sexta-feira, abril 09, 2010

In taberna quando sumus (non curamus quid sit humus)

Se algum dia a Fortuna me colocar como dono de um bar, ele vai se chamar “In Taberna quando sumus (non curamus quid sit humus)”. Combinaria com uma decoração medieval. O som teria que ser baixo o suficiente para que as pessoas pudessem conversar sem precisar gritar e o repertório iria variar da música barroca até a bossa nova, passando por jazz, blues e MPB.

O nome vem de um verso da ópera Carmina Burana, composta por Carl Orff (1895-1986). Adoro essa peça, embora há alguns anos uma propaganda de biscoito tenha transformado seu tema principal em carne da vaca. É aquela que começa assim: “Ó fortuna!”, esclareceu? Não? Então assista abaixo.

Aqui uma versão completa da ópera:


E aqui só a primeira parte, mas com atores. Ao fundo, a roda da Fortuna:


Ouvi-a pela primeira vez meio que por obra da própria Fortuna, quando estava numa loja de CDs de bairro, e ao fundo tocava bem baixinho um dos seus movimentos. Era um som altamente improvável para aquele local e me chamou a atenção bela sua beleza e força.

Já fui a duas apresentações de Carmina Burana. A primeira foi no Pacaembu e, embora tenha sido uma montagem magnífica, foi muito prejudicada por um helicóptero que sobrevoava o estádio no meio da peça fazendo propaganda do falecido (praga minha!) Banco 1. A segunda foi no Credicard Hall e também foi muito legal, embora um pouco menos impressionante. Os inúmeros atores são acompanhados por grande orquestra e um coral de dezenas de vozes, incluindo um infantil.

Carl Orff compôs Carmina Burana a partir de um manuscrito profano chamado Codex Burana, escrito no século XIV, provavelmente por um abade ou bispo. O documento contém mais de 200 poemas, que falam de jogos, bebidas, amor e outros vícios, e são escritos em latim e dialetos alemães e franceses.

Se alguém quiser as letras nos idiomas originais e traduzidas, é só clicar aqui. Afinal, essa não é como aquelas óperas italianas em que a gente entende tudo o que eles cantam.

Ah, o significado do longo nome do título deste post e do meu pseudo-bar é “Quando estamos na taverna (esquecemo-nos que do pó viemos)”. E essa parte da música começa lá pelo minuto 40:15 do vídeo.

E digo mais: Qui nos rodunt confundantur (malditos sejam aqueles que nos ofendem)

Tim-tim!

P.S. Foi coincidência duas postagens sobre música clássica assim em seguida, mas não faz mal, ouça a música clássica sem moderação!



5 Musicólatras Comentaram:

Rafhael Vaz disse...

Tenho vontade de montar um Pub, com um repertório parecido com o do seu bar. A luz do local seria mais baixa, imitando os locais que tocavam blues de antigamente.

Recentemente, separei alguns nomes da ópera para baixar. É um estilo que meu conhecimento é quas nulo, e gostaria de experimentar qlq dia.

Abraços!!

Rafhael Vaz disse...

aliás, uma coisa que me chama bastante a atenção nas óperas, é que carregam uma carga emocional bem forte.

Edison Junior disse...

Na verdade, eu também não sou muito fã de óperas, mas essa é uma que eu gosto.
Carmina Burana foge um pouco daquela imagem que as pessoas têm de ópera, com os solistas soltando agudos e graves prolongados e ininteligíveis. Quer dizer, até tem, mas bem menos.

Daniel disse...

Sou totalmente leigo no assunto. rs..

Depois vou dar uma olhada nos videos p/ conhecer.

Abraço

Emmanuella Conte disse...

Realmente, Carmina Burana virou carne de vaca por causa das propagandas. É uma obra super intensa.

A ideia do bar com som ao vivo que não precise a gente gritar pra conversar é ótima, hein! Acho que isso ainda não existe, hahahah