terça-feira, novembro 16, 2010

BB King: O Eterno Rei do Blues.

Hoje vou começar uma série de postagens sobre BB King. A matéria que vou postar foi escrita pelo jornalista Henrique Inglez de Souza na época em que o BB King esteve pela última vez no Brasil em turnê realizando inclusive três shows em São Paulo e foi publicada na revista Guitar Player de maio de 2010. Bom à revista chegou até as minhas mãos, através do Thiago Teberga, que comprou a revista e me emprestou, como sou fã e admiro muito BB King, li toda a matéria e apesar de ser gigantesca, resolvi postar aqui no Musicólatras, claro que a revista é infinitamente melhor, principalmente pelas fotos, mas para quem não pode adquirir a revista, ao menos vai ler a matéria. No mais essa matéria é uma viagem na vida e na carreira do rei do Blues, espero que gostem.

Por Henrique Inglez de Souza

Estar ali com BB King me fez pensar em muitas coisas. Afinal era aquela mão que eu apertava a responsável por canções e timbres da mais fina estampa bluseira. Um toque peculiar, que há décadas tem angariado gerações de admiradores – músicos ou não. E isso só é possível graças ao dom quase divido que esse experiente músico tem para tocar guitarra. É alguém que sabe tratar o instrumento com talento e carinho. Delicadeza esse que não está necessariamente ligada ao manuseio, mas sim ao que vem do sentimento – como ele mesmo ressaltou: “Toco o que sinto. Meu estilo é apenas a maneira como toco”. E o segredo é simples: “Cada vez que pego a guitarra, tento tocar melhor do que antes”.

Celso Blues Boy, um dos pioneiros do blues brasileiro, conheceu de perto o trabalhou com o mestre. Ele disse: “O que acho mais brilhante no BB King é a sinceridade que vai de sua alma para o braço da guitarra. Não apenas a sua técnica de bend com vibrato, mas a sua sinceridade e pureza como ser humano. Quem o conhece sabe que ele é uma pessoa muito legal e generosa. De todos os anos que convivi com ele, essa foi a única coisa em que sempre pensei. Somente alguém que faz essa ligação tão forte do braço da guitarra com a alma pode fabricar aquele som”.

Pensar em BB King, portanto é mergulhar em uma longa história, escrita a partir dos predicados que fazem desse guitarrista uma lenda, o eterno rei do blues.

DAS PLANTAÇÕES DE ALGODÃO AOS PALCOS DO BLUES

Há mais de 70 anos, aquela mesma mão que me cumprimentava era usada para o trabalho na colheita de algodão em um remoto Mississippi, Estados Unidos. BB King então apenas o jovem Riley King, cumpria os deveres do campo, mas também dedicava-se a cantar no grupo gospel do qual participava. Música era a sua grande diversão. Gostava da maneira como as melodias lhe seduziam. Além de soltar a voz (ele queria ser cantor gospel), passou também a se interessar por tocar um instrumento. Assim, comprou o primeiro violão, um Stella, no inicio dos anos 1940. “Cresci no interior do país”, conta. “Não havia eletricidade, então o que tínhamos para tocar eram violões”. E frisou: “Sou autodidata. Não tive professor”.


Depois de pegar intimidade com o instrumento, BB King encorajou-se a tentar a vida musical em outras plagas. Em 1946, pegou um ônibus rumo a Memphis, onde morava o primo que o acolheu, o musico, Bukka White. A cera de lá oferecia mais possibilidades – “naquela época , decidi o que queria fazer para viver”. A missão, porém, durou meses e o obrigou a desistir por não ter dado certo. Contudo, mais preparado, resolveu arriscar novamente e lá foi ele para a mesma cidade, em 1948, As coisas foram melhores e, finalmente , conseguiu um bom emprego. Começou a trabalhar como cantor e locutor na rádio WDIA, uma estação dedicada ao R&B. Nessa época, ganhou o promissor apelido de Beale Street Blues Boy (depois abreviado para B.B). Estava em contato direto com a música, o que lhe possibilitou momentos fundamentais, como encontrar um dos seus ídolos, T-Bone Walker – que o inspirou a comprar uma guitarra.

Em entrevista à Guitar Player norte-americana, em 1977, BB King falou do quanto admirava o lendário musico: “T-Bone Walker foi o primeiro guitarrista com um som distinto que ouvi, diferente de todo mundo. Era um timbre que só ele conseguia produzir. T-Bone podia tocar qualquer guitarra, em qualquer amp, que seria capaz de criar aquele mesmo som. Ele era o cara”.

Outras de suas referências incluem os bluseiros Lonnie Johnson, Blind Lemon Jefferson, Elmore James, Robert Lockwood, Memphis Slim, Sam “Lightnin” Hopkins, Lowell Fulson, seu primo Bukka White e Ivory Joe Hunter (de quem regravou músicas como o clássico “Since I Met You, Baby”). Também estão no time jazzistas como Charlie Christian e Django Reinhardt, de quem BB King gosta bastante e admite carregar algo em seu estilo: “Sempre fui louco por Django. Adoro seu jeito de tocar”.

Ainda no final da década de 1940, BB King realizou suas primeiras gravações. Estreou em 1949, quanto lançou o pouco expressivo single “Miss Martha King”, pela Bullet Records. Depois, já entre os artistas contratados da RPM Records, passou a intensificar o ritmo de trabalho. Nessa nova etapa, muitos compactos que gravou contaram com a produção do competente Sam Phillips (futuro fundador da emblemática Sun Records). A movimentada rotina em estúdio era acompanhada pela presença cada vez maior nos palcos. BB King mostrou-se um competente músico “estradeiro”.

A demanda de shows pelos EUA o manteve bastante ocupado. Alimentou um embalado que não parou mais. A vontade de tocar era tamanha que chegou a fazer 342 shows apenas no ano de 1956. Uma marca impressionante e reveladora do grau de consagração que o bluesman havia alcançado. Era, sim, uma celebridade!

Uma boa trilha sonora para resumir os anos de 1950 de BB King deve ter, ao menos, as canções “Wok Up The Morning”, “Please Love Me”, “Whole Lotta Love”, “You Upset Me Baby”, “Every Day I Have the Blues”, “Ten Long Years”, “Bad Luck” e “Sweet Little Angel”. “Quando me perguntam o que ouvir para aprender blues, sempre recomendo BB King dos primórdios, suas primeiras gravações – tenho o cuidado de enfatizar primeiras gravações, as do início da carreira mesmo”, aconselha Nuno Mindelis, um dos grandes nomes do blues no Brasil.

Bom pessoal por enquanto é isso, na próxima semana a história do rei do blues continua.....



3 Musicólatras Comentaram:

Edison Junior disse...

Podia jurar que o "King" era título e não o sobrenome dele, pois ele bem o merece.
B.B.King é fantástico. Assisti-o uma vez ao vivo e é um espetáculo inesquecível.
Ótimo post! Aguardamos a sequência!

Daniel disse...

Só o fato dele ter o sobrenome KING, já mostra que ele é mesmo um predestinado !

Rafhael Vaz disse...

Podia jurar que o "King" era título e não o sobrenome dele, pois ele bem o merece.[2]

Muito Bacana Daniel!! Vou acompanhar estas postagens de perto.

Abraços!!