terça-feira, maio 04, 2010

Cantoras de Jazz: Jovens e Talentosas (Pt 3)

Continuando a postagem sobre jovens cantoras de jazz.

Desde que comecei a postar sobre as jovens cantoras, nenhuma postagem me surpreendeu tanto quanto esta. Estava preparado para falar sobre a Esperanza Espalding e outras não tão jovens, porém muito talentosas, como Diana Krall, Jessica Molaskey e Aziza Mustafa Zadeh. Mais em meio às pesquisas acabei me deparando com outras jovens cantoras e não teve jeito, tive que incluí-las. Estou falando de Robin McKelle e Renee Olstead. São duas cantoras que conheci nessa semana e ainda não tive a oportunidade de ouvir um álbum completo, porém vi alguns vídeos no Youtube.

Durante essas postagens e as pesquisas, acabei lendo um comentário e que realmente faz muito sentido. A geração de novas cantoras tem algo muito incomum em relação as outras gerações de cantoras como Billie Holiday. Se em outros tempos tivemos cantoras com uma infância sofrida, em um ambiente de violência, envolvimento com drogas e uma vida que certamente uma diva não merecia. Hoje o que vemos são jovens cantoras (que não são divas), mais que tiveram oportunidades diferentes e trazem na bagagem uma trajetória bem menos sofrida. Claro que o talento não depende disso, mais com certeza uma vida assim ajuda e muito. Um exemplo claro disso é a nossa diva Billie Holiday, que se envolveu com o álcool e as drogas, teve depressão e por fim a sua morte aos 44 anos vitima de overdose. Se a vida não tivesse sido tão cruel com ela, certamente teria uma carreira ainda mais brilhante.

Claro que a Billie é apenas um exemplo e que serve como parâmetro para comparar aquela geração de tantos talentos, a esta geração que nos apresenta novos talentos. Na nova geração, creio que a Diana Krall é a grande diva, aos 45 anos, com uma carreira consolidada e que ainda vislumbra novas conquistas profissionais no cenário musical. E que fique bem claro, existem outros exemplos assim.

Ao ler o comentário acabei refletindo. E um fato extremamente triste e que não afeta só as cantoras, mais muitos músicos de jazz passaram por estes problemas e mesmo assim deixaram seus nomes marcados na história. Isso é a prova de que talento está acima de todas as dificuldades e adversidades da vida. Boa Audição.

Perdeu a primeira e a segunda parte? PARTE 1 e PARTE 2

ESPERANZA SPALDING

A contrabaixista, cantora e compositora Esperanza Spalding é sem dúvida a grande revelação do jazz nos últimos anos. Estudou e foi professora no renomado Berklee College of Music, a maior faculdade de música do mundo. Aos 24 anos, Esperanza tem uma bagagem musical que impressiona qualquer marmanjo. Tocou com baixista Stanley Clarke e com o guitarrista Pat Metheny, participou das bandas dos saxofonistas Joe Lovano e Donal Harrison e como se tudo isso não bastasse, atualmente conta com dois álbuns excelentes na carreira. Ambos contam com uma sonoridade riquíssima e com uma vasta diversidade de influências. Em “Junjo” lançado em 2006, Esperanza traz para o repertório canções de Chick Corea, Egberto Gismonti e quarto canções de autoria própria. Em “Esperanza” (2008) a jovem é ainda mais brilhante, gravou duas músicas brasileiras “Samba em Prelúdio” de Baden Powell e Vinicius, e a canção de abertura do álbum “Ponta de Areia” de Milton Nascimento e Fernando Brant. Neste álbum Esperanza passeia entre o jazz contemporâneo, música latina e MPB.

Em uma entrevista a jovem cantora disse que tem um carinho especial pela música e ritmos brasileiros e diz que encontra nas músicas do Hermeto Pascoal parte da sua fonte de inspiração para criar arranjos bem elaborados. Ela também canta em inglês, espanhol e português.

A grande verdade é que Esperanza vem arrancando suspiros e elogios por onde passa, é considerada a melhor baixista em ascensão no mundo. É mais uma que chega para marcar presença e que tem tudo para trilhar um caminho maravilhoso na música. Sua história na música, começou aos 4 anos, começou tocando violino sendo que aos 5 anos integrava a Sociedade de Música de Câmara de Oregon (cidade onde nasceu) e aos 10 anos era compositora do grupo. Anos mais tarde acabou deixando o violino e se apaixonando pelo contrabaixo acústico. Sua capacidade era tão grande que sua mãe a ensinava em casa, por que Esperanza já não se contentava em ter que acompanhar a sua turma. Em meio a tudo isso, a jovem se destacava cada vez mais, até ser aceita e conseguir uma bolsa da estudos integral na Berklee College of Music em Boston.

