domingo, dezembro 05, 2010

Robben Ford

Olá Musicólatras...



Conheci o trabalho de Robben Ford a tempos atrás por acaso enquanto folheava uma edição da revista Guitar Player (Já faz algum tempo, não me lembro mais qual a edição da revista). Porém apesar de ter gostado da materia sobre o guitarrista não me interessei em conhecer melhor o seu som. Passado mais algum tempo o acaso fez com que eu me deparasse com o trabalho desse guitarrista, foi um grande impacto, eu ja era fã e estudioso de blues, mas a forma como Robben Ford trata o estilo, a maneira como ele emprega harmonias e melodias indo além da tradicional cadencia do blues me chamou muito a atenção. De cara fiquei muito empolgado mas ao mesmo tempo um pouco triste de não ter dado a merecida atenção aquela velha materia da revista.

Quando decidi fazer um post sobre Robben Ford fui atrás de informações sobre ele, e acabei encontrando uma pequena materia que o jornalista e fã de Blues e Rock Ernesto Wenth Filho fez para o site www.rickfurlani.com (Esse site é do grande guitarrista Rick Furlani que em breve tera um post seu aqui no BLOG). Sem mais delongas deixo vocês com as palavras de Ernesto Wenth Filho.

Desta vez vamos falar um pouco de jazz – blues – rock ou blues – jazz – rock, como vocês preferirem. Robben Ford é um guitarrista americano, nascido em 1951, que segue esta tendência musical.

Na década de 60, durante sua adolescência, Ford “gastava” grande parte de seu tempo ouvindo artistas como Aretha Franklin, Wilson Pickett, Ottis Redding, Albert King, Carla Thomas, Mike Bloomfield (sua primeira grande influência) e B.B. King. Sucessos como “Respect” (Aretha Franklin) e “Mustang Sally” (Wilson Pickett) faziam parte de suas músicas preferidas.

Em 1964, com 13 anos de idade, Ford pegou pela primeira vez em uma guitarra. Com 18 anos, em 1969, se mudou para San Francisco, na Califórnia e formou a Charles Ford Band (nome dado em homenagem a seu pai que também era guitarrista). Logo em seguida a banda acabou, pois Robben foi convidado para tocar com o famoso gaitista Charles Musselwhite, onde ficou por nove meses.

Em 1971, a Charles Ford Band voltou e gravou um LP chamado “Discoverying The Blues”, ao vivo em Hollywood, na Califórnia, que foi lançado em 1972.

Entre 1972 e 1973, novamente Ford deixou a banda e foi tocar com a lendária banda de blues de Jimmy Witherspoon.

Em 1974, Robben Ford foi descoberto pelo saxofonista Tom Scott, do grupo de “fusion” progressivo chamado L.A. Express e em seguida, no mesmo ano, fez parte da banda de Joni Mitchell na turnê “Court and Spark”, além de tocar em dois dos álbuns da famosa cantora (“Miles of Isles – 1974 e “The Hissing of Summer Law” – 1975).

Em 1977, talvez devido à passagem pela banda L.A. Express, Robben foi um dos fundadores da banda de “fusion” chamada “Yellowjackets”, onde ficou até 1983. Bem, já falei em “fusion” duas vezes e para quem não sabe este termo diz respeito a um estilo musical onde há a “fusão” de jazz, rock e pop.

Em 1986, Ford foi convidado a participar de uma turnê com Miles Davis, famoso trompetista de jazz, muito conhecido por seus improvisos e pela grande criatividade e inovação musical. Já em 1987 tocou junto com o saxofonista de jazz japonês Sadao Watanabe.



Após tudo isso, foi em 1992 que Robben Ford se reencontrou com o blues, formando a banda The Blue Line e lançando o cd “Robben Ford and The Blue Line”. A banda era formada pelo baixista Roscoe Beck, que tocou com Leonard Cohen e pelo baterista Tom Brechtlein, que já havia tocado com os mestres do jazz Chick Corea e Wayne Shorter. Neste mesmo ano de 1992, Ford e a Blue Line estiveram no Brasil participando do Free Jazz Festival, que infelizmente acabou.
Na seqüência, em 1993, lançou “Mystic Mile” e em 1995, “Handful of Blues”. Do álbum “Mystic Mile” destaco a versão de “Worried Life Blues” de autoria do mestre B.B. King. Já o cd “Handful of Blues” acho simplesmente espetacular, pois você pode ouvir desde o blues tradicional de “I just want to make love to you” de Willie Dixon até a balada dançante (de rosto colado!!), com um solo de guitarra maravilhoso de “Don’t Let Me Be Misunderstood” de Benjamin, Marcus e Caldwell, além de composições próprias na linha do jazz como “Good Thing”, onde sua técnica, o feeling e o som limpo da guitarra fazem muito bem aos ouvidos e à alma!!

Em 1996 Robben Ford volta ao Brasil para participar da 4ª edição do Top Cat Blues Festival, realizado em São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília, onde também participaram John Mayall, Fabulous Thunderbirds e Michael Hedges.
A partir daí sua carreira continuou com o lançamento de diversos discos, onde vale a pena conferir a coletânea “Blues Collection”, de 1997, com músicas que vão de 1971 a 1991, das bandas Charles Ford Band, Ford Blues Band, Charles Musselwhite e Jimmy Witherspoon. Também vale a pena o cd de 2001 “Tributo a Paul Butterfield” onde Robben toca com seus irmãos Mark, Patrick e Gabriel, interpretando clássicos do famoso gaitista da Califórnia.

Seu último trabalho é “Keep On Running”, de 2003, onde ele é acompanhado pelo baixista “peso-pesado” Jimmy Earl e pelos bateristas Toss Panos e Steve Potts. Neste cd você pode ouvir versões de Otis Rush com a música “Can’t Do My Homework” até a banda Cream com uma versão da música “Badge”, composta por George Harrison e Eric Clapton!

Bem, Robben Ford é isso aí, uma mistura de jazz, blues e rock, sempre com muita técnica, muita qualidade e muito feeling!!


Quer saber mais, vá até www.robbenford.com




Esse video contém apenas o audio de um encontro de Ford com o mestre do Jazz Miles Davis. Vale a pena escutar!



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