sexta-feira, abril 30, 2010

Diego Stocco

Diego Stocco é um projetista de som (sound designer) e compositor. Ele gosta de descobir e experimentar novos sons, tirando-os dos lugares mais inusitados. Confira!

Não é o tipo de som que a gente leva no mp3, mas dá uma noção das possibilidades infinitas da música.

Gostou? No sítio dele tem mais. Criatividade é isso aí!

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quarta-feira, abril 28, 2010

Uma breve abordagem sobre o Ska

 
A maioria das pessoas quando ouvem falar da Jamaica, pensam quase que imediatamente no reggae e subsequentemente à maconha, afinal, foi o estilo que mais se popularizou da ilha para o mundo - muito em função do Bob Marley. Na verdade, se vamos apresentar um outro estilo a alguém e dizemos que é um estilo jamaicano, a pessoa jura já saber o que vai ouvir. Por isso, vi necessidade de falar sobre o ska, estilo musical jamaicano que, apesar de ter dado origem ao reggae é bem diferente deste - eu por exemplo gosto muito de ska e não sou muito fã de reggae. Segue um breve resumo da interessante história do ska, que é ligada inclusive ao nascimento do chamado skinhead (que eram BEM diferentes dos que vemos hoje):

Antes de começar, friso que o ska é dividido em 3 ondas (waves). A 1º é o ska original, tradicional da Jamaica. A 2º quando o ritmo chegou na Inglaterra, sofrendo uma leve mudança e a 3º quando o ritmo passou a ser mundialmente conhecido, sendo misturado com tudo quanto é ritmo.

Era comum, no final dos anos 50, sintonizarem na Jamaica as rádios norte-americanas de longo alcance, cujo repertório incluía o Rhythm&Blues (R&B), Jazz e o Swing. Paralelo a isso, jovens que haviam tentado trabalhar nos EUA chegavam quase que sem um tostão no bolso, mas com uma boa quantidade de discos americanos na bagagem. As bandas locais, cada vez mais influenciadas, começaram a misturar as músicas tradicionais da ilha como o Calypso e o Mento, com os ritmos norte-americanos. Essa mistura foi evoluindo até chegar no chamado Ska. Não se sabe ao certo quem foi o inventor do estilo e acabaram por atribuir tal título à banda The Skatalites, a responsável por popularizá-lo na ilha. Duas coisas chamavam bastante a atenção no novo estilo: A forma enérgica que era dançado e os chamados Rude Boys (garotos/rapazes rudes) que adotaram o ska como estilo musical preferido. Estes não eram bem vistos na sociedade devido a ligação com o mundo marginal, confrontos com a policial e o consumo excessivo de maconha durante intermináveis sessões de ska. Chamava a atenção a maneira que se vestiam, inspirados em seus heróis dos filmes de gângsters. Esta vestimenta foi influência clara para os Skinheads (ligação que vou explicar mais pra frente) e é imitada por  várias bandas de ska até hoje.

Vídeo divertido da banda “Orquestra Brasileira de Música Jamaicana” ensinando a dançar ska:


Em 1962 a Jamaica consegue a independência da Grã-Bretanha, dando início à uma etapa de festa musical e, a partir do ska surge o rocksteady e logo depois o reggae (termo que começou a ser utilizado devida a canção “Do the Reggay” da banda de ska Toots  and The Maytals. Segundo explicação do próprio grupo, a expressão está referida a “regular”, “regular people”, gente normal, a malta, gente da rua).

Nesse período, os Jamaicanos começaram a emigrar para a Grã-Bretanha em busca de trabalho e, em suas bagagens levavam sua cultura e música. Não demorou para os rude boys se juntarem aos Mods – jovens ingleses da classe operária, amantes da música negra - nos bairros operários ingleses. Se misturavam nas ruas e freqüentavam pubs e clubes de música negra como soul e reggae. Como resultado desse encontro (fusão) de culturas surgiu o Skinhead: Elegância para vestir, scooters, cabelo raspado ou muito curto em analogia aos negros, suspensórios em analogia ao operário e muita música negra. Não vou me aprofundar nesse assunto por ser extenso, apenas destacar que este primeiro movimento skinhead, o skinhead tradicional (ou skinhead trojan, termo cunhado para esta primeira geração) se baseava nisso: brancos andando com (em sua maioria) emigrantes jamaicanos, freqüentando pubs e festas atrás de música negra, eram inclusive apolíticos, não tinham qualquer ideal político. Posteriormente houve toda uma fragmentação e desvirtuamento do sentido original, quem se interessar pode ler sobre isso aqui. Recomendo também o filme This is England, filmaço  que trata muito bem deste tema.

Nos anos 70 o movimento skinhead assim como a música jamaicana perderam bastante força na Inglaterra, deram lugar ao movimento punk. Em 1979, buscando o revivalismo do ska (ska revival) surge o Ska 2 Tone (dois tons), dando início à segunda fase do ska. O movimento foi idealizado pelo skinhead Jerry Dammers, fundador e tecladista da banda Automatics (que depois passou a se chamar The Specials). O símbolo deste movimento são as cores preta e branca, símbolo anti-racista demonstrando a união do negro e do branco. Os Rude Boys são revitalizados e expressados numa fusão do reggae com o punk, tornando o ska mais acelerado que o da fase anterior. Músicas e artistas da primeira onda são resgatados, divulgados e difundidos  pelas novas bandas.

O término da 2ª onda culmina com o fim do selo 2-tone em meados dos anos 80, quando se inicia a última  e terceira fase que se estende até hoje. O ska ganha proporções mundiais e é misturado com uma infinidade de ritmos, um verdadeiro mix. Essa mistura difundiu o ska no mundo inteiro, levando à formação de bandas third wave por tudo quanto é canto, principalmente na década de 90. Até hoje o maior sucesso de toda a história do ska foi "My Boy Lollipop" de Millie Small, adaptada ao estilo por Ernest Ranglin.

