segunda-feira, agosto 16, 2010

Review: Iron Maiden - "The Final Frontier" (2010)

Por Daniel Argentino

Desde que foi anunciado o lançamento do 15º álbum de estúdio do Iron Maiden, os fãs e a mídia especializada aguardaram ansiosamente por alguma novidade. O lançamento estava previsto para o segundo semestre de 2010 e no decorrer dos meses a expectativa aumentou ainda mais quando o Iron Maiden decidiu disponibilizar em seu site oficial o primeiro single do álbum: “El Dorado”. Na ocasião houve até contagem regressiva no site e não precisa dizer que o congestionamento foi inevitável. O mundo inteiro queria ouvir a nova música da Donzela de Ferro. Pouco tempo depois outra novidade, a banda disponibilizou o primeiro vídeo clipe com a música “Satellite 15...The Final Frontier”. O clipe muito bem produzido por sinal.

Eu tive a oportunidade de ouvir e não me arrependo nem um pouco por isso. E desde o momento que ouvi, senti a necessidade de expor minha opinião sobre o álbum. Resolvi postar a resenha hoje, dia 16 de Agosto, por ser a data do lançamento oficial do álbum.

Li em alguns sites que a gravadora EMI promoveu um evento para audição do álbum, onde muitos jornalistas estiveram presentes. Depois disso choveu análises de todos os lugares do mundo, falando sobre “The Final Frontier”, aos poucos o mistério ia sendo revelado. E uma semana antes do lançamento oficial, aconteceu o inevitável: o vazamento do álbum na internet.

O álbum “A Matter of Life and Death” (2006) foi o último lançado pela banda e me agradou muito pela sonoridade e as letras, claro que eu não esperava nada igual aos clássicos dos anos 80, mas de certa forma fiquei satisfeito com o que eu ouvi. Desde o “Brave New World” (2000), que contou com a volta do Bruce e do Adrian, o Iron vem numa mudança constante, talvez por que não precisam provar mais nada a ninguém e também por que as pessoas mudam e consequentemente suas ideias, é o curso natural da vida. O fato é que “The Final Frontier” soa tão desafiador e inovador, quanto os álbuns “Brave New World”, “Dance Of Death” e “A Matter of Life and Death”.

Porém o primeiro impacto foi sentido logo no lançamento da capa, que foi divulgada na internet um tempo antes dos outros materiais. Esqueça o Eddie dos álbuns anteriores, o mascote criado por Derek Riggs e que ficou conhecido de várias formas, entre elas o ciborgue e o morto vivo, agora no desenho elaborado por Melvin Grant, o mascote mais conhecido do heavy metal, ganha traços alienígenas, no melhor estilo predador.

Em relação às músicas a Donzela novamente surpreendeu, tanto no instrumental quanto nas composições bem elaboradas. Segue abaixo uma breve resenha faixa-a-faixa.


01.Satellite 15...The Final Frontier: Foi a segunda música divulgada pela banda, junto com o vídeo clipe. Assim como “Aces High”, “Be Quick Or Be Dead” e “The Wicker Man”, não é dificil imaginar que talvez essa seja a escolhida para abrir os shows do Iron na proxima turnê. Os 4 primeiros minutos soam estranhos demais, uma mistura instrumental com guitarras distorcidas, baixo e batera em um som alucinante, isso sem falar do Bruce que entra cantando em meio ao turbilhão sonoro. Em seguida a música começa com uma levada bem hard rock, o peso é inevitável, as guitarras surgem com riffs bem estruturados e um solo marcante, e claro Bruce Dickinson com um vocal cada vez mais preciso, oscilando em uma linha melodica e agressiva.

02.El Dorado: Os fãs já estavam familiarizados com essa música, afinal foi o primeiro single do álbum. Começa com o peso das guitarras e a batera de Nicko McBrain, em seguida entra uma das marcas registradas do Iron Maiden, aquele som cavalgado, eis que surge o baixo preciso de Steve Harris acompanhado pelas guitarras. A música passa por momentos diferentes, o começo forte e pesado, até entrar em um refrão melódico, onde Bruce mostra mais uma vez toda sua técnica, o solo apesar de muito bem executado, não apresenta nenhuma novidade. O interessante é o final, digamos ao melhor estilo clássico.

