sexta-feira, março 26, 2010

James Brown: Música e Política


Quem nunca ouviu falar de James Brown? Quem não conhece músicas como “(Get Up I Feel Like Being A) Sex Machine” ou “I Got You (I Feel Good)”? No entanto, James Brown não se resume a isso. E durante um bom tempo para mim James Brown se resumia isso. Eu ouvia hits como os citados, e logo ligava à imagem da pessoa negra, cabelo alisado, roupas brilhosas fazendo o palco fever com suas danças e músicas empolgantes, envolvendo todos ao redor. Achava engraçado as roupas, gostava das danças (meu pai adorava imitar) e me divertia quando tocava "I Feel Good" em alguma festa ou baile de formatura, não passava disso. Aos poucos fui me inteirando de sua história e hoje posso afirmar que ele não se resume isso, ele foi muito mais que isso, mais do que podia imaginar na época. Foi um dos raros casos de quem soube usar a música para efetivamente elucidar, acordar, influenciar as pessoas. Um dos raros casos em que sua atitude não se restringia às letras das músicas, ele agia, botava em ação o que acreditava. James Brown foi um dos mais importantes líderes do movimento de defesa dos direitos civis norte-americanos durante a segunda metade do século 20.

Um dos casos mais famosos ocorreu dia 05 de abril de 1968, um dia após a morte do ativista Martin Luther King. Os Estados Unidos ardia em chamas, simpatizantes dos ideais do líder negro  saíram às ruas em protesto, que logo se transformou em tumultos, depredações, incêndios.....enfim, um caos. Boston estava prestes a explodir e, o prefeito da cidade prevendo tumultos, pensou em cancelar o show de James Brown que estava marcado para aquela noite. Prevendo que isso poderia aumentar a revolta, James Brown negociou com uma emissora de televisão local a exibição ao vivo do show e foi ao rádio para pedir às pessoas para ficarem em casa para assistirem ao show pela TV de graça. Os bairros negros da cidade acabaram ficando misteriosamente quietos quando Brown, com lágrimas nos olhos, subiu no palco do Boston Garden e cantou seus sucessos em homenagem a King, entremeados de pedidos por calma. Pacificador, no dia seguinte ao show, Brown viajou para Washington, que tinha sido duramente atingida por revoltas. Uma vez mais, ele foi ao rádio pedir calma e declarar que educação é um caminho melhor de se buscar justiça.

James Brown já foi criticado por ambos os “lados”. O establishment branco ficou apavorado com a possibilidade de um egresso da sétima série de uma escola da Carolina do Sul fomentar uma revolução. Radicais negros ficaram horrizados quando ele cantou uma música como "America is My Home" em um jantar na Casa Branca e por usar brancos em sua banda.

"Say it Loud -- I'm Black and I'm Proud" 
("Diga Bem Alto -- Sou Negro e Tenho Orgulho")

Gravou diversos hinos negros, tentando sempre fazer com que os negros tivessem uma auto-afirmação, tivessem orgulho e não vergonha de sua cor. Um dos hinos gravado em 1968 foi "Say it Loud -- I'm Black and I'm Proud" que ensinou a gerações de trabalhadores negros que já era hora de terem "sua fatia". Fato curioso na gravação dessa música é que ela foi gravada ao vivo durante uma sessão em um estúdio de Hollywood. Ele pediu ajuda de crianças que respondiam "I'm black and I'm proud" toda a vez que ele cantava "Say it Loud". Brown disse depois que a maior parte das crianças durante a gravação eram brancas ou asiáticas. Brown sempre discursou a noção de que a violência "não era o caminho a seguir". Muitos da comunidade negra sentiam que Brown se comunicava com eles mais do que qualquer outro líder do país.

"We'd rather die on our feet than be livin' on our knees"
("Preferimos morrer de pé a viver de joelhos")

Musicalmente falando, James Brown começou sua carreira profissional em 1956 e fez fama no fim da década de 1950 e começo da década de 1960 com a força de suas apresentações ao vivo e várias canções de sucesso. Apesar de vários problemas pessoais, continuou fazendo sucesso durante os anos 80. É conhecido o rei do soul e o precursor do funk. Partiu dele a “fórmula” para o que viria a ser chamado de funk. Encantou e influenciou toda uma geração...na verdade, continua encantando e influenciando. Influenciou cantores de rock como: Mick Jagger, Van Morrison, Glenn Hughes, Rod Stewart, e foi imitado por diversos outros grandes vocalistas do blues, hard e classic rock.


James Brown morreu aos 73 anos em 25 de dezembro de 2006, em Atlanta, Geógia, EUA, após internação devido a severa pneumonia. De acordo com seu amigo Charles Bobbit, Brown proferiu as palavras "Estou indo embora esta noite".

Aumentem o som, afastem os móveis da sala e desfrutem do vídeo abaixo.


 James Brown - Good Foot / S Power / Make It Funky

James Brown - The Payback / Hits medley



6 Musicólatras Comentaram:

× мanυ × disse...

Pior que agora, toda vez que vejo algo relacionado a James Brown, morro de vergonha. Li esses dias aquela coisa toda do corpo dele ter sumido e te juro que a primeira coisa que pensei foi "COMO ASSIM, JAMES BROWN MORREU???". Eu não sabia!!! HAHAHAHA

É que meu conhecimento sobre ele também não passava muito do seu, mas a notícia da morte dele me foi novidade, achei chato ;( haha
Enfim. Tomei vergonha na cara.

Edison Junior disse...

Não conhecia essa história do James Brown. Sobe mais uns degraus no meu conceito.

Edison Junior disse...

A propósito, a dança dele de vez em quando parece um misto de break e moonwalk.

Rafhael Vaz disse...

É que foi de repente Manu, e ele tava aparecendo vez ou outra na mídia. Participou até daquele filme "O terno de 1 bilhão de doláres" que não é lá tãaoo antigo.

Edison, é verdade!!! Hahah, acho engraçado ele dançando. Dançava mtoooooo!!!

Daniel disse...

James Brown é fera. Porém não conheço nem 10% da sua carreira. Infelizmente.

Excelente post.

estiloblack disse...

james brown e a raiz da musica negra
e um revolucionario contra o racismo na america pegou a epoca do movimento
cotra o racismo e grande amigo de martin luther king e e o cantor mais sapliado na black music por varios produtores musical eo cara que crita e cantava com alma e coraçao eo pai e o criador do funk music verdadeiro fui dj danyrb stilo black