terça-feira, dezembro 07, 2010

B.B. King: O Eterno Rei do Blues (Parte III)


Semana passada não tive tempo de escrever o texto da revista, mas como prometido vamos dar continuidade a matéria "B.B. King: O Eterno Rei do Blues". Se você perdeu as primeiras postagens, dê uma olhada no arquivo do Musicólatras.

Por Henrique Inglez de Souza

DO BLUES AO POP

BB King seguiu sem freio pelos anos de 1970 e 80. Ganhou outros Grammy e importantes prêmios, foi incluído no Blues Hall of Fame e no Rock & Roll Hall of Fame. Gravou discos marcantes e outros menos celebrados, mas sempre manteve o alto nível de suas performances. Além de outros hits (To Know You is to Love You, I Like to Live the Love, Let The Good Times Roll), registrou pérolas menos conhecidas, que o tempo tratou de lapidar (Philadelphia, There Must Be a Better World Somewhere, Six Silver Strings).

E mais: uniu seu blues ao pop rock do U2, gravando a canção When Love Comes to Town. Lançada no disco Rattle and Hum (1988), do quarteto irlandês, a música virou um hit. Apesar do parentesco entre os estilos, esse tipo de fusão nos leva a refletir sobre algo que se tornou um clichê: por que conseguimos identificar um bom guitarrista independentemente do tipo de música? A resposta é fácil: basta que o músico tenha personalidade e se entregue ao que está tocando sem prender-se a exibicionismos, pirotecnias, parafernália de equipamentos etc. Nesse ponto, BB King é ótimo exemplo, pois está longe de ser um velocista, mal toca bases e só precisa de uma guitarra plugada em um único amp para nos atingir diretamente no coração. Para ele, alias, o que conta é a particularidade de cada um e não os diversos subgêneros e rótulos que são criados. “Não classifico as pessoas de acordo com o tipo de música que fazem”, explica. “Para mim, todos tocam do seu próprio jeito. Sou do Mississippi, então dizem que faço country blues, Mississippi blues ou coisas assim, mas não concordo com nada disso. Apenas acredito que você toca o que toca, não importando de onde venha. É algo que se refere à pessoa”.

Dos 1990 pra cá, a veia produtiva do rei do blues deu lugar à incansável sede por turnês e shows. Foram poucos lançamentos com inéditas e muitos os álbuns ao vivo (como o maravilhoso Live at the Apollo, de 1991) ou regravações em duetos (destaque para o excelente Dueces Wild, de 1997, que traz King ao lado de David Gilmour, Tracy Chapman, Joe Cocker, Van Morrison, entre outros artistas) e coletâneas. Isso não quer dizer que ele tenha deixado de compor. Um dos álbuns com canções novas que lançou recentemente transformou-se no (talvez) o ultimo grande clássico do blues que conhecendo. Alias, o trabalho não foi só dele, mas da grande parceria com Eric Clapton. Riding with the King (2000) é daqueles disco que, se você não tem, deveria tratar de consegui-lo. Não faltam passagens de puro feeling guitarrístico – são duas lendas juntas, afinal de contas!

A TÉCNICA DE BB KING

Um dos pioneiros do blues brasileiro e grande estudioso do gênero norte-americano. André Christovam comenta o estilo de BB King e sua contribuição incalculável para a guitarra blues.

“O essencial para as pessoas entenderem o avanço técnico que BB King estabeleceu na guitarra é focar o período entre 1968 e 1972. São os discos de melhor qualidade de registro dentro e sua obra como guitarrista. Não há um álbum ruim nessa época, sendo o último Indionala Mississippi Seeds (1970), de extrema relevância guitarristica. Sem querer diminuir sua obra, a minha geração tem como referência esse BB King e não o que vem depois”.

“No inicio dos anos 1950, ele desenvolveu uma linguagem de bend e vibrato que não existia antes. É ele quem determina o surgimento dessa técnica. Falando de gravações, BB King precede Albert King e Freddie King em mais de dez anos. Já em relação ao som encorpado, começou em 1958, quando usou pela primeira vez uma Gibson ES-335, que acabava de chegar ao mercado. Esse timbre extremamente etéreo e com muito senso de espaço soa como se eliminasse todas as notas ruins que existem para serem tocadas dentro de um blues”.

“A ideia de que BB King canta e a Lucille canta depois dele é uma coisa mais adequada a se declarar no que se refere à linguagem. O fato de ele dar importância ao ritmo, de onde tocar dentro daquela simplicidade pentatônica, e de escolher frases em que usa a nota A em vez de Bb, por exemplo, representa uma abordagem única. O som BB King lembra muito, em delicadeza, o de um trompet – tem mais ‘ar”.

A série “B.B. King: O Eterno Rei do Blues” continua na próxima semana, enquanto isso aproveite para conhecer os álbuns citados nesse trecho da matéria. Vale a pena. Abraço a todos.



1 Musicólatras Comentaram:

Edison Junior disse...

Concordo, Riding with the King, com Eric Clapton, é ótimo. No Jazz & Rock tem: http://www.jazzerock.com/search/label/Eric%20Clapton
Ouçam!