Abaixo selecionei 4 vídeos. São quatro bandas diferentes: 2 representando a 1ª fase (ou onda do inglês wave como costumam chamar) do ska, o Ska tradicional - Escolhi 2 para a 1ª onda para mostrar que, apesar do ska original ser instrumental, bandas que tocam e cantam como Toots and The Maytals também são consideradas dessa primeira onda, estas aliás, eram mais numerosas na época e faziam um uso bem menor de metais. Em seguida The Specials representando o ska 2 tone (2ª fase) e Reel Big Fish o ska third wave (3ª fase).

1° Onda

The Skatalites - Guns of Navarone


Toots and The Maytals - Pressure Drop



2° Onda (2 Tone)

The Specials - A Message To You Rudy


3° Onda

Reel Big Fish - Sell Out

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terça-feira, abril 27, 2010

Cantoras de Jazz: Jovens e Talentosas (Pt 2)

Continuando a matéria sobre as jovens e talentosas cantoras de jazz. Hoje vou apresentar mais duas cantoras. Espero que gostem. Boa Audição.

Perdeu a primeira parte? Clique e Confira.

FREDRIKA STAHL

Nascida em Estocolmo na Suécia, a jovem de apenas 25 anos já coleciona em sua carreira dois álbuns “A Fraction of You”(2006) e “Tributaries” (2008), ambos receberam elogios da crítica especializada, afinal não é pra menos, a qualidade é evidente. Fredrika além de cantora, é compositora e também toca piano e violão. Na Europa é conhecida como uma cantora pop, porém a influência do jazz em suas músicas é clara. Entre os dois trabalhos existe uma diferença que deve ser ressaltada, o primeiro traz um jazz bem tradicional e no outro apesar de ter o jazz como principal influência, Fredrika mostra que está musicalmente mais madura e apresenta músicas com um toque a mais de pop, porém sem perder a sofisticação do seu trabalho. As músicas do segundo álbum também estão melhores, com arranjos mais bem trabalhados e prova disso é o uso da guitarra, que está bem mais audível em várias músicas. Atualmente a jovem trabalha em seu novo álbum "Sweep Me Away" com previsão de lançamento para este ano e já lançou o primeiro single "Rocket Trip To Mars". No Myspace da para ouvir alguma coisa e ter uma noção de como será esse álbum tão aguardado. Fredrika não é apenas mais um rosto bonito, é uma jovem muito talentosa e tem um caminho promissor para ser trilhado e explorado.

Fredrika Stahl "Game Over" (A Fraction of You)


Fredrika Stahl - "Irreplaceable and Monumental Mismatch" (Tributaries)


Fredrika Stahl - "Rocket Trip To Mars" (Primeiro single do álbum "Sweep Me Away")


MySpace Oficial: Fredrika Stahl

STACEY KENT

Stacey Kent é uma cantora surpreendente e que tem uma carreira consolidada no meio jazzístico. Conheci o trabalho dela por acaso enquanto navegava pelo site do TIM FESTIVAL em 2008. Seu primeiro álbum “Close Your Eyes” foi lançado em 1997. Aos 45 anos Stacey não figura entre as jovens, porém possui um grande talento. O primeiro álbum que eu ouvi foi “Breakfast on the Morning Tram” (2007), este álbum vendeu 300 mil cópias na época e também rendeu uma indicação ao Grammy. Na carreira a cantora coleciona alguns prêmios importantes, como o de melhor vocalista no British Jazz Award (2001) e BBC Jazz Award (2002) e teve participação em um álbum que recebeu o prêmio BBC Jazz Awards (2006). Atualmente a cantora tem um contrato com o selo Blue Note, um dos mais importantes do meio jazzístico.

Musicalmente a cantora mostra seu talento através da sua voz e suas interpretações, em seus álbuns ela passeia por vários estilos e sempre com muita competência. Apesar der ser norte-americana, nascida em New Jersey, Stacey tem uma ligação muito forte com a frança e isso é um fator principal em seus trabalhos. Ela é mais uma entre várias cantoras americanas que se aventurou e vem fazendo sucesso com músicas francesas ou gravadas em francês. Prova disso é o seu trabalho mais recente “Raconte-moi” (2010) , neste álbum Stacey reinterpreta canções de épocas diferentes da música francesa. Outra grande paixão da cantora é a música brasileira, em especial a bossa nova e vem se arriscando cada vez mais nisso. Em 2001 ela gravou o álbum “Brazilian Sketches”, com um repertório praticamente brasileiro, gravou também “Samba Saravah” de Baden Powell e Vinicius de Morais, só que em francês e no seu último álbum cantou “Águas de Março” só que na versão francesa de George Moustaki chamada de “Les Eaux de Mars”. Stacey diz que seu grande sonho é cantar em português e que vem estudando muito para isso. Ela também fez uma versão fantástica da música “What A Wonderful World”.

Por tudo isso Stacey Kent figura entre um grupo seleto de cantoras talentosas e alcança um reconhecimento cada vez maior. Dona de uma voz suave e delicada, a cantora a cada álbum reinventa sua música, explorando novos caminhos com muita competência e ousadia.

Stacey Kent - "Les eaux de Mars" (Raconte-moi)


Stacey Kent - "What A Wonderful World" (Breakfast On The Morning Tram)


Stacey Kent - "La Venus du Mélo" (Raconte-moi)


Site Oficial: Stacey Kent

Abraço.

