segunda-feira, maio 31, 2010

Sargento Pimenta e sua banda completam 43 anos!

No dia 1º de junho de 1967 era lançado o oitavo e mais ousado álbum da banda de rock mais influente do mundo, The Beatles: Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band.


129 dias de gravação, uma orquestra, vários artistas contratados e incorporações de vários estilos, entre o rock'n'roll, o jazz, música clássica e música indiana tradicional. Foi um sucesso de público e crítica; na época do lançamento ficou 27 semanas no topo das paradas britânicas e 15 semanas no topo das paradas americanas; ganhou 4 Grammys em 1968 e ostenta o primeiro lugar na lista dos 500 melhores álbuns de todos os tempos, segundo a revista Rolling Stone.

Os convido a conhecer um pouco das curiosidades por trás desse fenômeno da história do rock!

We're Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, we hope you will enjoy the show!

No fim de 1966 os Beatles já estavam exaustos. A beatlemania e as inesgotáveis turnês ao redor do mundo eram desgastantes e, além disso, eles haviam se dado um problema sem que percebessem: a sonoridade que estavam aos poucos adotando em suas músicas, a partir de Revolver, era impossível de ser reproduzida ao vivo, tamanho o nível de experimentalismo. Ademais, eles estavam caindo no conceito do público desde a infame declaração de John Lennon sobre eles serem "mais populares que Jesus Cristo", meses antes, de forma que as vendas dos discos caíram e os shows não mais lotavam.

De comum acordo (apesar da relutância de Paul McCartney), resolveram parar de se apresentar ao vivo. Ao invés de perder tempo e de se arriscarem com as viagens, usariam esse tempo em estúdio aprimorando sua música e criando coisas novas.

Com todo esse tempo que eles não tinham antes, cada um foi pra um lado. George Harrison foi pra Índia aprender a tocar cítara com Ravi Shankar; seu conhecimento em música indiana foi crucial na realização do Sgt. Pepper's. John estava na Espanha participando das gravações do filme How I Won The War (Ringo foi pra lá com a esposa mais tarde, acompanhar). Paul foi passar uma temporada na França para "relaxar". Deixou crescer um bigode (sua ideia de "disfarce") para evitar confusão nas ruas e, ao perceber que tinha dado certo, uma ideia luminosa surgiu: as pessoas não querem mais ver os Beatles e nós não queremos parar. Então vamos fazer diferente: disfarçados, seremos uma outra banda tocando o que queremos tocar.

Quando voltou para a Inglaterra, já tinha todo o conceito do álbum em mente, além do nome da banda fictícia: Sargento Pimenta e os Corações Solitários. Paul estava empolgadíssimo com a ideia: algo que nunca ninguém havia feito antes, um conceito completamente novo, e eles não teriam que viajar e se apresentar daquela maneira, o álbum iria por eles. A reação dos outros?

George odiou. Para ele, que estava cada vez mais espiritualizado e, vulgarmente falando, de saco cheio daquela coisa toda de ser um beatle, a idea de "fingir ser outra pessoa" era absurda; seria a negação do eu interior, enganar pessoas. Não, sem chance. John Lennon não fez muita objeção, apesar de sempre cortar o entusiasmo de Paul com algum comentário do tipo "pare de viajar na maionese, Paul". O casamento dele com Cynthia estava de mal a pior, e ele já havia conhecido Yoko Ono, então as prioridades dele não eram exatamente música. E Brian Epstein, o empresário... Bom, desde que façam algo, façam qualquer coisa, mas façam. A essa altura ele já estava com a saúde debilitada e viria a falecer pouco tempo após o lançamento do álbum.

Bom, aceita a ideia entre trancos e barrancos, todos no estúdio gravando. Todos deixaram crescer bigodes e criaram o uniforme de banda de marcha. John e Paul, por mais que já não estivessem se entendendo direito, estavam com a criatividade a mil e compuseram praticamente todas as canções do álbum em conjunto, como sempre, um completando o outro. O álbum a princípio seria conceitual e giraria em torno do personagem Billy Shears (interpretado por Ringo, apresentado na canção With A Little Help From My Friends), mas John Lennon e sua teimosia conseguiram mudar o rumo do trabalho, de forma que o Sgt. Pepper's é um álbum semiconceitual, mas ainda assim o primeiro da história.



A temática, no fim, ia de situações do cotidiano, até problemas familiares, a transição da infância à fase adulta; e a inspiração veio fácil, desde notícias no jornal até o comercial de cereal na televisão. A experimentação instrumental com camadas sobre camadas, instrumentos pouco usuais e orquestração foram um acerto para o álbum e para a época. Em 1967 os jovens não queriam mais ouvir as baladas românticas e o pop fácil do início da carreira da banda. Eles estavam mais interessados em discursos político-sociais, ou, talvez mais verdadeiramente falando, música pra "ficar alto". Portanto, o rock psicodélico estava em alta, e era isso que eles deveriam fazer.

A gravação do álbum mesmo foi por si só inusitada. Paul McCartney não queria gente pomposa no estúdio, visto que o conceito seria algo com um quê de circense. Ordenou que os membros da orquestra usassem coisas como perucas e/ou narizes de palhaço, pendurou balões por tudo, distribuía chupetas e aventais para todos, foi uma verdadeira festa. Alguns curtiram bastante o ambiente despojado que o então suntuoso estúdio Abbey Road agora tomava, principalmente os músicos convidados (entre eles membros dos Rolling Stones e The Monkees); mas os mais conservadores membros da orquestra e o próprio produtor George Martin ficaram visivelmente ofendidos... O que não impediu o Sgt. Pepper's de tomar forma e ser o que é até hoje, um exemplo perfeito de conceito, psicodelia e experimentação.



Já falei pra caramba, bem mais do que queria, inicialmente (pra variar). Ainda falta falar da capa, que já daria um post tão grande quanto este. Falo no próximo, afinal, não posso deixar essa parte de fora!

We're Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, we hope you have enjoyed the show! ♫

Continue Lendo.... >>


domingo, maio 30, 2010

Erivelto Santos

Olá Musicólatras de todas as partes!

Passei a semana fazendo pesquisas sobre musicos da nossa região (do Vale do Paraiba). Encontrei vários músicos da melhor qualidade, porém como sou guitarrista acabei me prendendo por músicos que também tocam guitarra. Para minha surpresa encontrei um virtuose, maior surpresa foi descobrir que esse incrível musico é da cidade de Taubaté. Sem mais demoras, hoje vou falar sobre Erivelto Santos como já disse um virtuose da guitarra rock. Abaixo segue uma pequena biografia desse excelente guitarrista.



Erivelto Santos

Músico de Taubaté São Paulo iniciou seus estudos de forma autodidata no início dos anos 90, posteriormente iniciou na escola “Fego Camargo” seus estudos no violão erudito.No ano de 2000 ingressou na faculdade “Santa Cecília” onde formou-se bacharel em guitarra em 2002.
Desde 1999 leciona guitarra e violão nas cidades do vale do Paraíba.
Trabalha desde 1993 com bandas e músicos da região.
Atualmente atua nas bandas I´m Sorry (disco 70) e Pink Berry´s(rock/pop) além de composições instrumentais próprias e como músico freelancer.



A seguir algumas palavras do Guitarrista Erivelto Santos

Influências:

“-Pra mim seria injusto fazer uma lista, pois são muitos músicos que me influenciam, mas só pra citar alguns Hendrix, Ritchie Blackmore, Steve Morse,Tommy Bolin, Randy Roads,Scott Henderson, Eric Johnson,Criss Oliva,Satriani, Allan Holdsworth,Steve Ray Vaughan,Gary Moore.....melhor parar porque a lista é grande.(risos)”

O Jazz

“-O jazz mudou minha maneira de tocar e enxergar a música, o raciocínio tem que ser rápido.Tento aplicar as idéias em outros estilos que toco.Assim como a música brasileira que também dá muitas opções e formas diferentes de pensar.”

