quarta-feira, março 31, 2010

Big Rude Jake


Conheci o canadense Big Rude Jake – nome artístico de A. Jake Hiebert – totalmente por acaso. Estava vendo alguns vídeos de bandas de jazz/swing contemporâneas como Big Bad Voodoo Daddy e, como de costume fui ler alguns comentários para saber o que os visitantes acharam. Me deparei com alguém comentando que a banda era uma de suas preferidas ao lado de outras como Big Rude Jake. Curioso, corri atrás de vídeos. Mesmo com poucos disponíveis um me impressionou o suficiente para ir atrás de sua discografia. No vídeo Big Rude Jake tocava um jazz/swing acompanhado de uma banda de jazz ao fundo. A música que tocavam é daquelas que os instrumentos fica em segundo plano, enquanto o vocalista canta como se estivesse conversando, segue uma melodia mas é quase como se estivesse falando. Lembra um pouco aquelas músicas de pirata que algumas bandas de jazz/swing e ska gostam de tocar.

Segue o vídeo que visualizei e tentei verbalizar acima:

Big Rude Jake - 7th Avenue

Aclamado na Europa e na América do Norte, Big Rude Jake é relativamente conhecido nos EUA e muito pouco conhecido na América do Sul. Com uma biografia peculiar, chama a atenção como nasceu a idéia de começar a tocar jazz e sua busca em revitalizar o que chama de jazz bordel. Conta o próprio que em seus devaneios, certo dia pensou em como seria bacana ter uma banda bem diferente das que conhecia, uma que combinasse o seu interesse no jazz tradicional com rock, blues, ragtime, swing, rhythm’n blues  e até punk rock. A idéia era simples: Jake lamentava o surgimento do jazz intelectual, lamentava que o jazz tivesse se tornado uma música elitista, de glamour, fazendo com que só tivéssemos a oportunidade de ver um espetáculo em lugares requintados, o que limitava o acesso (uma aproximação) ao estilo. Muitos começam a apreciar o rock ou a música punk por exemplo, na adolescência ao freqüentar shows em bares ou casa de shows populares. O objetivo era então trazer o jazz de volta ao intelecto das ruas de volta às raízes cortadas (até por que no começo, o jazz era tido como coisa de pobre, música popular, do povão, de pessoas sem cultura). Como? Tocando em casa de shows freqüentadas por apreciadores do rock, música punk e demais lugares baixos (o que inclui até bordéis). Para botar a idéia em ação, ele pensou em um nome que traduzisse toda essa “provocação”, e assim adotou o nome Big Rude Jake. Nos primeiros anos de sua carreira ele evitou tocar em locais “totalmente jazz”, preferindo blues bares, rock, e punk tentando resgatar o "Jazz bordel".

Aos poucos sua música foi chamando a atenção da mídia e dos críticos do Canadá. Suas gravações independentes eram vendidas nas seções de rock, punk ou alternativa nas lojas de músicas. Era difícil de se acreditar que em algumas ocasiões, haviam filas em volta de quarteirões para ver Big Rude Jake tocar em bares tidos como bem baixos (é o que chamamos de bar pé-sujo ou meia-boca). Essa e outras experiências davam vida à sua crença de que o jazz/swing com a atitude certa, poderia ter a credibilidade de rua quanto qualquer rock, soul ou hip-hop no país.

Jake atingiu seu auge quando se mudou para os Estados Unidos em busca de maior visibilidade - ficara frustrado com a má distribuição de seu álbum Blue Pariah (muito elogiado pela crítica) nas lojas americanas - Conseguiu um contrato com a Road Runner Records e excursionou pela Europa e Estados Unidos. Nesse período viveu um sonho, era tratado como convidado de honra, onde quer que fosse com sua banda. Boa comida, bons charutos e hotéis cinco estrelas era corriqueiro na excursão. Porém, a gravadora conhecida por abrigar bandas de metal, ficou mal das pernas e teve que rescindir o contrato com a banda.

De volta ao Canadá, voltou a tocar em bares pequenos disposto a recomeçar, porém, um grave acidente com um táxi - ocorrido enquanto ia de bicicleta para uma casa de show, tarde da noite – somado aos problemas profissionais e pessoais, o fez dar um tempo na carreira e pensar com calma em sua vida. Depois de quase um ano parado, Jake aparece em melhor forma física, mais descontraído e sorridente. Após a volta lançou 2 cds com uma sonoridade diferente do habitual, um em 2002 “Live Faust, Die Jung” e o “Quicksand” em 2009, este último vem sendo muito elogiado, tido como um dos melhores de sua discografia.

Em certa ocasião confessou: “Minha carreira foi a fonte de quase todos os prazeres de minha vida e a maioria das dores. E eu continuo fazendo isto. Eu sou claramente, um insano”.


Big Rude Jake tocando "Chili Bean's Final Carouse" com seu amigo Michael Louis Johnson no trompete.


Big Rude Jake - Swing, Baby!



Site Oficial: www.bigrudejake.ca

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terça-feira, março 30, 2010

Márcio Faraco: desconhecido em seu próprio país

Hoje vou falar de um assunto que me chamou muito atenção e que na época causou uma certa revolta. É incrível como nosso país não dá valor a quem merece, todos os dias somos bombardeados pela mídia que divulga músicas sem conteúdo, sem letras e quase sempre passageiras, pois duram apenas um verão ou pouco mais de seis meses.