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sexta-feira, abril 23, 2010

Virundum

o-equilibrista-paul-kleePaulo Francis cunhou o termo “Virundum” nos tempos de Pasquim para designar aquelas letras que cantamos erradamente, seja por não entendermos a letra correta, seja por não sabermos do que se trata e incluirmos uma palavra que nos parece mais lógica. 

A palavra virundum vem da primeira estrofe do nosso glorioso hino, “Ouviram do Ipiranga as margens pláááácidas…”, aquela musiquinha que toca antes dos jogos de futebol.

Até um tempo atrás, havia na internet um sítio com o nome Dibikini, cuja proposta era relacionar trechos de músicas que se encaixassem nessa definição. No site, os leitores podiam contar suas próprias experiências e enriquecer o acervo. Pena que acabou, pois tinha coisas ótimas e a leitura era diversão garantida. O nome Dibikini vem da música:

“Na madrugada, a vitrola rolando um blues
Tocando B. B. King sem parar...”

Muita gente entendia “Tocando de biquini sem parar”... hahahahaha... ah, você também? Desculpe, mas é engraçado...

E tem as variações sobre o mesmo virundum. Tem gente que canta “Trocando de biquini sem parar” e até “Rodando o peniquinho sem parar” – essa é campeã.

Lá vão outros virunduns, alguns meus e outros que listo de memória do Dibikini:

1) No Virundum original existem várias pegadinhas, principalmente porque a letra é de um baita non-sense para os desavisados (e para os avisados também): “Elvira do Ipiranga”, “Verás que um filisteu não foge à luta" ou "Do que a terra margarida”.

2) Eu mesmo descobri um meu recentemente. Na música Refazenda, Gilberto Gil canta “Amanhecerá tomate e anoitecerá mamão”, e eu podia jurar que era “Amanhã será tomate e à noite será mamão” – se bem que o som é exatamente o mesmo e até que o sentido não muda muito nesse caso...

3) Mais u’a minha (quase saiu um cacófato): na música do Chico Buarque, Apesar de você, eu cantava “você vai se dar mal, esse velho é o tal”, só muito mais tarde, e com a liberação da música pela censura, descobri que era “você vai se dar mal et cetera e tal”.

4) Na música do Tim Maia, “Descobridor dos sete mares”, um camarada cantava “Scoobidoo dos sete mares” – depois que li isso no Dibikini, não posso mais ouvir essa música que canto errado de propósito.

5) Há virunduns até nas músicas infantis: “o amor de Tumitinha era pouco e se acabou” - quem contou essa achava que o compositor tinha acabado de perder uma namorada chamada Tumitinha...

6) Outra do Gil, a do Sítio do Pica-pau Amarelo, cuja letra era “bananada de goiaba, goiabada de marmelo", na versão virundum vira "banana a dar de goiaba, goiaba a dar de marmelo”.

7) Até o baião está bem representado: “Luiz, respeita os oito baixos do teu pai” vira “Luiz, respeita os’ovo baixos do teu pai” – que grossura, Gonzagão!

8) Essa do Djavan também é legal: “mais fácil aprender japonês em Braille", em virundum é "mais fácil apedrejar pôneis em Bali..." – que viagem!

9) Não escapou nem o Menino do Rio, do Caetano: “Menino do Rio / Calor que provoca arrepio / Dragão com a toalha no braço”, em vez de “Dragão tatuado no braço”.

Curiosamente, já houve pelo menos um caso em que o autor da música mudou a letra porque o intérprete cantava diferente. Foi o que aconteceu com “O bêbado e a equilibrista”, cujo primeiro verso originalmente era para ser “Caía a tarde feito um dia adulto", e que Elis modificou para “Caía a tarde feito um viaduto”. Por respeitá-la muito e/ou ser então apenas um iniciante, João Bosco acatou a sugestão.

Eu gosto mais da versão original, um baita achado poético. Além do mais, meu lado engenheiro não gosta muito desse negócio de cair viaduto, não...

E você, tem seu próprio virundum? Divida-o com a gente! Prometemos não rir muito… ;)

P.S. Essa Elis, hem? Tá cantando cada dia melhor!

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sábado, abril 17, 2010

Social Distortion

Já estava em tempo de alguém falar de punk rock por aqui!

O motivo deste post é uma espécie de "comemoração" pelo show que eles estarão fazendo em São Paulo hoje à noite — primeira passagem pelo Brasil em mais de 30 anos de banda. Tenho reclamado bastante há meses porque gostaria muito de estar lá presenciando este momento único, mas infelizmente terei que ficar aqui "no Goiás" mesmo, ouvindo a discografia e chorando, haha.

Serei o mais breve possível, eu geralmente me empolgo falando das minhas bandas favoritas.


O Social Distortion (às vezes também chamado apenas de Social D.) surgiu em 1978, nos Estados Unidos, junto com tantas outras bandas de punk rock, mas teve sua explosão nos anos 80, na mesma época em que o Bad Religion, Black Flag e Dead Kennedys. A banda parou brevemente em 1985, devido aos vícios do vocalista Mike Ness, mas retoraram no ano seguinte, com ele completamente sóbrio desde então. De lá pra cá, a banda passou por inúmeras formações, sendo Ness o único membro original até hoje.

O primeiro álbum da banda foi o Mommy's Little Monster, lançado em 83. Fez um sucesso considerável nos EUA. Nessa época em que estavam crescendo no cenário punk americano, Mike Ness se viu afundado na heroína e chegou a ser preso várias vezes, pulando de clínicas de reabilitação para prisões pelos próximos anos. Quando a banda voltou a funcionar, dois membros já haviam saído, ficando apenas Ness e seu amigo de longa data, o guitarista Dennis Danell. O próximo álbum, Prison Bound, saiu apenas em 1988, com novos integrantes e uma sonoridade bem diferente do primeiro, e que caracterizou os próximos álbuns do Social D.: fortes influências de country/western e referências a Johnny Cash e Rolling Stones. Apesar de ter-lhes dado o rótulo de "cowpunk", Prison Bound foi muito mal nas paradas.