O Blues

“-Falar do blues e sua influência na minha forma de tocar é fácil ,já que o blues influenciou todos os estilos praticamente.Quando o cara toca aquele solo do Iron Maiden que tanto gosta , de forma inconsciente está tocando blues.É claro que é complicado falar isso, mas de certa maneira é a forma correta de encarar já que as frases de blues estão implícitas ali.Portanto utilizamos as frases de blues com uma divisão rítmica diferente o tempo todo.É claro que não podemos nos limitar na hora de estudar,mas o entendimento do blues,suas estruturas e fraseado são fundamentais no estudo de qualquer guitarrista. ”


“-Muitos depois de um tempo acabam encarando o blues como uma música simplista, ou o rock como uma coisa banal,dando valor só para um estilo ou outro.Estes mitos precisam ser quebrados música boa é música boa não importa se é fácil ou difícil de tocar,entendo que o desafio faz parte do processo de aprendizado,mas há muito o que se extrair ainda dos bons e velhos rock e blues.Um abraço a todos!”



Contatos: www.eriveltosantos.com.br
www.myspace.com/eriveltosantos

Continue Lendo.... >>


sexta-feira, maio 28, 2010

Uma breve história do jazz – The Trumpet Kings

Jazz 01

Os primeiros músicos de jazz tornaram-se ídolos de toda a geração que nasceu por volta de 1900, dentre eles, os trompetistas Lee Collins (1901-1960), Punch Miller (1894-1971) e Henry Red Allen (1907-1967); os clarinetistas Jimmy Noone (1895-1944), Albert Nicholas (1900-1973), Johnny Dodds (1892-1959) e Sidney Bechet (1897-1959); começaram a surgir os primeiros saxofonistas, como Barney Bigard (1906-1980), que depois tocou na orquestra de Duke Ellington; e dois jovens bateristas, Baby Dodds (1898-1959), de forte herança africana, e Zutty Singleton (1898-1975), que soava “moderno” para os ouvidos da época.

Aqui se inicia um dos maiores paradoxos do jazz: apesar de todos os músicos acima serem negros ou creoles, eram os brancos, relativamente menos numerosos, que faziam mais sucesso e realizaram as primeiras gravações da nova música, em 1917, com a Original Dixieland Jazz Band:
 


A propósito, eu não me esqueci dele. Pulei propositadamente um nome importante dessa época, o maior deles: Louis Armstrong (1900-1971). Aliás, um dos maiores de todos os tempos.

O trompete era o intrumento principal das bandas naquele tempo. Uns dizem que é porque estaria associado às trombetas tocadas pelos anjos no Apocalipse, e tocar trompete seria uma experiência quase religiosa. Pode ser, mas parece mais provável que fosse assim por ser um dos instrumentos mais baratos e, certamente, um dos mais portáteis. O melhor trompetista era aclamado como rei, o Trumpet King, e isso em New Orleans equivalia a ser o Rei da Música! O aclamado subia o Rio Mississipi numa barcaça e desembarcava no cais de Basin Street. Ao longo dos anos, a coroa passou por Buddy Bolden, Freddie Keppard e Joe King Oliver, que por fim a passou a Louis Armstrong, e partiu para Chicago.


Storyville já não era mais a mesma. Com o advento da 1ª Grande Guerra e o aumento na violência e assaltos, um decreto acabou com a vida noturna e fechou muitos dos lugares onde tantos músicos ganhavam a vida. Muitos começaram a rodar o país e se estabelecer em lugares como São Francisco e, principalmente, Chicago. Em 1922, Oliver já fazia sucesso por lá e mandou buscar Armstrong para tocar na King Oliver Creole Jazz-band, onde realizaram praticamente as primeiras gravações de um grupo de jazz negro.

A química entre os músicos era perfeita. Músicos e fãs não conseguiam entender como era possível improvisar espontaneamente a duas vozes. Deixemos que Louis explique: “Não tínhamos nada escrito. A banda tocava e Oliver me dizia o que tocar por cima, ‘wa wa wa wa!’ Eu pegava minhas notas e os músicos que vinham ouvir a gente achavam que aquilo era uma fórmula secreta entre nós dois.”

King Oliver Creole Jazz-band
Porém, nada dura para sempre, e em 1924 Oliver e Armstrong se separaram. Satchmo, como Armstrong também era conhecido, levou junto a pianista do grupo, Lil Hardin, e casou-se com ela. Durante três anos ele gravou cerca de 60 faixas, exibindo toda a riqueza de seu som e firmando seu estilo. Além de tocar seu trompete, também cantava e, numa dessas “inventou” o scat, que consiste na utilização da voz como instrumento musical. E isso surgiu meio sem querer: no meio da gravação de Heebie Jeebies.

Como toda lenda do jazz, essa história tem várias versões. A mais provável dá conta que no meio da gravação ele deixou cair o papel em que estava escrita a letra da música. Sem se abalar, ele seguiu cantando palavras inventadas, utilizando sons que combinavam com a música: ba-da-bada-badi-bauááá, até que alguém devolveu-lhe o papel caído e ele seguiu cantando.

Quem usa o scat? Anota aí: Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, Billy Eckstine, Mel Tormé, Al Jarreau, George Benson e, ninguém menos que, Frank Sinatra.

Armstrong esteve no Brasil na década de 60. No afã de entrevistar-lhe, o repórter Tico-tico estendeu o microfone em sua direção e atingiu sua boca, provocando-lhe um lamentável corte. Você não vai encontrar essa história por aí, faz parte da memória da minha mãe.


Satchmo faleceu em 1971, deixando sua marca na história do jazz e da música em geral, além da imagem inconfundível de suas bochechas inchadas (superada alguns anos depois por Dizzy Gillespie), o som de sua voz grossa e os olhos arregalados. E uma simpatia do tamanho de um bonde. Suas últimas palavras foram: "I had my trumpet, I had a beautiful life, I had a family, I had Jazz. Now I am complete."


Neste último, o ator Danny Kaye faz uma brincadeira com Satchmo, em cima da música When the Saints Go Marching In, incluindo na letra vários nomes de compositores clássicos, enquanto Louis responde com nomes de músicos de jazz.


Leia mais em:
Uma breve história do jazz – O início
Uma breve história do jazz – O elo perdido

Continue Lendo.... >>


terça-feira, maio 25, 2010

Thelonious Monk "Underground"



Título: "Underground"
Artista: Thelonious Monk
Ano: 1968 / Relançado em 2003
Gravadora: Columbia / Sony
Nota: 10/10

O estilo de Thelonious Monk ao piano é, numa palavra, enigmático. Monk foi um dos verdadeiros gênios do jazz. Embora geralmente qualificado, apenas, como um dos fundadores do bebop (ao lado de Charlie Parker e Dizzy Gillespie), o pianista-compositor tinha um estilo único, inclassificável.

O álbum "Underground" foi o ultimo gravado por Monk para o selo Columbia (1968). E como uma obra prima dessas não se encontra todos os dias, pesquisei tudo relacionado a história do álbum. Quando lançado, mereceu atenção especial em face da originalidade de sua capa: uma foto produzida de Thelonious, vestido de maquis, metralhadora a tiracolo, tocando num velho piano de parede, num porão-esconderijo (na verdade, o estúdio de seu apartamento), em meio a um monte de objetos, garrafas de vinho e ''troféus de batalhas'', incluindo granadas e um ''oficial nazista'' amarrado numa cadeira, ao fundo. (Quando vi a capa, fiquei impressionado pela riqueza dos detalhes ainda mais pela época). Enfim, em 2003 o "Underground" é reeditado em CD pela série Legacy (Columbia). Não só remasterizado, mas totalmente restaurado. Ou seja, seu verdadeiro e significativo conteúdo foi devidamente resgatado.

