terça-feira, dezembro 14, 2010

Chet Baker

Chet Baker. Um dos maiores músicos de jazz de todos os tempos. Sua principal característica era sua voz, com um tom muito suave, o músico tinha um jeito todo particular de cantar, também tocava trompete como poucos, não era virtuoso, pelo contrário, economizava nas notas, mas improvisava com sentimento, não eram notas jogadas ao vento. Baker foi um dos criadores do West Coast Jazz, variante californiana do Cool Jazz, que foi lançado por Miles Davis e Guerry Mulligan.

A primeira vez que ouvi falar do Chet Baker, foi no álbum do Jô Soares e o Sexteto, no show tocaram a clássica “Let’s Get Lost”. Achei a canção maravilhosa e me chamou a atenção às palavras do Jô sobre o trompetista. Na época eu estava começando a curtir jazz e buscando os primeiros nomes para ouvir. Como já disse em outra postagem, minha principal referência foi o guitarrista John Pizzarelli, mas não poderia deixar de citar Chet Baker.

Chet Baker foi crucial no começo da minha caminha no jazz, além de ouvir as músicas tocadas e cantadas por ele, também encontrei vários músicos que regravaram suas canções, algo que é muito comum no meio jazzístico. Como no Musicólatras não teve nenhuma postagem exclusiva sobre ele, resolvi contar um pouco da história desse mito chamado: Chet Baker.

Chesney Henry Baker Jr, conhecido como Chet Baker, nasceu em Yale, Okahoma, em 23 de Dezembro de 1929. Criado até os dez anos em uma fazenda de Oklahoma, se mudou com a família para a Califórnia, em 1940. Seu contato com a música foi muito cedo, desde pequeno já cantava na igreja. O pai – que era guitarrista – sempre foi um incentivador e foi dele que Chet Baker, com 10 anos, ganhou um trompete e consequentemente herdou a paixão pela música. Aos 16 anos, alistou-se no Exército e começou a tocar em bandas militares.

Em 1952, ele já era músico profissional e acompanhou Charlie Parker em turnê pela costa-oeste. Em seguida, entrou para o Gerry Mulligan Quartet, considerado o criador do west coast. Fizeram apresentações em vários clubes por um ano, nessa época gravou as clássicas “My Funny Valentine” e “Moonlight in Vermont”, ambas com Mulligan. Na ocasião, Backer conquistou um novo público ao lançar-se como cantor, à frente do quarteto. O quarteto estava indo bem, até que Mulligan foi preso por posse de heroína. Com a saída de Mulligan, Chet Baker convidou o pianista Russ Freman. Viajaram pelos EUA e fizeram grande sucesso. Após um tempo, o quarteto se desfez e Baker seguiu para a Europa, onde encontrou espaço e publico para sua música; a turnê com seu novo grupo ia muito bem, até que o pianista Dick Twardzik morreu, por overdose. Novamente sozinho Baker decidiu permanecer na Europa, onde passou a tocar com vários músicos.

Apesar do seu sucesso, sua vida ia de mal a pior. Baker decide voltar aos EUA e nessa época começa a consumir heroína e consequentemente uma prisão atrás da outra. Nessa altura, Baker sequer tem autorização para tocar em lugares que servem bebidas, com isso ele resolve voltar para a Europa, morando na Itália, Baker também é preso por causa das drogas. Passado tudo isso, ele volta aos EUA em 1964 e encontra um cenário diferente, o país era dominado pela febre dos Beatles e com isso resta pouco espaço para os músicos de jazz. Então o trompetista passa a gravar álbuns estritamente comerciais e com baixo valor artístico. Durante os anos de 1970 a 1973, por causa de uma briga, Baker é obrigado a deixar o instrumento de lado. Durante uma viagem ao Colorado, Baker assiste uma apresentação do trompetista Dizzy Giullespie, em um clube. Decidido a retomar sua carreira musical, recebe o apoio de Giullespie, que entra em contato com o gerente do Half Note Club e oferece a Baker uma temporada de três semanas para tocar em Nova York.

Apesar do esforço, o seu vicio deteriorou sua reputação nos EUA, embora ele ainda fosse aclamado na Europa, onde, nos anos 70 e 80, gravou alguns de seus melhores álbuns.

Em 1985, Baker esteve no Brasil para duas apresentações na primeira edição do Free Jazz Festival. Sua banda era formada pelo pianista brasileiro Rique Pantoja, o baixista Sizão Machado, o baterista americano Bob Wyaat e pelo flautista Nicola Stilo. Ambas as apresentações foram consideradas excelentes por uns e decepcionante por outros. No mesmo ano, Chet gravou um com Rique Pantoja, o “Rique Pantoja & Chet Baker”, que foi gravado em Roma e finalizado em São Paulo.

No dia 13 de maio de 1988, Chet Baker teve um final trágico, morreu ao cair da janela de um hotel em Amsterdã. A causa do acidente até hoje é questionada e apresenta duas versões: suicídio ou excesso de drogas. Ninguém sabe ao certo o motivo de sua morte. Morreu aos 58 anos.

A história do Chet Baker é digna de filme. Um músico talentoso e ao mesmo tempo tão cheio de problemas, a maioria por causa das drogas. As transformações por causa disso foram além das prisões ou de qualquer outro motivo, Baker teve sua aparência física completamente mudada, no inicio da carreira era um jovem que conquistava as mulheres por sua beleza, com o tempo aparentava sempre ter o dobro da sua idade verdadeira. Claro que nada tira a sua importância no jazz e muito menos o seu talento. Recomendo Chet Baker a todos, principalmente para quem está começando a se aventurar pelo jazz e com certeza isso será uma experiência única na sua vida.

A discografia do Chet Baker é extensa, por isso vou deixar algumas dicas para vocês.

- My Funny Valentine (1954)
- Lets Get Lost (1959)
- Memories - Chet Baker in Tokio (1987)
- Embraceable You (1957)
- Playboys (Chet Baker & Art Pepper) – (1956)
- Le Poete Du Jazz (2003)

Nesta breve biografia sobre o Chet Baker, utilizei três fontes como pesquisa: O livreto da coleção “Clássicos do Jazz”, que inclusive conta a história do trompetista com muitos detalhes, o site E-Jazz e Wikipédia.

Chet Baker "My Funny Valentine"


Chet Baker - "Let's Get Lost"




3 Musicólatras Comentaram:

Edison Junior disse...

Ótima pedida!

Thiago disse...

Sou suspeito pra falar de Chet Baker, para mim um gênio do jazz... Pois além de ter um belo fraseado sabia usar as pausas como ninguém. Ou seja, sabia usar até o silencio a seu favor!
Ótimo post

Thiago disse...

Sou suspeito pra falar de Chet Baker, para mim um gênio do jazz... Pois além de ter um belo fraseado sabia usar as pausas como ninguém. Ou seja, sabia usar até o silencio a seu favor!
Ótimo post