Mas isso não os fez desistir, e dois anos depois saía o autointitulado Social Distortion. A essas alturas eles já tinham contrato com a Epic, então foi o primeiro álbum que não bancaram do próprio bolso. Este álbum foi o mais bem sucedido da banda, com os singles Ball And Chain, Story of My Life e o cover de Cash, Ring of Fire; e continua vendendo muito até hoje, 20 anos depois do seu lançamento. O álbum seguinte, Somewhere Between Heaven and Hell, com sua mistura de punk, blues, country e rockabilly, teve o mesmo sucesso do anterior e foi muito tocado nas rádios.


Depois disso, a banda entra em outro hiatus, lança uma compilação de faixas não previamente lançadas em 1995 e no ano seguinte lançam seu quinto álbum, White Light, White Heat, White Trash; que foi considerado mais pesado que os últimos e se afastou um pouco da sonoridade country que eles tinham. Em 1998 a banda entra em hiatus novamente, dessa vez porque Mike Ness queria arriscar uma carreira solo, tocando country e rockabilly. Lançou dois álbuns no ano seguinte, Under the Influences (de covers) e Cheating at Solitaire (de composições próprias).

Em 2000, morre o guitarrista Dennis Danell, de um aneurisma cerebral. Embora houvessem rumores de que a banda acabaria após a sua morte, eles voltaram ao estúdio anos depois com novos membros e, em 2004, lançam o ótimo Sex, Love & Rock'n'Roll, que possui várias referências a Denell e composições mais maduras de Mike Ness. Em 2007, morre tragicamente o baixista original da banda, atropelado por um trator enquanto andava de bicicleta. No mesmo ano, é lançada uma compilação de singles. Um novo álbum está sendo esperado para este ano de 2010.

A história do Social Distortion foi marcada por hiatus, demoras de lançamentos, algumas tragédias e inúmeras mudanças de membros. Mas Mike Ness está firme na missão até hoje, levando sua banda ao redor do mundo e, embora o Social D. não tenha tantos fãs quanto merece (acho incrível como pouca gente ainda conhece), seu lugar na história tá guardado. Admiro Mike Ness por sua sobriedade de 25 anos e tenho certeza de que isso contribui extremamente para a sua música e para a pessoa que ele é; ele tem uma família linda, um cachorrinho muito bizarro e uma paixão obcecada por carros antigos, que ele mesmo monta e cuida. Espero que todos os que têm a oportunidade de vê-los tocar hoje aproveitem muito cada minuto do show. Só peço que não me contem depois como foi, do contrário serei obrigada a despertar um lado psicopata meu que prefiro deixar adormecido. Obrigada.

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sexta-feira, abril 16, 2010

Stardust

É engraçado como a gente às vezes conhece tanto a versão de uma música que, quando nos deparamos com alguma interpretação ou leitura diferente, por melhor que seja, custa-nos a aceitá-la ou gostar dela. Quanto mais apreciamos a versão “original”, mais difícil é.

Mas, quando a música é boa mesmo, eu gosto é de colecionar suas versões. Como é o caso, por exemplo, de Stardust, composta no final da década de 30 por Hoagy Carmichael, advogado e compositor, que é autor também de, entre outras, Rockin’ Chair, eternizada por Louis Armstrong.

Stardust foi gravada por um monte de gente boa, incluindo Nat King Cole, Rod Stewart e… Fafá de Belém. As versões que eu trago aqui são outras duas. A primeira é de Willie Nelson, uma versão country da música:

Sometimes I wonder why I spend
The lonely nights
Dreaming of a song
That melody haunts my reverie
And I am once again with you
When our love was new
And each kiss an inspiration
But that was long ago
And now my consolation
Is in the stardust of a song
Beside a garden wall
Where stars are bright
You are in my arms
The nightingale tells his fairy tale
Of paradise where roses grew
And though I dream in vain
In my heart it will remain
My stardust melody
The memory of love's refrain


A segunda é instrumental, do vibrafonista Lionel Hampton, convertida caseiramente por mim de um LP que eu tinha e infelizmente nunca achei em CD. Já tive acesso a outras gravações de Hampton dessa música, mas nenhuma chega aos pés desta. Preste atenção especialmente ao solo de vibrafone a partir do 5º minuto da música. Feche os olhos e sinta a poeira das estrelas.

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quinta-feira, abril 15, 2010

Beethoven - parte 2

No dia 7 de Março de 1824, centenas de pessoas na platéia do teatro Karthnerthor em Viena assistiram a história da música ser feita ao assistirem a primeira exibição da maior obra-prima da música, a sinfonia n° 9.

Beethoven já era muito conhecido e admirado na Europa, e em sua chegada a ovação foi surpreendente, tanto que o comissário de polícia teve que intervir para restaurar o silêncio. A sinfonia era constituída geralmente por 3 ou 4 movimentos e não se usava coro nessa época.

Mas Beethoven inovou e chocou a platéia, desde os 22 anos, o compositor tinha uma vontade de musicar os versos An die Freude (Ode à Alegria) do poeta alemão Schiller, e foi esses versos que quebraram com a tradição clássica da sinfonia ao usar um coro e tenores ao entoar um dos temas mais conhecidos da música ocidental.

A 9° de Beethoven é considerada a mais perfeita obra em termos de composição sinfônica, para se ter idéia, Beethoven transformou a sinfonia em uma expressão intelectual e emocional.

Sentado no meio do palco próximo ao maestro Michael Umlauf, Beethoven costumava marcar o tempo em silêncio, mas o maestro Umlauf após presenciar um ensaio que se transformou em desastre devido à surdez de Beethoven, pediu aos músicos que ignorassem o compositor.

