terça-feira, março 30, 2010

Márcio Faraco: desconhecido em seu próprio país

Hoje vou falar de um assunto que me chamou muito atenção e que na época causou uma certa revolta. É incrível como nosso país não dá valor a quem merece, todos os dias somos bombardeados pela mídia que divulga músicas sem conteúdo, sem letras e quase sempre passageiras, pois duram apenas um verão ou pouco mais de seis meses.

O Brasil é um país rico em talentos, prova disso é a Bossa Nova, ela é valorizada no exterior e aqui dentro quase nem sempre tem o seu espaço. Por outro lado temos vários músicos que precisam ir para o exterior mostrar seu trabalho afim ganhar uma chance e algum reconhecimento, pois em seu país natal, muitas vezes se quer é dado uma chance.

Sei que existem muitos exemplos, mais postei há algum tempo no meu Blog Jazz e Rock, a história do violonista, compositor, arranjador e cantor, Márcio Faraco. E queria compartilhar com vocês do Musicólatras.

O nome dele pode soar desconhecido para você, já que ele faz muito mais sucesso no exterior do que no Brasil. Ele é gaúcho, porém viveu grande parte da sua adolescência e juventude em Brasília, sua história é muito interessante, chegou a largar a faculdade de Direito em Brasília para tentar carreira musical no Rio, já possuía um extenso currículo, que incluía shows pelo país, prêmios em festivais, composições em vários estilos — canções, rock, baladas, bossa nova. Mas queria muito mais. No Rio, bateu perna, tocou na praia, em bares, fez amigos, compôs com e para Cássia Eller, conheceu Vanessa — uma francesa nascida em Cannes com quem é casado até hoje —, mas não conseguiu furar o bloqueio das gravadoras. E decidiu arriscar a vida na França.

“Ninguém nem queria ouvir a minha música aqui” – lembra Márcio Faraco sem esconder certa mágoa, que virou um princípio de depressão quando, anos depois, em nova tentativa de gravar o primeiro disco, pediu ajuda ao amigo mais ilustre. Mas de nada adiantou o apadrinhamento de Chico Buarque, que conhecera em 1994 na gravação de um programa de televisão, quando ele trabalhou como violonista e arranjador. Chico circulava com um CD demo de Márcio pelo Rio, mostrando o som do amigo para todo mundo, mas as portas das gravadoras brasileiras continuaram fechadas. ‘‘Eles não querem você, não. Se vira por aí’’, disse Chico.

Finalmente, depois de anos tentando, acabou conseguindo contato — e contrato — com uma gravadora, a Universal, graças à intermediação do músico francês Didier Sustrac, com quem tocava. Em 1999 lançou o primeiro CD, “Ciranda”. O disco foi bem recebido pela crítica, lançou Márcio Faraco ao hall da fama e já vendeu 60 mil cópias. Quatro anos depois, com o segundo CD, “Interior”, 30 mil cópias vendidas em poucos meses, Márcio ganhou resenhas elogiosas de críticos que chegam a compará-lo a Antônio Carlos Jobim. Isso mesmo, Tom Jobim. ‘‘Eles fazem essa ligação porque acham que eu faço Bossa Nova. Mas eu não faço Bossa Nova. Só uma ou outra música é bossa. E tem também o jeito intimista com que eu canto e, claro, a influência do Tom, que foi um grande compositor e maestro’’, justifica Márcio, acrescentando, porém, um detalhe para reforçar a diferença: ‘‘Eu não sou cantor’’.

Sua música é variada, essencialmente acústica, com harmonias ricas, bem elaboradas que dão a base para melodias sensíveis e agradáveis e letras bem trabalhadas. Os críticos costumam elogiar o sentimento que suas canções e interpretação transmitem ao ouvinte.


Ouça a música: "Ciranda" (Márcio Faraco/Chico Buarque)


Ouça a música: "Vida ou Game" (Márcio Faraco)

Bom esse é apenas um pequeno retrato da vida do Márcio Faraco, que atualmente conta com quatros álbuns na sua discografia, o mais recente “Um Rio” lançado em 2008.

Assim como o Márcio Faraco, existem milhares de outros artistas brasileiros que ganham o reconhecimento no exterior por que no Brasil sua música não é interessante aos ouvidos do grande publico, por que não serve para tocar em um trio elétrico ou talvez por que não cai na graça do povão como o “Rebolation” e tantos outros que fizeram tanto “sucesso” que a gente nem se lembra mais.

Enquanto isso não muda, vamos continuar exportando bons músicos. Por um lado isso não é ruim, porém mereciam ganhar o reconhecimento primeiro no Brasil.

Márcio Faraco: "Um Sinal" (Invento 2007)



5 Musicólatras Comentaram:

Edison Junior disse...

Eu li seu post no Jazz e Rock. É incrível como um artista de tanta qualidade não consiga um espaço em meio a tanta mediocridade. E com o Chico de avalista! Muito triste isso.

Daniel disse...

É triste mesmo a situação. Esse é apenas um exemplo.

Se o Brasil ainda fosse um país que mostrasse cultura na TV por exemplo, a gente até dava um desconto, mais não, o que vemos é em sua maioria musicos sem qualidade alguma e pior ainda "musicas" como o rebolation fazendo sucesso.

Anônimo disse...

Isto que é musica !
no nosso Pais nos deparamos com cada coisa que insistem em dizerem que é musica ,isso me assusta muito parece que as pessoas não tem noção não sabem apreciar uma boa musica e aí vai aparecendo essas berrações humanas cantando, é raro aparecer um bom cantor que cante musica que não agrida os ouvidos,deixo um abço para todos que apreciam está linda musica!
Denise Vieira!

Marcelo Quadros disse...

Francamente! Vida ou Game é a minha música! Ouça esses acordes... Sinta a harmonia nos ponteios! Marcio, você é demais!

Marineide Gomes disse...

Que vergonha, um Artista com tantas qualidades como Márcio Faraco não ter sido reconhecido no Brasil. Ouvir a música "Efêmera" e fiquei apaixonada com tanta riqueza,letra, melodia e harmonia perfeita, sem fala na suavidade da voz, lindo timbre... Você é simplesmente de mais Marcio! Parabéns pelo trabalho riquíssimo os músicos agradecem pela sua contribuição de qualidade.