O Brasil é um país rico em talentos, prova disso é a Bossa Nova, ela é valorizada no exterior e aqui dentro quase nem sempre tem o seu espaço. Por outro lado temos vários músicos que precisam ir para o exterior mostrar seu trabalho afim ganhar uma chance e algum reconhecimento, pois em seu país natal, muitas vezes se quer é dado uma chance.

Sei que existem muitos exemplos, mais postei há algum tempo no meu Blog Jazz e Rock, a história do violonista, compositor, arranjador e cantor, Márcio Faraco. E queria compartilhar com vocês do Musicólatras.

O nome dele pode soar desconhecido para você, já que ele faz muito mais sucesso no exterior do que no Brasil. Ele é gaúcho, porém viveu grande parte da sua adolescência e juventude em Brasília, sua história é muito interessante, chegou a largar a faculdade de Direito em Brasília para tentar carreira musical no Rio, já possuía um extenso currículo, que incluía shows pelo país, prêmios em festivais, composições em vários estilos — canções, rock, baladas, bossa nova. Mas queria muito mais. No Rio, bateu perna, tocou na praia, em bares, fez amigos, compôs com e para Cássia Eller, conheceu Vanessa — uma francesa nascida em Cannes com quem é casado até hoje —, mas não conseguiu furar o bloqueio das gravadoras. E decidiu arriscar a vida na França.

“Ninguém nem queria ouvir a minha música aqui” – lembra Márcio Faraco sem esconder certa mágoa, que virou um princípio de depressão quando, anos depois, em nova tentativa de gravar o primeiro disco, pediu ajuda ao amigo mais ilustre. Mas de nada adiantou o apadrinhamento de Chico Buarque, que conhecera em 1994 na gravação de um programa de televisão, quando ele trabalhou como violonista e arranjador. Chico circulava com um CD demo de Márcio pelo Rio, mostrando o som do amigo para todo mundo, mas as portas das gravadoras brasileiras continuaram fechadas. ‘‘Eles não querem você, não. Se vira por aí’’, disse Chico.

Finalmente, depois de anos tentando, acabou conseguindo contato — e contrato — com uma gravadora, a Universal, graças à intermediação do músico francês Didier Sustrac, com quem tocava. Em 1999 lançou o primeiro CD, “Ciranda”. O disco foi bem recebido pela crítica, lançou Márcio Faraco ao hall da fama e já vendeu 60 mil cópias. Quatro anos depois, com o segundo CD, “Interior”, 30 mil cópias vendidas em poucos meses, Márcio ganhou resenhas elogiosas de críticos que chegam a compará-lo a Antônio Carlos Jobim. Isso mesmo, Tom Jobim. ‘‘Eles fazem essa ligação porque acham que eu faço Bossa Nova. Mas eu não faço Bossa Nova. Só uma ou outra música é bossa. E tem também o jeito intimista com que eu canto e, claro, a influência do Tom, que foi um grande compositor e maestro’’, justifica Márcio, acrescentando, porém, um detalhe para reforçar a diferença: ‘‘Eu não sou cantor’’.

Sua música é variada, essencialmente acústica, com harmonias ricas, bem elaboradas que dão a base para melodias sensíveis e agradáveis e letras bem trabalhadas. Os críticos costumam elogiar o sentimento que suas canções e interpretação transmitem ao ouvinte.


Ouça a música: "Ciranda" (Márcio Faraco/Chico Buarque)


Ouça a música: "Vida ou Game" (Márcio Faraco)

Bom esse é apenas um pequeno retrato da vida do Márcio Faraco, que atualmente conta com quatros álbuns na sua discografia, o mais recente “Um Rio” lançado em 2008.

Assim como o Márcio Faraco, existem milhares de outros artistas brasileiros que ganham o reconhecimento no exterior por que no Brasil sua música não é interessante aos ouvidos do grande publico, por que não serve para tocar em um trio elétrico ou talvez por que não cai na graça do povão como o “Rebolation” e tantos outros que fizeram tanto “sucesso” que a gente nem se lembra mais.

Enquanto isso não muda, vamos continuar exportando bons músicos. Por um lado isso não é ruim, porém mereciam ganhar o reconhecimento primeiro no Brasil.

Márcio Faraco: "Um Sinal" (Invento 2007)

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sábado, março 27, 2010

3 Canções dos Beatles Que Você Achava Que Eram Sobre Uma Mulher

1. Precisava fazer jus à minha autoproclamação de "beatlemaníaca";
2. Colegas beatlemaníacos já sabem, mas sempre acho legal dividir essas informações com as pessoas.

No meu blog pessoal eu posto volta e meia um "especial" que batizei de Top 3. Não tem um assunto fixo; pode ser a ver com música, com biologia ou qualquer outra coisa que me vier à cabeça. Este foi o primeiro episódio e recebe visitas até hoje. Como tem tido uma receptividade legal, achei que seria interessante postar aqui também para que outras pessoas também leiam.

Curiosamente, as 3 canções que escolhi são do álbum homônimo, ou comumente chamado de White Album, de 1968. Vamos lá?


Martha My Dear

Martha my dear,
You have always been my inspiration
Please, be good to me, Martha my love
Don't forget me, Martha my dear



Ah, que gracinha; a garota deve ter se sentido bem feliz em saber que Paul a acha uma inspiração!

Ah, mals, eu disse 'garota'?

Eu quis dizer cachorra.



Escrita por Paul McCartney (apesar de creditada a Lennon/McCartney), essa canção foi inspirada em sua cachorra Martha. Ao ser perguntado sobre uma interpretação, Paul disse que a música era dedicada à sua "musa inspiradora", a "voz dentro de sua cabeça". Mas também poderia ser sobre seu rompimento com Jane Asher, quem vai saber?

