terça-feira, novembro 23, 2010

BB King: O Eterno Rei do Blues (Parte II)

Como prometido semana passada no post “BB King: O Eterno Rei do Blues”, vamos seguir em frente e dar continuidade a matéria da revista Guitar Player. Se alguém perdeu a primeira parte, não fique desesperado, pois há uma solução simples e fácil: Clique Aqui.

Por Henrique Inglez de Souza

SUCESSO MUNDIAL

Até 1959, BB King avolumou com muita intensidade sua discografia. Foram pouco mais de 50 singles. Um inicio de carreira heróico e notável, já que estamos falando de uma época em que talento e personalidade eram ferramentas vitais ante aos parcos recursos da mídia existentes. O musico tinha que mostrar serviço no palco, na raça. Talvez mais autentica e inspirada, tornando os artistas mais distintos entre si – pelo menos, não tão pasteurizados como hoje em dia.

Foi utilizando-se do esquema “poucas notas/muito feeling”, que BB King desenvolveu uma pegada consistente. Como acordes nunca foram seu forte, consolidou sua personalidade musical à base da improvisação. Seu truque estava justamente em fazer da simplicidade uma marca muito especial. “Eu toco e canto, mais nunca ambos ao mesmo tempo, porque não os consigo fazer juntos muito bem”, descreve. “Componho do mesmo jeito que sei falar. Ou seja, quando estou com uma guitarra, não me preocupo em fazer algo. Apenas toco o que me der vontade, de acordo com o que estou sentindo”. E o recurso mais vistoso dessa fórmula todos nós sabemos de cor: seu vibrato inconfundível – referência para inúmeros guitarristas mundo afora.

Nuno Mindelis comentou sobre a pegada do mestre: “O solo ‘econômico’ de BB King é único e derivou de sua frustração de nunca conseguir tocar como um dos seus maiores ídolos, T-Bone Walker . Ele percebeu que nunca chegaria perto daquela técnica e elegância, então ‘tirou a mão’, literalmente. O intuito era simplificar, e isso resultou na guitarra mais proeminente e importante do blues de todos os tempos. Em uma entrevista, há muitos anos, quando perguntando sobre a razão daqueles solos tão curtos – uma coisa inédita -, BB King brincou dizendo serem para economizar a guitarra”.

Já nos anos 1960, o bluesman inaugurou uma nova etapa em sua carreira, e o marco pode ser considerado o aclamado disco ao vivo “Live at The Regal” (1965) .Mesmo mantendo suas raízes, o guitarrista conseguiu soar conectado a elementos modernos, aberto a outras tendências. Além do mais, ele está soando realmente inspirado e despeja gás de sobrea nas performances das dez faixas que compõem o repertório. Embora ele não veja o álbum com tamanha empolgação, a história o elegeu como um dos melhores registros do blues.

Em determinados momentos, seus licks e groove nos fazem entender a origem de um estilo que estava em plena ebulição na época: o rock. Eram os anos dos Beatles, Rolling Stones, Jimi Hendrix, The Who, Led Zeppelin, entre outros gigantes. A maioria influenciada diretamente pelos mestres do blues, como BB King. Jimi Hendrix, por exemplo, era um fã assumido. Ambos, inclusive, protagonizaram um encontro antológico no palco do Generation Club (Nova York/EUA), em 1968. O registro desse show se transformou no bootleg “The King’s Jam”. Outra marca dessa admiração está na faixa Love Man (recém lançada no disco Valleys of Neptune), a qual Hendrix moldou a partir de uma das canções de maior expressão do BB King, Rock Me Baby.

Quem também fazia questão de mostrar sua devoção eram os Rolling Stones. A banda britânica, por sinal, teve papel importante na trajetória de BB King. Em 1969, convidou-o para ser uma das atrações de abertura da turnê pelos Estados Unidos – as outras atrações foram Terry Reid, Ike and Tine Turner e, eventualmente, Chuck Berry (Janis Joplin participou do show em Nova York, no Madison Square Garden).

A The Rolling Stones American Tour 1969 foi marcante por diversas razões. Se, do lado do quinteto, o guitarrista Mick Taylor fazia sua estreia ao lado de Keith Richards, no que se refere a BB King, trouxe-lhe visibilidade e o aproximou de um novo publico. O bluesman ficou ainda mais popular na virada da década e isso ajudou a tornar os anos seguintes um terreno fértil para sua música. “Tanto You’re Mean como So Excited são belíssimos exemplos do que se deve aprender sobre BB King e sua espetacular banda da época”, afirma Nuno Mindelis, referindo-se a canções lançadas naquele ano.

O primeiro indício de que os ventos sopravam a favor veio ainda no final de 1969. Foi o single The Thrill Is Gone, composição de Rick Darnell e Roy Hawkins. Apesar da versão original ter sido gravada em 1951, a canção ganhou a simpatia popular e ficou mundialmente conhecida graças à bela releitura de BB King, 18 anos depois – a faixa saiu no disco Completely Well.

Essa é uma das suas gravações mais conhecidas. Melhor dizendo, transformou-se em um de seus grandes clássicos – talvez o principal. Lá estão marcas típicas de seu estilo: vozeirão firme e forte amparado por solos de notas encaixadas nos pontos exatos e vestidas com aquele timbre levemente aveludado. O arranjo, bem diferente do gravado por Roy Hawkins, também traz um clima envolvente por conta das cordas. A música conquistou público e crítica, e ainda rendeu um cobiçado Grammy (1971) de melhor cantor de R&B.

BB King - "The Thrill Is Gone"


Bom por hoje é só. Semana que vem a matéria continua pessoal. Abraço



2 Musicólatras Comentaram:

Edison Junior disse...

Ótima a continuação. BB King é fantástico!

Rafhael Vaz disse...

Dessa dos acordes eu não sabia. Descobrindo algumas curiosidades nestes posts.

Abraços!!