sexta-feira, julho 16, 2010

Uma breve história do jazz – A Era do Swing

It don’t mean a thing if it ain’t got that swing! Uá-uá-uá-uá-uá-uááá!


Esse é o refrão de uma das músicas mais swingadas do período conhecido como a Era do Swing. Não por coincidência, esse tema foi gravado pela primeira vez por uma das orquestras mais famosas de todos os tempos, a de Duke Ellington (1899–1974), em 1932. Oficialmente, porém, considera-se que o período em referência foi inaugurado em 1935, com os primeiros sucessos da orquestra de Benny Goodman (1909–1986), o Rei do Swing.

Pela primeira vez, um personagem antes quase desconhecido passou a receber tanto destaque quanto o compositor e o músico propriamente dito: o arranjador. O primeiro deles foi Don Redman, que também era saxofonista. Redman transformou a grande orquestra de jazz, separando os instrumentos por grupos idênticos ou aparentados e opondo os que não o fossem. Os melhores arranjadores captavam o processo criativo das improvisações dos grandes solistas, utilizando-o nas partes escritas, mas deixando seções inteiras para os músicos solarem e improvisarem. Por trás de cada grande orquestra, havia pelo menos um arranjador de talento. O próprio Benny Goodman começou como arranjador. Glenn Miller (1904-1944) foi outro.

O swing surgiu numa época em que as transmissões de rádio já alcançavam o país inteiro. Os programas com orquestras iam ficando mais e mais populares. Além disso, a qualidade das gravações foi ficando cada vez melhor. Os jovens músicos faziam boa parte de seu aprendizado ouvindo os discos e os programas de rádio, pois a notação musical por si só não é capaz de transmitir a sonoridade jazzística. Outras revoluções ocorreram por essa época: jazz e música popular passaram a ser vistas como sinônimos; orquestras só de negros ou só de brancos começaram a dar lugar a orquestras mistas; e as pessoas começaram a dançar o jazz.

Um dos maiores momentos do swing foi o concerto de Benny Goodman no Carnegie Hall, em 15 de janeiro de 1938. A música do vídeo abaixo, embora não seja uma gravação do referido show, representa muito bem o que foi aquela noite. A bateria de Gene Krupa (1909-1973) ataca desde o início e costura entre os solos dos demais músicos. Sozinha, soa como centenas de tambores de tribos africanas. Essa é uma versão reduzida da música. No Carnegie Hall, tinha mais de 10 minutos de duração. Raios, eu bem que podia estar lá!


Por falar em Krupa, foi graças a ele que o solo de bateria se tornou um elemento obrigatório em uma orquestra de swing. Outros grandes nomes ganhavam destaque nas orquestras. A de Tommy Dorsey (1905-1956) por exemplo, atingiu o auge de sua popularidade graças a um jovem cantor novaiorquino chamado Frank Sinatra (1915-1998). Como se isso fosse pouco, nela também tocou Buddy Rich (1917-1987), um dos bateristas mais técnicos de todos os tempos. Dos que se iniciaram em uma orquestra, além dos já mencionados, não podemos deixar de fora Roy Eldridge, Benny Carter (1907-1987), Lester 'Prez' Young (1909-1959), Charlie Christian (1916-1942) e Chuck Berry (1926)… sim, Chuck Berry.

Não dá pra falar de todas as orquestras, mas não podemos deixar de mencionar outras, embora ainda esteja longe de ser uma lista completa, que são as de Artie Shaw (1910-2004), Teddy Wilson, Harry James (1916-1983) – que toca no vídeo acima, Chick Webb (1905-1939) - que lançou Ella Fitzgerald, com apenas 17 anos, Woody Herman e Count Basie (1904-1984).
 


A entrada dos EUA na 2ª Guerra (1939-1645) alterou completamente o cenário musical americano. Muitos músicos foram convocados ou se voluntariaram para lutar, desfalcando as orquestras. Músicos iniciantes, alguns com 15 anos (!), que em condições normais só teriam uma chance alguns anos depois, tiveram a oportunidade de mostrar seu trabalho precocemente. A economia de guerra racionou o consumo de gás, o que limitava os deslocamentos das bandas. Junte a isso uma greve contra as gravadoras promovida pelo Sindicato dos Músicos que abriu o mercado para os cantores, os quais não eram sindicalizados, que fez com que os estúdios passassem a evitar as bandas. Além disso, alguns músicos mais jovens começavam a descobrir uma nova forma de fazer jazz, o Be-bop.

Poucas grandes orquestras sobreviveram a esse momento. Somente as muito competentes, como a de Duke Ellington, Count Basie e Harry James, de onde Buddy Rich saiu em 1966 para montar sua própria orquestra. Outra que poderia ter sobrevivido, pois vivia seu auge durante a guerra, era a de Glenn Miller. Ele foi voluntário e serviu em Londres, onde passou a dirigir a banda do exército americano para levar alento aos recrutas que estavam longe de casa. Um belo dia, tomou um avião para a França, onde faria uma apresentação. O avião nunca chegou ao seu destino.
 


Mas nada disso tem significado se não tiver aquele swing. Uá-uá-uá-uá-uá-uááá…

Leia mais em:
Uma breve história do jazz – O início
Uma breve história do jazz – O elo perdido
Uma breve história do jazz – The Trumpet Kings
Uma breve história do jazz – O Blues



4 Musicólatras Comentaram:

Daniel disse...

Outro excelente post sobre a história do jazz, parabens Edison.

Eu curto muito o jazz swing e o bebop. Você mesmo citou nomes incriveis, orquestras que ficaram marcadas no jazz.

Queria aproveitar e fazer um pedido. O proximo post sobre a "História do Jazz", poderia ser sobre o Bebop ?? rs.

Abraço
Daniel

Edison Junior disse...

Tá na fila. Primeiro tem as divas. Abraços!

Daniel disse...

Opa valeu Edison, vou aguardar.

Abraço

Rafhael Vaz disse...

Ótimo post Edison!!
Também gosto bastante do jazz swing. Muito bacana sua iniciativa dos posts seguindo a história do jazz.
A espera do próximo.

Abraços!!