Sexy Sadie

Sexy Sadie
What have you done?
You made a fool of everyone...


Coisa feia, dona Sadie... Enganou todo mundo!

Só que a pessoa que enganou todo mundo não se chamava Sadie... Na verdade também não era mulher e tava longe de ser sexy!

Quem os enganou foi o seu guru espiritual, o Maharishi Mahesh Yogi.

o lindão ali no meio

Como é sabido, os Beatles passaram uma temporada na Índia, onde desenvolveram técnicas de meditação para aguentar todo o estresse ao qual já estavam sucumbindo, e também onde aprenderam elementos da música indiana, que posteriormente foi integrada à música deles; sendo o Maharishi seu mentor. Acontece que depois de um tempo começou a rolar uma história de que o tal Maharishi andava fazendo coisas "não muito espirituais" - se é que vocês me entendem - com uma de suas pupilas, que estava lá ao mesmo tempo que eles; o que deixou John Lennon puto e o fez voltar mais cedo pra casa.

... De forma que Lennon voltou à Inglaterra superinspirado e resolveu escrever uma música sobre isso, que se chamaria "Maharishi", mas George sugeriu que ele não usasse nomes nas acusações. Daí aconteceu a metáfora da "Sexy Sadie" - comparando a atitude do guru com uma mulher sexy, que atrai e envolve todos à sua volta, fazendo-os acreditar numa coisa que ela não é.

Anos mais tarde, as acusações foram retiradas.

Hey Jude

Hey Jude
Don't make it bad
Take a sad song and make it better


A famooosa Jude da letra, a quem Paul tenta a todo custo consolar, não era nenhuma mocinha triste...

Era um menino de 5 anos chamado Julian Lennon - filho de John.


Mas por que cargas d'água Paul faria uma música pro filho de John?!

Porque Paul foi mais pai de Julian do que o próprio John foi.

Em 1968, Lennon e sua esposa estavam se divorciando - ah, John descobriu as maravilhas do amor com Yoko Ono. Não que ele tenha sido um exemplo de pai e nem que fosse fazer muita falta pro filho que ele mal acompanhava mas, pra uma criança de 5 anos, a situação foi pesada. Paul McCartney sempre foi muito amigo de Cynthia e sempre se deu muito bem com Julian, então resolveu ir visitá-los uma tarde para ver se estavam bem e para fazer alguma companhia. Compôs "Hey Jules" (alterou para 'Jude' depois por ser mais fácil de cantar) enquanto estava no carro, a caminho. Um presentinho como forma de confortá-lo com a situação.

Os outros da banda, claro, nunca souberam disso, pelo menos não na época. John mesmo interpretou a canção como se fosse uma despedida de Paul à amizade dos dois, que já estava no limite, ao que Paul desmentiu dizendo que a canção era sobre "ele mesmo". Julian só soube que a música foi feita para ele 20 anos depois. Nesse meio tempo, a canção já havia sido #1 nas paradas em 5 países (no top 10 em onze) e vendeu milhões de cópias, sendo considerado o single mais bem sucedido da banda.

Este é um esquema que eu achei na internet que explica facilmente como decorar a letra da música (é engraçado e funciona, haha):


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Ed Motta: "Piquenique" (2010)



Amado por uns e odiado por outros. Todo músico passa por isso durante a carreira. Ed Motta não é diferente, muitas vezes considerado arrogante e criticado de maneira dura por alguns pseudo-jornalistas, que deixam a música de lado e parte para ofensas pessoais. Porém quem conhece a carreira e acompanha mesmo que de longe, sabe que o Ed está longe de ser uma pessoa assim, pelo contrario, em várias oportunidades se mostra carismático e muito atencioso com os fãs. Mas talvez essa imagem de arrogante seja o preço pagar por ser um músico diferenciado, em meio a tantos considerados “comuns”. A verdade é que Ed Motta não faz seu som preso a rótulos ou tendências musicais. Sua música está ligada diretamente a cultura norte americana, de onde vem grande parte das suas influências. Porém apesar de todo conhecimento musical, se não fosse o seu talento nada disso adiantaria.

Desde 2003 quando trocou de gravadora, saindo da Universal e ingressando na Trama, Ed Motta trilhou pelo caminho da liberdade musical, prova disso foi o último álbum “Chapter 9” (2008), que foi cantado todo em inglês e o próprio Ed se encarregou de tocar todos os instrumentos, a meu ver foi uma das maiores mudanças na sonoridade do Ed, porém em se tratando de um gênio, o álbum caiu no gosto e agradou boa parte dos fãs. Outra prova dessa liberdade foi o samba-jazz que embalou o excelente “Aystelum” (2005), um álbum inovador e enigmático para muitos e o “Dwitza” (2000), um álbum quase todo instrumental. Mas como tudo tem um preço, Ed acabou pagando com a popularidade (se é que posso chamar assim) e agora com o seu novo trabalho em cena, ele traz um som que nos remete aos bons tempos do "Manual Prático Para Bailes, Festas e Afins" (1997), “Conexão Japeri” (1988) e “Entre e Ouça” (1992).

