quarta-feira, março 31, 2010

Big Rude Jake


Conheci o canadense Big Rude Jake – nome artístico de A. Jake Hiebert – totalmente por acaso. Estava vendo alguns vídeos de bandas de jazz/swing contemporâneas como Big Bad Voodoo Daddy e, como de costume fui ler alguns comentários para saber o que os visitantes acharam. Me deparei com alguém comentando que a banda era uma de suas preferidas ao lado de outras como Big Rude Jake. Curioso, corri atrás de vídeos. Mesmo com poucos disponíveis um me impressionou o suficiente para ir atrás de sua discografia. No vídeo Big Rude Jake tocava um jazz/swing acompanhado de uma banda de jazz ao fundo. A música que tocavam é daquelas que os instrumentos fica em segundo plano, enquanto o vocalista canta como se estivesse conversando, segue uma melodia mas é quase como se estivesse falando. Lembra um pouco aquelas músicas de pirata que algumas bandas de jazz/swing e ska gostam de tocar.

Segue o vídeo que visualizei e tentei verbalizar acima:

Big Rude Jake - 7th Avenue

Aclamado na Europa e na América do Norte, Big Rude Jake é relativamente conhecido nos EUA e muito pouco conhecido na América do Sul. Com uma biografia peculiar, chama a atenção como nasceu a idéia de começar a tocar jazz e sua busca em revitalizar o que chama de jazz bordel. Conta o próprio que em seus devaneios, certo dia pensou em como seria bacana ter uma banda bem diferente das que conhecia, uma que combinasse o seu interesse no jazz tradicional com rock, blues, ragtime, swing, rhythm’n blues  e até punk rock. A idéia era simples: Jake lamentava o surgimento do jazz intelectual, lamentava que o jazz tivesse se tornado uma música elitista, de glamour, fazendo com que só tivéssemos a oportunidade de ver um espetáculo em lugares requintados, o que limitava o acesso (uma aproximação) ao estilo. Muitos começam a apreciar o rock ou a música punk por exemplo, na adolescência ao freqüentar shows em bares ou casa de shows populares. O objetivo era então trazer o jazz de volta ao intelecto das ruas de volta às raízes cortadas (até por que no começo, o jazz era tido como coisa de pobre, música popular, do povão, de pessoas sem cultura). Como? Tocando em casa de shows freqüentadas por apreciadores do rock, música punk e demais lugares baixos (o que inclui até bordéis). Para botar a idéia em ação, ele pensou em um nome que traduzisse toda essa “provocação”, e assim adotou o nome Big Rude Jake. Nos primeiros anos de sua carreira ele evitou tocar em locais “totalmente jazz”, preferindo blues bares, rock, e punk tentando resgatar o "Jazz bordel".

Aos poucos sua música foi chamando a atenção da mídia e dos críticos do Canadá. Suas gravações independentes eram vendidas nas seções de rock, punk ou alternativa nas lojas de músicas. Era difícil de se acreditar que em algumas ocasiões, haviam filas em volta de quarteirões para ver Big Rude Jake tocar em bares tidos como bem baixos (é o que chamamos de bar pé-sujo ou meia-boca). Essa e outras experiências davam vida à sua crença de que o jazz/swing com a atitude certa, poderia ter a credibilidade de rua quanto qualquer rock, soul ou hip-hop no país.

Jake atingiu seu auge quando se mudou para os Estados Unidos em busca de maior visibilidade - ficara frustrado com a má distribuição de seu álbum Blue Pariah (muito elogiado pela crítica) nas lojas americanas - Conseguiu um contrato com a Road Runner Records e excursionou pela Europa e Estados Unidos. Nesse período viveu um sonho, era tratado como convidado de honra, onde quer que fosse com sua banda. Boa comida, bons charutos e hotéis cinco estrelas era corriqueiro na excursão. Porém, a gravadora conhecida por abrigar bandas de metal, ficou mal das pernas e teve que rescindir o contrato com a banda.

De volta ao Canadá, voltou a tocar em bares pequenos disposto a recomeçar, porém, um grave acidente com um táxi - ocorrido enquanto ia de bicicleta para uma casa de show, tarde da noite – somado aos problemas profissionais e pessoais, o fez dar um tempo na carreira e pensar com calma em sua vida. Depois de quase um ano parado, Jake aparece em melhor forma física, mais descontraído e sorridente. Após a volta lançou 2 cds com uma sonoridade diferente do habitual, um em 2002 “Live Faust, Die Jung” e o “Quicksand” em 2009, este último vem sendo muito elogiado, tido como um dos melhores de sua discografia.

Em certa ocasião confessou: “Minha carreira foi a fonte de quase todos os prazeres de minha vida e a maioria das dores. E eu continuo fazendo isto. Eu sou claramente, um insano”.


Big Rude Jake tocando "Chili Bean's Final Carouse" com seu amigo Michael Louis Johnson no trompete.


Big Rude Jake - Swing, Baby!



Site Oficial: www.bigrudejake.ca



4 Musicólatras Comentaram:

Daniel disse...

Eu nunca ouvi falar do Big Rude Jake, mais ao ler a história - muito interessante por sinal - e a música, vou procurar algum material dele para conhecer.

Teve um tempo que me interessei bastante por bandas de Jazz Neo Swing e nesse meio conheci muita coisa bacana, como por exemplo: Big Time Operator, Cherry Poppin' Daddies, Squirrel Nut Zippers, Good Fellas, Big Bad Voodoo Daddy, entre outros.

É um som muito bom pra se ouvir, acho engraçado também os nomes das bandas..sempre exagerados...rs.

Abraço

Daniel

Edison Junior disse...

Que figura! Muito bom esse som, também não conhecia o Big Rude Jake. Abração!

Rafhael Vaz disse...

Verdade Daniel, os nomes sempre começam com Big ou algo que mostre que realmente é uma Big Band. hahah

O "Blue Pariah" tem disponível no meu blog, caso se interessem. Em breve faço um post com outros dele.

Abraços!!

Daniel disse...

Valeu Rafhael. Depois vou procurar la no seu blog.

Abraço