O álbum já era importante por conter quatro novas composições: a admirável e hoje clássica "Ugly beauty", "Green chimneys", "Raise four" e "Boo boo's birthday". A reedição em CD é bem diferente do LP original, cujos tapes foram extensivamente manipulados e cortados pelo produtor Teo Macero. Das sete faixas do LP de 1968 (as quatro citadas mais "Thelonious", "In walked Bud" e "Easy street"), cinco foram bem reduzidas. Dos 13 minutos de "Green Chimneys" restaram apenas oito; o tape de "Ugly beauty" tinha 10 minutos e 45 segundos, e não somente sete minutos. Assim, a relevância dessa reedição autêntica e definitiva de "Underground" não se limita à melhoria da qualidade técnica do produto sonoro. Trata-se dos tapes originais das sessões sem os "cortes" do Teo Macero.

Há quem diz que as duas versões não tem muita diferença. Pois os "cortes" feitos por Teo tiveram como principais alvos os solos de baixo e de bateria (Larry Gales e Ben Riley, respectivamente). Outros defendem a tese de que não poderia ter feito tais "cortes" até por que os solos de baixo e bateria são extremamentes importantes para todo o conjunto (do álbum). E isso realmente é a grande verdade.

Bom depois dessa "pesquisa", eu consigo comparar a música com a capa do álbum. A capa é rica em detalhes, assim também é a música que Monk trás nesse álbum, é rica nos detalhes, nos arranjos e nos solos. Eu não conheço nem 1% da carreira do Monk, mais de todos os cds que ouvi esse foi o melhor disparado. Monk faz um som enigmático, diferente de qualquer coisa. Só por esse "motivo" já vale e muito ouvir este álbum.

Thelonious Monk - "In Walked Bud"


Thelonious Monk - "Thelonious"

Continue Lendo.... >>


domingo, maio 23, 2010

Mr. Herb Ellis

Olá, musicólatras de todas as partes...

Essa é minha estréia no mundo dos blog´s e antes de tudo gostaria de agradecer a equipe do musicólatras anônimos pelas boas vindas. Nessa minha primeira postagem vou falar um pouco sobre o mago da guitarra jazz o Sr. Herb Ellis. Dotado de uma técnica que dispensa comentários, Herb injetou simplicidade na sofisticada guitarra jazzista tocando linhas de blues e swing be bop dentro de harmonias sofisticadas. Ver Herb Ellis tocando nos dá a impressão de que tocar jazz é a coisa mais simples desse mundo, coisa de quem alcançou um nível técnico e musicalidade fora dos padrões, ou seja, coisa de gênio mesmo!. Aqui vai uma pequena biografia e a discografia desse mestre da guitarra.



Mitchell Herbert Ellis (Farmersville, Texas, 4 de agosto de 1921 - Los Angeles, 28 de Março de 2010). Ellis estudou entre 1941 e 1943 na North Texas State University. Em 1943 entrou para a Casa Loma Orchestra de Glen Gray e depois ingressou na big band de Jimmy Dorsey. Tocou até 1958 com o pianista Oscar Peterson e com a cantora Ella Fitzgerald. Nos anos 70 era membro das Great Guitars (com Barney Kessel e Charlie Byrd) e também trabalhou com Joe Pass.



Discografia

• Ellis In Wonderland, 1956
• Herb Ellis, 1957
• Nothing But the Blues, 1957
• Herb Ellis Meets Jimmy Giuffre, 1959
• Thank You, Charlie Christian, 1960
• Softly...But with That Feeling, 1961
• Midnight Roll, 1962
• Together!, 1963
• Herb Ellis and Stuff Smith Together, 1963
• Guitar/Guitar, 1963
• Three Guitars in Bossa Nova Time, 1963
• Man with the Guitar, 1965
• Herb Ellis Guitar, 1965
• Poor Butterfly, 1973
• Jazz/Concord, 1973
• Soft Shoe, 1974
• Two for the Road, 1974
• Hot Tracks, 1975
• A Pair to Draw To, 1975
• Rhythm Willie, 1975
• Pair to Draw To, 1976
• Herb, 1977
• Windflower, 1977
• Soft & Mellow, 1978
• Herb Mix, 1981
• Doggin' Around, 1988
• Roll Call, 1991
• Texas Swings, 1992
• Softwinds: Then & Now, 1997
• Blues Variations, 1999
• Burnin', 1999
• In a Mellow Tone, 2002
• Ellis in Wonderland, 2006

Vale a Pena conferir alguns videos de Ellis no youtube.com

Herb Ellis - Sweet Georgia Brown (1986)

Continue Lendo.... >>


Dois monstros


Não sei quanto a vocês, mas um vídeo assim me emociona.

Continue Lendo.... >>


sexta-feira, maio 21, 2010

Uma breve história do jazz – O elo perdido

Jazz - evolução segundo Berendt

É difícil determinar em que momento exato surgiu o jazz como o conhecemos, mas de uma coisa não resta dúvida: o elo perdido é o trompetista King Buddy Bolden (1869-1931). Barbeiro e jornalista, foi líder de uma banda que fazia apresentações na Basin Street, em Storyville, bairro boêmio de New Orleans. Incorporou o swing ao blues e às danças afro-creolas, servindo de inspiração a muitos músicos de jazz. Por volta de 1907 ele enlouqueceu e seu som não foi mais ouvido. E não foi mesmo, porque infelizmente não restou nenhuma gravação sua, mas seu estilo foi tão bem descrito que não pode haver dúvida quanto ao valor de sua contribuição. Tocava o pistom ao estilo dos cantores de blues, imitando-lhes o som da voz.

Quando as brass-bands eram chamadas para tocar em algum lugar, geralmente atacavam de marchas, rags, quadrilhas e outras danças da época. A partir do sucesso de Buddy Bolden, começou-se a tocar mais o blues e outros temas de rua. Uma geração de músicos cresceu sob essa influência. Um deles é Joe King Oliver (1885-1938), que iniciou um novo período, voltado quase que exclusivamente ao blues.

Outra figura importante nessa época, foi o pianista Jelly Roll Morton (1885-1941). De origem creole (mestiço de negro com francês), tocava bem violino, violão e bateria, mas escolheu o piano, considerado um instrumento sofisticado na época. Cedo ele começou a viajar, levando a música de New Orleans para o resto do país. Com seu fabuloso ouvido, incorporou outras influências e estilos, misturou tudo e começou a compor um som muito próximo ao que se começava a chamar de jazz, não apenas adaptando os temas existentes, mas compondo especificamente dentro dessa concepção. Dentre elas estão King Porter Stomp, Blues New Orleans e The Red Hot Pepper, que levava o mesmo nome de seu conjunto (favor não confundir com o Red Hot Chily Peppers). Bom de marketing, ele jurava ser o criador do jazz, do stomp e do swing, dístico esse que ele fazia questão de imprimir em seu cartão de visitas, o que, verdade seja dita, não estava muito longe da realidade.

Leia mais em:
Uma breve história do jazz – O início

Continue Lendo.... >>


quinta-feira, maio 20, 2010

Thiago Teberga


O Guitarrista Thiago Teberga é conhecido pela sua técnica virtuosa da guitarra blues. Atua em varias vertentes do Blues, indo do blues tradicional ao moderno blues rock. Influenciado por outros estilos, tais como o Jazz, o Rock e o Country. O guitarrista formou seu estilo escutando bandas como: Queen, B.B. King, Robert Johnson, Mark Knopfler, Jimi Hendrix, Rory Gallagher, Albert Lee. E alguns dos grandes mestres da musica brasileira, como: Hélio Delmiro, Raphael Rabello, Arismar do Espirito Santo, Nuno Mindelis.