“Piquenique” foi produzido pelo próprio Ed Motta, em parceria com Silveira, já nas canções a ajuda é da sua esposa Edna Lopes, autora de onze das 12 letras e que também é responsável pela arte gráfica. O ponto forte do álbum é à volta as origens do músico, flertando intensamente com o funk e o soul, sem falar da pegada pop que tanto marcou a carreira do Ed. O som e as letras soam perfeitamente, com um ar de espontaneidade e alegria do começo ao fim, tudo sob medida e nada exagerado, as letras são gostosas e grudentas, sendo impossível ouvir apenas uma vez. Com participações especiais da cantora Rita Lee na letra da música “Nefertite” e da Maria Rita na sensual “A Turma da Pilantragem” – faixa que celebra Wilson Simonal – em um dueto sensacional com o Ed. Apesar de o álbum soar descontraído, Ed preza pelo som sofisticado e arranjos elaborados, usando e abusando de teclados e piano, em uma mescla de instrumentos digitais e analógicos. A prova disso são as faixas “Carência No Frio", uma balada digna de aplauso e as canções “Nicole Versus Cheng” e “Compromisso” ambas trazendo uma pegada jazzística, maravilhosas. Um ponto forte do álbum que me chamou a atenção, é justamente a liberdade – no sentido de cantar de maneira solta e despojada – Ed nem parece um cantor consagrado, seu vocal soa e transmite alegria, principalmente nas faixas “Pé Na Jaca”, “Piquenique”, “Mensalidade” e “Bel Prazer”, músicas que certamente irão embalar boas festas.

A cada lançamento Ed mostra por que é um músico completo. A começar pelo instrumental, que digo sem medo de errar, hoje no Brasil não existe um músico tão versátil quanto o Ed. É só pegar os álbuns dele e perceber a linha que ele segue, apesar das mudanças no estilo, a qualidade instrumental é a mesma. Ed preza por isso e trabalha com músicos qualificados: Paulinho Guitarra, Robinho Tavares, Alberto Continentino, Aldivas Ayres, Roberto “Massa” Calmon, Marcos Kinder e tantos outros que tocaram com ele.

“Piquenique” trouxe as boas lembranças de volta, que nos remete aos velhos tempos, porém com uma roupagem atual. Se o álbum será um clássico, só o tempo irá nos dizer, qualidade pra isso tem de sobra.

Ed Motta "Pé na Jaca" (Altas Horas)


Site Oficial: Ed Motta

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sexta-feira, março 26, 2010

Oscar Peterson

Nas minhas audições iniciais de jazz, eu curtia muito solos de bateria. Por causa de um desses solos, o de Louis Bellson no álbum gravado ao vivo no festival de Montreux de 75 com o grupo The Oscar Peterson Big 6, comecei a prestar atenção nesse grande pianista canadense.

Careço de conhecimento suficiente para falar de sua técnica e de como sua mão direita e esquerda passeiam leves pelo piano. Então, eu passo. Só sei que o resultado é… absolutamente maravilhoso. Para se ter uma idéia, aos 70 e tantos anos, ele ainda estudava piano durante 9 horas por dia.

No início dos anos 80 ele veio ao Brasil para três apresentações no Teatro Municipal de São Paulo. Comprei ingresso num dos melhores lugares para a última noite. Chegando lá, estranhei a pequena quantidade de gente na porta do teatro. O show havia sido cancelado, pois o artista havia brigado com o empresário. Não sei a razão da briga, mas fiquei com muita raiva do empresário. O dinheiro foi devolvido, mas a frustração só seria superada anos depois, quando ele voltou ao Brasil para uma apresentação no Parque do Ibirapuera, em 1996. Mesmo debilitado por um derrame sofrido alguns antes (o Oscar, não eu), o show foi fantástico.

A foto abaixo eu baixei do blog do fotógrafo
Armando Catunda. Ao fundo o baixista Niels Pedersen.

 
Segue um trecho da música Blues Etude, extraída do DVD The Berlin Concert, gravado ao vivo em 1985. É ou não é duca?


Enquanto Oscar ainda era um pianista da noite conhecido apenas no Canadá, o produtor americano Norman Granz, que promoveu os primeiros festivais de jazz, como o JATP – Jazz At The Philarmonic, tomou um taxi em Montreal para ir ao aeroporto e voltar para casa. No caminho, o rádio do carro tocava uma música que o encantou, levando-o a perguntar ao motorista que gravação era aquela. “É Oscar Peterson - respondeu ele - e não é gravação, é ao vivo”. “Então esquece o aeroporto, leve-me ao teatro!”, ordenou Granz. Nascia aí uma grande amizade e parceria.

Pegando o gancho no tema racismo levantado pelo Raphael, Oscar Peterson também sofreu com esse problema em vários momentos de sua vida, tanto ele quanto seus companheiros negros de banda. Ainda no Canadá, havia um espectador que frequentava seus shows por várias noites seguidas. Descobriu-se que ele vinha de longe para ouvir a música. Ao término de um dos shows, Oscar levantou-se e foi cumprimentar o fã, estendendo-lhe a mão. O homem virou-se e disse: “adoro ouvi-lo tocar, mas não posso dar-lhe a mão”.

Nos hoteis onde o pessoal do JATP se hospedava, era comum imporem resistência para receber aquele “bando de negros”. Esse preconceito, embora evidentemente sem o mesmo impacto, os músicos brancos como o guitarrista Herb Ellis também enfrentaram, pois eram muito questionados em sua capacidade de interpretar jazz.

Oscar Peterson não compôs muito, mas uma de suas músicas fala justamente sobre racismo. Foi composta no início dos anos 60, no auge dos discursos de Martin Luther King, e chama-se Hymn to Freedom.

Oscar Peterson nasceu em 15 de agosto de 1925 e morreu em 23 de dezembro de 2007.