Tanto que após a apresentação, a contralto teve que segurar a mão de Beethoven e virá-lo para a platéia que o aplaudia de pé, e foi assim que todos descobriram sua surdez, então a platéia levantou chapéus, lenços e mãos para o ar, para que o compositor soubesse e "visse" os aplausos.

Imaginem a cena, e entendam o porque Beethoven é considerado o maior compositor de todos os tempos, a melhor interpretação da 9° pode ser ouvida pela Orquestra de Berlim.

O vídeo é do excelente maestro Karajan regendo a Orquestra de Berlim interpretando Ode to Joy, a peça mais conhecida da sinfonia.

Apreciem sem moderação.

Marcello Lopes

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quarta-feira, abril 14, 2010

Renovação Musical


Primeiramente, gostaria de expor um post que li recentemente do blog “Cápsula da Cultura” , que apesar de não estar mais sendo atualizado, possui um ótimo acervo de samba, e foi navegando neste blog que me deparei com um post que data de 2007 com um tema que rende eternas discussões. Tentarei ser breve ao explicar o motivo da discussão no post, antes de generalizar o tema – quem quiser ler o post ao qual me refiro, clique aqui.

No samba, assim como em todos os estilos musicais, existe a corrente que defende o chamado “verdadeiro samba”, o samba da velha guarda, aquele cadenciado (como o de Paulo César Pinheiro, João Nogueira e Paulinho da Viola para citar alguns), e desprezam o samba mais acelerado, mais comum hoje em dia. Detestam quando chamam este samba, como samba de raiz. O problema é que, dos pagodes de Cacique de Ramos (pagode que no seu conceito original, significa simplesmente um encontro, uma reunião de sambistas, a famosa roda de samba), surgiu o famoso grupo Fundo de Quintal (assim como posteriormente Zeca Pagodinho, Neguinho da Beija-Flor, Sombrinha entre tantos outros) que mudou a estrutura do samba, introduzindo outros instrumentos e mudando sua harmonia, fazendo um samba mais acelerado. A indústria cultural e fonográfica se aproveitou do ritmo para fabricar grupos denominados “pagode”, dando outro conceito à expressão criando um estilo musical sem originalidade, uma cópia comercial e mal feita do samba, invertendo totalmente os valores e a mensagem inicial. Por isso os saudosistas chamam o estilo que o Fundo de Quintal foi pioneiro como “pagode de raiz”, pois, os grupos de pagode surgiram e se fortaleceram a partir dessa nova estrutura do samba. Sendo assim, segundo estes, quem gosta desta nova estrutura do samba feita pelo Fundo de Quintal, na verdade gosta de “pagode de raiz”, ou seja, gosta de pagode e não de samba. Samba, é só aquele cadenciado. Dizem que hoje além de só fazerem do samba acelerado, virou moda tocar samba (referência à esta nova geração da lapa: Pedro Miranda, Teresa Cristina, Roberta Sá, Mariana Aydar etc) e ficou, consequentemente, artificial. Do outro lado, os que gostam de ambos os tipos de samba, rebatem dizendo que se não fosse o FDQ e esta nova geração do samba carioca o samba estaria morto, desaparecendo. Pois, hoje são eles que mantém o samba vivo, e resgatam clássicos tocando-os em seu repertório, deixando a história, a memória sempre em evidência. E o debate gira em torno disso até os argumentos esgotarem, sem ninguém mudar de opinião. Na minha opinião, essa discussão desnecessária não tem fim, pois os dois lados tem boa dose de razão. É como se eu tentasse com um fato verdadeiro, provar que outro fato verdadeiro é falso: vão sobrar argumentos para ambos os lados e ninguém conseguirá provar que o outro está errado.Cada cultura musical sobrevive sendo resgatada e renovada pelas novas gerações, do contrário seria esquecida com o tempo, afinal, “camarão que dorme, a onda leva”.

Sabemos que a renovação musical é algo natural (inexorável arriscaria dizer) na história, e provavelmente sempre irá acontecer. Todo estilo musical é baseado em outro inventado anteriormente, até mesmo o blues considerado a raiz de quase todos os estilos existentes hoje foi baseado em uma música originária de Mali, África. O soul da música gospel, o funk do soul, o reggae do ska, o jazz no ragtime e no blues - aliás, a renovação é tão comum que o próprio jazz de Chicago (criado por volta de 1920) já é uma cópia do verdadeiro jazz de Nova Orleans. Os valores, as culturas, o modo de pensar são diferentes em cada local do planeta, dois povos diferentes não vão absorver um ritmo da mesma forma. Os ingleses não vão tocar samba como o brasileiro, eles absorveriam o ritmo de acordo com a sua cultura e um novo ritmo surgira. Foi assim por exemplo, que a música punk se fundiu ao ska, quando este chegou nas terras britânicas. Ao meu ver, algo parecido também acontece com cada geração. Cada uma tem seu modo de ver, até por que as prioridades mudam com o passar dos anos. As canções que meu avô escrevia em plena ditadura militar tinham outra urgência das que eu, no auge da globalização e da internet escreveria. A música acompanha as mudanças do mundo, ainda bem, música é um instrumento muito rico para ser vencido pelo tempo.
Hoje estamos em um novo caos musical: mistura atrás de mistura atrás de mistura, numa velocidade jamais vista. Ska-jazz, acid jazz, samba rock, pop punk... Com a internet passamos a ter acesso a uma infinidade de estilos musicais, somos bombardeados por influências de todos os lados e como resultado criamos esta salada musical, este caos musical que nos encontramos hoje. Como aconteceu de uma forma repentina, acredito que continuaremos misturando, testando, experimentando até “novas bases” serem criadas.