Continue Lendo.... >>


terça-feira, maio 18, 2010

O Brasil na Bagagem

Eu estava preparando algo totalmente diferente para postar, mas acabei me lembrando desse texto, que na época foi divulgado no primeiro volume da coleção “Folha 50 Anos de Bossa Nova” que era exatamente sobre o maestro Tom Jobim.

Por Coleção Folha: "50 Anos de Bossa Nova"

É interessante como os brasileiros e americanos (e, através destes o mundo) se entregaram a Tom Jobim por caminhos diferentes. O que “Chega de Saudade” significou para o Brasil foi representado, nos Estados Unidos, por “Desafinado” (“Off-Key” , na versão em inglês). A emoção que sentimos ao ouvir “Samba de Avião” pode ser incompreensível para os gringos – que, em compensação se apaixonaram por “Wave”. Os dois grandes casos de paixão em comum foram por “Garota de Ipanema” e claro “Águas de Março”.

De 1962 para cá, “Garota de Ipanema” fez de tudo na vida: nasceu Cult, tronou-se um sucesso, depois um mega-sucesso, passou a ser considerada o hino da bossa nova, foi reduzida a kitsch e, desde há muito, incorporou-se, com tranqüilidade, ao repertorio universal: é um dos maiores Standards do século XX. Já foi e continua a ser gravada por tanta gente que não se sabe como as sociedades que cuidam de seus royalties mantêm o controle: pelas ultimas contas, “Garota de Ipanema” teria perto de 300 gravações – mas o número real deve ser o dobro disso, somando-se as obscuras versões não autorizadas que vivem sendo feitas. Na internet, fica-se sabendo de gravações por piano solo, orquestra sinfônica, quarteto de cordas, banda de gaita e foles e até gangues de funk e hip hop. O espectro de seus interpretes vocais vai de Frank Sinatra, que você sabe muito bem quem é, a Floyd the Barber, de quem você nunca ouviu falar (trata-se de um cantor de rap). Tudo isto é legalizado, mas, e as paródias de “Garota de Ipanema” – humorísticas, sensuais e tantas outras – que até hoje abundam, principalmente nos Estados Unidos?

Neste momento, os principais portais ou mecanismos de busca da internet, contêm, cada qual, um mínimo de 600 mil entradas relativas á “The Girl from Ipanema” – vasculhá-las por inteiro, só no espaço de uma ou duas vidas. Há páginas falando da Jeune Fille d’Ipanema, da Ragazza de Ipanema e da Chica de Ipanema, o que é normal, mais há também sites em russo, grego, japonês, chinês, coreano, árabe e outras línguas para as quais o computador precisa ter os caracteres adaptados. A partitura contendo a melodia de Tom, a letra original de Vinicius de Moraes e a versão em inglês de Normal Gimbel, está exposta à exaustão na rede, muitas vezes com áudio (na gravação de Astrud com Getz). No caso da letra de Vinicius, não faltam adaptações fonéticas para ajudar o pessoal de língua inglesa a reproduzir a interpretação de João Gilberto resultando em coisas assim: “Aw-lyuh kee koey-suh mah-izh leen-dah/Mah-iz shay-ya dee grah-suh....”

Internautas dos EUA, do Japão e da Alemanha trocam mensagens relatando onde estavam, fazendo o quê e o que sentiram ao ouvir “The Girl from Ipanema” pela primeira vez. Mais ou menos como, por muitos anos, se fez com o assassinato do presidente John Kennedy em Dallas, Texas a 22 de novembro de 1963. Não por acaso, seu lançamento internacional, na gravação de Astrud, se deu em seguida à morte de Kennedy, a há quem associe seu imediato sucesso nos Estados Unidos ao efeito calmante que a canção teria sobre os americanos depois de um impacto violento – como se, de repente, para eles, o mais sensato fosse jogar tudo para o alto e ir para uma praia chamada Ipanema, uma Xangri-la moderna, bem longe do Vietnã, onde garotas altas e bronzeadas passeavam soberbas e soberanas pelas areias, e todo mundo fazia “Ah....”. A diferença é que cada vez há menos gente capaz de se lembrar onde estava naquele longínquo dia em que mataram Kennedy – mas “The Girl from Ipanema” continua a marcar quem, até hoje, a ouve pela primeira vez.

O mesmo acontece com “Águas de Março”, que, em português ou inglês, transporta o ouvinte para uma realidade fora de tempo e do espaço deste insensato mundo. Na realidade – assim como “Chovendo Roseira” – é uma crônica do sítio da família de Tom em Poço Fundo, aonde, desde cedo, ele foi se esconder dos carros, aviões e arranha céus que turvaram a sua fome de paisagem. Ou seja, um universo chão mateiro e, à primeira vista, a antítese da bossa nova, se comparado às temáticas urbanas e cariocas de praia/verão/mulher de sua obra inicial, e de que “Garota de Ipanema” é o exemplo supremo. Mas, curiosamente, aqueles paus e pedras e fins do caminho eram bossa nova do mesmo jeito – como tudo que ele fez.

Tom compôs numa variedade de gêneros, ritmos e metros brasileiros, como se promovesse uma verdadeira ocupação musical do Brasil, e a todos imprimiu uma sonoridade “bossa nova” – nomenclatura que, ao contrário de alguns, ele nunca rejeitou, numa notável fidelidade à musica que o consagrou. Tom foi também o herdeiro, e talvez o ápice, de uma grande tradição do piano brasileiro, que começou com Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth, Villa-Lobos, Sinhô, Ary Barroso, Custódio Mesquita, Vadico, Alcyr Pires Vermelho e outros, por ordem de entrada em cena, e prossegue hoje com Gilson Peranzetta, Francis Hime, Wagner Tiso e tantos mais.

Em 1967, quando aceitou o convite de Frank Sinatra, então o maior cantor do mundo, para gravar com este um disco de suas canções, Tom deve ter tido um problema com malas ao embarcar para Los Angeles: excesso de peso. Era inevitável. Afinal, levava o BRASIL NA BAGAGEM.

Fonte: Coleção Folha "50 Anos de Bossa Nova" (Volume 1: Tom Jobim)

Continue Lendo.... >>


segunda-feira, maio 17, 2010

Pete Townshend. Quem?

Primeiro, quero pedir desculpas pelo sumiço... mas a inspiração tava realmente em falta no meu estoque. :(

.

Peter Dennis Blandford Townshend, ou só Pete Townshend; guitarrista, mentor e principal compositor de uma das banda mais importantes e influentes do rock, desde os anos 60, The Who.


O cara que há 45 anos atrás disse "Eu espero morrer antes de ficar velho" (na letra de My Generation) completará 65 anos no dia 19, ainda na ativa com sua banda.

Tanta atividade nesses anos todos de vida são bem mais do que eu poderia tentar resumir aqui neste post. Vou tentar me ater ao extremamente essencial, como sempre e, caso lhes interesse saber mais, farei o possível pra respondê-los.


► Pete Townshend é uma máquina de compor músicas. Além das mais de uma centena canções que compôs para o The Who e outra centena para a sua carreira solo, ainda foi autor das duas óperas-rock de grande sucesso, Tommy e Quadrophenia. Além dessas, também escreveu trilhas para programas de TV e jingles de comerciais.

► Além de guitarrista, Pete também canta várias das músicas do The Who; ainda toca outros instrumentos, como piano/teclado, banjo, sintetizadores, acordeon, baixo e bateria, e nunca teve aulas para aprender a tocar nada disso. Pete ainda é muito envolvido com Literatura, já tendo escrito muitas matérias e colunas para jornais e revistas, resenhas, além de livros, ensaios e roteiros.