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Jeff Healey, os Olhos de Anjo.

Não tem muito tempo que conheço Jeff Healey. Mas a maneira como o conheci já foi suficiente para que eu o admirasse de uma maneira devota. Estava eu ouvindo um antigo álbum de tributo aos Beatles que achei aqui em casa, e nele estão versões de clássicos tocadas por vários artistas famosos, como David Bowie, Elton John, Aretha Franklin e outros. Uma delas, e inclusive uma de minhas versões favoritas, era da tal "The Jeff Healey Band", tocando While My Guitar Gently Weeps. Curiosa sobre aquele nome que eu nunca havia visto e encantada com a versão, resolvi pesquisar. O que achei me deixou impressionada, e hoje costumo dizer que Jeff Healey foi a descoberta tardia mais feliz e mais triste que fiz.


Jeff nasceu em Toronto, no Canadá, em 25 de março de 1966. Com menos de um ano de idade, desenvolveu um raro tipo de câncer que o deixou cego. Seus olhos precisaram ser removidos e substituídos por artificiais. Foi adotado ainda muito novo e nunca chegou a conhecer os pais biológicos.

Aprendeu a tocar violão ainda com 3 anos e desenvolveu uma técnica que se tornou sua marca registrada - chama-se "lap top"; a guitarra fica deitada sobre o colo e ele utiliza os 10 dedos das mãos para tocá-la (com o passar dos anos e o aperfeiçoamento da técnica, Jeff ficou ousado e usava também os dentes, ou tocava com a guitarra atrás da cabeça ou até mesmo levantava e solava em pé, tirando o fôlego do público). Ainda muito jovem, começou a tocar em bares e em casas de shows, e aprendia a tocar novas canções ouvindo outros guitarristas tocarem.


Jeff Healey fez relativo sucesso, especialmente no Canadá, tocando Blues, mas antes disso tocou de tudo um pouco, como Jazz (aprendendo inclusive a tocar trompete), Country, Reggae, Heavy Metal, R&B e Rock. Em 1985, um amigo e lendário guitarrista chamado Albert Collins “convenceu” Jeff Healey a subir ao palco com ele e ninguém menos que Stevie Ray Vaughan por algumas semanas. O pequeno jovem, loiro e cego, impressionou Stevie Ray Vaughan, que passou a ser um grande amigo do menino prodígio.

No mesmo ano, Tom deixou sua carreira de engenheiro urbano e Joe sua promissora carreira dentro dos estúdios e se juntaram a Healey. Nascia então a The Jeff Healey Band com Jeff Healey na guitarra/vocal, Joe Rockman no baixo e Tom Stephen na bateria; Healey tinha apenas 19 anos de idade.

Em 1986, ao tocar em um festival em Vancouver com B.B. King, deixou o mestre e sua Lucille boquiabertos. Fizeram tour pelo Canadá por dois anos, lançando uma demo antes de se filiarem a uma gravadora.


Seu álbum de estréia foi o "See The Light", que já atraia devotos do blues, chamando a atenção para Angel Eyes e Confidence Man. Nessa mesma época Jeff Healey e banda participaram de um filme que lhe deu uma boa ascensão internacional: Road House ("Matador de Aluguel", com Patrick Swayze), onde tocava com sua guitarra em um bar. Em 1990, ganhou uma premiação de artista do ano, além de diversas indicações ao Grammy ao longo de sua carreira.

Infelizmente, em 2007, o câncer retorna em forma de sarcomas em suas pernas, que foram removidos cirurgicamente, mas retornaram em seus pulmões. O tratamento quimioterápico foi se tornando ineficiente e, em março de 2008, Jeff Healey perde a batalha.

Em maio, sua família e amigos organizaram um concerto beneficente em tributo à Healey, onde a renda seria revertida para apoiar estudos e pesquisas em busca da cura ou tratamento para este tipo de câncer.

Jeff deixou esposa e um casal de filhos. O mais novo, inclusive, desenvolveu o mesmo tipo de câncer do pai.

While My Guitar Gently Weeps:



Confidence Man, ao vivo em São Paulo (1995):


Angel Eyes (ao vivo, 2006):

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James Brown: Música e Política


Quem nunca ouviu falar de James Brown? Quem não conhece músicas como “(Get Up I Feel Like Being A) Sex Machine” ou “I Got You (I Feel Good)”? No entanto, James Brown não se resume a isso. E durante um bom tempo para mim James Brown se resumia isso. Eu ouvia hits como os citados, e logo ligava à imagem da pessoa negra, cabelo alisado, roupas brilhosas fazendo o palco fever com suas danças e músicas empolgantes, envolvendo todos ao redor. Achava engraçado as roupas, gostava das danças (meu pai adorava imitar) e me divertia quando tocava "I Feel Good" em alguma festa ou baile de formatura, não passava disso. Aos poucos fui me inteirando de sua história e hoje posso afirmar que ele não se resume isso, ele foi muito mais que isso, mais do que podia imaginar na época. Foi um dos raros casos de quem soube usar a música para efetivamente elucidar, acordar, influenciar as pessoas. Um dos raros casos em que sua atitude não se restringia às letras das músicas, ele agia, botava em ação o que acreditava. James Brown foi um dos mais importantes líderes do movimento de defesa dos direitos civis norte-americanos durante a segunda metade do século 20.