Quanto ao chamado lixo musical, não tem jeito, sempre haverá grupos feitos pela mídia com o único intuito de vender. Critico mas procuro não julgar, pois não deixa de ser uma profissão. O dinheiro sempre vai ter uma influência grande em nossas decisões. É fácil escrever e falar mal como estou fazendo, mas sempre penso: será mesmo que eu faria diferente? Não sei, não é uma pergunta fácil de se responder e nem perco tempo buscando uma resposta. Prefiro gastar tempo colaborando à minha maneira, divulgando o que julgo ser de qualidade, pois na falta de opções a maioria recorre à mídia.

Bom, essa é minha opinião sobre o assunto. Gostaria que compartilhassem também a de vocês.

Abraços!!

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terça-feira, abril 13, 2010

Cantoras de Jazz: Jovens e Talentosas

O universo jazzístico é um dos mais diversificados do meio musical e para conhecê-lo completamente seria necessária uma vida inteira e de pura dedicação. Sem a internet esse processo em busca do conhecimento ficaria bem mais complicado, porém hoje o que você precisa ter além da internet é apenas o interesse por novidades. Eu não sou um conhecedor profundo do assunto, mais nesses 3 anos em que me dedico ao jazz, conheci algumas preciosidades e gostaria de compartilhar. Nesta lista o foco principal será as novas cantoras de jazz.

Na história do jazz existiram excelentes cantoras e das que eu conheço posso citar: Billie Holiday, Ella Fitzgerald, Nina Simone, Sarah Vaughan, Etta James, Diane Schuur, Rosemary Clooney e Cassandra Wilson.

Porém de uns tempos para cá, passei a não só ouvir cantoras clássicas, mais também a procurar por novos talentos. E o resultado tem sido surpreendente. Para não ficar uma postagem muito extensa, vou dividi-la em partes. Com isso vocês ganharam tempo para procurar os cds e com isso conhecer melhor o trabalho delas.

SARA GAZAREK

Jovem e talentosa. Ela vem arrancando elogios da crítica especializada por onde passa. Com apenas dois álbuns de estúdio gravados, “Yours” (2005) e “Return To You” (2008) e um ao vivo, Sara teve seu primeiro reconhecimento logo no primeiro álbum, onde foi parar no Top 10 na Billboard Traditional Jazz e bateu todos os recordes de músicas compradas via download no iTunes. É considerada uma das melhores cantoras da nova safra do jazz. O que chama atenção é a sua voz, pois nada adiantaria somente o talento. Uma voz cativante, carregada de emoção e afinadíssima. Sara têm como influências, cantoras consagradas como, Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, Billie Holiday, Abbey Lincoln, entre outras. O seu conhecimento musical também impressiona, prova disso é as músicas que estão presentes em seu trabalho. Na época em que lançou o álbum “Yours”, Sara tinha apenas 25 anos e isso não a intimidou, foi buscar seu repertório em clássicos que ficaram conhecidos décadas antes dela nascer. Como por exemplo: “Cheek to Cheek”, “Ev’ry Time We Say Goodbye” e foi além, fez um medley com as músicas dos Beatles. É por isso que considero Sara Gazarek uma talentosa nata, com muito potencial a ser explorado e que ao longo dos anos vamos nos acostumar em ouvir esse nome.

Sara Gazarek - "Let's Try This Again" (Return To You)



MELODY GARDOT

A história dessa jovem foi modificada por causa de tragédia que aconteceu na sua vida. Aos 19 anos Melody teve um grave acidente, foi atropelada por um automóvel quando retornava de bicicleta a sua casa. Resultado: múltiplas-fraturas na região pélvica, cervical e da cabeça. Para recuperar alguma de suas antigas habilidades cognitivas, o seu médico recomendou que fizesse o uso da música como terapia. Foi presa a um leito que ela compôs e gravou as canções do EP intitulado “Some Lessons:The Bedroom Sessions”, foi vendido via internet e também chamou a atenção da rádio local. Isso não a impediu de continuar seu belíssimo trabalho e já tem três álbuns de estúdio e um ao vivo. O melhor na minha opinião é “Worrisome Heart” (2008). A música dessa jovem cantora tem como base o jazz, folk e o blues. Melody canta com uma voz suave e emocionante. Apesar do momento especial em sua vida e na sua carreira, aonde consegue mostrar ao mundo o seu valor e talento, a jovem ainda sofre com as conseqüências daquela tragédia. Melody é mais uma grata surpresa aos amantes do jazz e da boa música.

Melody Gardot - "Worrisome Heart" (Worrisome Heart)


Melody Gardot - "Baby I'm A Fool" (My One And Only Thrill)



MADELEINE PEYROUX

Madeleine já tem uma carreira musical consolidada. Nasceu em Athens, na Geórgia, mais passou a sua adolescência e parte da juventude na França. Começou cedo na carreira, pois aos 15 anos já cantava em bandas de jazz e blues de Paris. É cantora, compositora e violonista. É considerada como uma das maiores vozes do jazz moderno e no meio jazzístico seu jeito de cantar é comparada ao da Billie Holiday. Medaleine vem evoluindo e muito na sua carreira, nos primeiros álbuns seu repertório era baseado muitas vezes em stantards do jazz e blues, era considerada como uma excelente interprete. Isso mudou radicalmente no último álbum “Bare Bones” (2009), onde ela arriscou e passou a compor, mesmo que em parceria ainda. O resultado é um álbum recheado de novidades. Desde o instrumental, de extrema qualidade, porém não muito inovador, mais é possível notar um leve flerte com o rock e rhythm & blues, e também canções não tão carregas de melancolia (como era comum nos outros álbuns). Destaque para as músicas “River of Tears”, música que ela fez ao se despedir do pai que faleceu há alguns anos e “Instead” uma canção cativante e que é calcada no blues. Madeleine é o tipo de cantora que faz um excelente trabalho e no entanto não está na direção dos holofotes do jazz como por exemplo Norah Jones. Mais a qualidade dessa jovem e experiente cantora é reconhecida mundialmente e continua surpreendendo os amantes do jazz a cada lançamento. Vale a pena conferir.