► O The Who surgiu a partir de uma antiga banda de skiffle que Pete tinha com seus colegas de escola John Entwistle, que tocava os instrumentos de sopro (posteriormente dando lugar ao baixo) e Roger Daltrey nos vocais; mais tarde entra Keith Moon na bateria e o The Who acontece.

► A marca registrada de Pete nos palcos é a maneira enérgica com que sempre tocou (inclusive agora), rodando o seu braço direito (um movimento chamado de "moinho de vento"). O hábito de alguns roqueiros mais revoltados de destruir as suas guitarras e/ou todo o equipamento do palco também foi legado de Pete Townshend. A primeira guitarra que ele quebrou no palco foi um acidente, mas Keith (que era chegado numa destruição e adorou a oportunidade) entrou no clima e começou a quebrar sua bateria também. Visto que isso causou um furor tanto no público como na imprensa, as destruições se tornaram constantes nos shows do The Who.

Um jovem Pete com sua coleção de guitarras quebradas.

► A mania de rodar o braço enquanto toca, porém, se mostrou uma prática muito mais perigosa. Durante um show em 1989, Pete acidentalmente atravessou a sua mão contra a alavanca da guitarra. Mas isso não o fez parar de tocar e, muito menos, de fazer seu movimento de moinho.

► Além dos eventuais acidentes em palco, a idade também vem boicotando Townshend. Recentemente, Pete vem perdendo a audição devido aos vários anos tocando em volumes altíssimos com o The Who (um concerto da banda em 1976 foi até recorde no Guiness, "O Concerto Mais Ruidoso de Todos os Tempos", com incríveis 126 decibéis medidos a 32 metros do palco). Essa perda de audição e o zumbido constante têm atrapalhado a performance de Pete nos últimos meses. Embora esteja usando aparelhos, ele já disse que se isso se tornasse um problema de verdade, ele daria a banda por acabada.


► Pete também sempre foi muito envolvido com a caridade e trabalhos beneficentes, fazendo altas doações para instituições, fundando outras e tocando em muitos eventos beneficentes (sendo o mais notável o Teenage Cancer Trust, que acontece todos os anos desde o ano 2000 e conta com vários artistas além do The Who, onde toda a renda é revertida para o Hospital do Câncer para jovens). Tendo se espiritualizado na Índia com o guru Meher Baba, muita da caridade que faz tem a ver com ajudar à sua fundação, criando escolas, hospitais e centros de meditação. Também ajuda as instituições para recuperação de dependentes químicos, entre muitas outras. E só falam em Bono Vox, hein?


Ainda tem muito o que conhecer sobre essa pessoa tão genial e influente, mas como eu prometi, me ative ao essencial. Vale a pena conhecer pessoas assim e eu espero do fundo do coração que o trabalho dele realmente tenha deixado marcas nas pessoas, e que elas perpetuem isso pelas gerações.


Os melhores momentos de Pete Townshend neste breve vídeo (inclui tudo o que eu citei sobre sua performance!):



Continue Lendo.... >>


sexta-feira, maio 14, 2010

Uma breve história do jazz – O início

Assim como os que vieram para o Brasil, os africanos que “emigraram” para os Estados Unidos na condição de escravos, entre os séculos XVII e XVIII, levaram consigo sua rica tradição da música tribal. Como não lhes era permitido tocar sua música na nova terra, passaram a cantar e tocar a “música branca” autorizada, seguindo, contudo, suas próprias regras. Isso podia, afinal, um escravo que soubesse tocar música de branco valia mais na revenda.

O primeiro instrumento foi a garganta: usavam-na enquanto trabalhavam nas plantações, cadenciando os esforços; nos spirituals, quando cantavam a sua versão da bíblia; e nos mercados, anunciando seus produtos e serviços por meio de cantos rítmicos. Com relação a esta última, George Gershwin (1898-1937) incluiu alguns dos refrões em sua obra Porgy & Bess. Tudo isso misturado recebe o nome de blues.

Emancipados, os negros passaram a utilizar seu tempo de lazer para fazer música. Como não havia dinheiro para comprar instrumentos, utilizavam o que estava à mão: lixo, objetos largados pelas ruas, pentes de osso, potes de barro, violões em caixas de charuto e tábuas de lavar roupa, washboards em inglês, tocadas com os dedos e dedais metálicos, que acabaram sendo as precursoras da bateria.
 


Com o tempo, passaram a ter acesso a instrumentos de segunda mão, comprados nas casas de penhores, tais como rabecas, violões, banjos, gaitas e outros. Ao término das guerras de Secessão (1861-65) e da Hispano-Americana (1898-99), as bandas marciais foram desfeitas e seus instrumentos passados nos cobres.

Dizem que essa última guerra é a responsável pelo fato do jazz haver surgido em New Orleans, pois foi ali que as bandas se desfizeram e seus instrumentos trocados por uma noite de festa na badalada cidade. As vitrines das pawn shops amanheceram forradas de instrumentos reluzentes. Pode ser que em parte esta seja uma das razões, mas não se pode desprezar o fato de que aquela região, antiga possessão francesa, também era habitada pelos creoles, oriundos dos cruzamentos entre franceses e escravos.

Emancipados havia mais tempo, estes já dispunham de alguma educação musical formal e forte influência da música europeia, e compunham a maior parte dos músicos das brass-bands. O mais famoso deles é Scott Joplin (1868-1917), compositor de ragtime redescoberto na década de 70, quando sua música virou trilha sonora do filme O Golpe de Mestre (um filmaço por sinal!)
 

Outro fator que contribuiu para que o jazz surgisse por ali foi a colonização francesa, cuja formação católica era menos preocupada com a salvação da alma de seus escravos e, portanto, mais tolerante com seus rituais “pagãos” com toques de cristianismo, enquanto que nas áreas protestantes, os cultos negros permaneciam underground, e ainda tinham que enfrentar a proibição de se divertir aos domingos.

A música era usada para tudo. Todas as atividades eram acompanhadas pelas brass-bands. E elas tocavam em qualquer lugar: bailes, piqueniques, lutas de box, enterros, propaganda política e por vai. O saxofonista Sidney Bechet (1897-1959) conta que trabalhou numa certa época em um consultório dentário: enquanto o dentista extraía um dente, ele tocava clarinete para acalmar o paciente.

O crescente acesso ao instrumento não foi diretamente acompanhado pelo acesso à educação musical. A característica principal desses músicos era a improvisação coletiva em que tudo se encaixava perfeitamente. Como os líderes das bandas não sabiam ler música, tocavam os ragtimes de ouvido e executavam variações espontâneas das músicas, nascendo aí a improvisação consciente sobre um tema.

As matérias primas para esses músicos eram o ragtime, o blues, marchas militares, árias de ópera e o que mais lhes caísse nas mãos. Com o tempo foram surgindo temas próprios, mas a característica do jazz sempre foi a improvisação.


Nota 1: Esse texto não tem a mínima pretensão de ser uma tese sobre a história do jazz, é tão somente uma compilação de algumas publicações que eu tenho, tais como o livro Improvisando Soluções, de Roberto Muggiati, História Social do Jazz, de Eric J. Hobsbawm, Jazz, a History of America’s Music, de Geofrey C. Ward e Ken Burns, História do Jazz, uma coletânea de artigos que saiu em uma coleção de jazz da Ed. Abril, em 1975, além de Wikipedia, Youtube e outras ferramentas virtuais. Os estudiosos do jazz poderão achar os posts superficiais, mas de certa forma essa é a intenção. Feita essa importante ressalva, espero apenas que seja divertido.

