terça-feira, junho 01, 2010

Os "Supergrupos"


Não é de hoje que os “supergrupos” chamam à atenção, o termo é usado para definir uma banda formada por músicos consagrados, que tiveram reconhecimento em uma banda ou na carreira solo. É como se fosse uma reunião de amigos, que resolvem se encontrar e mandar um som juntos. Na minha visão a definição de “supergrupos” é basicamente esta.

Ao longo dos anos vários “supergrupos” foram formados e o primeiro registro foi na década de 60, quando Eric Clapton formou o “Cream” juntamente com o baixista Jack Bruce e o baterista Ginger Baker.

A lista de “supergrupos” é extensa. Porém isso não é apenas uma exclusividade do mundo do rock, no cenário do jazz é muito comum encontrar formações que até certo ponto seriam consideradas inimagináveis, como por exemplo o quinteto formado por Charlie Parker, Dizzy Gillespie, Bud Powell, Charles Mingus e Max Roach. Existem outros exemplos que chegaram a ser considerados “supergrupos” mais que marcaram época devido a formação. Hoje ainda é possível prescenciar a reunião de músicos consagrados em um único trabalho.

Para não prolongar muito a postagem, hoje vou citar dois “supergrupos” que estão em evidência no momento: Chickenfoot e Them Crooked Vultures. Certamente você já deve ter ouvido falar.

THEM CROOCKED VULTURES

O trio é formado por nomes consagrados como, John Paul Jones (baixo), eternizado no Led Zeppelin e Dave Grohl (bateria) tocou no Nirvana e atualmente está no Foo Fighters. O guitarrista e vocalista Josh Homme, que completa o trio, integra as bandas Queens of Stone Age e Kyuss. O projeto começou a tomar forma em 2005, quando Dave Grohl teve a idéia de formar uma “superbanda”, mas durante um tempo ficou meio que adormecida e agora em 2009 eles finalmente concretizaram o projeto.

O trio chegou no cenário musical cercado de expectativas e apresentou o seu primeiro trabalho, auto intitulado “Them Crooked Vultures” . O resultado justifica a espera e as expectativas, com um som excepcional, riffs pesados e refrões grudentos, com uma coesão que impressiona e que demonstra o entrosamento e a maturidade musical dos músicos. Tudo soa maravilhosamente bem, tudo encaixado perfeitamente na medida exata. As letras também são destaque, composições com conteúdo – algo que é cada vez mais raro na música atual – porém o trio prezou por isso.

É possível perceber as influências de cada músico, sentir um pouco da sonoridade do Led Zeppellin nas músicas “Scumbag Blues”, "Reptiles" e “Elephants”, o rock do Foo Fighters também é lembrado, principalmente na faixa “Mind Eraser, No Chaser” e por Josh Homme ser vocalista do Queens Of The Stone Age, durante as músicas é notável uma influência, em especial as faixas “Dead End Friends” e “Bandoliers”. Outras músicas que merecem destaque são, "Warsaw Or The First Breath You Take After You Give Up" – que soa um rock psicodélico -, “No One Loves Me & Neither Do I”, “New Fang” , "Caligulove" e “Gunman”.

Them Crooked Vultures - "New Fang"


Them Crooked Vultures - No One Loves Me & Neither Do I (Live at Palladium)



CHICKENFOOT

A exemplo do Them Crooked Vultures que surgiu para o cenário cercado de expectativas e com músicos consagrados, com o Chickenfoot não foi diferente. O nome está longe de ser chamativo ainda mais para uma banda de hard rock. Porém o que chama mesmo a atenção é a formação: Sammy Hagar (vocal) Michael Antohony (Baixo), ambos ex-Van Halen, Joe Satriani (Guitarra) e o Chad Smith (Bateria), ex-Red Hot Chilli Peppers.

O projeto inicialmente surgiu como uma brincadeira e acabou se transformando em banda e conseqüentemente no lançamento do primeiro álbum, “Chickenfoot”. O som é empolgante, com riffs pesados, groove e boas letras. Apesar de soar um som atual, a atmosfera é setentista e o que se vê é o bom e velho rock e algumas pitadas de blues e funk. Destaque para todos os músicos, Sammy Hagar apresenta um vocal equilibrado, com um timbre muito bom e agressivo na hora necessária, por outro lado Joe Satriani dispensa apresentações, um guitarrista consagrado e considerado virtuoso, no Chickenfoot tem um papel decisivo, com riffs pesados e solos bem elaborados, o baixista Michael Antohony não faz por menos, ao mesmo tempo que acompanha a batida clássica do hard rock, ele da o seu toque especial com grooves bem feitos e bem perceptíveis e por fim o baterista Chad Smith que também se sobressai em vários pontos do álbum.

As músicas em sua maioria são empolgantes, o álbum começa com “Avenida Revolution”, um excelente cartão de visita e depois continua com uma sequencia bombástica, “Soap on a Rope”, “Sexy Little Thing” e “Oh Yeah”. Destaque também para “Get it Up”, "Down the Drain", “My Kinda Girl” e a balada “Learning To Fall”.

Chickenfoot "Avenida Revolution" (DVD Live in Montreux)


Chickenfoot "Sexy Little Thing" (DVD Live in Montreux)



Não poderia deixar de falar sobre o Neural Code. Na minha opinião o trio pode ser considerado um "supergrupo".

