turf Bar, e quando tinha tempo, dava uma canja de duas horas no Missile Room, para notívagos e boêmios.

Após seis anos dessa dose dupla de vida, sua sorte e sina mudaram: junto com os irmãos Buddy e Monk formaram o Trio Mastersounds, que acabou se transformando no The Montgomery Bros.
Apesar de um começo promissor, sua ascensão só se deu nos 60, quando começou a gravar no selo Riverside do grande produtor de jazz, Orrin Keepnews.

Após a falência da Riverside, Wes gravou na Verve, tocando num estilo jazzpop para capitalizar as mudanças no mundo musical e ao ir para o selo A&M a sua produção se orientou muito para o lado comercial. Wes veio a falecer no dia 15 dejunho de 1968, aos 45 anos.

O estilo de Wes Montgomery não era totalmente original: o uso das oitavas duplas pertencia ao guitarrista belga e flamenco, Django Reinhardt. Mas, por outro lado, Wes tinha em sua bagagem uma nova harmonia, um toque especial com o polegar.



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sexta-feira, outubro 01, 2010

Cole Porter

Cole Porter Talvez você não saiba quem foi Cole Porter, mas certamente conhece inúmeras de suas músicas. Compositor inspiradíssimo, legou-nos clássicos imortais. Uma espécie de Tom Jobim americano.

Cole Porter nasceu em 1891, em Peru, Indiana, no seio de uma família abastada. Foi casado por 34 anos com Linda Lee Thomas, divorciada e 8 anos mais velha que ele, mas mantinha uma agitada vida dupla – e não muito discreta para os padrões da época – homossexual. Morou em Paris nos anos 20, quando esta era a meca dos intelectuais. Suas sofisticadas composições foram largamente utilizadas nos musicais da Broadway e no cinema. Em 1937 sofreu uma queda cavalgando da qual nunca se recuperou totalmente. Ficou dependente de muletas e  cadeira de rodas, mas não parou de compor. No entanto, as fortes dores que sentia, as drogas e as mais de 30 cirurgias a que foi submetido o deixaram deprimido. Em 1958 teve sua perna direita amputada e, enfim, parou de compor. Morreu aos 73 anos e foi enterrado em sua terra natal.

Ouça uma de suas músicas mais famosas, Night and Day, por uma de suas melhores intérpretes, Ella Fitzgerald - que nos deixou 2 songbooks de Cole Porter (os quais recomendo fortemente aos Musicólatras passantes!)


A sofisticação de Cole ficava também muito bem na voz de Frank Sinatra (aliás, poucas coisas não ficavam boas na voz dele). Aqui, Old Blue Eyes interpreta I’ve got you under my skin.


O vídeo abaixo tem vários trechos do filme De-Lovely, Vida e Amores de Cole Porter, um filme tão genial quanto o biografado (embora essa minha opinião sobre o filme não seja uma unanimidade). Aqui a música Let’s do it, como no filme, é interpretada por Alanis Morissette.


Em tempo, Let´s do it ganhou uma versão brasileira cantada por Chico Buarque e Elza Soares, que se chamou Façamos (vamos amar).

Por fim, Love for Sale, na famosa e suingadíssima versão da Orquestra de Buddy Rich.


Para quem se interessou pelo filme, veja o trailler aqui (bom, na verdade você vai ser redirecionado ao YouTube):


Um fim de semana cheio de suingue a todos!

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