Madeleine Peyroux - "Instead" (Bare Bones)


Madeleine Peyoroux - "Don't Wait Too Long" (Careless Love)


Continua na próxima terça. Abraços

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sexta-feira, abril 09, 2010

In taberna quando sumus (non curamus quid sit humus)

Se algum dia a Fortuna me colocar como dono de um bar, ele vai se chamar “In Taberna quando sumus (non curamus quid sit humus)”. Combinaria com uma decoração medieval. O som teria que ser baixo o suficiente para que as pessoas pudessem conversar sem precisar gritar e o repertório iria variar da música barroca até a bossa nova, passando por jazz, blues e MPB.

O nome vem de um verso da ópera Carmina Burana, composta por Carl Orff (1895-1986). Adoro essa peça, embora há alguns anos uma propaganda de biscoito tenha transformado seu tema principal em carne da vaca. É aquela que começa assim: “Ó fortuna!”, esclareceu? Não? Então assista abaixo.

Aqui uma versão completa da ópera:


E aqui só a primeira parte, mas com atores. Ao fundo, a roda da Fortuna:


Ouvi-a pela primeira vez meio que por obra da própria Fortuna, quando estava numa loja de CDs de bairro, e ao fundo tocava bem baixinho um dos seus movimentos. Era um som altamente improvável para aquele local e me chamou a atenção bela sua beleza e força.

Já fui a duas apresentações de Carmina Burana. A primeira foi no Pacaembu e, embora tenha sido uma montagem magnífica, foi muito prejudicada por um helicóptero que sobrevoava o estádio no meio da peça fazendo propaganda do falecido (praga minha!) Banco 1. A segunda foi no Credicard Hall e também foi muito legal, embora um pouco menos impressionante. Os inúmeros atores são acompanhados por grande orquestra e um coral de dezenas de vozes, incluindo um infantil.

Carl Orff compôs Carmina Burana a partir de um manuscrito profano chamado Codex Burana, escrito no século XIV, provavelmente por um abade ou bispo. O documento contém mais de 200 poemas, que falam de jogos, bebidas, amor e outros vícios, e são escritos em latim e dialetos alemães e franceses.

Se alguém quiser as letras nos idiomas originais e traduzidas, é só clicar aqui. Afinal, essa não é como aquelas óperas italianas em que a gente entende tudo o que eles cantam.

Ah, o significado do longo nome do título deste post e do meu pseudo-bar é “Quando estamos na taverna (esquecemo-nos que do pó viemos)”. E essa parte da música começa lá pelo minuto 40:15 do vídeo.

E digo mais: Qui nos rodunt confundantur (malditos sejam aqueles que nos ofendem)

Tim-tim!

P.S. Foi coincidência duas postagens sobre música clássica assim em seguida, mas não faz mal, ouça a música clássica sem moderação!

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quinta-feira, abril 08, 2010

Beethoven


O nome Beethoven evoca uma série de adjetivos, maior compositor de todos os tempos, gênio, sublime, para mim ele é excepcional, basta ouvir a Terceira Sinfonia, a Nona com sua ode à Alegria para entender todos esses adjetivos.

Beethoven está presente em nossa vida atual, seja em comerciais de tv, filmes como Laranja Mecânica ou Amada Imortal, filme sobre sua vida.


Quando o compositor ficou surdo aos 30 anos isso não o impediu de compor a Nona Sinfonia, os últimos quartetos de cordas e as sonatas para piano, transformando o mundo da música para sempre...

Com cerca de 250 obras a música instrumental domina o repertório de Beethoven, que soma cerca de 400 composições  !!! São 32 sonatas para piano, 10 sonatas para violino e piano, 5 sonatas para cello e piano, 7 trios para piano e cordas, 17 quartetos de cordas, 9 sinfonias, 5 concertos para piano e orquestra.

Vale a pena conhecê-lo !!!

Marcello Lopes

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terça-feira, abril 06, 2010

Geração do Fone de Ouvido



Já faz algum tempo que estou querendo falar sobre esse assunto. Porém com uma visão diferente, sem termos técnicos. Mais o que tem demais em falar sobre fone de ouvido? Por acaso vocês já pararam para pensar quem foi o inventor dele? Eu procurei em tudo quanto é canto e por incrivel que pareça não encontrei o nome desse cara. Seja quem for o inventor, aposto que ele não iria imaginar que seu invento seria tão usado um dia.

Muitas vezes esse pequeno objeto passa desapercebido, mais o que seria de um musicólatra sem o seu fone de ouvido? É ele quem nos proporciona momentos únicos e tem o poder de nos desligar do mundo ou do momento em que estamos. Você pode usar o fone em uma viagem, no caminho do trabalho ou da escola, no ônibus, no carro, na rua, enfim, onde for permitido e conveniente. Ele nos trouxe uma sensação de liberdade, onde você ouve o que quer, como quer e sem incomodar ninguém.

E quem aqui já não passou por situações digamos desagradáveis. A mais clássica é quando você está no ônibus e senta uma pessoa do seu lado e tenta puxar conversa, se você não está afim de papo, existe uma solução. Nesses momentos o ideal é estar com o seu fone de ouvido, mesmo que o som esteja desligado, isso funciona e faz com que a pessoa nem perturbe você. É infalível, testado e aprovado hein! (risos).

