terça-feira, maio 25, 2010

Thelonious Monk "Underground"



Título: "Underground"
Artista: Thelonious Monk
Ano: 1968 / Relançado em 2003
Gravadora: Columbia / Sony
Nota: 10/10

O estilo de Thelonious Monk ao piano é, numa palavra, enigmático. Monk foi um dos verdadeiros gênios do jazz. Embora geralmente qualificado, apenas, como um dos fundadores do bebop (ao lado de Charlie Parker e Dizzy Gillespie), o pianista-compositor tinha um estilo único, inclassificável.

O álbum "Underground" foi o ultimo gravado por Monk para o selo Columbia (1968). E como uma obra prima dessas não se encontra todos os dias, pesquisei tudo relacionado a história do álbum. Quando lançado, mereceu atenção especial em face da originalidade de sua capa: uma foto produzida de Thelonious, vestido de maquis, metralhadora a tiracolo, tocando num velho piano de parede, num porão-esconderijo (na verdade, o estúdio de seu apartamento), em meio a um monte de objetos, garrafas de vinho e ''troféus de batalhas'', incluindo granadas e um ''oficial nazista'' amarrado numa cadeira, ao fundo. (Quando vi a capa, fiquei impressionado pela riqueza dos detalhes ainda mais pela época). Enfim, em 2003 o "Underground" é reeditado em CD pela série Legacy (Columbia). Não só remasterizado, mas totalmente restaurado. Ou seja, seu verdadeiro e significativo conteúdo foi devidamente resgatado.

O álbum já era importante por conter quatro novas composições: a admirável e hoje clássica "Ugly beauty", "Green chimneys", "Raise four" e "Boo boo's birthday". A reedição em CD é bem diferente do LP original, cujos tapes foram extensivamente manipulados e cortados pelo produtor Teo Macero. Das sete faixas do LP de 1968 (as quatro citadas mais "Thelonious", "In walked Bud" e "Easy street"), cinco foram bem reduzidas. Dos 13 minutos de "Green Chimneys" restaram apenas oito; o tape de "Ugly beauty" tinha 10 minutos e 45 segundos, e não somente sete minutos. Assim, a relevância dessa reedição autêntica e definitiva de "Underground" não se limita à melhoria da qualidade técnica do produto sonoro. Trata-se dos tapes originais das sessões sem os "cortes" do Teo Macero.

Há quem diz que as duas versões não tem muita diferença. Pois os "cortes" feitos por Teo tiveram como principais alvos os solos de baixo e de bateria (Larry Gales e Ben Riley, respectivamente). Outros defendem a tese de que não poderia ter feito tais "cortes" até por que os solos de baixo e bateria são extremamentes importantes para todo o conjunto (do álbum). E isso realmente é a grande verdade.

Bom depois dessa "pesquisa", eu consigo comparar a música com a capa do álbum. A capa é rica em detalhes, assim também é a música que Monk trás nesse álbum, é rica nos detalhes, nos arranjos e nos solos. Eu não conheço nem 1% da carreira do Monk, mais de todos os cds que ouvi esse foi o melhor disparado. Monk faz um som enigmático, diferente de qualquer coisa. Só por esse "motivo" já vale e muito ouvir este álbum.

Thelonious Monk - "In Walked Bud"


Thelonious Monk - "Thelonious"



5 Musicólatras Comentaram:

Edison Junior disse...

Muito doido esse Thelonious. Preciso ir atrás desse CD!

Daniel disse...

Altamente recomendado. O Thelonious lançou álbuns extraordinários, um outro que eu curto demais, é do encontro entre o Monk e o John Coltrane, ao vivo no Carnegie Hall em 1957. É um registro histórico.

Recomendo os dois álbuns. Tem lá no Jazz e Rock.

Abraço

Edison Junior disse...

Não achei esse álbum por lá...

Daniel disse...

Mandei o link do Thelonious MOnk para você ( via MSN).

Abraço
Daniel

Rafhael Vaz disse...

A capa do disco tb me chamou bastante a atenção, achei belíssima. Curto bastante as artes das capas de Cds/Lps. Baixei este disco no seu blog, aliás, por recomendação sua. =D