Nota 2: Pessoalmente, não vejo na palavra “negro” qualquer sentido depreciativo, por isso não emprego indiscriminadamentes o termo “afro-americano” em substituição a ela. Nada contra a expressão politicamente correta, mas quase todas as fontes que consultei não a utilizam. Além disso, a palavra “negro” para mim é muito mais forte e bonita, e representa melhor a grande influência dos afro-americanos (agora sim) na música do século XX, XXI, XXII…

Continue Lendo.... >>


terça-feira, maio 11, 2010

Ed Motta - "Aystelum"



Título: "Aystelum"
Cantor: Ed Motta
Ano: 2005
Gravadora: Trama
Nota: 9/10

Este álbum do Ed Motta não está entre os mais badalados da sua carreira e com isso muitos acabam não conhecendo, o que é uma pena. Em “Aystelum” Ed cria um ambiente criativo e inovador, principalmente por misturar o jazz, samba, soul e outros elementos. E João Duprat descreve tudo isso com muita propriedade e tenta desvendar um pouco desse universo criado por Ed Motta. A resenha postada abaixo é apenas um trecho, mais vou disponibilizar o link no final para quem quiser ler na integra.

Por João Duprat

Aystelum é um mundo paralelo concebido por Ed Motta. Neste trabalho, o cantor, compositor, instrumentista e arranjador parte do caminho aberto por “Dwitza” (2001) e incorpora novos elementos a uma sonoridade em constante evolução, mantendo sua marca registrada de sofisticação harmônica. Ed Motta é apaixonado por música e este álbum reflete seu gosto musical sem fronteiras. Em Aystelum, assim como na vitrola de Ed, convivem em harmonia o jazz, o samba, o soul e os musicais da Broadway. Aliás, a junção desses fragmentos aparentemente dispersos nada mais é do que a própria definição do trabalho de um compositor. A capa criada por Edna Lopes e Ed Motta, de traço inspirado nos quadrinhos franco-belgas da escola Ligne Claire, oferece algumas pistas para desvendar o mistério de Aystelum. A história sem palavras remete a um universo fantástico e demonstra como a audição do disco pode levá-lo a lugares desconhecidos. Neste disco, buscou-se uma naturalidade nas interpretações, com os músicos tocando “ao vivo” no estúdio, todos ao mesmo tempo. Poucos detalhes foram adicionados posteriormente – um trabalho no qual Ed é mestre, retratado no documentário sobre a gravação de “Poptical” (2003), incluído no DVD lançado em 2004. A busca pela liberdade de expressão é o que move Ed Motta. Assumir riscos é condição fundamental para atingir esse objetivo. No universo de Aystelum, o autor exerce controle absoluto, utilizando-o para realizar um sonho que poderia encontrar limitação no mundo real. Alberto Continentino (baixo), Paulinho Guitarra, Rafael Vernet (teclados) e Renato “Massa” Calmon (bateria) já são presenças constantes nos discos e nos shows de Ed. Aystelum também conta com participações especiais, dentre outros, de Andrés Perez (saxofone tenor) e de seu colaborador freqüente Jessé Sadoc Filho (trompete). O destaque dado por Ed Motta para o trabalho dos músicos é raro nos artistas populares atuais. Talvez por isso seja tão difícil reunir um grupo tão seleto como Ed consegue fazer.

Aystelum é o disco mais pessoal de Ed Motta até hoje e representa o melhor que o autor poderia produzir, isto é, o disco que ele gostaria de ouvir em casa. A experimentação de estilos diversos é surpreendente e estimula novas audições. Em Aystelum não existem preconceitos musicais, nem regras, mas somente a devoção de Ed Motta pela música e a convicção de que um artista deve ter como único compromisso a liberdade de criação.

Leia a resenha na integra. (Fonte: Ed Motta)

Ed Motta "A Charada" (Aystelum)



Ed Motta - "Pharmacias" (Altas Horas)

Continue Lendo.... >>


segunda-feira, maio 10, 2010

O que é jazz?

“O jazz é uma música de dança dos negros americanos, estridente, decadente, sincopada e que provém da África”.
Anônimo - de um antigo dicionário

“O jazz é uma prática musical que nasceu nos Estados Unidos graças ao encontro do negro com a música europeia. (...) Três elementos básicos distinguem o jazz da música europeia: a relação especial com o sentido de tempo, conhecida por swing; a espontaneidade e a improvisação; e a individualidade do músico em ação.”
Joachim-Ernst Berendt – escritor e crítico musical

“O jazz não é o que você toca, mas a maneira como o toca.”
Fats Waller – pianista

“O jazz é a liberdade de possuir muitas formas.”
Duke Ellington – pianista

Snoopy jazz 02 “O jazz é o que faz com que este século não soe como os outros.”
Dizzy Gillespie – trompetista

“Se você não o viveu, não adianta que ele não sairá de seu instrumento.”
Charlie Parker – saxofonista

“Jazz é uma palavra inventada pelos brancos.”
Miles Davis – trompetista

Fonte: História do Jazz – coletânea de artigos publicada pela Ed. Abril, em 1975.

Continue Lendo.... >>


sexta-feira, maio 07, 2010

As mídias por que passei

Quando me dei por gente, lá pela década de 60, as músicas eram gravadas em LPs, ou long playings, também conhecidos atualmente por discos de vinil, bolachas e outros apelidos carinhosos. Naturalmente, os primeiros que ouvi eram os de meus pais que, felizmente, tinham bom gosto para música. Havia LPs principalmente de música clássica, crooners americanos, big bands e música brasileira – o termo MPB veio um pouco depois.

Vitrola

Os LPs eram colocados para tocar numa vitrola, onde rodavam a 33 e 1/3 rotações por minuto, e comportavam cerca de 12 músicas de 3 minutos cada. Eventualmente, os artistas lançavam compactos, discos menorzinhos com uma ou duas músicas de cada lado, o que chamamos hoje de singles.

Mídia compacto 2

Já existiam os gravadores de fita, é claro, mas eles não eram lá muito portáteis nem caseiros. Eram usados apenas em estúdios de gravação ou casas de geeks americanos. O primeiro gravador que tivemos, meu pai trouxe de uma viagem em 1965 aos EUA, mas era usado apenas para registrar vozes da família. O som dos LPs era muuuito melhor para música.

Mídia - Fita

A fita cassete apareceu um pouco depois. Na minha casa, por exemplo, só no início dos anos 70. Para todos os efeitos, o som era bem semelhante ao do LP, dependendo do equipamento de som. Nessa época surgiram também os proto-piratas, que copiavam os LPs em fita K-7 e os repassavam aos amigos. Muitos gravavam a programação das rádios (Difusora, Excelsior e outras), para poder ouvir as músicas da moda na hora em que quisessem (era o nosso download). Havia também os que vendiam esse material, utilizado principalmente para animar bailes de garagem.

Mídia K7 
Baseio-me apenas na memória e impressões pessoais para esse registro, posso estar enganado quanto a algumas datas, mas conhecia gente que já começava a ter em casa equipamentos quase profissionais, como gravadores de rolo e uma parafernália de amplificadores, equalizadores, caixas de som etc.

Voltando aos LPs, ao longo dos anos fui fazendo a minha própria coleção, torrando quase toda a minha mesada em lojas de discos. Só sei que quando foi lançado o CD, eu já tinha por volta de 800 discos em casa.

CD? Como assim? E meus LPs? Pensei na época: “ah, acho que não vou mudar, não, vou continuar com os LPs…” Mas eis que o mestre mercado começa a fazer desaparecer os LPs das lojas para dar lugar aos CDs.

Comprei um CD aqui outro ali, e fui percebendo que não havia alternativa a não ser render-me a eles. Mas o que fazer com os LPs? Ó, dilema! Passei a comprar em CDs o que eu gostava mais da minha coleção de LPs (confesso, tinha muita porcaria também), até que quase não os ouvia mais. Passei a ouvir somente os CDs. Esse processo levou perto de 10 anos para se concretizar.