03.Morther Of Mercy: Lembra e muito as músicas do álbum “A Matter of Life and Death”, por dois motivos, o instrumental e a temática da letra: guerra. Sem falar que por mais diferente que ela possa ser, é uma música que tem a “cara” do Iron Maiden. O inicio é marcado pela guitarra melódica, uma intro muito bem feita, a voz do Bruce aparece de maneira suave, com um ar sombrio, porém bem melódico, a música até parece uma balada, mas não se enganem. Novamente o Iron usa e abusa do peso, a música ganha outra direção, com muita pegada, riffs bem colocados, viradas precisas de Nicko McBrain, o baixo marcante de Steve Harris e a letra com um refrão grudento, uma marca registrada do Iron.

04.Coming Home: Pode ser considerada como a primeira balada do álbum, uma melodia bem sutil, que oscila durante toda a música, o inicio bem cadenciado e depois de um refrão impecável, a música ganha um toque mais pesado, mas nada exagerado. Essa música é outra que podemos chamar de “marca registrada”, o solo é emocionante, melodia pura. Certamente irá agradar a todos, sem dúvida uma das melhores do álbum.

05.The Alchemist: Uma surpresa até certo ponto esperada, se é que posso dizer assim. Essa música nos remete aos velhos tempos, lá nos anos 80. Um heavy metal tradicional clássico, com um andamento bem mais rápido, guitarras, baixo e bateria a mil por hora, Bruce cantando com muita propriedade e relembrando os bons tempos. Uma música que se encaixaria muito bem no álbum “Powerslave”.

06.Isle Of Avalon: A introdução dessa música lembra e muito as do álbum “Seventh Son Of A Seventh Son”, primeiro por causa do ritmo acelerado, é possível ouvir com clareza o baixo do Steve Harris e a bateria de Nicko McBrain em uma batida sincronizada, enquanto Bruce surge com uma voz em um tom baixo e cadenciado, a música segue o mesmo ritmo por alguns minutos, porém o tom de voz de Bruce sobe ainda mais, até que a música muda completamente e ganha um tom bem mais pesado e acelerado, destaque para o desempenho do Bruce, inquestionável. O solo começa em meio a um som bem progressivo, Nicko McBrain simplesmente mandando muito bem, enquanto o solo de guitarra é executado. Depois do solo a música oscila, são 9 minutos de um heavy metal frenético e muito bem tocado. Não comparando, mais essa música lembra alguns pontos da “Paschendale” (álbum Dance of Death). “Isle Of Avalon” merece um destaque a mais no álbum.

07.Starblind: Abre com uma introdução curta, melódica, com Bruce cantando em um tom mais baixo, até que o peso das guitarras muda completamente o sentido da música, transformando em um heavy metal bem pesado e com a mesma pegada melódica do inicio. O destaque vai para Adrian, Dave e Janick, os três estão perfeitos, executando os solos com muita maestria e sem atropelamentos, cada um contribui da melhor forma possível e o resultado não poderia ser melhor. “Starblind” lembra as musicas do “Brave New World”, não possui uma sequencia lógica, a música parece que vai ganhando forma conforme é executada, essa é a sensação.

08.The Talisman: Começa com toque folky, sombrio e misterioso, Bruce com toda sua experiência, canta cada palavra em um tom sinistro, como se estivesse contando uma história de magia e terror. Quando menos se espera a banda surge com todo peso, Bruce que cantava calmamente, muda completamente para um vocal agressivo e melódico, em um tom muito mais alto, acompanhado pelos riffs de Adrian, Dave e Janick, e o baixo marcante de Steve Harris. “The Talisman” caberia tanto no “A Matter of Live and Death” como no “Dance of Death”. São 9 minutos de um heavy metal contagioso, destaque para Bruce Dickinson, que impressiona pela sua forma de cantar. Aos 52 anos, Bruce continua mandando bem demais e com fôlego de um jovem em inicio de carreira.