NEURAL CODE

Formado por Cuca Teixeira (bateria), Kiko Loureiro (guitarra) e Thiago Espirito Santo (baixo), Neural Code apresenta uma eletrizante mistura de instrumental, rock e jazz, criando uma sonoridade contemporânea e brasileira. Na bagagem desses três grandes instrumentistas brasileiros nós encontramos Cuca Teixeira, um baterista de formação jazzística, que já trabalhou com gênios do Jazz como Joe Lovano, Michel Brecker e George Benson e figuras da MPB como Paula Lima, Maria Rita e Marina Lima; Kiko Loureiro, um guitarrista de rock e fusion, mundialmente conhecido por seu virtuosismo e musicalidade, que há 17 anos é o guitarrista da banda Angra; Thiago Espirito Santo, renomado contrabaixista da musica instrumental brasileira contemporânea vem para fechar o trio com seu jeito inconfundível de tocar, tendo atuado ao lado de músicos como Hamilton de Holanda, Yamandú Costa, Toninho Horta e Hermeto Pascoal. Em seu primeiro trabalho o trio apresenta oito composições inéditas concebidas em uma série de encontros informais, criando uma experiência única para todos, pois foi possível desenvolver uma linguagem totalmente nova, extraindo o melhor de cada músico e suas influências contidas no percurso de cada uma das carreiras. Assim nasceu o som do Neural Code, que é nitidamente matemático, musical e brasileiro.

Fonte: Myspce Neural Code

Neural Code "Drenal" (Programa Pontapé Inicial - ESPN Brasil)


Os "supergrupos" continuaram existindo, seja na vida real ou apenas no pensamento das pessoas, afinal quem nunca pensou naquela formação que seria digamos: a perfeita.

E pra você, qual seria o "supergrupo" ideal ?


Confira os "Supergrupos" que foram formados ao longos dos anos: Clique Aqui



4 Musicólatras Comentaram:

Rodrigo Nogueira disse...

Acho que o conceito de supergrupo anda banalizado.

Para mim, supergrupo é aquele formado por amigos de bandas diferentes que decidem se juntar, só que o nível dos músicos é altíssimo. Hoje em dia já é considerado um supergrupo se forem integrantes (ou ex) de bandas famosas, apenas isso. Ou seja, será que dá pra chamar de supergrupo o formado pelo vocalista do Restart, o baixista da CPM22, o guitarrista da Pitty e o batera do, ah sei lá, escolhe uma dessas bandinhas emo de hj... Bem, acho que deu pra entender meu ponto de vista, rsss.

O maior supergrupo de todos os tempos, na minha opinião é o formado em 1959 por Miles Davis (trompete), John Coltrane (sax tenor), Cannonball Adderley (sax alto), Bill Evans (piano), Wynton Kelly (piano), Paul Chambers (baixo) e Jimmy Cobb (bateria). Juntos eles gravaram aquele que eu considero o melhor disco da história: Kind Of Blue

Abração!

Emmanuella disse...

Talvez o meu supergrupo favorito sempre tenha sido o Audioslave, e isso porque eu nunca fui muito fã das bandas das quais eles vinham.

Comecei a ouvir há pouco o "The Good, The Bad and The Queen", mas confesso que foi apenas pelo Paul Simonon, que foi baixista do The Clash. Não é o tipo de música que eu tenho paciência de ouvir, mas acho ótimo ver esse homem na ativa.

Da época que eu tinha mais paciência pra ouvir power metal, eu adorava Avantasia; esse foi literalmente um SUPER grupo, muita gente mesmo. E épico, também... Mas se não me engano, se juntaram só pra gravação dos álbuns.

Não consigo idealizar um supergrupo perfeito pra mim, eu tenho um gosto tão bizarro e misturado que não daria certo, hahahah

Daniel disse...

Emmanuella

Hoje eu também não iria conseguir formar o meu "supergrupo", por causa dos estilos que eu curto.

Rodrigo

Muito bem lembrado essa formação clássica do álbum "Kind Of Blue". Na hora que fiz o post só lembrei do The Quintet.

Acho que mesmo não sendo considerado um "supergrupo" qualquer formação de bons músicos chama à atenção e consequentemente da prazer em ouvir. Prova disso são os dois últimos álbuns do guitarrista Mike Stern. Só músicos de qualidade.

Concordo com você, não é qualquer formação que da para ser chamada de "supergrupo" e há formações que são verdadeiros "supergrupos" (como essa do Miles Davis) e nem por isso são lembradas pela grande massa e não recebem o titulo.

Enfim. Apesar de ser usado desde os anos 60, ao meu ver é um termo muito limitado e vago. Mesmo que exista, nunca chegaremos a uma conclusão sobre a melhor forma de usa-lo.

Abraço

Edison Junior disse...

Legal o post. Nem sabia que tinha nome isso.

É difícil imaginar um supergrupo teórico. Imagino que se não houver empatia entre os músicos, por melhor que eles sejam, pode acabar não dando liga, o que não é o caso desses que você nos apresentou.

P.S. Me lembrei de um agora, The Yardbirds, com Eric Clapton, Jeff Back e Jimmy Page, que era fantástico! Blues da pesada.