Um dos casos mais famosos ocorreu dia 05 de abril de 1968, um dia após a morte do ativista Martin Luther King. Os Estados Unidos ardia em chamas, simpatizantes dos ideais do líder negro  saíram às ruas em protesto, que logo se transformou em tumultos, depredações, incêndios.....enfim, um caos. Boston estava prestes a explodir e, o prefeito da cidade prevendo tumultos, pensou em cancelar o show de James Brown que estava marcado para aquela noite. Prevendo que isso poderia aumentar a revolta, James Brown negociou com uma emissora de televisão local a exibição ao vivo do show e foi ao rádio para pedir às pessoas para ficarem em casa para assistirem ao show pela TV de graça. Os bairros negros da cidade acabaram ficando misteriosamente quietos quando Brown, com lágrimas nos olhos, subiu no palco do Boston Garden e cantou seus sucessos em homenagem a King, entremeados de pedidos por calma. Pacificador, no dia seguinte ao show, Brown viajou para Washington, que tinha sido duramente atingida por revoltas. Uma vez mais, ele foi ao rádio pedir calma e declarar que educação é um caminho melhor de se buscar justiça.

James Brown já foi criticado por ambos os “lados”. O establishment branco ficou apavorado com a possibilidade de um egresso da sétima série de uma escola da Carolina do Sul fomentar uma revolução. Radicais negros ficaram horrizados quando ele cantou uma música como "America is My Home" em um jantar na Casa Branca e por usar brancos em sua banda.

"Say it Loud -- I'm Black and I'm Proud" 
("Diga Bem Alto -- Sou Negro e Tenho Orgulho")

Gravou diversos hinos negros, tentando sempre fazer com que os negros tivessem uma auto-afirmação, tivessem orgulho e não vergonha de sua cor. Um dos hinos gravado em 1968 foi "Say it Loud -- I'm Black and I'm Proud" que ensinou a gerações de trabalhadores negros que já era hora de terem "sua fatia". Fato curioso na gravação dessa música é que ela foi gravada ao vivo durante uma sessão em um estúdio de Hollywood. Ele pediu ajuda de crianças que respondiam "I'm black and I'm proud" toda a vez que ele cantava "Say it Loud". Brown disse depois que a maior parte das crianças durante a gravação eram brancas ou asiáticas. Brown sempre discursou a noção de que a violência "não era o caminho a seguir". Muitos da comunidade negra sentiam que Brown se comunicava com eles mais do que qualquer outro líder do país.

"We'd rather die on our feet than be livin' on our knees"
("Preferimos morrer de pé a viver de joelhos")

Musicalmente falando, James Brown começou sua carreira profissional em 1956 e fez fama no fim da década de 1950 e começo da década de 1960 com a força de suas apresentações ao vivo e várias canções de sucesso. Apesar de vários problemas pessoais, continuou fazendo sucesso durante os anos 80. É conhecido o rei do soul e o precursor do funk. Partiu dele a “fórmula” para o que viria a ser chamado de funk. Encantou e influenciou toda uma geração...na verdade, continua encantando e influenciando. Influenciou cantores de rock como: Mick Jagger, Van Morrison, Glenn Hughes, Rod Stewart, e foi imitado por diversos outros grandes vocalistas do blues, hard e classic rock.


James Brown morreu aos 73 anos em 25 de dezembro de 2006, em Atlanta, Geógia, EUA, após internação devido a severa pneumonia. De acordo com seu amigo Charles Bobbit, Brown proferiu as palavras "Estou indo embora esta noite".

Aumentem o som, afastem os móveis da sala e desfrutem do vídeo abaixo.


 James Brown - Good Foot / S Power / Make It Funky

James Brown - The Payback / Hits medley

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The Black Keys lança seu 6º álbum em maio

Ótima notícia pra os fãs de The Black Keys. A data já está marcada. Dia 18/05 o duo lança seu 6º álbum full-length intitulado Brothers. A capa do disco é essa acima mesmo e não nega a imagem da banda.


Com a notícia do lançamento do Keep It Hid, álbum solo do vocalista e guitarrista Dan Auerbach, tive minhas dúvidas se o duo voltaria a tocar e lançar algum álbum juntos. Está aí a boa notícia. Não só irão lançar um álbum como a turnê de divulgação já está marcada. Infelizmente sem datas para o Brasil.

Projetos paralelos não é problema pros dois. Patrick Carney também fez seu som experimental solo e recentemente foi lançado o Blakroc, parceria entre os Black Keys com renomados rapers como RZA, Mos Def, Q-Tip, and Raekwon.

O último álbum da banda, o Attack and Release de 2008, foi muito bem recebido pela crítica com ótimas menções do The New York Times, NPR, Rolling Stone, Pitchfork, Los Angeles Times e MOJO. Então entende-se a enorme expectativa sobre o lançamento.

Carney admite que Brothers é o álbum que eles sempre quiseram fazer. "Dan e eu crescemos muito como indivíduos e músicos antes de fazer este álbum. Nossa relação foi testada de diversas maneiras, mas no final do dia nós somos irmãos, e eu acho que essas músicas refletem isso." Ótimo ouvir isso. Tenho certeza que mais uma vez os "irmãos" não decepcionarão e vão trazer um rock and roll de primeira. No aguardo.

Atualização:
Foi liberada a música Tighten Up no myspace da banda. Achei foda!

Confira a tracklist:
01. Everlasting Light
02. Next Girl
03. Tighten Up
04. Howlin’ For You
05. She’s Long Gone
06. Black Mud
07. The Only One
08. Too Afraid To Love You
09. Ten Cent Pistol
10. Sinister Kid
11. The Go Getter
12. I’m Not The One
13. Unknown Brother
14. Never Gonna Give You Up
15. These Days

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Memórias de um trompete melancólico


Estava na quinta-série quando eu o ouvi pela primeira vez, um canto rouco e apaixonante, um trompete que dominava toda a harmonia, os versos fluiam como se fossem cascatas de luz.