A verdade é que o fone mudou os hábitos das pessoas, hoje em dia é fácil você sair pelas ruas e perceber isso. Seja no celular, mp4, iPOD e etc. Tem sempre alguém com um fone. A tecnologia proporcionou isso e a pessoal comprou a idéia.

Pensando nisso cheguei a uma conclusão um tanto obvia: Somos a Geração do Fone de Ouvido.

Mais daí caímos em outro problema. Quem seria o nosso mentor? Se os maníacos por fone de ouvido pudessem escolher um, quem seria? Eu sugiro o Otto (The Simpsons). Ele é o motorista de ônibus da Escola de Springfield. Para quem não o conhece, ele é fissurado por heavy metal e vive literalmente com seu walkman e o fone de ouvido. Dirige de fone de ouvido e está em todas as ocasiões com ele. Uma vez aconteceu algo inesperado, por algum motivo (que não me lembro), o fone saiu do seu ouvido e com isso ele passou a ouvir o som da natureza e na mesma hora ele estranhou e disse que era chato demais. Foi um momento traumático para ele.

Creio que todo mundo que usa o fone tem alguma história divertida para contar. No meu caso já aconteceu de ficar com o fone mesmo sem ouvir nada, sabe de tanto usar até esqueço que estou com ele. Isso acontece sempre comigo. Outra mania é que eu não consigo mais sair de casa sem meu ipod e o fone. Mesmo que eu não use, preciso estar sempre com ele. Alias isso vem de muito tempo, desde que eu ganhei meu walkman, quando tinha meus 10 anos. Será que preciso ir a um médico?

O fone de ouvido virou um objeto indispensável, principalmente nos momentos de hobby. Existem diversos modelos e marcas (que em uma próxima postagem vou especificar melhor), tem para todos os gostos e bolsos. Claro que quanto mais caro é melhor, principalmente em qualidade. Mas apesar de levar o assunto em tom de brincadeira, temos que ter cuidado, pois o fone usado de maneira errada por causar problemas de audição (acho até estranho eu falando isso). Aparentemente pode até não incomodar agora, mais no futuro você pode ter alguns problemas. Claro que, falar é muito fácil, eu uso fone há muitos anos e digo por experiência própria, é difícil ouvir música no volume baixo, e hoje com os aparelhos e fones cada vez mais potentes, isso acaba sendo um problema. Porém não é só isso, o fone também pode ser um aliado na transmissão de doenças (bactérias e fungos). Por isso vai uma dica simples: Evite compartilhar o seu fone com outras pessoas.

Cuide bem do seu fone, em toda minha vida eu perdi as contas de quantos fones eu comprei, por não cuidar direito. É um objeto muito sensível, principalmente a fiação dele, que se quebrar você corre o risco de ter apenas um lado do seu fone funcionando. Isso é traumático (risos). Ele também costuma dar defeito próximo ao plug-in. Por isso na hora de guardar evite dobrar ou enrolar o fio. Isso com certeza irá prolongar a vida útil dele.

Enfim apesar do texto não ter ficado excelente, acho que consegui passar um pouco da idéia, falar de um objeto muitas vezes esquecido e que na verdade é um grande aliado do amante da boa música.

Em uma próxima oportunidade vou falar especificamente sobre alguns modelos de fone e também dos tocadores de música.

Enquanto isso, aproveite para contar alguma experiência que você passou com seu fone de ouvido.

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domingo, abril 04, 2010

Felipe Tavares

Felipe Tavares é autor do Blog do Lenhador, local onde disponibiliza as músicas de que tanto gosta. É também idealizador do projeto idearium. Entre no seu perfil do MeAdiciona e saiba onde ele se faz presente na rede mundial de computadores. (siga @lenhador).

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sexta-feira, abril 02, 2010

Chama o ladrão!

julinho-da-adelaide1Em maio de 1995, a Rádio USP FM apresentou uma entrevista com Julinho da Adelaide, compositor de músicas como Acorda Amor (“chama o ladrão”) e Jorge Maravilha (“você não gosta de mim, mas sua filha gosta”). Essa entrevista foi ao ar no programa Memória, apresentado por Milton Parron, e eu tive a boa ideia de gravar em fita cassete.

Julinho da Adelaide era o pseudônimo utilizado por Chico Buarque no início dos anos 70, quando a censura tava brava pro lado dele. Na verdade, tava brava pro lado de todo mundo, mas a partir de um certo momento, a censura passou a podar simplesmente TODAS as músicas do Chico, e Julinho da Adelaide foi a figura que ele criou para burlar essa perseguição. Passou ileso pela censura com músicas que jamais passariam sob o nome de Chico Buarque e ainda por cima deu uma bela gozada da cara dos censores.

Essa entrevista com o “Julinho”, gravada em 1974, foi feita por Mário Prata e Melchiades Cunha Junior e publicada no jornal Última Hora, em São Paulo. Obviamente, o áudio não foi divulgado na época, mas mesmo assim, pouco tempo depois, desvendou-se a identidade do compositor e a brincadeira acabou.

A duração total do programa é de mais de 1 hora, mas vale a pena. A entrevista é muito engraçada e é um retrato colorido de tempos em branco e preto.


Apresentação




Entrevista - parte 1


Entrevista - parte 2


Entrevista - parte 3


Entrevista - parte 4
: Essa última foi com o Chico mesmo, 18 anos depois, falando sobre o Julinho da Adelaide.


Encerramento



Quem quiser ouvir na íntegra a música mais famosa de Julinho da Adelaide, clica aí em baixo e chama o ladrão!


Para baixar o áudio da entrevista, é só clicar nos links a seguir: Apresentação, Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Encerramento. Se preferir a transcrição da entrevista na íntegra, clique aqui

Bom, o Chico não cabe num post só. Outro dia tem mais.

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