Vamos ouvir falar esse nome por muitos anos e com isso teremos a oportunidade de desfrutar do seu conhecimento através de seus trabalhos. E já que ela esteve no Brasil em 2006, vamos torcer para que volte o mais breve possível.

Esperanza Spalding - "Ponta de Areia"


Esperanza Spalding - "Mela" (Parte I)


Esperanza Spalding - "Mela" (Parte II)



RENNÉ OLSTEAD

A texana Reneé Olstead, de 20 anos, é uma espécie de menina prodígio. Desde pequena, fazia comerciais para a TV, tem diversas participações em filmes e séries televisivas e, em 2000, com apenas 10 anos, gravou seu primeiro CD: "Stone Country". Como o nome do disco diz, ela optou pelo gênero country para se lançar como cantora. Dois anos depois, veio "Unleashed", EP com quatro músicas, seguindo o estilo do CD inicial. A guinada veio com "By Request" (2002). No repertório, apenas clássicos de jazz, com arranjos conservadores, privilegiando a bela voz da adolescente. "What a Wonderful World", "Sentimental Journey", "Georgia on my Mind", "Over The Rainbown" e "At Last" são apenas alguns ingredientes desse cardápio. O álbum "Reneé Olstead", de 2004, é a repetição da receita de By request, com um pouco mais de sofisticação.

Seu mais novo lançamento é o álbum "Skylark" (2009), o repertório segue a linha dos clássicos. Aos 20 anos, ela segue firmemente apegada às tradições do jazz e busca seu espaço entre as jovens talentosas.

Fonte: Uai

Renee Olstead - "Summertime"


Renee Olstead - "Midnight Man"


ROBIN McKELLE

Robin McKelle nasceu em Rochester, no estado de Nova York. Filha de um pianista e de uma cantora de coro de igreja, a música entrou naturalmente em sua vida e definiu o rumo que ela queria seguir. Estudou no Berklee College of Music e em 2004, conquistou o terceiro lugar no concurso Thelonius Monk de Jazz Vocal, em Washington. Foi contratada pela mítica gravadora Blue Note.

Embora se apresente como intérprete de jazz, blues e soul, McKelle tem preferência explícita pelos clássicos dos anos 1930 e 1940, décadas de ouro para o jazz. Essa opção está mais que presente nos dois CDs que a cantora lançou, "Introducing Robin McKelle", de 2006, e "Modern antique", de 2008. São álbuns extremamente elegantes, o que atraiu a atenção do público da Europa, onde a cantora é muito conhecida e tem feito diversas apresentações. Nos dois, Robin usa e abusa do swing da era das big bands, num convite à dança. Trumpetes em surdina, solos vibrantes de sax e uma dose de ritmos latinos dão a ambiência perfeita para uma artista que retoma, com sofisticação, temas antigos e ingênuos. Robin lançou seu álbum mais recente "Mess Around" (2010).

Robin McKelle


Robin McKelle - "Abracadabra" (Modern Antique 2010)



4 Musicólatras Comentaram:

Edison Junior disse...

Muito bom, Daniel! Não as conhecia, passarei a prestar atenção nelas. Numa primeira audição, gostei mais da Robin, mas prefiro ouvir todas com mais calma. Valeu!

Daniel disse...

Eu já conheço o som da Esperanza há algum tempo. As outras duas como disse, conheci essa semana por acaso enquanto pesquisava. E a principio curti mais o som da Robin também.

Agora tem outra jovem cantora (que eu vi cantando ao lado do John Pizzarelli) chamada: Jane Monheit

Estive pesquisando e apesar de jovem, ela já tem uma discografia bem considerável. Só que eu não tive a chance de ouvir um álbum dela ainda.

Abraço

Narayana Ribeiro disse...

Cheguei um pouco atrasada para ler esse post, mas nem de longe foi tempo perdido... Escutei cada uma das sugestões e até separei as músicas que me despertaram mais emoção numa pasta sample. O seu blogue é um achado especial no meio de tanta coisa que circula pela net. Parabéns!

Narayana Ribeiro disse...

Encontrei esse blog um pouco tarde, mas nem de longe foi tempo perdido. Escutei cada uma das sugestões do post e separei as canções que mais me despertaram emoção. Esse blog é um achado no meio de tanta coisa que circula pela net. Parabéns!