sexta-feira, maio 07, 2010

As mídias por que passei

Quando me dei por gente, lá pela década de 60, as músicas eram gravadas em LPs, ou long playings, também conhecidos atualmente por discos de vinil, bolachas e outros apelidos carinhosos. Naturalmente, os primeiros que ouvi eram os de meus pais que, felizmente, tinham bom gosto para música. Havia LPs principalmente de música clássica, crooners americanos, big bands e música brasileira – o termo MPB veio um pouco depois.

Vitrola

Os LPs eram colocados para tocar numa vitrola, onde rodavam a 33 e 1/3 rotações por minuto, e comportavam cerca de 12 músicas de 3 minutos cada. Eventualmente, os artistas lançavam compactos, discos menorzinhos com uma ou duas músicas de cada lado, o que chamamos hoje de singles.

Mídia compacto 2

Já existiam os gravadores de fita, é claro, mas eles não eram lá muito portáteis nem caseiros. Eram usados apenas em estúdios de gravação ou casas de geeks americanos. O primeiro gravador que tivemos, meu pai trouxe de uma viagem em 1965 aos EUA, mas era usado apenas para registrar vozes da família. O som dos LPs era muuuito melhor para música.

Mídia - Fita

A fita cassete apareceu um pouco depois. Na minha casa, por exemplo, só no início dos anos 70. Para todos os efeitos, o som era bem semelhante ao do LP, dependendo do equipamento de som. Nessa época surgiram também os proto-piratas, que copiavam os LPs em fita K-7 e os repassavam aos amigos. Muitos gravavam a programação das rádios (Difusora, Excelsior e outras), para poder ouvir as músicas da moda na hora em que quisessem (era o nosso download). Havia também os que vendiam esse material, utilizado principalmente para animar bailes de garagem.

Mídia K7 
Baseio-me apenas na memória e impressões pessoais para esse registro, posso estar enganado quanto a algumas datas, mas conhecia gente que já começava a ter em casa equipamentos quase profissionais, como gravadores de rolo e uma parafernália de amplificadores, equalizadores, caixas de som etc.

Voltando aos LPs, ao longo dos anos fui fazendo a minha própria coleção, torrando quase toda a minha mesada em lojas de discos. Só sei que quando foi lançado o CD, eu já tinha por volta de 800 discos em casa.

CD? Como assim? E meus LPs? Pensei na época: “ah, acho que não vou mudar, não, vou continuar com os LPs…” Mas eis que o mestre mercado começa a fazer desaparecer os LPs das lojas para dar lugar aos CDs.

Comprei um CD aqui outro ali, e fui percebendo que não havia alternativa a não ser render-me a eles. Mas o que fazer com os LPs? Ó, dilema! Passei a comprar em CDs o que eu gostava mais da minha coleção de LPs (confesso, tinha muita porcaria também), até que quase não os ouvia mais. Passei a ouvir somente os CDs. Esse processo levou perto de 10 anos para se concretizar.

CDs

Quando o som começou a ser digitalizado e colocado no computador, passei os LPs que eu considerava indispensáveis e sem correspondência em CDs para o novo formato e, num rompante, doei meus LPs para um amigo.

Sei o que vocês vão dizer: “O que? Não, você não fez isso!”

Pois é, eu fiz. E agora os LPs estão na moda novamente. Pelo que vi, estão vindo coloridos, iguais aos disquinhos com histórias infantis que eu tinha. Os puristas dizem que o som do LP é bem melhor que o dos CDs. Pode ser, mas eu mal percebo isso, talvez eu não tenha ouvido para tanto. Eu só sinto falta mesmo é das capas dos LPs, bem mais interessantes e informativas que as dos CDs. Alguns sentem falta do som dos chiados e riscos (!?), tem gosto pra tudo, mas, vamos combinar, se é para ser purista mesmo, então que lancem os LPs na cor preta, colorido não dá!

Toca-discos

Não sei o que vem pela frente, mas imagino que, uma vez que está tudo digitalizado, qualquer mídia que vier, se é que vai haver alguma, poderá ter seu conteúdo convertido menos traumaticamente. E pode tirar o cavalinho da chuva, meus CDs eu não vou dar não!

Para encerrar esse longo post (típico de quem está em férias), coloco uma tirinha que vi há muitos anos. Não me lembro quem é o autor (terá sido o Glauco?), mas como eu não tenho o original, redesenhei-a com o Stripgenerator:

Edison - Tiozinho



5 Musicólatras Comentaram:

Daniel disse...