CDs

Quando o som começou a ser digitalizado e colocado no computador, passei os LPs que eu considerava indispensáveis e sem correspondência em CDs para o novo formato e, num rompante, doei meus LPs para um amigo.

Sei o que vocês vão dizer: “O que? Não, você não fez isso!”

Pois é, eu fiz. E agora os LPs estão na moda novamente. Pelo que vi, estão vindo coloridos, iguais aos disquinhos com histórias infantis que eu tinha. Os puristas dizem que o som do LP é bem melhor que o dos CDs. Pode ser, mas eu mal percebo isso, talvez eu não tenha ouvido para tanto. Eu só sinto falta mesmo é das capas dos LPs, bem mais interessantes e informativas que as dos CDs. Alguns sentem falta do som dos chiados e riscos (!?), tem gosto pra tudo, mas, vamos combinar, se é para ser purista mesmo, então que lancem os LPs na cor preta, colorido não dá!

Toca-discos

Não sei o que vem pela frente, mas imagino que, uma vez que está tudo digitalizado, qualquer mídia que vier, se é que vai haver alguma, poderá ter seu conteúdo convertido menos traumaticamente. E pode tirar o cavalinho da chuva, meus CDs eu não vou dar não!

Para encerrar esse longo post (típico de quem está em férias), coloco uma tirinha que vi há muitos anos. Não me lembro quem é o autor (terá sido o Glauco?), mas como eu não tenho o original, redesenhei-a com o Stripgenerator:

Edison - Tiozinho

Continue Lendo.... >>


terça-feira, maio 04, 2010

Cantoras de Jazz: Jovens e Talentosas (Pt 3)

Continuando a postagem sobre jovens cantoras de jazz.

Desde que comecei a postar sobre as jovens cantoras, nenhuma postagem me surpreendeu tanto quanto esta. Estava preparado para falar sobre a Esperanza Espalding e outras não tão jovens, porém muito talentosas, como Diana Krall, Jessica Molaskey e Aziza Mustafa Zadeh. Mais em meio às pesquisas acabei me deparando com outras jovens cantoras e não teve jeito, tive que incluí-las. Estou falando de Robin McKelle e Renee Olstead. São duas cantoras que conheci nessa semana e ainda não tive a oportunidade de ouvir um álbum completo, porém vi alguns vídeos no Youtube.

Durante essas postagens e as pesquisas, acabei lendo um comentário e que realmente faz muito sentido. A geração de novas cantoras tem algo muito incomum em relação as outras gerações de cantoras como Billie Holiday. Se em outros tempos tivemos cantoras com uma infância sofrida, em um ambiente de violência, envolvimento com drogas e uma vida que certamente uma diva não merecia. Hoje o que vemos são jovens cantoras (que não são divas), mais que tiveram oportunidades diferentes e trazem na bagagem uma trajetória bem menos sofrida. Claro que o talento não depende disso, mais com certeza uma vida assim ajuda e muito. Um exemplo claro disso é a nossa diva Billie Holiday, que se envolveu com o álcool e as drogas, teve depressão e por fim a sua morte aos 44 anos vitima de overdose. Se a vida não tivesse sido tão cruel com ela, certamente teria uma carreira ainda mais brilhante.

Claro que a Billie é apenas um exemplo e que serve como parâmetro para comparar aquela geração de tantos talentos, a esta geração que nos apresenta novos talentos. Na nova geração, creio que a Diana Krall é a grande diva, aos 45 anos, com uma carreira consolidada e que ainda vislumbra novas conquistas profissionais no cenário musical. E que fique bem claro, existem outros exemplos assim.

Ao ler o comentário acabei refletindo. E um fato extremamente triste e que não afeta só as cantoras, mais muitos músicos de jazz passaram por estes problemas e mesmo assim deixaram seus nomes marcados na história. Isso é a prova de que talento está acima de todas as dificuldades e adversidades da vida. Boa Audição.

Perdeu a primeira e a segunda parte? PARTE 1 e PARTE 2

ESPERANZA SPALDING

A contrabaixista, cantora e compositora Esperanza Spalding é sem dúvida a grande revelação do jazz nos últimos anos. Estudou e foi professora no renomado Berklee College of Music, a maior faculdade de música do mundo. Aos 24 anos, Esperanza tem uma bagagem musical que impressiona qualquer marmanjo. Tocou com baixista Stanley Clarke e com o guitarrista Pat Metheny, participou das bandas dos saxofonistas Joe Lovano e Donal Harrison e como se tudo isso não bastasse, atualmente conta com dois álbuns excelentes na carreira. Ambos contam com uma sonoridade riquíssima e com uma vasta diversidade de influências. Em “Junjo” lançado em 2006, Esperanza traz para o repertório canções de Chick Corea, Egberto Gismonti e quarto canções de autoria própria. Em “Esperanza” (2008) a jovem é ainda mais brilhante, gravou duas músicas brasileiras “Samba em Prelúdio” de Baden Powell e Vinicius, e a canção de abertura do álbum “Ponta de Areia” de Milton Nascimento e Fernando Brant. Neste álbum Esperanza passeia entre o jazz contemporâneo, música latina e MPB.

Em uma entrevista a jovem cantora disse que tem um carinho especial pela música e ritmos brasileiros e diz que encontra nas músicas do Hermeto Pascoal parte da sua fonte de inspiração para criar arranjos bem elaborados. Ela também canta em inglês, espanhol e português.

A grande verdade é que Esperanza vem arrancando suspiros e elogios por onde passa, é considerada a melhor baixista em ascensão no mundo. É mais uma que chega para marcar presença e que tem tudo para trilhar um caminho maravilhoso na música. Sua história na música, começou aos 4 anos, começou tocando violino sendo que aos 5 anos integrava a Sociedade de Música de Câmara de Oregon (cidade onde nasceu) e aos 10 anos era compositora do grupo. Anos mais tarde acabou deixando o violino e se apaixonando pelo contrabaixo acústico. Sua capacidade era tão grande que sua mãe a ensinava em casa, por que Esperanza já não se contentava em ter que acompanhar a sua turma. Em meio a tudo isso, a jovem se destacava cada vez mais, até ser aceita e conseguir uma bolsa da estudos integral na Berklee College of Music em Boston.

Vamos ouvir falar esse nome por muitos anos e com isso teremos a oportunidade de desfrutar do seu conhecimento através de seus trabalhos. E já que ela esteve no Brasil em 2006, vamos torcer para que volte o mais breve possível.

Esperanza Spalding - "Ponta de Areia"


Esperanza Spalding - "Mela" (Parte I)


Esperanza Spalding - "Mela" (Parte II)



RENNÉ OLSTEAD

A texana Reneé Olstead, de 20 anos, é uma espécie de menina prodígio. Desde pequena, fazia comerciais para a TV, tem diversas participações em filmes e séries televisivas e, em 2000, com apenas 10 anos, gravou seu primeiro CD: "Stone Country". Como o nome do disco diz, ela optou pelo gênero country para se lançar como cantora. Dois anos depois, veio "Unleashed", EP com quatro músicas, seguindo o estilo do CD inicial. A guinada veio com "By Request" (2002). No repertório, apenas clássicos de jazz, com arranjos conservadores, privilegiando a bela voz da adolescente. "What a Wonderful World", "Sentimental Journey", "Georgia on my Mind", "Over The Rainbown" e "At Last" são apenas alguns ingredientes desse cardápio. O álbum "Reneé Olstead", de 2004, é a repetição da receita de By request, com um pouco mais de sofisticação.

Seu mais novo lançamento é o álbum "Skylark" (2009), o repertório segue a linha dos clássicos. Aos 20 anos, ela segue firmemente apegada às tradições do jazz e busca seu espaço entre as jovens talentosas.

