sexta-feira, março 26, 2010

Memórias de um trompete melancólico


Estava na quinta-série quando eu o ouvi pela primeira vez, um canto rouco e apaixonante, um trompete que dominava toda a harmonia, os versos fluiam como se fossem cascatas de luz.

Estou falando de Chet Baker, adorado por uns, odiado por outros, alguns críticos dizem que ele não influenciou ninguém no cenário jazzístico, mas eu não me importo com isso, o importante é que sua música me tocou, me deixou pensando no milagre que a música faz na vida das pessoas.

Estava lá eu com a mulher mais bela da escola, olhos verdes, e sem papo.... e eis que surge a melodia inconfundível de My Funny Valentine no rádio, e a sala se transforma, o espaço antes austero da casa se transmutou em um céu estrelado, uma profusão de suspiros e finalmente o solo de trumpete foi o sinal dos céus para uma conquista perfeita.

Chet Baker para quem não sabe nasceu em 1929 e já aos 22 anos tocava na orquestra do mestre Charlie "the Bird" Parker, autodidata, sempre se gabava de ter um excelente ouvido para a música, e após um breve período nessa orquestra, recebeu o convite de Gerry Mulligan para formar um quarteto sem piano, transformando o grupo em um sucesso, lotando todas as casas noturnas, mas com um fim precoce após a prisão de Mulligan por posse de drogas.

Chet Baker sofreu muito na vida que escolheu, o vício para a heroína corroeu parte de seu talento, parte de seu corpo, perdeu 3 dentes em uma briga por drogas e abandonou por 3 anos o jazz, acrescente à isso crises pessoais, contratos interrompidos, internações e prisões.

Mas sua música permanece, com uma sonoridade quase etérea e sem vibrato, de poucos agudos e atmosferas melancólicas, quando Chet cantava com uma voz frágil me lembrava Billie Holiday.

Ouça e deixe-se emocionar.



4 Musicólatras Comentaram:

Rafhael Vaz disse...

Caracas, o testo me comoveu. hahah
Levando em conta a ocasião em ouviu a música de Chet Baker pela primeira vez, não é difícil adivinhar pq se derrete assim qdo fala da música do cara. Hahahah

Não conheço, mas estou indo nesse momento baixar.

Ótimo texto!!

Abraços!!

Edison Junior disse...

Chet Baker é muito bom mesmo.

Sei que um não tem nada a ver com o outro, mas a voz dele teve no jazz o mesmo impacto que a de João Gilberto teve na música brasileira no final dos anos 50.

Daniel disse...

Eu adoro Chet Baker. O som dele é único, assim como sua voz.

A primeira música que eu ouvi do Chet Baker foi "Let's Get Lost", só que na ocasião foi através do CD "Jô Soares e o Sexteto", até então meu primeiro contato com o jazz. Na época depois que eu ouvi sai procurando a mesma música só que na voz do Chet Baker. Depois desse dia não parei mais de ouvir.

Excelente texto Marcello.

Abraço

Laura disse...

Chat Baker é Bão!
Rapaz, tô adorando esse blog! =D