Caraaaa que postagem sensacional !

Eu estava pensando em fazer uma desse tipo, mais certamente não ficaria tão boa assim.

Bom eu peguei muito pouco a época dos LP's. Já meu pai tem alguns em casa e tem um primo da minha mãe que é colecionador.

Já ouvi algumas coisas em LP, inclusive tenho alguns da época de criança, mais também não percebo essa diferença toda que dizem que existe, unica coisa que percebia quando escutava era um xiado haha.

Essa evolução das mídias é interessante. Prova disso é os LP's voltando com toda força. Tem bandas lançando em CD e LP. Quem diria hein?

Já fita K7 eu tive muitas, guardo algumas de recordação, tive walkman (não desgrudava dele). Depois na era do CD a grande coleção que eu fiz foi do Iron Maiden e que depois acabei me desfazendo (me arrependo profundamente disso e enquanto eu viver). Hoje em dia compro quando posso, pois ainda é interessante ver os encartes e tal.

Mais o mundo está caminhando pra era digital né. Hoje você leva mais de 1.000 músicas dentro de um iPOD tranquilamente, talvez essa seja a grnade vantagem.

Em relação a qualidade, mesmo nessa era digital da para perceber a diferença entre o áudio dos arquivos. Porém ainda acho que não pode ser comparado ao do CD.

E cara..pq vc foi dar os seus LP's ??? hahaha. Você deve sentir a mesma culpa que eu sinto pelos meus Cds...rs.

Parabens pelo post.

Abraço

Emmanuella disse...

Eu ouvi muuuuito LP nessa vida, meu pai tem uma coleção de música italiana invejável pra quem curte, e minha mãe de samba. E a gente tinha muita fita K7 também, mas essas foram embora na primeira mudança de cidade :(

Demoramos muito pra ter um CD player, de forma que demorei a comprar CDs (coisa que tenho compensado até hoje, haha), e ainda prefiro milhares de vezes comprar um CD do que pagar pelo download. Vai que meu computador dá pau e eu perco! Não senhor, compro meu CD e fico tirando o pó dele com o maior prazer.

Eu até me animei com essa volta do LP, até por ser mais barato, mas o coitado do nosso toca-discos tá cansado. A voltagem aqui em GO é 220v e ele não é bivolt, então tem que ligar ele num transformador. Além do incômodo, a rotação fica leeeenta...

Enfim, falei demais, hahah
Parabéns pelo post!!

Rafhael Vaz disse...

Eu já ouvi pouco LP. Meu pai tinha até que uma boa quantidade, mas não chegava a ser um colecionador. Conheci alguns souls como Al Green e sambas a partir de seus LPs.

Mas logo passei pras fitas k7. Ficava gravando algumas músicas das rádios ou fazia uma coletânea de diferentes artistas dos LPS para ouvir no banho ou no carro.

Os cds foram os que mais me viciei mesmo. Hoje estou mais calmo, mas comprava cds compulsivamente. Tive a discografia do Metállica e, não sei por que me desfiz (sim, me arrependi =/ ). Teve uma época que não tinha mas lugar na minha gaveta para guardar cds, eu fui maneirando. Mas, ainda hoje prefiro MTO mais cd que mp3. Se gosto da banda, tento comprar o cd. Sei lá, mas com o cd em mãos parece que criamos um laço sentimental com ele, é outra coisa. AUHEuhaeueahhea

Ótimo post Edison!!
Parabéns!!

Edison Junior disse...

Que bom saber que a reação foi positiva. Foi uma decisão difícil fazer perante os amigos uma confissão dessa gravidade - quase tão difícil quanto doar os LPs - cheguei a pensar que ia ser expulso do blog, mas vejo que os demais colegas também têm seus pecadilhos... hehehe.
Doei-os por falta de espaço em casa e por convicção que a vez deles havia chegado. Além do mais, eu passava por uma fase meio minimalista, me desfazendo de coisas que eu não usava. O sortudo foi um amigo que eu tinha certeza que iria cuidar dos LPs muito bem - isso era mandatório!

Ravick disse...

Não me considero um musicólotra e nem um cinéfilo, mas passei algo parecido quando os DVDs vieram. Mas minhas fitas de videocassete ainda estão aqui... tem muitos títulos que não saem em DVD, sabe...

Não peguei a época dos LPs, mas ainda mantenho algumas fitas k7 que ouço de vez em quando... Incluindo algumas "raridades" de Ennio Morricone ^^