sábado, abril 17, 2010

Social Distortion

Já estava em tempo de alguém falar de punk rock por aqui!

O motivo deste post é uma espécie de "comemoração" pelo show que eles estarão fazendo em São Paulo hoje à noite — primeira passagem pelo Brasil em mais de 30 anos de banda. Tenho reclamado bastante há meses porque gostaria muito de estar lá presenciando este momento único, mas infelizmente terei que ficar aqui "no Goiás" mesmo, ouvindo a discografia e chorando, haha.

Serei o mais breve possível, eu geralmente me empolgo falando das minhas bandas favoritas.


O Social Distortion (às vezes também chamado apenas de Social D.) surgiu em 1978, nos Estados Unidos, junto com tantas outras bandas de punk rock, mas teve sua explosão nos anos 80, na mesma época em que o Bad Religion, Black Flag e Dead Kennedys. A banda parou brevemente em 1985, devido aos vícios do vocalista Mike Ness, mas retoraram no ano seguinte, com ele completamente sóbrio desde então. De lá pra cá, a banda passou por inúmeras formações, sendo Ness o único membro original até hoje.

O primeiro álbum da banda foi o Mommy's Little Monster, lançado em 83. Fez um sucesso considerável nos EUA. Nessa época em que estavam crescendo no cenário punk americano, Mike Ness se viu afundado na heroína e chegou a ser preso várias vezes, pulando de clínicas de reabilitação para prisões pelos próximos anos. Quando a banda voltou a funcionar, dois membros já haviam saído, ficando apenas Ness e seu amigo de longa data, o guitarista Dennis Danell. O próximo álbum, Prison Bound, saiu apenas em 1988, com novos integrantes e uma sonoridade bem diferente do primeiro, e que caracterizou os próximos álbuns do Social D.: fortes influências de country/western e referências a Johnny Cash e Rolling Stones. Apesar de ter-lhes dado o rótulo de "cowpunk", Prison Bound foi muito mal nas paradas.



Mas isso não os fez desistir, e dois anos depois saía o autointitulado Social Distortion. A essas alturas eles já tinham contrato com a Epic, então foi o primeiro álbum que não bancaram do próprio bolso. Este álbum foi o mais bem sucedido da banda, com os singles Ball And Chain, Story of My Life e o cover de Cash, Ring of Fire; e continua vendendo muito até hoje, 20 anos depois do seu lançamento. O álbum seguinte, Somewhere Between Heaven and Hell, com sua mistura de punk, blues, country e rockabilly, teve o mesmo sucesso do anterior e foi muito tocado nas rádios.


Depois disso, a banda entra em outro hiatus, lança uma compilação de faixas não previamente lançadas em 1995 e no ano seguinte lançam seu quinto álbum, White Light, White Heat, White Trash; que foi considerado mais pesado que os últimos e se afastou um pouco da sonoridade country que eles tinham. Em 1998 a banda entra em hiatus novamente, dessa vez porque Mike Ness queria arriscar uma carreira solo, tocando country e rockabilly. Lançou dois álbuns no ano seguinte, Under the Influences (de covers) e Cheating at Solitaire (de composições próprias).

Em 2000, morre o guitarrista Dennis Danell, de um aneurisma cerebral. Embora houvessem rumores de que a banda acabaria após a sua morte, eles voltaram ao estúdio anos depois com novos membros e, em 2004, lançam o ótimo Sex, Love & Rock'n'Roll, que possui várias referências a Denell e composições mais maduras de Mike Ness. Em 2007, morre tragicamente o baixista original da banda, atropelado por um trator enquanto andava de bicicleta. No mesmo ano, é lançada uma compilação de singles. Um novo álbum está sendo esperado para este ano de 2010.

A história do Social Distortion foi marcada por hiatus, demoras de lançamentos, algumas tragédias e inúmeras mudanças de membros. Mas Mike Ness está firme na missão até hoje, levando sua banda ao redor do mundo e, embora o Social D. não tenha tantos fãs quanto merece (acho incrível como pouca gente ainda conhece), seu lugar na história tá guardado. Admiro Mike Ness por sua sobriedade de 25 anos e tenho certeza de que isso contribui extremamente para a sua música e para a pessoa que ele é; ele tem uma família linda, um cachorrinho muito bizarro e uma paixão obcecada por carros antigos, que ele mesmo monta e cuida. Espero que todos os que têm a oportunidade de vê-los tocar hoje aproveitem muito cada minuto do show. Só peço que não me contem depois como foi, do contrário serei obrigada a despertar um lado psicopata meu que prefiro deixar adormecido. Obrigada.



2 Musicólatras Comentaram:

Edison Junior disse...

Por falar em conhecer sons novos, conheci mais um hoje. Legal, Manu!

Rafhael Vaz disse...

Social Distorcion é uma banda que sempre ouvi falar, mas nunca havia parado para escutar. Ano passado um amigo bitolado pelo Mike Ness, me apresentou o seu album solo. E esse ano, fui ouvir o último deles "Sex, Love & Rock'n'Roll" pelo Projeto 50 melhores....gostei e tenho escutado vez ou outra desde então.

Qto à história, fiquei de cara o tanto de problemas que a banda teve entre os vícios do Mike Ness, morte de integrantes etc etc. Na verdade, motivos para ela já ter acabado não faltaram.

Vc tem que torcer pro show ser foda, assim aumentam as chances deles voltarem. =)