Estou falando de Chet Baker, adorado por uns, odiado por outros, alguns críticos dizem que ele não influenciou ninguém no cenário jazzístico, mas eu não me importo com isso, o importante é que sua música me tocou, me deixou pensando no milagre que a música faz na vida das pessoas.

Estava lá eu com a mulher mais bela da escola, olhos verdes, e sem papo.... e eis que surge a melodia inconfundível de My Funny Valentine no rádio, e a sala se transforma, o espaço antes austero da casa se transmutou em um céu estrelado, uma profusão de suspiros e finalmente o solo de trumpete foi o sinal dos céus para uma conquista perfeita.

Chet Baker para quem não sabe nasceu em 1929 e já aos 22 anos tocava na orquestra do mestre Charlie "the Bird" Parker, autodidata, sempre se gabava de ter um excelente ouvido para a música, e após um breve período nessa orquestra, recebeu o convite de Gerry Mulligan para formar um quarteto sem piano, transformando o grupo em um sucesso, lotando todas as casas noturnas, mas com um fim precoce após a prisão de Mulligan por posse de drogas.

Chet Baker sofreu muito na vida que escolheu, o vício para a heroína corroeu parte de seu talento, parte de seu corpo, perdeu 3 dentes em uma briga por drogas e abandonou por 3 anos o jazz, acrescente à isso crises pessoais, contratos interrompidos, internações e prisões.

Mas sua música permanece, com uma sonoridade quase etérea e sem vibrato, de poucos agudos e atmosferas melancólicas, quando Chet cantava com uma voz frágil me lembrava Billie Holiday.

Ouça e deixe-se emocionar.

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quinta-feira, março 25, 2010

Baixistas: Steve Harris



Durante minha adolescência enquanto buscava meus primeiros contatos com bandas de rock, uma delas me chamou muito a atenção. O Iron Maiden. Apesar de curtir outras bandas, nenhuma delas foi tão impactante na minha vida. Tudo era novidade, eu não costumava ouvir bandas de heavy metal na época e ao ouvir um som tecnicamente perfeito, com letras bem feitas e sentir uma energia que com palavras não é possível explicar, me identifiquei na hora e passei a ser não só um ouvinte, mais fã.

Nessa época passei a me interessar pelo contrabaixo e o grande responsável por isso foi o mestre Steve Harris. Apesar de ouvir a banda como um todo, o som do baixo me atraia, era algo que me motivava a querer aprender. Comprei um contrabaixo na época, tive algumas aulas, mais por falta de dedicação não fui adiante. Porém mesmo não sendo músico, esse instrumento ainda me atrai de uma maneira diferente dos outros. A cada dia que passa o baixo vem ganhando ainda mais espaço e destaque, devemos isso graças a baixistas inovadores, que cansaram da mesmice e assim passaram a contribuir ainda mais. Por isso vou iniciar essa série de artigos e citar alguns dos poucos baixistas que eu conheço e que de uma forma ou outra marcaram minha vida, seja por ouvi-los tocar ou até mesmo por que isso alimentava novamente esse sonho: De voltar a aprender e tocar contrabaixo.

Stephen Percy Harris, mais conhecido como Steve Harris, nasceu em 12 de Março de 1956 em Londres. Apaixonado por futebol, Harris teve a oportunidade de jogar pelo seu time do coração West Ham United, seus companheiros diziam que ele era um excelente jogador e que se não fosse baixista, certamente seria jogador profissional. Ele também trabalhou como desenhista arquitetônico. Steve Harris é baixista autodidata, comprou seu primeiro baixo aos 17 anos, na ocasião uma cópia de um Fender Precision. Sua primeira banda foi a “Influence” e que mais tarde se chamaria “Gypy’s Kiss”. O grupo não durou muito, apenas sete apresentações. Depois Harris se juntou a banda Smiler. Apesar de ter sido uma boa experiência, sua passagem foi bem curta. Os caras da banda se recusaram a tocar a primeira composição de Harris, “Burning Ambition” e como desculpa alegaram que o andamento da música alternava demais.

Com tantas frustrações, Harris decidiu montar a sua própria banda e não precisa dizer que ela ficou um pouquinho conhecida né? (risos). O Iron Maiden surgiu em 1975, o nome tem dois significados: Um é em relação ao instrumento de tortura (Donzela de Ferro) e o outro surgiu como uma forma de provocar a ex-primeira ministra inglesa Margaret Thatcher, conhecida como Dama de Ferro por causa do regime forte e repreendedor que marcou sua passagem na política daquele país.

As maiores influências do Steve Harris são os baixistas: Mike Rutherford (Genesis), Chris Squire (Yes), Geezer Butler (Black Sabbath), John Entwistle (The Who), Pete Way (UFO) – esse último também influenciou o estilo e a performace do Harris no palco.

Steve Harris tem uma importância significativa para o heavy metal e para o contrabaixo. Ele é mais um responsável pela divulgação desse instrumento maravilhoso e que por muito tempo ficou esquecido e sem aparecer. Harris conseguiu um feito inédito, na minha opinião, por que no heavy metal as atenções se dividem entre as guitarras e o vocal, no Iron isso não seria diferente, sempre contou com guitarristas excelentes e um vocalista de altíssimo nível, porém Harris fez com que o baixo tivesse sua ampla parcela nisso, em inúmeras músicas da banda é possível notar isso, e tem deixado grandes marcas como introduções, solos e levadas. Harris também é reconhecido pela sua maneira única de tocar, principalmente pela precisão e a velocidade impressionante (rasgueando com 3 dedos). Ele ainda contribui de outra forma, na composição das letras. Grande parte das músicas e dos clássicos é de sua autoria.