09.The Man Who Would Be King: Tem um começo sombrio e harmonioso, os solos curtos anunciam mais uma daquelas músicas épicas do Iron Maiden. E não demora muito para descobrir isso, depois de uma introdução lenta, onde Bruce canta de maneira bem melódica, a banda surge com peso, Nicko McBrain parece anunciar em sua batera um inicio avassalador, tudo parece meticulosamente preparado, até que, Bruce surge cantando com toda força, cercado por palhetadas precisas e com Steve Harris novamente inspirado em seu fender. O tom progressivo é evidente, a banda muda o sentido da música de uma hora para outra, destaque para Nicko McBrain que se mostra muito bem nas viradas e nos ritmos quebrados, afinal sua batera gigante dita o ritmo para a banda. Assim como as outras que eu citei, “The Man Who Would Be King” poderia muito bem ter saído do álbum “A Matter of Live And Death”.

10.When The Wild Wind Blows: Épica. Não há outra palavra para descrever essa música. Baseada na história em quadrinhos – que tem o mesmo título – de Raymond Brigg, que fala sobre um ataque nuclear na Inglaterra. A música começa com o sopro do vento, enquanto uma introdução surge melódica, em seguida Bruce começa a cantar com o mesmo tom baixo das outras músicas, até que a música rompe em um tom bem mais alto, as guitarras ditam um ritmo melódico e Bruce segue cantando de um jeito fascinante e emocionante. Essa música é épica em todos os sentidos, a letra escrita por Steve Harris, é um misto de desolação e terror, anunciando um ataque nuclear e mostrando a sensação das pessoas, talvez de encontrar um abrigo ou então de não poder fazer mais nada a não ser, sentar e esperar pelo pior. “When The Wild Wind Blows” é um clássico anunciado, uma das melhores músicas gravadas pela Donzela, são 11 minutos que passam num piscar de olhos, a música prende o ouvinte de uma maneira que há como descrever em palavras. A atmosfera criada pela música é muito variada, cheio de melodias, solos e que termina da mesma forma que começou, um instrumental melódico, Bruce em um tom quase sussurrado e o sopro do vento.

Esse álbum é a prova de que o Iron Maiden continua mais vivo do que nunca. “The Final Frontier” surpreendeu em todos os sentidos, as letras bem elaboradas – que sempre foram uma marca registrada da Donzela – o instrumental foi criativo e inspirado, a sensação que passa é de uma banda renovada e livre para fazer o som que quiser. O Iron Maiden encerra mais uma década no auge, que começou com “Brave New World”, depois “Dance of Death”, “A Matter of Live And Death” e por fim “The Final Frontier”. O resultado é uma banda equilibrada, Dave, Adrian e Janick literalmente “voando baixo” nas guitarras, com muita inspiração e determinação, Nicko McBrain sempre preciso e comandando sua batera gigante como ninguém, Steve Harris continua soberano no baixo, tocando como sempre e Bruce Dickinson mantendo a sua boa performance nos vocais, talvez ainda melhor, devido a sua experiência.

Se “The Final Frontier” será um clássico, só o tempo irá dizer, mas uma coisa o álbum já é capaz de mostrar, que o Iron Maiden continua soberano no assunto heavy metal. Up The Irons!

Iron Maiden - "When the Wild Wind Blows"



2 Musicólatras Comentaram:

Jefferson disse...

o álbum é realmente excelente, mostra toda a maturidade da banda e a capacidade de evolução constante.

Ótimo post, para ver minha resenha do álbum clique no meu nome

abraço!

Anônimo disse...

Hoje, após ouvir infinitas vezes este otimo album, só posso dizer: perfeito!

Ótima resenha !

Só tenho um comentário (que vale para todas resenhas, não só para esta):
Deve-se ouvir muito um album antes de critica-lo.

Quem ouviu Black Sabbath/Black Sabbath em seu lançamento nos meados de 70 ???
O melhor comentário na época, no máximo era: "demoniaco".
Hoje: CLÁSSICÁSSO INDISCUTÍVEL !

Então acho que é preciso conhecer mais de um album, mesmo que demora um pouco mais para se fazer uma resenha.