Fonte: Uai

Renee Olstead - "Summertime"


Renee Olstead - "Midnight Man"


ROBIN McKELLE

Robin McKelle nasceu em Rochester, no estado de Nova York. Filha de um pianista e de uma cantora de coro de igreja, a música entrou naturalmente em sua vida e definiu o rumo que ela queria seguir. Estudou no Berklee College of Music e em 2004, conquistou o terceiro lugar no concurso Thelonius Monk de Jazz Vocal, em Washington. Foi contratada pela mítica gravadora Blue Note.

Embora se apresente como intérprete de jazz, blues e soul, McKelle tem preferência explícita pelos clássicos dos anos 1930 e 1940, décadas de ouro para o jazz. Essa opção está mais que presente nos dois CDs que a cantora lançou, "Introducing Robin McKelle", de 2006, e "Modern antique", de 2008. São álbuns extremamente elegantes, o que atraiu a atenção do público da Europa, onde a cantora é muito conhecida e tem feito diversas apresentações. Nos dois, Robin usa e abusa do swing da era das big bands, num convite à dança. Trumpetes em surdina, solos vibrantes de sax e uma dose de ritmos latinos dão a ambiência perfeita para uma artista que retoma, com sofisticação, temas antigos e ingênuos. Robin lançou seu álbum mais recente "Mess Around" (2010).

Robin McKelle


Robin McKelle - "Abracadabra" (Modern Antique 2010)

Continue Lendo.... >>


domingo, maio 02, 2010

MIU entrevista Black Drawing Chalks

Imerso no coletivo GOMA de cultura, surge o Mídias Integradas Uberlandenses (MIU), uma forma de alinhar e compartilhar a cobertura cultural da cidade de Uberlândia. E eu faço parte dessa empreitada. Segue a entrevista que eu e a Marthayza do Só o Rock Salva fizemos com o Black Drawing Chalks, banda que desponta como o novo rock and roll nacional, no dia 23/04/10.

Como foi o show de hoje em relação ao da Jambolada ano passado?
A gente tocou num festival que é massa, ano passado foi a primeira vez que a gente tocou no jambolada, a gente já tinha tocado aqui outras vezes, mas o Jambolada foi massa. E dessa vez a gente tocou numa casa que é foda, o London. Muita gente veio pra ver Os Miseráveis, mas também vieram pra ver a gente, né, e isso é muito gratificante. Casa cheia, muita gente cantando as músicas, sabendo repertório quase de cor, foi emocionante. E olha que a gente tocou hoje em Goiânia 5 horas da tarde. Montamos dentro de um carro, botamos tudo dentro, chegamos aqui já na hora de tocar, todo mundo destruído, principalmente aquele caboclo ali (Douglas, baterista). Aí a gente veio pra cá e, putz, foi muito bom, valeu a correria toda.

Vocês tiveram a música “My favorite Way” eleita a melhor do ano de 2009 pela Rolling Stones, e agora as indicações pro VMB da MTV Brasil. Como vocês avaliam isso?
O reconhecimento na verdade vem das apostas que a gente fez nos ano de 2008. A gente decidiu que queria pegar a estrada, nem que a gente tivesse que pagar pra ir, a gente queria mostrar nossa cara. Todo mundo achou que a gente tava indo longe demais, porque a gente canta em inglês, que a gente tava tentando enfiar nosso som na goela das pessoas, quando na verdade o que a gente fez deu muito certo pra gente. A gente deu nosso primeiro rolê bancando a nossa banda, e conseguimos aproveitar bem as oportunidades que a gente teve. E em 2009 nós colhemos os frutos. Esse ano a gente quer trabalhar ainda mais e atingir outros sonhos.

Muita gente acredita que há um hype em torno da banda, já que vocês estão bastante em evidência na mídia especializada. Vocês acreditam nisso?
Se rolasse ia ser massa. O objetivo da banda é passar por tudo o que os caras das bandas que a gente gosta passaram. Se a gente passar por um limbo criativo, se a gente não conseguir criar mais nada, a gente sabe que alguma banda que a gente gosta já passou por isso. Se a gente gravar o terceiro CD e alguém falar “Nossa, esse cd é um lixo!” ou “Vocês estão vendidos” é tudo o que a gente quer, passar pelas coisas que nossos ídolos passam. Se alguém falar “Vocês são só hype”, massa, pode falar! (risos)

O Douglas e o Vitor fazem parte do laboratório de design gráfico Bicicleta Sem Freio. Como é a ligação entre Black Drawing Chalks e o coletivo?
Primeiro queria falar que o BDC não é hype, Bicicleta é hype! (risos) Na verdade o Bicicleta Sem Freio já existia, bem tímido, antes da banda. Aí depois que a banda começou a ser notada no Brasil e nos outros lugares que a gente tocou, como no Canadá, a gente teve a sábia idéia de incorporar os trabalhos que a gente faz à banda, para os dois trabalhos caminharem juntos. O BSF divulga a banda e a banda divulga o BSF. É uma coisa que deu muito certo pra gente. Nós fomos convidados para fazer uma campanha mundial da Converse com o lance do BSF e para a gente ta sendo legal porque as duas coisas estão crescendo juntas. E a diferença é que com o BSF a gente (Vitor e Douglas) ganha dinheiro, esses caras aí não tão ganhando. (risos)

Vocês bancaram uma turnê fora do Brasil, do próprio bolso. O que vocês aprenderam com essa experiência?
A gente se tocou que tinha que melhorar no palco foi na gringa mesmo, porque você chega lá e percebe que todo mundo sente um conforto muito grande com o palco. Todo mundo paga de rock star. A gente prestou bastante atenção em como as bandas se comportavam. E aí a gente vê que tem uma diferença muito grande, que é o lance do foco. Aqui o que as bandas pensam é “Ah, tenho que aprender a fazer o solo do Satriani de trás pra frente” e lá não, os caras estão pensando em outras coisas, sabe. Aqui pensam “ah, porque vou me vestir legal se já sei tocar?!” quando na verdade a banda que o cara mais gosta tem um estilo tipo o do Kiss. O cara gosta da música ou gosta do visual traveco? Por causa dos dois, visual anda junto com a música e se você tem ídolos olhe pra ele, e veja como eles se comportam. Se você quer mexer com rock você tem que ter a pretensão que esses caras tiveram. Na verdade a ingenuidade ta nisso, de você achar que você pode ser um rock star!

Como foi trabalhar com o Chuck Hipólito no projeto Love Bazucas?
Uma brincadeira! Foi um projeto super gostoso de fazer, que se a galera levar na esportiva igual a gente leva vai se divertir muito mais. Foi uma coisa muito divertida, sabe. A gente tem nossa banda, o Chuck tem os projetos dele, a gente se juntou por uma semana e fez aquelas músicas na hora.

Muitas bandas do interior do Brasil vão pra São Paulo em busca de sucesso comercial. Mas as bandas de Goiânia não têm essa dificuldade, mantêm as bases lá. O que Goiânia tem de diferente?
Pra gente ir pra São Paulo é mais barato que morar lá. Goiânia fica no centro do país, então todo lugar que a gente for sai mais barato e é mais fácil. É um pouco negativo pra uma banda que quer crescer estar no lugar onde rolam as coisas. Você monta uma banda, aí na sua cidade rola uns shows legais, rola um público legal, e o que vai te motivar a sair? A banda sai uma vez, vai numa cidade que o show é horrível e nunca mais sai de novo. É legal as bandas garimparem seus shows, correr atrás. Tem muita banda em Goiânia conformada com a patota deles. O lance é viajar. O nosso lance não é ficar em casa tocando.

Continue Lendo.... >>