Confira abaixo dois vídeos do Iron Maiden, no primeiro “Aces High” (Steve Harris) e a segunda “Moonchild” (Adrian Smith/Bruce Dickinson). Prestem atenção em especial no baixo.

Iron Maiden - "Aces High"


Iron Maiden - "Moonchild"

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quarta-feira, março 24, 2010

Marcello Lopes

Marcello Lopes, paulista morando em BH, durante toda a minha vida houve uma trilha sonora para cada momento vivido.

Alegrias, tristezas, conquistas e fracassos todos esses instantes foram marcados por alguma música. Sou viciado em Jazz, World Music e New Age.

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Rafhael Vaz

Em termos de entretenimento, música é minha segunda paixão, logo atrás do futebol (sou fanático pelo meu time Flamengo) e antes do cinema (outro vício). Mas também me interesso por diversos outros assuntos, principalmente os ligados à ciência, sim ciência no sentido geral - física, biologia etc. Estou me formando em administração e, logo em seguida pretendo fazer um curso de produção musical. Seja qual for a profissão que eu seguir, a música fará parte. Sou brasiliense filho de pai carioca, cresci escutando bastante samba e samda de enredo, o que justifica essa minha grande admiração pelo ritmo. Em minha adolescência, já fui pagodeiro, metaleiro e admirador da cultura punk. Os anos vão passando e agente vai amadurecendo, assim me livrei de vários preconceitos (dizer de todos, ainda que musicalmente falando, seria forçação de barra). Hoje, muito graças à internet gosto de uma infinidade de estilos musicais, porém sou mais focado no ska, punk, samba, funk, soul, jazz, blues.....e decidi compartilhar meu gosto musical criando um blog: musicaecerveja.blogspot.com. Graças a este meu blog fui convidado para expor aqui minhas opiniões sobre a música, espero debater bastante sobre o assunto com vocês musicólotras anônimos.

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Emmanuella Conte

Emmanuella Conte é bióloga aspirante a jornalista, estuda idiomas enquanto ouve música e ouve música para aprender os idiomas. É simpatizante do Punk Rock e do Ska, e sofre de uma doença crônica fora de moda chamada Beatlemania.

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Edison Junior

Olá, meu nome é Edison. Aqui entre nós, não tenho certeza se sou exatamente um viciado como sugere o nome do blog. Só sei que gosto de música independente do gênero, desde que me toque os sentidos. Não obstante, é mais provável que eu goste de um Jazz, Blues, MPB ou Clássico do que um pagode, sertaneja ou funk. Minha grande frustração é não saber tocar nenhum instrumento. Toquei um pouco de flauta doce na escola, mas vivia perdendo metade do instrumento no ônibus a caminho da aula. Terminou aí minha carreira musical. Mas escrever eu posso tentar, então aguenta!

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terça-feira, março 23, 2010

O que é o Musicólatras Anônimos ?

Você deve estar se perguntando: “O que é o Musicólatras Anônimos?”

A resposta mais obvia seria: Um lugar para reunir todos os viciados em música. Porém ao contrário dos Alcoólicos Anônimos, nossa intenção não é fazer você largar a música e sim continuar viciado nela.

Bom vou explicar. Esse “grupo” surgiu de uma necessidade básica que eu (Daniel) e dois amigos (Igor e Gustavo) tínhamos, queríamos um espaço para falar apenas sobre música, sem interferência de nada, onde cada um poderia expressar sua opinião de forma espontânea e mais livre possível. A idéia surgiu primeiramente no Orkut, onde criamos uma comunidade para debater tais assuntos. Infelizmente não deu em nada, por que no Orkut além de ser limitado, as pessoas entravam na comunidade por entrar e esse não era o nosso intuito, queríamos participação dos que diziam ser musicólatras.Com o tempo e vendo que a comunidade não ia mesmo dar em nada, resolvi criar o blog, a principio apenas registrei o endereço e depois deixei parado, para quem sabe um dia utilizá-lo. Foi então que a poucas semanas atrás, apresentei a idéia a alguns musicólatras e expliquei o intuito do blog e que tentaríamos por em prática novamente.

O Blog Musicólatras Anônimos, tem como objetivo principal: FALAR SOBRE MÚSICA. Como? Noticias, Resenhas, Entrevistas, Opiniões e o que der na telha de cada colaborador.A idéia é não ficar calado, é fazer daqui um lugar agradável outros musicólatras e dessa vez contamos com a participação de todos, em comentários e posteriormente em colaboração.

Eu nunca fui a uma reunião dos Alcoólatras Anônimos, mais creio que lá ninguém fica quieto, não é? Bom no Musicólatras não será diferente.

Quero novamente agradecer a participação e a colaboração do Edison, Emmanuella, Marcello, Rafhael e o Thiago.

O Blog ainda está engatinhando, tem muita coisa a ser feita, mais as postagens estão liberadas e a parte visual com o tempo vamos ajeitando.

Se você é desses viciados em música e que não consegue ficar um dia sem ela, sinta-se a vontade para fazer parte dos Musicólatras Anônimos.

Aqui só existe uma regra básica: Não "consuma" a música sozinho...compartilhe conosco !

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